Coração selvagem

14 XIV - Protetor


As aulas retornaram e meu castigo realmente durou uma semana. Minha mãe cumpria o que dizia... Enfim, o colégio parecia mais animado, não sei por quê. Todos pareciam felizes, tirando uns ou outros que acordavam com o pé esquerdo de vez em quando. O plano do sensei continuava o mesmo para fazermos devidamente os trabalhos e eu continuava sendo a dupla de Murasakibara. Porém agora estando na segunda parte do ano letivo havia muito mais trabalhos, o que me forçava a ter mais encontros para fazermos os trabalhos juntos... Pelo menos nós dois entramos num acordo: revezávamos na casa de quem iria ser feito o trabalho. E, infelizmente, dessa vez foi na casa dele.

Olhei para o que ele estava fazendo e fiquei surpresa.

– Você é bom nessa matéria! – Disse surpresa.

– Eu sei.

Fiz cara de tédio.

– Como foram suas férias? Você não me disse. – Ele comentou.

– Hum, um saco. – Disse, suspirando – Não fiz nada demais, só fiquei em casa.

– Eu fui pra praia, foi legal.

“Joga na cara...”, pensei apertando os olhos em direção a ele.

– Ne, vai ter um jogo nesse sábado à tarde, vem me ver. – Ele disse, escrevendo.

– Nande?

– Porque eu estou pedindo.

“Eh? Sem chantagens?”, pensei. Abaixei o olhar, me lembrando do dia do Sukiyaki.

– Hum, tá. – Disse.

– Yuka disse a Mido-chin que vocês vão ter um jogo no sábado de manhã. Eu vou te ver. – Ele sorriu pra mim.

“Eu sabia!”, exclamei mentalmente.

– Hai. – Rangi os dentes.

...

Como Murasakibara disse, ele foi mesmo me ver no jogo. E não era apenas ele. Aomine, Kise e Midorima estavam lá também. Suspeitei por Aomine estar lá, mas não perguntei nada a Madoka. Me colocaram no segundo tempo do jogo e as garotas do time rival pareceram ter ficado com medo de mim quando entrei em campo. Se bem que nenhuma das bolas que elas atacavam em direção ao gol passava por mim. Amaya até tirou as luvas e começou a olhar para as unhas por alguns minutos, nada chegava até o nosso gol. Fora os meus chutes que faziam a bola sair de campo. Isso não era de todo bom, mas nos dava tempo de pensar em estratégias. Ganhamos de 4 a 1. Os rapazes vieram nos cumprimentar e eu corei quando Murasakibara veio sorrindo para mim. Não compreendia por que disso, parecia que tudo estava diferente depois do dia que jantamos juntos. Por quê?

No sábado à tarde, como eu prometi, fui vê-lo no jogo. Yuka e Mitsue vieram também e nos sentamos na plateia no alto, bem perto para vê-los. Se bem que eu não escolhi os lugares. Os escalados foram Aomine, Kagami, Kise, Midorima e Murasakibara. Kuroko e Akashi ficaram no banco junto com os outros. Não compreendi por que, mas depois do segundo quarto Akashi entrou, substituindo Kagami. Deve ter sido por causa de alguma estratégia, sei lá. Eles estavam com uma diferença de pontos muito grande, o que me deixou surpresa. Murasakibara bloqueava a maioria das jogadas do outro time e eu arregalava os olhos, vendo-o jogar. Com o barulho e aplausos às vezes, eu descrevia o que estava acontecendo para Yuka. Dizia como Midorima era bom e ela sorria admirada. Um dos jogadores do outro time, que era da altura de Kagami, enfrentava Murasakibara nas jogadas. Numa dessas vezes, ele esbarrou propositalmente nele, que franziu o cenho com raiva. Soaram o apito e esse garoto disse algo a ele, o irritando. Quando o apito soou de novo Murasakibara foi até Akashi e disse algo. Akashi conversou algo com ele e voltaram a jogar. Murasakibara mudou de posição e agora atacava. Ele começou a enfrentar o garoto que esbarrou nele e foi em direção à cesta. Olhei para a tela, o último quarto já estava terminando.

– O que está havendo, Tsubaki? – Yuka perguntou.

– Murasakibara-kun está avançando até a cesta. – Disse.

Quando ele chegou até a cesta, saltou enquanto o garoto tentava bloquear. Arregalei os olhos, ele alcançava a cesta! Não conseguia mais dizer a Yuka o que estava havendo. Ela não entendia e eu pus a mão sobre a boca, apavorada quando Murasakibara enterrou a bola na cesta, quebrando-a. Ele aterrissou no chão e a cesta, a estrutura dela caiu no chão fazendo um estrondo. Yuka arregalou os olhos.

