Corações Em Chamas
3 Uma Luz No Fim Do Túnel
Já se passava das 14:00 hrs, quando acordei com o barulho da campainha do apartamento tocando. Dei um grito, avisando que já ia atender, e me vesti. Escovei os dentes rapidinho, arrumei o cabelo e fui ver quem era. Dei uma olhada pelo olho mágico, e vi que era a Marcela. Me olhei no espelho, e vi que ainda estava com a cara toda amassada. Mesmo assim, resolvi abrir a porta. Marcela entrou tão radiante, que me senti humilhado, por estar usando roupas de dormir, e estar com cara de sono, e o cabelo meio bagunçado.
– Boa tarde Gui.
– Boa tarde? São que horas? — Perguntei, correndo pra cozinha, pra cozinha ver a hora. — Meu Deus, tudo isso?
– Estava dormindo até agora?
– Sim. — Dei uma risadinha. — Cheguei, tomei banho, e dormi sem nem botar roupa.
– Gente... — Marcela deu uma risada. — Tava muito cansado?
– Sim. Eu estava muito cansado. No banho chorei muito também, pelo que aconteceu ontem.
– Putz... Mas eu vim justamente pra falar disso. — Marcela abriu um sorriso, e eu até estranhei.
– O que houve? Você parece estar feliz. — Sentei no sofá, e retornei a perguntar. — Aconteceu alguma coisa?
Marcela apenas deu um sorriso largo, e disse:
– Vai tomar um banho, e botar uma roupa descente. Vamos sair.
– A essa hora? Tá muito cedo pra beber Marcela.
– Vai, vai, vai, vai, vai... — Ela disse me levantando, e me jogando em direção ao quarto. — Só não demora.
Me rastejei até o banheiro, e falei:
– Tá bom.
Terminei de me arrumar, peguei a chave do apartamento, e saímos. Marcela estava de carro. Um Crossover da Peugeot, de cor preta.
– Uau... Esse é teu carro? — Perguntei surpreso.
– Sim. Por que?
– Você trabalha com o que?
– Sou estilista. — Marcela deu uma risadinha. — Mas por que, essa pergunta?
– Seu carro... Modelo novíssimo.
– Ah sim... Verdade. Ele é lançamento.
– Entendi. Enfim, vamos?
– Claro.
Marcela liberou as portas, e entramos. Ela ligou o carro, e foi em direção a praia. Estava sem trânsito, então ela começou a dirigir mais rápido.
– Aonde estamos indo? Porque eu ainda tenho que procurar emprego, ou algum bico pra fazer, pra conseguir dinheiro para voltar pra minha cidade.
– Calma baby. Logo você descobre.
– Ai Marcela... Fala logo. — Comecei a rir de nervoso e curiosidade. — To que não me aguento de curiosidade.
– Estamos indo encontrar um amigo meu. Satisfeito?
– Que amigo?
– O nome dele é Jonathan.
– Mas por que, vamos encontrar ele?
– Você logo vai saber, porque acabamos de chegar. Vamos?
– Vamos encontrar ele aqui nesse restaurante? — Fiquei olhando pro restaurante. Eu lembrava dele. Era o restaurante de luxo, que eu vi, na minha primeira noite na cidade. — Esse restaurante é de luxo, e eu estou sem dinheiro pra bancar um almoço.
Marcela deu uma risada.
– Não se preocupa. Te garanto que vai gostar bastante. — Marcela saiu do carro, e ficou me olhando. — Você não vem?
Sai do carro, e o frentista entrou nele, pra estaciona-lo. Entramos no restaurante, e ele parecia fechado. Só havia um homem sentado no bar. Ele era moreno, bom porte e se vestia muito bem. O rapaz então se virou, e ele tinha um sorriso tão branco, que acho que nunca vi nada mais branco, que o sorriso dele. O rapaz, que parecia aparentar uns 22 anos, foi se aproximando, e veio em nossa direção.
– Amigo. — Marcela falou, dando um beijo de comprimento no rosto do rapaz.
– Tudo bem sumida?
– Tudo sim, meu anjo. E com você?
– Também. — Ele respondeu me olhando sorridente.
– Que bom. Enfim, Jonathan, esse é o Guilherme. Guilherme, esse é o Jonathan.
– Prazer. — Eu disse indo apertar a mão dele, mas ele me abraçou, como cumprimento.
– O prazer é todo meu. — Ele sorriu pra mim. Tinha um leve cheiro de hortelã no hálito.
– Devidas apresentações feitas, precisamos conversar nós três. — Marcela disse.
– Claro. Vamos sentar nessa mesa aqui. — Jonathan disse, puxando as cadeiras. — Cássio, vem aqui. — Jonathan chamou um garçom. — Vocês querem o que? Podem pedir qualquer coisa.
