Notas iniciais
Boa Leitura!!!

Eu não posso acreditar no que acabei de dizer. Mas disse. Eu não fazia ideia de como seria a reação dela, provavelmente ela enfiaria batatas em minha garganta e tentaria me afogar no suco de laranja.

Minha imaginação é muito fértil, vocês perceberam...

Mas a reação dela não foi nada do que eu tinha imaginado, não chegou nem perto disso. Ela arregalou os olhos mais ainda do que na primeira vez. Então voltou a sua expressão neutra e fria de sempre.

–- Eu... Eu quero estar sempre ao seu lado... – Consegui dizer.

Ela bebeu seu suco tranquilamente. Enquanto eu estava quase tendo uma ataque cardíaco.

–- Não – Ela disse – Eu já te avisei antes. Não quero que você se aproxime de mim.

–- Mas... Eu não vou conseguir ficar longe de você!

Ela suspirou.

–- Escuta, Daivid. É Daivid certo? – Assenti – Você não sabe o que está dizendo. Então não jogue a sua vida fora por mim.

Ela falava com calma, parecia que já tinha feito isso varias vezes.

–- Jogando minha vida fora por você... Eu sofro de TBH. Sempre que tenho um ataque eu tento me matar, acho que jogar minha fora por você seria melhor do que cometer suicídio e perder a vida por mim mesmo. É por isso que eu não ligo se você me machucar, eu sempre acabo machucando a mim mesmo de qualquer jeito.

–-Daivid. Eu não quero fazer isso com você, então por favor esqueça isso.

Eu me levantei. Chorando. Mas ela parecia não se importar.

–- Daivid – Ela chamou – Eu não posso comer isso.

Apontou para a bandeja de batatas fritas. Eu acenei com a cabeça, peguei a bandeja e sai. Quando abri a porta o professor estava encostado na parede do lado de fora.

–- Aprendeu a lição garoto? – Ele perguntou.

Não respondi. Segui para frente, Tony estava na porta do elevador me esperando. Eu não sabia como ele tinha descoberto que eu estava lá. Também não queria saber, eu queria ir para o meu quarto e deitar, quem sabe dormir ate amanha...

Tony suspirou assim que me viu chegar perto. Ele pegou uma batata frita da bandeja.

–- Eu te avisei não foi? – Ele apertou o botão do elevador.

–- Sim, você avisou Tony – Disse.

Nós descemos, deduzi que alguns alunos já estavam sabendo do ocorrido. Pois quando eu passava perto deles, eles começavam a murmurar entre si dizendo coisas como “é ele” ou “esse é o garoto” ou até mesmo alguns torciam por mim dizendo “eu ainda acho que os dois vão ficar juntos” ou “eles são muito fofos juntos, então ele não pode desistir ainda”. Ignorei tudo.

Nós chegamos ao nosso dormitório. Deixei a bandeja em qualquer lugar e me joguei na minha cama.

–- Daivid – Tony chamou, eu olhei em sua direção.

–- Sim?

–- O que você vai fazer agora?

–- Dormir.

E foi o que eu fiz. Acabei caindo no sono. Eu tinha acabado de levar um fora, mas não um fora comum, e é claro que eu não tinha desistido ainda. Bianca foi a primeira menina que fez eu me sentir assim, mesmo recebendo varias confissões de meninas diferentes. Eu senti algo diferente por Bianca, algo que nunca havia sentido antes, por isso não iria desistir dela.

Acordei como som de uma guitarra. Eu tapei meus ouvidos com o travesseiro, o som era estridente. Virei o pescoço e vi Tony, dedilhando uma guitarra vermelha, ela estava ligada em um amplificador.

–- Anthony! – Eu usei toda minha força para gritar, o som foi mais alto que a guitarra – Desliga isso!

–- Você não curte Heavy Metal? – Ele respondeu ainda dedilhando a guitarra – Pega o baixo e vem tocar comigo!

Agarrei o travesseiro e o joguei em sua direção. Ele largou a guitarra no chão e o barulho foi pior ainda, foi tão estridente que fez meu ouvido zumbir. Como se alguém tivesse atirado com um rifle sniper ao lado de seu ouvido. Tivemos algumas batidas na porta, outros alunos e alguns professores reclamando do barulho. Depois de tudo nós demos risada.

–- Seu maluco – Eu disse – O que você estava tentando fazer? Poderia ter usado a sala de musica.

–- Eu queria te animar. Consegui?

–- Não. – Respondi – Eu ainda estou com vontade de vê-la. Eu quero abraça-la. Beija-la, e também...

–- Chega. Não é como se eu quisesse saber o resto.