– Que barulho foi esse?

– Ele... – Eu tentava dizer.

– Murasakibara-kun... Quebrou a cesta. – Mitsue disse, pasma.

A plateia olhava para aquilo e ninguém tinha reação. O sinal para o fim do jogo soou. Eu não conseguia dizer nada, expressar nada. Ele era muito forte... Foi nesse momento que vi que ele nunca teve a intenção de fazer nada de mal comigo, porque se o fizesse não iria ter dificuldade nisso. Acalmei o olhar, apenas pensando “Nossa...”.

A maioria do time tomou banho e foi embora, mas eu esperava por ele no corredor do vestiário. Murasakibara saiu acompanhado por Midorima e logo me fitou, sorrindo levemente.

– Baki-chin. – Cantarolou.

Fiz cara de tédio.

– Anou... – Fitei Midorima – Yuka está lá fora com Mitsue e Kise.

– Hum, arigatou. – Ele disse, indo embora.

Eu abaixei o olhar, mas fitei Murasakibara.

– Nee, me esperando...?

– Por que você faz essas coisas? – Perguntei, interrompendo-o.

A expressão dele mudou, compreendendo e não me respondeu.

– Ne, fala pra mim. – Pedi, o olhando nos olhos – Desde que a gente se conheceu você fez aquelas coisas sem razão alguma. Me fala por quê já que pra você parece ter uma razão.

– Não tem razão...

– Mentira! – Exclamei indignada, meus olhos marejaram – Por que você me beijou? Por que me beija daquele jeito? Eu quero saber! – Exclamei.

Ele franziu levemente o cenho.

– Você mesmo diz que eu sou maluco...

– Eu estava errada... – O olhava – Você nunca teve a intenção de me machucar, ne?

Ele apenas me olhava.

– Eu vi hoje... – Disse – Você pode muito bem fazer isso, mas nunca ia me machucar de verdade, não é?

Ele não dizia nada.

– Fala pra mim... – Pedi – Qual a razão dos passos que você faz?

Ele desviou o olhar, parecendo irritado.

– Murasakibara-kun...

– Pára de me chamar assim! – Ele exclamou, me assustando.

Eu o olhava surpresa por ele ter ficado irritado.

– A gente já se conhece há quatros meses e você ainda fica me chamando assim.

– Não é tanto tempo e eu não te conheço de verdade, você não me conta as coisas! – Exclamei irritada.

– Tsc. – Ele desviou o olhar e começou a andar – Baka–chin... – Disse irritado.

O olhei surpresa e não tive coragem de ir atrás dele.

– O-Oe! – Gritei, o que fez minha voz ecoar pelo corredor.

Ele parou e me olhou sem expressão, vendo meus olhos marejados.

– Se não me contar... Eu... Eu vou te odiar, baka! – Exclamei, apertando os olhos e punhos.

“Onegai... Me conta...”, pedia mentalmente.

– Faz o que você quiser. – Ele disse.

O olhei surpresa.

– Tem um monte de garotas que querem ser minhas amigas. – Ele concluiu e voltou a andar.

Arregalei os olhos, pasma e as lágrimas começaram a cair. Abaixei o olhar tocando as gotas e me perguntando por que estava chorando. Limpei o rosto com os braços e fui embora me recriminando por chorar por ele. Por que eu estava fazendo isso? Não era o que eu queria desde o começo? Que ele parasse de me perturbar? Acho que finalmente consegui isso, mas... Por que eu estava triste?

...

Uma semana se passou depois daquilo. Eu não falava mais com ele e ele não queria mais falar comigo. Às vezes na volta do intervalo ele já estava sentado em sua carteira ao meu lado e em cima da minha mesa uma pequena pilha de papéis com os trabalhos. Eu sentava e os olhava. Claro... Não nos encontraríamos mais para fazer os trabalhos. Por que eu também me senti triste por isso?

Com isso... Com tudo o que estava acontecendo, eu parecia ver que as meninas estavam felizes em contraste a mim. Estávamos no vestiário depois do treino e eu ainda não havia tomado banho. Estava sentada no banco do vestiário, pensando.

– Tsubaki? – Amaya perguntou – O que houve?

A fitei, ela sentara a minha frente, enrolada na toalha.

– Daijoubu?

– H-Hum. – Hesitei.

