Corações Feridos
7 Storybrooke
Notas iniciais
“A vida dos dois será infeliz, cheia de obstáculos, até que o destino os una. E que suas almas se encontrem. O procure nem todos têm a chance de possuir um amor verdadeiro, eles não são apenas contos de fadas... são reais, existem! E você tem a sua Regina, encontre-o e não deixe que a vida os separe, se não ambos sofrerão as consequências, procure o homem da tatuagem de leão. Estou lendo o seu destino, e as marcas traçadas nas suas mãos têm um significado, é como se viesse de outras vidas, encontre a sua felicidade! ”
Aquelas foram as palavras da cigana enquanto lia a mão de Regina. A mesma lembrou-se daquele momento repetidas vezes até adormecer.
O Sábado havia chegado, o tão esperado dia de ação de graças.
Regina não sabia o por que havia acordado inspirada naquela manhã.Resolveu fazer algo que a mesma não realiza em anos,pintar.
Desde criança, sempre fora apaixonada por desenhos e pinturas, e esse dom permanecia presente. Entretanto, com a falta de tempo e a pressão constante de seus dias, acabou por ignorar.
Na infância e adolescência seu maior sonho era tornar-se uma pintora renomada de sucesso.
Porém, por questões óbvias não pode, sua mãe não aceitava de forma alguma que Regina optasse por essa carreira.
Acabou por fazer o que seus pais desejavam, tornando-se uma grande advogada. Contudo, ela não podia negar que amava seu trabalho, e não conseguia mais viver sem ele.
O gosto de apreciar uma boa arte ainda percorria suas entranhas.
Sendo assim com aquela vontade aguçada de pintar, resolveu expressar seus sentimentos através da arte.
Levantou-se, colocou uma calça de abrigo cinza, uma regata branca, prendeu seus cabelos em uma colinha e dirigiu-se onde ela fazia suas atividades quando era mais nova.
Ao abrir a porta surpreendeu-se, tudo estava como antes. Por sorte ainda havia todos os materiais que precisava disponíveis.
Construiu um cômodo parecido com aquele em sua mansão em Nova York. Porém, faziam meses que ela nem sequer entrava nele, não sabia mais como estavam seus quadros.
Alguns ela havia levado para o escritório, obviamente ninguém além de sua família sabia que a mesma os pintava. Acreditava, que eles passavam despercebidos pelos funcionários, afinal nem a própria reparava. Abriu a janela e percebeu o lindo amanhecer no horizonte, decidiu que aquela seria a imagem perfeita para sua obra. Sorriu e começou a pintar.
Sentia-se leve. Era como se estivesse fazendo uma terapia, por vezes sujava-se de tinta, mas não se importava. Sua arte estava adquirindo uma tonalidade única, valor sentimental.
Regina estava tão distraída que nem sequer percebeu o tempo passar... Duas horas haviam passado, desde que a mesma estava trancada naquele quarto.
Por fim havia terminado, admirava seu trabalho com orgulho e um belo sorriso no rosto.
Sempre achara o horizonte da Carolina do Norte um dos mais deslumbrantes e agora pode passar sua visão para um dos seus quadros.
Satisfeita com o que acabara de fazer, resolveu deixa-lo secando e descer, não havia se alimentado ainda e seu estomago começava a cobrar.
Passavam-se das nove horas da manhã, todos tomavam seu café da manhã, com exceção de Regina que não se encontrava no local. Robin olhava constantemente para a porta esperando por ela.
Ao perceber o olhar do senhor Henry pairar sobre ele, o mesmo desvia sua atenção da porta, e toma um gole do seu café.
Logo são surpreendidos por Regina adentrando o ambiente, e com ela um cheiro de tinta.
—BOM DIA!
A mesma exclamou sorridente.
—BOM DIA!
Responderam em uníssono.
Foi inevitável para Robin não se surpreender mais uma vez com sua chefe. Vislumbrar esta, suja de tinta, e seus cabelos mesmo presos rebeldes. E aquele sorriso...
—Regina você estava pintando?
Pergunta Cora.
—Sim. Por que? Algum problema?
Questionava Regina, seu sorriso havia desaparecido, sua voz adquiriu uma frieza.
Sorveu um pouco do café que acabará de fazer.
Emma interfere:
-Nossa Regina eu não sabia que você pintava.
—É digamos que faz tempo, muito tempo que eu não pintava.
—Nós podemos ver?
