Coração selvagem
10 X - Encontro
Notas iniciais
Numa noite, logo que me deitei para dormir, recebi uma mensagem de Murasakibara. Abri o celular e fiz cara de tédio.
“Karaokê, amanhã às 18 horas.”
Apenas pensei: eu não vou cantar! Como o acordo era eu ter o encontro com ele e levar um obento no dia, acordei cedo e preparei tudo antes de ir para o colégio. Fiz norimaki, hossomaki, makizushi, yakisoba e yakitori. Organizei os enrolados em um dos espaços, o yakisoka em outro e o yakitori no último espaço. Fechei o pote, que devo acentuar ser grande. Como aquele garoto é imenso de alto e todos os dango que eu fiz acabaram naquele dia em minutos, me preveni e fiz como uma janta para ele. Mesmo achando que ele iria querer mais...
Enfim, fui para o colégio e tivemos as aulas. Faltavam apenas duas semanas para as férias de verão e eu já começava a ficar feliz em relação a acordar tarde. Depois das aulas eu fui para casa com Yuka e, infelizmente, mais tarde depois de tomar banho eu comecei a me arrumar. Fiquei longos minutos pensando no que vestir e nem sei por quê.
– Tsubaki? – Yuka apareceu na porta, batendo nela levemente.
– Hum – A olhei e sorri.
– Já terminou os exercícios que o sensei passou?
– Já sim, estão em cima da mesa baixa.
– Hum, arigatou. – Ela disse, indo até a mesa – Pode ler pra mim?
– Pode ser depois que eu voltar? Preciso decidir logo a roupa que eu vou.
– Pra que? – Ela disse surpresa.
Corei.
– Vou... A um encontro.
Yuka abriu um sorriso tão largo que eu me assustei.
– Com quem?!
– Não vou contar! – Corei mais.
– Hai, hai! – Ela exclamou – Depois eu peço a mamãe para ler!
Ela foi até meu armário enquanto eu a fitava em dúvida e abriu as portas, começando a tatear minhas roupas para sentir os tecidos. Depois de alguns segundos ela tirou do cabide um vestido que eu tinha. O comprimento era até um pouco antes dos joelhos com apenas um babado na barra e de mangas curtas, estilo babado. Ele era rosa-bebê e havia uma faixa cor-de-rosa amarrada com o laço para frente logo abaixo no busto. Se eu vestisse isso com certeza ele iria achar que eu quero ficar bonita pra ele. Mas se eu dissesse não a Yuka, ela perguntaria o porquê já que ter um encontro teoricamente é algo bom. Suspirei e troquei de roupa. Ela começou a pentear meu cabelo e prendeu a metade dele. Meu plano era: quando ela fosse para o quarto, eu vestiria uma calça comprida e uma blusa de mangas compridas!
– Gostou? Está bom? – Ela perguntou já que não podia ver como estava.
– Hai. – Disse, me olhando no espelho – Está bonito. – Corei.
Ela sorriu. Calcei as sapatilhas que ela me indicou e peguei minha bolsa, fingindo que iria sair.
– Bem... Já vou indo.
– Ele não vem te buscar? – Ela perguntou.
– N-Não... Vou me encontrar com ele.
– Ah...
Eu sorri e meu celular começou a tocar. Eu o peguei de dentro da bolsa e o atendi, arregalando os olhos em seguida.
– EH?! – Exclamei – Você está aqui?!
– Ele veio?! – Yuka disse animada – Vou atender.
– Uhm...! Yuka! – Desliguei o telefone e corri atrás dela.
A segurei antes de chegar na escada e tentei pensar rápido numa desculpa.
– Nani? Não quer que eu o conheça? É Murasakibara-kun? – Ela sorriu mais ainda.
– Não! Não é isso! – Disse nervosa – É que tenho vergonha, só isso! Por favor... Não o conheça agora.
– Hum... – Ela resmungou – Tá.
– Arigatou. – Disse quase suspirando – Ja ne.
– Ja. – Ela disse emburrada, voltando para o quarto.
Eu desci as escadas suspirando e peguei o obento na cozinha, pondo-o dentro da minha bolsa. Abri a porta e lá estava ele. O olhei um pouco surpresa, ele estava diferente. O cabelo estava amarrado em um rabo-de-cavalo baixo, usava calças jeans e uma blusa cinza de mangas curtas que tinha um desenho na frente.
– Tsuba...ki. – Ele disse, surpreso.
– Nani? – Perguntei, desviando o olhar e corando.
Que droga! Nem consegui trocar de roupa! Ele parecia me olhar admirado e eu apertei meus olhos.
– E-Eu só vesti essa roupa por causa da Yuka. – Disse – Ela que pediu.
– H-Hum, hai.
O olhei surpresa e ele sorria levemente, o que me fez corar mais.
– Ne, vamos. – Ele virou do nada e começou a andar.
– Uhm... – Disse sem entender e fechei a porta, correndo em seguida para alcançá-lo.
Ele não me olhou o caminho todo, será que eu estava feia? Quando chegamos ao Karaokê, fomos para a sala 402 e ficamos lá, sentados e sem dizer nada. Ele ainda não me olhava e eu abaixei o olhar, achando que estava realmente feia.
– Eu... Estou muito feia? – Perguntei sem olhá-lo.
Ele me olhou surpreso.
– Tsubaki.