– Você está estranha. Tem certeza de que está tudo bem?

Abaixei o olhar.

– Não... – Confessei – Lembra daquele informante que eu disse?

– Hai.

– Nós... Brigamos. Quer dizer... Eu briguei com ele.

– Nande?

– Acho que... Por que eu não sei quais são os objetivos dele.

– Em relação a que?

– A tudo...

– Hum. – Ela pensava – Tsubaki parece gostar dele.

A olhei surpresa. C-Claro que eu não gostava dele! Ele me perturba, só isso!

– N-Não... Claro que não. – Forcei um sorriso – É que ele me contava tudo o que eu precisava pra ajudar vocês, mas agora...

– Hum. – Ela assentiu – Você sabe o que precisa para nos ajudar a conseguir nossos pares, mas você não consegue descobrir nada dele.

A olhava sem reação. Isso não era possível!

– E-Eu... Vou tomar banho. – Disse, abrindo o armário, nervosa e pegando uma tolha.

– Tsubaki.

Fitei Amaya.

– Não negue, dói menos. – Ela disse gentilmente.

A olhei surpresa e desviei o olhar, assentindo e indo em direção aos chuveiros ao passo que as meninas saíam. Eu fiquei bastante tempo com a cabeça debaixo do chuveiro. Pensava em Murasakibara e me perguntava se eu gostava mesmo dele, o que me deixava ainda mais confusa. Pus a mão sobre a boca, querendo chorar pelo o que eu disse a ele naquele sábado. Ele também me magoou, mas... Foi uma reação ao o que eu disse, ne? Mesmo sendo esse maluco que ele é, acho que ele também tem sentimentos. Mas eu só quero saber a razão do plano dos passos.

Eu saí do chuveiro e o vestiário estava vazio, todas haviam ido embora. Acalmei o olhar e peguei minhas roupas no armário, que ficava do lado oposto à porta. Vesti minhas roupas íntimas e minha bermuda, sentando no banco para secar um pouco o cabelo com a toalha. Eu o secava, olhando e lembrando como Murasakibara mexia nas pontas do meu cabelo, me fazendo corar. Não vi a porta se abrir.

– Ah... – Alguém cantarolou – Sua irmã tinha razão, ela vale a pena.

Arregalei os olhos, fitando a porta. Dois garotos me olhavam. Corei tampando meu sutiã com a toalha.

– O-Oe, aqui é o vestiário feminino. – Disse – Saiam daqui, por favor.

Eles riram.

– Gomen... – O de cabelo preto disse – Mas você é a gigante que gosta de quebrar o nariz dos outros, ne?

– Claro que é ela. – O de cabelo marrom riu – É a única dessa altura do time de futebol.

– Hum. – O outro sorriu – Nee, é bem bonita pra uma colegial.

Arregalei os olhos, apertando a toalha. Enquanto isso, no portão do colégio, Yuka estava com Midorima e Murasakibara.

– Murasakibara-kun, está esperando Tsubaki também? – Yuka perguntou.

Ele a fitou.

– Só quero falar uma coisa sobre o trabalho.

– Ah... – Ela disse – Pensei que estavam fazendo o trabalho na sua casa. Ela não comentou mais nada de você ir lá pra casa.

– Hum. – Ele desviou o olhar.

– Não acha que ela está demorando? – Midorima perguntou – Mais do que o normal?

– Acho que sim, deve estar lavando o cabelo. – Yuka disse – Mas... Ela não demora tanto. Já faz quanto tempo?

– 40 minutos. – Midorima olhou a hora.

– Melhor eu ir até lá.

– Eu vou. – Murasakibara disse – Quero resolver logo isso. Se ela ainda estiver tomando banho, eu espero.

– Hai, arigatou. – Yuka sorriu.

Murasakibara foi em direção ao vestiário do campo de futebol e entrou, caminhando pelo corredor e franzindo o cenho quando viu ao longe a porta do vestiário feminino encostada e a luz ainda acesa. Dentro, o garoto de cabelo preto me fez sentar em seu colo, segurando meu braço por trás e ameaçando quebrá-lo. O de cabelo marrom pôs uma fita na minha boca e eu não conseguia gritar, principalmente quando ele me deu um soco no rosto. Minha bochecha estava roxa e eu chorava por ele ter tirado minha bermuda. Eu estava apenas de sutiã e calcinha.

– Bem... – O de cabelo preto disse – Vamos começar, ne? – Ele apertou meu braço.

– Hum! – Exclamei, porém mal saía som.