Os meninos questionam.
—Claro!
Robin comenta:
—Nossa que coincidência, então temos duas pessoas com o dom da arte, Valerie adora desenhar.
—É mesmo Valerie?
Pergunta Regina.
—É sim doutora. Desenhar é minha paixão!
—Eu já disse para me chamar de Regina, se você quiser posso te mostrar algumas coisas que eu fazia quando tinha a tua idade.
—Eu adoraria... Regina.
Valerie disse sorrindo.
Regina o retribuiu.
O restante do tempo passou, e logo todos terminaram seus respectivos cafés.
***
Os meninos brincavam no jardim, Valerie e Robin conversavam sobre como iriam para o centro da cidade.
—REGINA!
Os meninos descem dos balanços e vão correndo até ela.
—Olá novamente meninos!
—Nós vamos passear na cidade! Quer ir com agente?
Regina foi pega de surpresa com aquela proposta.
Robin encarou Roland como forma de repreensão.
Antes que a mesma pudesse responder, é chamada por Cora que estava com Archie.
—Regina, olha quem veio ver você.
—Doutor Hopper.
Ela suspira.
—Archie veio ver se você quer sair com ele hoje á tarde.
É surpreendida pela intervenção que veio a seguir.
—Sabe o que é dona Cora, a doutora acabou de confirmar que vai sair comigo, e os meus filhos daqui a pouco.
—Tudo bem, se a Regina vai sair com vocês.
Disse Cora.
—Eu não quero atrapalhar teus planos.
Conclui Archie, olhando para Regina.
Assim que os dois saíram Roland comemorou:
—EBAA!
—Espero que você não se importe.
Comenta Robin.
—Não. É melhor passar a tarde com você do que com o doutor Hopper. (Suspira.) -Então... vamos?
Quinze minutos se passaram, e logo todos chegaram na cidade. Foram para a praça, os meninos observavam os patos no lago, enquanto Valerie jogava para eles pedaços de pão.
Robin e Regina sentaram-se no banco mais afastados.
—Obrigada, digo... por ter interferido.
—Eu sei bem como é isso, querem fazer o nosso bem, não compreendem que queremos um tempo.
—A minha mãe faz isso somente por status, ela nunca aceitou meu relacionamento com o Daniel, dizia que ele não prestava. (Suspira) –Bom no fundo ela estava certa. Dói tanto!
Regina profere se arrependendo de demonstrar fraqueza diante de Robin Locksley, como era possível abrir-se assim com ele?
Esse era um dos questionamentos que percorriam seus devaneios... até ouvir as palavras a seguir.
—Ninguém se acostuma com a dor, apenas aprendemos a viver com ela.
—Só quem sente a dor sabe o que ela causou, sinto que você tenha passado por isso sozinho.
—Eu tive duas motivações que me fizeram seguir em frente.
O mesmo aponta para seus filhos.
—ROBIN QUANTO TEMPO! QUE SAUDADES CARA!
Exclamava João Pequeno.
Os dois se cumprimentam.
—Ainda bem que você está aqui! Preciso da tua ajuda o mais rápido possível!
—Eu iria adorar te ajudar, mas estou com as crianças aqui...
—Pode ir com seu amigo, eu cuido deles. Vou leva-los para tomar sorvete.
—Tem certeza?
—Claro.
Robin chama os filhos os orienta para respeitarem Regina.
Na casa do amigo...
—Então... quem era aquela mulher que estava com você?
—É a minha chefe, e ela também é a cunhada da Emma.
—Então ela é a tenebrosa “dama de gelo”? Que você tanto me falou por telefone...
—Digamos que ela não é tão tenebrosa assim.
—Você esqueceu de mencionar o quanto ela é bonita! Por acaso é casada?
—Está se divorciando, mas não é mulher para você.
—E nem para você.
—Eu nunca disse que seria, nem penso nesse tipo de relacionamento e ela também não. Além do mais, Regina não é o tipo de mulher que aceita qualquer um.
***
Já fazia uma hora desde que Robin havia saído com seu amigo.
Regina, Valerie, Roland e Henry o aguardavam em frente ao estabelecimento que ficaram de se encontrar.
—Tia Regina, eu quero cacunda.
—Roland, o pai disse para não incomodar.
—Oh não, tudo bem.
Regina se agacha e o mesmo sobe em suas costas, satisfeito o menino soltava gargalhadas. Robin que dobrava a esquina presenciou tudo, sorriu ao ver a felicidade do filho.