– Eu vou querer um cappuccino. — Marcela pediu ao garçom.
– E você Guilherme?
– Nada não.
– Pode pedir. Eu insisto. — Falou Jonathan.
– Okay... Eu vou querer uma limonada suíça. — Jonathan segurou em minha mão, dando um sorriso pra mim.
– Isso. Hãn... Cássio, pra mim traz uma limonada suíça também. — Ele me olhou rindo, e me deixou sem graça.
– Okay, seu Jonathan. — O rapaz saiu, para buscar nossas bebidas.
– Bom... Sobre o que é essa conversa Marcela?
Marcela me olhou, e começou a falar:
– Jon, eu sei que você está precisando de um novo mestre cuca, certo?
– Sim... Até vou botar um anuncio no jornal amanhã. Mas por que a pergunta? — Jonathan novamente me olhou.
– Então... O Guilherme é formado em gastronomia, e está na cidade, pra conseguir um emprego. Se ele não conseguir esse emprego em 3 dias, ele terá que voltar pra cidade dele, pra trabalhar com o pai, e assim abandonar o sonho dele.
– Por que não me falou dele logo? — Jonathan perguntou.
– Conheci ele ontem, quando ele tinha acabado de ser assaltado. Dai ele me contou a história dele, e eu me lembrei de você, e quis ajudar.
– Olha, eu não quero atrapalhar. Se você achar que não tem nada pra mim, eu entendo. — Eu disse.
– Não se preocupe anjo. Eu to aqui, pra te ajudar. — Ele pegou minha mão de novo, e ficou me olhando nos olhos. — A vaga é sua.
Meus olhos se encheram de lágrimas de tanta felicidade.
– Sério? — Eu disse, segurando a mão de Jonathan.
– Sério. Finalmente você apareceu.
– Muito obrigado. De coração. Mas você não quer nem que eu faça uma experiencia?
– Não precisa. Confio em você e na Marcela. — Ele lançou mais um sorriso.
Um rapaz entrou no restaurante, e se aproximou da mesa. Ele olhou pra mão do Jonathan, que estava sobre a minha, e a minha outra mão, sobre a dele, e me olhou feio.
– Essa não. — Jonathan sussurrou. — Igor, o que você faz aqui essa hora?
– Que palhaçada é essa? Quem é esse rapaz Jonathan? O que você está fazendo aqui Marcela? Alguém pode me explicar o que está rolando aqui? — Igor falou gritando.
– Calma Igor. — Jonathan falou. — Não é nada do que você está pensando.
– Pera ai... O que está acontecendo? Eu só vim aqui pra conseguir um emprego. Eu não tenho nada pra fazer aqui. — Falei soltando da mão de Jonathan, e me levantando. — Vamos Marcela. Bom, Jonathan você avisa a Marcela quando for pra mim começar. Tchau pra vocês.
Me virei pra sair, quando Jonathan levantou da mesa, e me segurou pelo braço.
– Pera ai, Guilherme. Fica. Preciso falar com você.
– Melhor não. Ele não parece feliz, comigo aqui. Me deixa ir, por favor.
– Não. Se alguém aqui tem que sair, esse alguém, é você Igor. Você faça o favor, de se retirar. Isso aqui não é da sua conta. Na verdade, minha vida não é da sua conta. Agora por favor, vá embora, ou terei que chamar a segurança.
– Mas...
Jonathan não deixou Igor terminar a frase, e começou a falar:
– Mas nada. Sai!
Igor me olhou com cara de ódio. Passou esbarrando em mim, e virou pra falar algo:
– Isso não vai ficar assim. Guilherme, fique sabendo, que você tem um inimigo agora. Você se meteu com a pessoa errada.
– Isso foi uma ameaça? — Perguntei, chegando mais perto de Igor.
– O que você acha?
– Você vai ver... — Jonathan me puxou pela mão, pra perto dele, me impedindo de terminar.
– Igor, some daqui. Já foi procurar tratamento garoto? — Marcela chegou pra perto.
– Vou sair daqui sim. Mas Marcela, cadê o Michael? Deve estar com alguma piranha por ai né?! — Igor falou em tom de deboche. — Corna!
Igor saiu do restaurante, andando com passos fortes.
– Seu idiota. O Michael está no trabalho animal. — Marcela gritou para Igor.
– Deixa ele Ma... — Jonathan abraçou Marcela. — Ai Jesus... Quando eu vou me livrar dessa praga?
– Quem é ele? — Perguntei, tentando entender o que havia acabado de acontecer.
– Longa história. Senta ai, que te conto tudo, e como você deve reagir quando encontrar com o Igor.
– Tá bom. — Sentei, para escutar essa história, que de fato, era longa. Bem longa.
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