– Ne, eu quero também. – O outro disse, ligando a câmera do celular – Mas sua irmã não disse para apenas assustá-la?

– Não estou nem aí, foi o útil ao agradável ela ter quebrado o nariz dela.

O outro riu, começando a gravar. O de cabelo preto sorria e começou a lamber meu pescoço, me fazendo exclamar e me encolher. Ele apertou meu braço, me fazendo chorar ainda mais. Pôs a mão no seio, apertando-o e depois pôs a mão por debaixo dele, me fazendo arregalar os olhos. Comecei a me debater, mas ele apertou mais o meu braço, virando-o para eu parar de me mexer. Apertei meus olhos. Eu queria ajuda! Não acreditava que aquilo realmente estava acontecendo comigo.

Ele lambia meu pescoço e começou a morder minha orelha ao passo que mexia com os dedos no meu mamilo. Eu queria gritar, pedir ajuda. Mas não havia ninguém. Pelo menos até alguém pegar o garoto que filmava pelo pescoço e jogá-lo contra os armários, fazendo um estrondo gigantesco. Abri os olhos e os arregalei, era Murasakibara! Ele estava ofegante e fitou o garoto que me segurava, que arregalou os olhos em direção a ele. Eu fitei o de cabelo marrom, que estava desmaiado no chão e com a cabeça sangrando. Arregalei os olhos e o de cabelo preto me soltou, me deixando cair no chão e saindo correndo quando Murasakibara se aproximou dele.

– Oe! – Ele exclamou, pegando-o pelo pescoço.

Ele o jogou contra a parede, fazendo-o atingir o espelho, que quebrou em pedaços. Me encolhi pelo barulho e os estilhados e o olhei. Ele não só jogou o garoto, mas estava batendo nele. No rosto, abdômen e costelas. O garoto estava sangrando com o rosto cortado pelo vidro e não tinha mais reação para se defender, mas Murasakibara não parava. Arregalei os olhos, me lembrando da cesta. Ele não ia parar! Ele ia matar aquele garoto!

Tirei a fita da boca e levantei, correndo em sua direção e o abraçando.

– Pára! Vai matá-lo! – Exclamei.

Ele não parou. Eu chorei mais e fiquei a sua frente, mesmo com o risco de cortar meus pés.

– Pára, Atsushi! – Gritei, abraçando e apertando sua roupa.

Eu o sentia tremer e parar aos poucos, largando o garoto, que caiu desmaiado no chão. Murasakibara me abraçou e recuou, me tirando de perto do vidro quebrado. Ficamos ao lado da porta e eu chorava. Se ele matasse aquele garoto, poderia ser preso! Eu não ia suportar isso, não foi culpa dele!

– Onegai... – Pedia chorando.

Ele me abraçou mais forte, pondo a mão na minha cabeça e sentou no chão, me fazendo sentar entre suas pernas. Ele rangia os dentes com raiva e eu o abracei, pondo os braços ao redor dele.

– Arigatou... – Chorava.

Ele me olhou, pegando gentilmente em meu rosto e viu o roxo na minha bochecha além de ver como eu estava vestida. Os olhos dele marejaram, com certeza pensou o pior e as lágrimas começaram a escorrer. Eu acalmei o olhar, mesmo chorando e o abracei de novo, encostando meu rosto no dele.

– Daijoubu... Daijoubu. – Disse, mesmo com a voz embargada.

De repente Midorima apareceu na porta e viu o vestiário bagunçado com alguns armários quebrados, os bancos derrubados, o garoto desmaiado ao lado deles e o outro desmaiado entre os pedaços do espelho quebrado.

– O que houve?! – Yuka perguntava do lado de fora, preocupada.

– Fique aí! – Midorima disse pasmo.

Ele andou mais um pouco e nos viu.

– Que droga aconteceu? – Perguntou apavorado.

Cessamos o abraço e o olhamos. Pelo lugar e nós dois chorando, não foi difícil para Midorima imaginar o que aconteceu. Depois do que houve, ligaram para a polícia. Estávamos no portão do colégio. Os carros de polícia com as luzes ligadas, os policiais acompanhando a ambulância aonde os garotos iriam e infelizmente nós fazendo os depoimentos, o que foi o pior. Tive que contar o que houve, relembrar tudo e descobriram que o garoto que ameaçava quebrar meu braço era o irmão mais velho da garota que eu quebrei o nariz no treino de futebol. Ela realmente disse que eu iria ter o que merecia, mas não achei que chegaria a esse ponto. O garoto que Murasakibara jogou contra os armários estava bem, mas o irmão da garota teve traumatismo craniano. Eu sabia que ele o mataria se eu não fizesse nada.