—Voltei!
Ao escutar a voz do pai Roland fica inquieto e Regina com cuidado o coloca no chão.
—PAPAI!
O menino se encaminha em direção ao Robin que estica seus braços, fazendo com que seu filho se jogasse.
Depois de um tempo abraçados Robin pergunta:
—E aí eles se comportaram?
—Claro, seus filhos são muito educados.
Por fim, entraram no Granny’s, a vovó assim que viu Robin foi de imediato abraça-lo.
—Robin! Crianças!
Granny fazia carinhos e beijava-os, até reparar na presença de Regina.
—E essa bela mulher quem é?
—É Regina Mills, minha chefe e cunhada da Emma.
Ambas se cumprimentam.
Robin continua:
—Granny é uma grande amiga! Ela deu a mim e Emma a oportunidade das nossas vidas... Quando nos mudamos de Storybrooke ela sentiu tanto a nossa falta que resolveu se mudar para cá também...
“Storybrooke? Storybrooke? ” Regina pensava.
—Você está bem?
Pergunta Robin, preocupado vendo a palidez evidente no rosto dela.
—Você... você já viveu em Storybrooke?
—Sim eu e Emma, ela nunca te contou? Vivemos dez anos por lá, até Neal...
Robin para de falar ao perceber a reação do sobrinho, o mesmo continua:
-Você já esteve por lá?
—Sim, mas foi apenas por alguns meses.
—Nossa tia eu não sabia!
—Então... Onde vamos sentar?
Granny’s responde:
—Por aqui, por favor.
A mais velha, guia eles até uma mesa.
Quarenta minutos haviam passado desde que chegaram ao restaurante. Regina percebeu o quanto Robin era querido na cidade, afinal a mesa que eles estavam era abordada frequentemente.
Naquele momento, Robin estava com a vovó.
—Muito bonita a sua acompanhante.
Robin balançou a cabeça negativamente.
—Não é o que você está pensando, ela não é minha acompanhante. Saiu conosco para evitar alguém pior que eu.
—Pior que você? Você é um homem bom!
—Digamos... que nós dois temos um relacionamento complicado, tivemos que aprender a conviver juntos pelos nossos irmãos. Regina com certeza é a mulher mais audaciosa que eu já conheci.
O mesmo diz a observando, enquanto ela sorria “lindamente” conversando com as crianças.
—E isso te atrai...
—O QUE?! Não... não é isso, digo...
Ele diz gaguejando.
—Tudo bem, querido... já faz três anos! (Granny pega na mão dele) –Robin, permita-se amar novamente. Não deixe seu coração ferido para sempre.
***
Quando voltaram para a mansão, tudo já estava pronto para o jantar. A neve começava a cair lentamente.
—Finalmente vocês chegaram!
Exclamou Emma.
—FOI SUPER DIVERTIDO! TIA REGINA NOS LEVOU PARA TOMAR SORVETE! NÓS FOMOS NA PRAÇA, E NO GRANNY’S!
Afirmava Roland animado.
—Vocês foram no Granny’s?
Robin intervém:
—Sim, e a vovó mandou um beijo para você, e te parabenizou pelo casamento.
—Estou com saudades dela.
Ela fala dirigindo-se a mesa, onde todos os aguardavam.
Já sentados em seus lugares, Henry comenta:
—Mãe sabia que a tia Regina já esteve em Storybrooke!
—Isso é verdade Regina?
Pergunta Emma.
Foi inevitável esconder sua surpresa, não sabia o que responder... Regina Mills, jamais ficava sem resposta, ou pelo menos nunca havia ficado até aquele momento.
—É verdade sim! Não é, primos? Minha tia disse que ficou lá alguns meses.
Regina questionou-se mentalmente o porquê de ter comentado aquilo.
—Impossível, Regina nunca esteve nesse lugar!
Afirmou Cora.
—Ela disse que sim.
Responde Roland de boca cheia.
—Você já esteve lá filha?
Pergunta Senhor Henry suavemente. Fazendo com que a mesma saísse de seus devaneios, não poderia negar, então confirmou.
—Sim.
Foi o que disse antes de tomar um gole do seu vinho.
—O que você foi fazer numa cidade como aquela?
Pergunta Cora com desdém.
Por um rápido impulso Regina teve vontade de dizer a verdade “ter meu bebê! ”
Sabia que a verdade não seria apropriada naquele momento, nem nunca...
