Corações Em Chamas

20 Um Encontro Com o Passado.


Jonathan recebeu alta, e estava indo pra casa com Marcela e Michael, quando comentou:

– Eu achei muito estranho quando o doutor disse, que ainda não tinha mandado ninguém pra levar meu jantar. Será que o enfermeiro errou o quarto?

Marcela olhou pra Michael apreensiva, e Jonathan continuou.

– O que foi gente? Me conta.

– Não é nada não. É só que o Michael disse a mesma coisa que você, né amor?

– Não. Amor, acho melhor contar o que a gente acha.

– Não faz isso Michael.

– Ele tem o direito.

– Alguém me explica o que está acontecendo? — Jonathan perguntou sem entender nada.

– Não, Michael.

– É que a gente acha que o tal enfermeiro que foi lá primeiro, seja o Igor. — Michael disse olhando pra Jonathan, que parecia chocado.

– O Igor? Mas por que, vocês acham isso?

– Porque uma roupa de enfermeiro, foi encontrada no estacionamento. E essa seria a única maneira de ele entrar no quarto.

– Meu Deus, por que eu? Eu não acredito que eu namorei uma pessoa, que queria me matar esse tempo inteiro. Eu sou muito burro.

– Calma amigo. Você não pode se estressar. Por isso que eu nem ia te contar, mas o Michael não guarda essa lingua na boca.

– Ele tem o direito de saber, Marcela.

– Não briguem por isso pessoal. Tá tudo certo.

A viagem de volta pra casa, seguiu em mais absoluto silêncio.

Michael chegou ao apartamento de Jonathan, só que nem ele nem Marcela subiram. Jonathan pediu pra ficar sozinho. Jonathan entrou no seu apartamento, e viu algumas fotos dele e do Igor juntos, espalhadas pela sala. Ele num momento de raiva, começou a quebrar os porta-retratos, e a queimar as fotos.

– Eu te odeio Igor. Você estragou a minha vida, e o pior... Estragou a vida do Guilherme, que não tem nada a ver com isso. Maldito! — Jonathan falava olhando para uma foto pegando fogo.

Jonathan deitou ali mesmo no chão da sala, aonde adormeceu.

Já eram 9:00 hrs, quando o celular de Jonathan tocava. Ele colocou a mão no bolso, e puxou umas folhas. Eram as folhas do formulário que Guilherme preencheu, que contia seu endereço. Jonathan pegou essas folhas escondidas de todo mundo, e não contou nem pra Marcela. Seu celular continuava a tocar. Ele então pegou e atendeu:

– Hãn... O-oi.

– Oi. Tudo bem Jonathan? Você está sentindo alguma dor? — Marcela perguntou ao telefone.

– Não. É que acabei de acordar.

– Ah sim... Bom, vamos andar na praia? Eu e Michael pegamos você ai.

– Hãn, não vai dar. Eu ainda to cheio de sono. Fui dormir tarde. Estava pensando em hoje, eu ficar em casa. Amanhã nós podemos ir, se você quiser.

– Puxa, queria tanto te ver.

– Vamos deixar pra amanhã. Preciso de um tempo pra mim. Preciso digerir toda essa história toda.

– Tá bom. Então até amanhã. Fica bem amigo.

– Vou ficar sim. Beijos. — Jonathan disse desligando o telefone.

Ele começou a procurar a chave do seu carro, e então lembrou que seu carro tinha ficado no restaurante da última vez que ele usou. Ele então resolveu pegar um táxi. Desceu, e o porteiro o cumprimentou. Logo quando saiu, tinha um táxi parado. Jonathan deu o endereço pro motorista, que seguiu para o destino.

O endereço era perto de uma estrada, mas a casa mesmo ficava no meio de uma mata. Um lugar bem reservado. Ótimo pra quem não queria ser encontrado. Jonathan antes de bater na porta, se certificou que não tinha ninguém ao seu redor, e ao concluir que era o único, bateu.

– Já vai. — Uma voz vinha de dentro da casa. — Só um minuto.

Jonathan nada respondeu. Ele estava muito nervoso, pois podia ser seu Guilherme, mas ao mesmo tempo, podia ser qualquer outro Guilherme dos Santos.

A porta se abriu, e uma pessoa de pele branca, e cabelo bagunçado abriu.

– Pois não.

Jonathan estava de costas. Ele na mesma hora reconheceu a voz.

– Guilherme. — Jonathan disse, virando de frente pra ele. — Meu Guilherme. — Jonathan abriu um enorme sorriso.

– Jonathan? — Guilherme não acreditava. Aquele era seu esconderijo tinha mais de 1 ano, e nunca ninguém o descobriu. — Como... Como... Como... — Guilherme gaguejava muito pra falar, pois estava muito nervoso. — Como você me encontrou?

– Meu Deus, é você mesmo. Você está muito mais lindo que antes. — Jonathan tentou beijar Guilherme, mas ele se afastou.

– Não Jonathan.

– Guilherme, eu esperei por esse momento tem mais de 1 ano. Não me nega isso, por favor.

– Acontece, que não é seguro pra mim, você estar aqui.

– Você não vai me convidar pra entrar?