No portão, Midorima abraçava Yuka, que estava chorando, e eu estava sentada no banco ao lado de Murasakibara. Já estava vestida e olhava para baixo, sem expressão. Ele estava com a cabeça baixa e eu o olhei, pegando em sua mão. Ele a fechou, segurando a minha e eu me encostei no seu ombro, fechando os olhos. Ele já fez muitas loucuras comigo, mas... Essa foi a primeira loucura que ele fez por mim. E eu estava realmente agradecida.

...

Eu fiquei uma semana sem ir ao colégio. Meus pais ficaram indignados pela falta de segurança e o diretor expulsou a menina que eu quebrei o nariz. Soube que o irmão dela, como maior de idade, depois que melhorar vai preso. Não achei que alguém destruiria a própria vida por causa de uma confusão da irmã mais nova. Eu fiquei abalada com tudo que aconteceu e que poderia ter acontecido e não saía do quarto. Eu ficava deitada o tempo todo e nem Yuka conseguia me animar, em vista que ela mesma estava abalada.

– Tsubaki. – Minha mãe bateu levemente na porta, entrando – Tem alguém querendo te ver.

Eu estava com a cabeça virada na direção oposta a porta e não me mexi, apenas assenti. Ela disse a pessoa que poderia entrar e depois fechou a porta.

– Tsubaki.

Reconheci a voz e arregalei os olhos, me virando e vendo-o.

– Murasakibara-kun... – Disse surpresa.

Ele parecia estar com o olhar triste e sentou no chão ao lado da minha cama, me olhando. Eu deitei de lado e o olhava. Ele estava com o cabelo solto e aquele boné preto de laterais brancas.

– Kon’nichiwa. – Ele disse.

– Nani...?

– Queria saber como você estava. – Ele disse – Você não foi para o colégio essa semana.

– H-Hum. – Abaixei o olhar, apetando a ponta no travesseiro – Você está bem?

– Não.

O olhei.

– N-Nande? – Perguntei preocupada – Não te acusaram, ne?

– Não. – Ele disse – É que eu fiquei triste... E com raiva por aquilo quase ter acontecido com você.

Corei, desviando o olhar.

– M-Mas você me salvou. – Disse – Está tudo bem.

– Não está. – Ele abaixou a cabeça, fazendo a aba do boné cobrir seu rosto – Eles tiraram sua roupa... Aquele cara te tocou... Eu... Não pensei em ir até lá, eu não ia. Não queria te ver, mas... Se eu não tivesse ido...

Me sentei antes de ele terminar de falar e tirei seu boné para olhar em seus olhos. Ele levantou a cabeça para me olhar e viu meus olhos marejados.

– Baka... – Disse – Você me salvou. Já passou!

Ele me olhou surpreso.

– Se disser o que eu passei vai me deixar triste. – Dizia – Eu sei o que eu passei, mas sei também que você me salvou. Então pára de dizer besteira! – Apertei os olhos.

Ele acalmou o olhar e levantou, ficando a minha frente. O olhei ainda com os olhos marejados e o vi limpar os olhos com o braço, sorrindo levemente. Ele sentou ao meu lado e me fez deitar na cama com ele. O olhava sem entender e ele me abraçou, fechando os olhos. Acalmei o olhar e me aconcheguei em seus braços, abaixando o olhar.

– Eu não consegui bater nele. – Disse – Gomen...

Ele não disse nada, apenas mexia no meu cabelo. Ficamos em silêncio por um tempo.

– Você vai me odiar? – Ele perguntou.

– Não... – Apertei sua roupa.

Ele sorriu levemente.

– Como foi dizer meu nome? – Perguntou.

– Desesperador. – Disse – Eu menti.

– Sobre o que?

– Sobre sentir sua falta nas férias.

– Na verdade você nem respondeu. – Ele sorriu.

– Hum. – Disse – Eu senti sua falta. – Meus olhos marejaram.

– Eu também senti a sua... – Ele disse.

O abracei, aproximando meu corpo do dele e ficamos assim. Não acredito que aquilo quase aconteceu comigo e ainda não acredito que Murasakibara me salvou. Mas estou acreditando que estamos abraçados na minha cama. É tão bom quanto o dia do jantar. Me dá vontade de sorrir, de abraçá-lo. E... Estou pensando em começar a chamá-lo pelo nome. É bom.

Notas finais
*o*