Coração selvagem

5 V - De repente?


Notas iniciais
Iie = não

Eu agi impulsivamente de novo, ne? Machuquei aquela garota e Madoka mentiu por mim, dizendo que foi um acidente. Todos viram que não foi, mas mesmo assim ela confirmou. Eu tinha que pedir desculpas a ela, mas... Que coragem eu tinha? Fiquei debaixo do chuveiro no vestiário e perdi a noção de tempo, pensando no que houve. Saí da parte dos chuveiros enrolada na toalha e com o cabelo encharcado. Não havia mais ninguém. Abaixei o olhar e sentei no banco. Eu preciso realmente melhorar essa impulsividade. Isso com certeza vai magoar Yuka de novo e está magoando as meninas.

Me vesti com outra bermuda até as canelas e uma blusa. Fiquei sentada no banco com a toalha em volta do pescoço. Abri o celular para ver se tinha alguma mensagem, mas não havia nada. Suspirei e alguém bateu de leve na porta. Olhei na direção e vi Murasakibara.

— Uhm...! – Arregalei os olhos, levantando.

Abaixei minha blusa, que era curta, ainda não tinha posto a outra por cima. Ele abriu um pouco a porta.

— Yuka pediu pra avisar que foi embora com Mido-chin.

— “Mido-chin”? – Disse em dúvida.

— Hai. Etto... “Midorima”.

— Hum. – Desviei o olhar, corando levemente, ele ainda estava ali.

Ele continuava a me olhar e eu corei mais quando percebi.

— Não tem que treinar não?! – Exclamei.

— Já acabou.

Engoli a seco, demorei mesmo no banho.

— Vai embora, aqui é o vestiário feminino.

— Você já está arrumada. – Ele disse com aquela expressão desanimada.

Abracei a toalha e fui até a porta para fechá-la.

— Vai embora!

Antes que eu a fechasse, ele a abriu mais e entrou. Eu recuei com medo e me choquei de leve com a parede.

— I-Iie... – Disse, suando frio enquanto ele se aproximava.

— Eh? – Ele parou a minha frente e agachou no chão, me olhando – Tsubaki, o que você acha que eu vou fazer?

— Eh... – O olhava em dúvida.

Com ele se aproximando daquele jeito, pensei que fosse fazer algo comigo. Pensei que ele fosse um estuprador, mas agora desse jeito parecia mais uma criança.

— E-Eu... Não acho nada, Baka. – Disse, tentando ficar séria.

Ele sorriu, achando graça e pôs a mão na minha coxa, subindo até começar a subir minha blusa. Apertei os olhos com medo. Ele iria fazer isso mesmo!

— Baaaka!

— Eh? – Abri os olhos.

O olhei, vendo-o levantar e pôr as mãos contra a parede, me deixando entre elas.

— Se um dia alguém tentar fazer isso com você, bata nele e corra. – Ele disse próximo do meu rosto.

Eu o olhava, surpresa e paralisada.

— N-Nani?

— Hum. – Ele abaixou a cabeça, deixando uma risada escapar – Baki-chin é lenta.

— “B-Baki-chin”?! – Disse indignada, despertando.

— Prefere “Baka—chin”?

— Não prefiro nada! – Exclamei – É Tsubaki! Vai embora!

Eu comecei a empurrá-lo para sair do vestiário.

— “Atsushi”. – Ele disse de repente.

— Eh? – Parei.

— Meu nome.

Corei, apertando sua camisa e voltei a empurrá-lo.

— Não quero saber seu nome, quero terminar de me vestir! – Exclamei, pondo-o para fora e fechando a porta.

Ele escorou na porta, sorrindo levemente e eu sentei no chão, escorando as costas na porta.

— Baka... – Disse sem fôlego.

Toquei os lábios com os dedos, pensei que ele fosse me beijar de novo...

...

Murasakibara realmente me assustou. Fiquei pensando naqueles longos minutos por dias! Parecia uma eternidade com ele perto de mim, pensei que ele fosse mesmo fazer algo comigo quando me tocou daquele jeito. Depois daquilo eu agora só queria saber por que ele faz essas coisas. Eu estava deitada na minha cama, já era final de tarde e pensava nisso. Suspirei e pensei em Yuka, como ela está ficando mais com Midorima talvez ela saiba sobre Murasakibara. Já havia me desculpado com ela e com Madoka, que disse para eu me controlar a partir de agora. Então, não achei ruim ir falar com Yuka, perguntar algumas coisas.

Fui até o quarto dela e bati levemente na porta, entrando.

— Yuka, posso te perg...?