– Você não pode estar aqui. — Guilherme falou fechando a porta. Jonathan botou o pé, impedindo que a porta se fechasse. — O que você está fazendo?

– Eu te perdi uma vez, e não vou deixar isso acontecer de novo.

– Não é uma escolha sua.

– Você pode até tentar, mas eu não saio daqui sem falar com você.

Guilherme quando percebeu a persistencia dele, o puxou para dentro e fechou a porta.

– Uau, que lugarzinho legal. — Jonathan disse, para quebrar o clima pesado.

– Obrigado, mas você não veio aqui, para falar dos meus móveis. Fala logo o que você quer.

– Por que, você está me tratando assim? Eu não te fiz nada.

– Graças a você, eu perdi 1 ano da minha vida. Eu quase morri, quando eu estava caindo daquele precipicio. O seu ex psicopata, que mandou me matar. Você sabia disso? — Guilherme gritava e chorava enquanto falava.

Jonathan se sentia culpado por isso tudo.

– Me desculpa de verdade. E sim, eu descobri isso esses dias. A Marcela tentou me falar durante esse tempo todo, mas eu não queria acreditar que foi aquele monstro. — Jonathan estava chorando também. — Me desculpa Guilherme?

– Eu quero te desculpar. Quero muito. Mas não sei se consigo.

Jonathan saiu do sofá que estava sentado, e se ajoelhou na frente da poltrona em que Guilherme estava. Segurou sua mão e disse:

– Eu juro que te amo. E vou fazer de tudo, pra prender esse bandido. Só assim, pra você poder voltar a sua vida normal. Eu devo isso a você.

Guilherme olhou para Jonathan a sua frente, tão puro e verdadeiro, e não resistiu. O beijou com força. Puxou Jonathan pela camisa, para que ele se levantasse, e foram andando sem parar de se beijar em direção ao quarto. Peças de roupas iam ficando pelo caminho. Quando chegaram ao quarto, os dois já estavam completamente nú. Guilherme deitou Jonathan na cama, e passou a perna por cima dele. Os beijos foram ficando mais quente.

– Eu queria isso tem tanto tempo. — Guilherme disse, ainda beijando Jonathan.

– Eu quero desde a primeira vez que te vi.

– Então vem. — Guilherme disse puxando Jonathan.

Os dois ficaram ali por mais de uma hora. Jonathan estava muito feliz. Seu Guilherme estava vivo, e estava ali com ele. Em vários momentos ele achou que fosse só sonho, mas Guilherme garantia pra ele, que era tudo real. Os dois acabaram dormindo.

Guilherme acordou com o celular apitando. Era uma nova mensagem.

"Amigo, vou passar no mercado pra comprar as coisas, e fazer uma comida pra nós. Arruma a casa. Beijos."

Guilherme levantou da cama, mas tentou fazer com que Jonathan continuasse dormindo, mas não deu certo.

– Ei... — Jonathan disse meio sonolento.

– Oi.

– Vai aonde?

– Você precisa ir.

A cara de Jonathan mudou.

– Eu achei que podia passar a noite com você.

– Infelizmente, não é assim. Eu moro aqui graças a uma pessoa. A pessoa que me encontrou no precipicio. Desde então, eu moro aqui. Sempre me escondendo. E se essa pessoa te ver aqui, é capaz de me expulsar.

– Se te expulsar, você vai morar comigo.

– Não é tão fácil assim, Jonathan.

Guilherme sentou na cama.

– Eu não posso voltar. Pelo menos, não ainda.

– Mas por que?

– Por causa do Igor. Ele pode simplismente, querer acabar com o serviço que ele começou lá atrás. Não é seguro pra mim.

Jonathan baixou a cabeça triste, mas sabia que era verdade. Sabia que o seguro para Guilherme, era ficar ali. Isolado de todos.

– Mas quando isso tudo acabar, você vai voltar. E vai voltar pra mim.

– Mas eu nunca fui teu. — Guilherme disse brincando. Jonathan sorriu, e o beijou.

– Palhaço. — Jonathan deu um soco em Guilherme, que caiu por cima dele, o beijando mais e mais.

– Ei, eu te amo.

– Eu te amo muito mais, Guilherme. Eu te amo, eu te amo, eu te amo! — Jonathan disse gritando.

Jonathan estava saindo, quando lembrou de algo:

– Obrigado.

– Pelo que?

– Por ter me salvado. A doação de sangue que você fez, que me salvou. Você salvou minha vida.

– Você sabe que fui eu?

– Sim. Quem recebe tem o direito de ver quem doa, se quiser. Eu queria. E quando vi a assinatura, eu sabia que era você.

– Então foi por causa disso que você me encontrou né? Eu tive que por meu endereço.

– Sim. Eu roubei a página do seu endereço.

– Ainda bem que você fez isso. Se não, você nem estaria aqui. — Guilherme deu um beijo em Jonathan. O taxista buzinou, e os dois riram.

– Tchau.

– Tchau, amor. — Guilherme disse.

Jonathan virou, e Guilherme pode ver uma grande felicidade nos olhos de Jonathan. Ele sabia que era amo de verdade.