Respondeu o que achou ser mais cabível.
—Trabalho.
—E você ficou lá por meses para resolver um assunto de trabalho?
Questionava Cora.
—Bom tecnicamente não foram meses, eu me confundi quando falei para eles, foram duas semanas. (Suspira.) –Duas semanas.
—Que cor vocês acham que vai ser os olhos do bebê?
Indagava Zelena, mudando de assunto.
Todos começaram a dar seus palpites, e logo esse acabou por tornar-se o assunto do jantar. Comentavam sobre o bebê, animados.
Para Regina foi uma sensação terrível, sentia-se péssima em não conseguir se sentir feliz como os outros. Mas, suas circunstâncias a impediam. Sua irmã mais nova teria um filho, o que ela não pode.
Lembrar-se de Storybrooke naquele momento a fez recordar-se da noite do seu parto, do seu bebê. Seu pequeno príncipe, talvez se ele não tivesse morrido ela estaria casada, feliz. Realizaria seu maior sonho, ter sua própria família. Não viver somente de um pouco de amor que recebia do Henry, ele sempre fora muito atencioso mais do que deveria, afinal ela não era uma pessoa tão fácil. Porém ela queria mais, e a última coisa que queria, era o que ela tinha solidão...
É desperta por Zelena :
—E você Regina?
—O que?
—Que cor será os olhos do seu sobrinho?
—Ah... não sei, tanto faz.
Zelena não gostou nada daquela resposta:
-Tanto faz?
Antes que Regina respondesse Rosa, a empregada surge na sala de jantar:
-Dona Regina telefone para senhora é de Washington!
Regina levanta-se rapidamente.
—É do trabalho preciso atender!
—Sabe o que eu acho que é isso? É inveja!
Afirma Zelena.
—Como?
Pergunta Regina.
—Isso mesmo que você ouviu! Desde que eu anunciei a minha gravidez você mantém essa indiferença, mal conseguiu me parabenizar, sempre quando tocamos no assunto do meu bebê você inventa alguma desculpa e se afasta.
—Olha Zelena eu...
—Eu ainda não terminei, você está com inveja de mim porque eu vou ter um bebê! E você não porque outra vai dar ao Daniel o que a “senhora trabalho” não deu! Deve ser difícil não é? Ser trocada? Como você se sentiu? Por que é justamente como eu me sinto agora!
—ZELENA!
Senhor Henry interfere.
Aquelas palavras feriram Regina por dentro... ecoavam pela sua cabeça “ser trocada, senhora trabalho ” era realmente aquilo que sua irmã pensava?
Sua cabeça estava abaixada, imaginava que todos os olhares pairavam sobre ela, não podia chorar. Por mais transbordado que seus olhos estivessem...
—Cora você não vai dizer nada?
Questionava senhor Henry.
—Zelena está com toda razão!
—Cora.
—Se Daniel traiu Regina a culpada é ela, não deve importunar os outros e deixá-los tristes com seus próprios erros.
Naquele momento, Regina não soube quais palavras a magoaram mais. Mantendo-se firme ergueu sua cabeça e disse: -Eu preciso atender essa ligação. Com licença.
Depois de dar alguns passos estagnou diante da porta, afrontando a irmã.
—Eu realmente não me importo com a cor dos olhos do bebê, você tem que se preocupar que ele venha com saúde. Sabe por que? Muitas mães nem sequer tem a oportunidade de segurar seus filhos. (Suspira.) – Mas, se uma resposta superficial é todo que você deseja, eu prefiro que o bebê tenha olhos como os seus azuis!
Dito isso se retirou.
Zelena ao escutar o grito do pai arrependeu-se, porém já era tarde. Lamentou sabia o peso que tais palavras causariam...
—Eu vou atrás dela!
Disse levantando-se.
—Não, deixe com que sua irmã atenda esse telefonema. Depois eu falo com ela.
Respondeu senhor Henry.
Dez minutos passaram, desde que Regina se trancará no escritório enquanto falava ao telefone.
Por fim, retornou para a sala de jantar.
—Rosa por favor arrume as minhas malas, preciso estar em Washington em quatro horas.
Regina diz olhando para o relógio em seu pulso. A mesma continua:
—Pai preciso falar com o senhor.
—Ah claro querida é sobre o que?
—Meu pedido de demissão.
Cora aflita pergunta:
—O que você fez de errado agora Regina?
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