Parei ao ver aquela cena. Yuka e Midorima estavam sentados na cama dela, se beijando. Fiquei paralisada.

— Na-ni? – Disse pausadamente.

Eles pararam ao perceberem que eu estava ali e Yuka olhou na direção da minha voz.

— Mamãe sabe disso? – Perguntei desconfiada, ela não era assim.

— Uhm... Hai.

— E por que eu não sei?

— Eh... – Ela deixou uma risada leve e envergonhada escapar – Você está se trancando no quarto por dias... Ela já sabe tem um tempinho.

Fiz cara de tédio.

— Hum. Tá. – Me virei para ir embora – Kon’nichiwa, Midorima-kun.

— Uhm... Kon’nichiwa.

— Tsubaki. – Ela me chamou.

Parei e me virei.

— O que houve?

— Nada demais. – Disse – E mesmo se fosse, eu não ia dizer na frente dele.

— Hum... – Ela disse – Pode me perguntar depois, então?

— Claro.

Eu saí do quarto e eles continuaram. Fiquei esperando Midorima ir embora um tempão! O namoro deles era recente, então eu sabia que só estavam se beijando mesmo. Mas mesmo assim era estranho Yuka estar namorando. Nunca iria pensar que é por ela ser cega ou qualquer outra coisa, mas pelo simples fato de ela ser minha irmã, eu querer protegê-la e ter um garoto no quarto dela naquele momento! Isso é tão estranho!

Quando ele finalmente foi embora, Yuka veio no meu quarto.

— Entra. – Disse quando ela bateu na porta.

Ela entrou, sorrindo levemente e se sentou na minha cama. Eu estava sentada na cama com as costas escoradas na parede e a olhava.

— A gente vai pro colégio todos os dias. – Disse – Você podia ter me contado.

— Eu sei. – Ela disse – Gomen, mas você estava estranha. Não consegui dizer que estava feliz quando você estava assim.

— Hum. – Dei de ombros – Eu ficaria feliz por você.

Ela sorriu.

— Ele... É bem gentil. Me deixa tocar o rosto dele sempre que eu quero.

— Que prova de amor! – Dramatizei.

Ela riu.

— Pra mim é. – Ela sorriu – Só... Tenho medo agora de ele querer me tocar.

— Como assim?

— Sabe, se continuarmos juntos e o tempo passar. Todo garoto quer isso, mesmo eu achando Shintarou gentil demais pra fazer isso.

Fiz cara de tédio. “Shintarou”... Já está assim?

— Mas dizem que isso é bom, não é? – Perguntei – E você sentiria com mais intensidade.

— Verdade. – Ela disse, pensando – Mas eu queria mesmo poder olhar nos olhos dele. Sempre esqueço que ele usa óculos quando toco no rosto dele. Queria saber como são os olhos dele por trás dos óculos.

Yuka dizia aquilo com tal paixão que eu também queria saber como era sentir o que ela sentia.

— Yuka.

— Hum? – Ela olhou na direção da minha voz, sorrindo contente.

— V-Você... Sabe algo sobre Mura...Sakibara?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, que para mim pareceram horas.

— Nande? – Perguntou com um sorriso – Pensei que vocês não tinham se beijado.

— Hai. – Disse – Mas naquele dia no ginásio, você foi embora com Midorima.

— Hai. – Ela disse – Pedi a ele pra avisar você, ele foi o último a sair do banho.

— H-Hum...

— Tsubaki? O que houve?

— Ele não me viu nua! – Deixei claro, mas mesmo assim nervosa – É que... O jeito que ele entrou no vestiário...

Ela estava voltada na minha direção, esperando.

— O que ele fez?

— Agachou na minha frente e perguntou o que eu achava que ele iria fazer.

— E?

— Passou a mão pela minha coxa e subiu até... Hum... – Corei – Ele parou de repente e disse que se alguém tentasse fazer aquilo comigo era pra eu bater nele e correr.

Ela fez uma expressão surpresa.

— Bem... Ele não fez nada... Certo?

— Não. Mas...! – Pensava – O que ele quer comigo?

— De repente ele gosta de você.

— Nande?! – Disse surpresa – Eu não sou como todo mundo, sou alta demais e ninguém olha pra mim.

— Pelo visto ele olha. – Ela disse, achando graça – E Shintarou disse que ele é bem alto.

— Hai. Acho que ele deve ter uns dois metros de altura.

— Sugoii! – Ela disse – Nunca pensei que tivesse alguém mais alto que você.

Fiz cara de tédio.

— Hai...

— Pelo visto esse colégio tem pessoas bem exóticas.

Abaixei o olhar.

— Hai. Talvez...