O olhei cabisbaixa. Murasakibara pôs a mão na minha bochecha e me beijou de repente. Eu arregalei os olhos e tentei afastá-lo, mas ele apenas segurou minha mão e me deitou naquele sofá comprido. Eu corei e ele cessou o beijo, me olhando em seguida. Ele me olhava de cima, apoiando os braços e sua longa franja com as mechas soltas quase encostavam na minha testa.
– Você está linda. – Ele disse – É por isso que eu não consigo olhar pra você.
Corei mais, fechando os olhos e pondo as mãos em frente ao rosto. Não sabia o que ele faria, mas o senti sentar no sofá e não fazer mais nada comigo. Abri frestas entre os dedos e o vi com o obento nas mãos.
– Sugoii! – Ele exclamou admirado e me olhou – Você fez isso tudo?
– H-Hai. – Corei, me sentando.
Ele pegou um dos enrolados e comeu. Vi uma lágrima se formar nos olhos dele de tanta felicidade. Fiquei pasma com aquilo, não acho que cozinho tão bem assim.
– P-Por que está tão feliz? – Perguntei – Não acho tão bom.
– Mentira! – Ele me olhou indignado – Eles são ótimos, baka. E é ainda melhor!
– Eh? – O olhei em dúvida – Nande?
– “Nande”? – Ele riu, começando a comer – Porque você que fez pra mim!
O olhei surpresa e corei levemente. Ele me beijou do nada e eu pensei que fosse fazer algo comigo, mas agora... Ele parecia apenas uma criança feliz. Que garoto é esse? Era quase impossível eu conseguir interpretá-lo.
Eu pensei que ele me faria cantar ou algo assim, mas não cantamos no karaokê. Na verdade ele apenas colocava as músicas para tocar na televisão e ficávamos conversando. Eu comecei a perguntar sobre Kagami-kun e ele disse que ele come bastante, qualquer coisa e em grande quantidade. Kagami gosta bastante de basquete e Murasakibara nunca o ouvir comentar nada a respeito de que tipo de garota ele gosta. Ele mora sozinho e sabe cozinhar também, o que me deixou frustrada em pensar em dizer a Amaya para cozinhar algo para ele. Eu não sabia se ela sabia cozinhar e se soubesse talvez pensaria se ele compararia sua comida com a dele.
– Então... Você não tem nada. – Eu disse quase fazendo cara de tédio.
– Eu disse o que eu sei. – Ele deu de ombros – A culpa não é minha se ele não fala de garotas.
– Hum... – Resmunguei – E Kise-kun?
– Hum... – Ele pensava, olhando para cima – Ele gosta de garotas que não o prendam... Ele é modelo, então não se importa muito com aquele aglomerado de garotas no colégio. Ele diz que não gosta muito de andar pela rua porque sempre tem garotas o seguindo.
– Coitado...
– Mas ele gostou da garota que escreveu uma carta para ele.
– Garota? – Disse surpresa, me lembrando de Mitsue e seu presente.
– Hai. Alguém pôs uma caixa cheia de bombons no armário dele com uma carta sem nome. Ele disse que a menina parecia ser bem sincera e como não pôs o nome, talvez fosse por vergonha e isso deixava ainda mais verdadeira.
Eu abri um sorriso animado.
– Eu sei quem é! – Disse sem pensar – Eh...!
Ele me olhou.
– Quem?
– Ninguém, ninguém! – Disse balançando as mãos, forçando uma risada.
– Alguém do time do futebol? – Ele perguntou – Você só tem esse grupo de amigos.
Fiz cara de tédio.
– N-Não é não. – Disse tensa.
– Se é uma daquelas garotas, a procura ficaria melhor. O alcance diminuiria. – Ele pensava e me olhou – E se eu falasse para ele?
– Não faça isso! – Estiquei a mão em desespero – Por favor! Ela está morrendo de vergonha, não consegue falar com ele! – Pedia, me aproximando.
– Hum. – Ele cantarolou, ficando de lado e pegando em minha bochecha – E o que você faria por mim para que eu não fizesse isso? – Ele dava um meio sorriso malicioso.
O olhava surpresa e o senti pôr as mãos nas minhas costas, começando a puxar o zíper do meu vestido ao passo que começou a beijar levemente meu pescoço. Engoli a seco e abaixei meu olhar.
– I-Iie... – Gaguejei – Onegai...
Ele continuava, começando a passar lentamente a língua no meu pescoço. Eu comecei a me arrepiar e fechei os olhos.
– E-Eu... Faço Sukiyaki pra você... – Disse quase inaudível.
Ele parou e abaixou a cabeça, começando a rir baixo. Fechou o zíper do meu vestido e me olhou, sorrindo.
– Seu Sukiyaki deve ser delicioso! – Ele disse alegre.
O olhei surpresa. Louco...
– Hum. – Disse.
Nós continuamos a conversar, comigo sem jeito pelo o que ele fez, e oito e meia da noite Murasakibara me levou em casa. Ele me deixou em frente à porta de casa e se despediu, indo embora em seguida. Eu fui para o quarto e me sentei na cama, pensando. Pus a mão no meu pescoço onde ele havia beijado e fechei os olhos, abrindo-os em seguida. O toque dele... Fez eu me arrepiar. Por que ele fazia aquelas coisas? E por que eu senti isso? Hum, isso não importa! Agora eu tenho algumas informações e vou conversar com as meninas depois. Porém agora estou enrascada... Já que tenho que fazer o Sukiyaki para ele. Droga... Eu mesma me colocava nessas situações.
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