Eu me levantei e fui tomar um banho. Vesti uma camiseta preta com estampa de caveiras, jeans e tênis preto. Coloquei meus óculos de grau. Arrumei meu cabelo, já tinha tirado minha faixa, mas ainda tinha um pequeno buraco na minha cabeça. O medico teve que cortar um pequeno pedaço para poder enfaixa-lo. Triste, muito triste.

Anthony vestia uma camiseta polo verde. Tinha penteado seu cabelo para trás, e vestia uma pulseira com espetos como a de um roqueiro. Eu olhava para ele com uma expressão desanimo e desaprovação. Ele pegou sua guitarra do chão.

–- Você não vai se animar? Quer um abraço?

–- Abra essa janela, e se jogue – Eu disse apontando para a janela do quarto.

–- Nã-nã-nã, já está quase no horário da janta, vamos descer?

–- Vamos.

Descemos para o refeitório. A hora da janta, alguns alunos não almoçavam, mas com certeza todos jantavam já que era lotado. Quase não sobrava mesas vazias, mas Tony já havia de certo modo reservado nossa mesa, era a 67. O lugar não era muito bom, mas também não era muito ruim. Enchemos nossos pratos com vários tipos de carne e saladas e fomos sentar.

Alguns segundos depois de sentarmos, duas pessoas se juntaram a nós. Eram irmãos, gêmeos talvez. Ambos eram loiros e tinham olhos castanho-escuros. O garoto vestia uma camiseta branca e uma jaqueta marrom de couro, calça jeans e sapatos pretos. A garota vestia uma camiseta branca de lã com as mangas longas e calça legging preta. Seu cabelo era longo até a altura das coxas. Quase perguntei se ela estava tentando imitar a Rapunzel, mas deixei para lá. O garoto tinha o cabelo curto e um corte moicano. Eles perguntaram se podiam se sentar com a gente, Tony disse que sim. Nós jantávamos em silencio, a garota olhava constantemente para mim o que fazia eu me sentir desconfortável. Anthony quebrou o gelo.

–- Então... Vocês são novos aqui? – Perguntou.

Eu não ficava prestando atenção em todo mundo. Então poderia entrar cinquenta alunos novos que eu não notaria.

–- Sim – O garoto respondeu – Nós começamos hoje. Eu sou Isaac Potter.

Tony apertou a mão do garoto

–- Anthony Orbstron.

–- Daivid Nashville – Eu disse.

A garota estendeu a mão para mim e eu a apertei.

–- Aisha Potter – Ela sorriu para mim.

Nós seguimos comendo, mas agora conversando, Isaac disse que veio para a escola somente para ficar junto de sua irmã. Ou seja, quem tinha o problema era ela. Não perguntei qual era.

Depois que quase todo mundo havia saído do refeitório Bianca chegou. Ela vestia uma saia, botas longas até a altura das coxas e um moletom preto com capuz. Ela se virou para mim, pois eu estava olhando para ela, é claro. Bianca me olhava enquanto as cozinheiras preparavam seu prato, ela se voltou para Aisha, franziu a testa e virou a cara com força. Levantei uma das sobrancelhas e soltei um sorriso.

–- Eu não posso acreditar nisso – Disse.

–- O que? – Tony perguntou – Disse alguma coisa Dave?

–- Não. Nada importante. Só pensando em voz alta. – Recolhi os pretos da mesa – Vou levar os pratos.

–- Eu vou com você – Aisha se ofereceu de imediato.

Nós dois fomos levar os pratos. Eu ainda me sentia desconfortável com ela por perto.

–- Você é muito bonito Daivid.

“Você é muito direta”, pensei.

–- Ah, Obrigado – Ela me olhava tão diretamente que eu revirava os olhos para outro lado para não me sentir desconfortável.

–- Então... Você gosta de alguém?

Me controlei um pouquinho para não deixar os pratos caírem no chão. Olhei de relance para Bianca que estava cortando sua comida com intensidade, Aisha me pegou olhando para ela.

–- Quem é ela? – Perguntou

–- Ela, ela é a minha amiga, Bianca.

–- Amiga... Bem, você está olhando muito para ela, sua amiga vai ter uma ideia errada sobre você.

–- C-certo. Obrigado.

Tony e Isaac conversavam animadamente na mesa. Os dois riam e faziam gestos com a mão. Aisha agarrou meu braço.

–- Parece que eles estão se dando muito bem. Vamos dar uma volta?

–- Mas, é que...

–- É só para me mostrar a escola -- Ela insistiu -- Nada do tipo... voce sabe...

–- Certo -- Concordei por fim.

Notas finais
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