Coração de lobo
31 Ao médico - 2
A presença de Derek ao lado de Stiles o deixava mais seguro. Não que entrar no consultório médico fosse problemático, mas com seu Alfa ali do lado, tudo parecia mais simples, especialmente com a mão de Derek acariciando as costas de Stiles enquanto os dois caminhavam.
Deaton sorriu para eles quando fechou a porta do consultório.
“Que bom que vocês vieram juntos,” disse o doutor.
“Acho que a gente precisava conversar, então achei melhor convidar o Derek também.” Stiles cumprimentou o homem e depois deixou Derek fazer o mesmo.
Não demorou muito tempo para eles se sentarem e Deaton perguntar o que os trazia de volta para o consultório.
“Então,” Stiles começou, pigarreando. “Nós seguimos as suas dicas sobre como resolver o problema com a minha atividade sexual, mas nada tem dado certo. Nós tentamos seguir conselhos de outras pessoas, mas ainda assim, nada tem funcionado. Por isso a gente decidiu voltar pra saber se existe algo a mais que a gente possa fazer ou se tem que aguentar mesmo.”
Stiles sentiu a mão de Derek acariciando a sua. Ele estava frustrado e cansado, mas era bom ter seu Alfa ali pertinho.
Deaton assentiu ao ouvir o que Stiles falou.
“A primeira coisa que eu posso te dizer é que não existe uma cura pra isso.” As palavras do homem fizeram desapontamento soar no coração de Stiles. Derek apertou a mão dele com mais força.
“Mas tem algo que a gente possa fazer?” Pediu Derek.
Deaton relaxou.
“Pra ter, tem,” o homem disse. “Não tem nada comprovado que possa resolver esse tipo de problema, e tem poucos estudos sobre Almas Gêmeas e como elas se comportam nesse sentido, sem falar que as circunstâncias da união de cada casal são diferentes. O que a gente pode fazer é tentar outros métodos.”
Stiles começou a sentir uma pequena esperança.
“E o que a gente pode fazer?”
“Eu quero que vocês tenham a mente aberta para o que eu vou dizer, certo? Porque tem casais que eu sei que não iriam aceitar isso, mas eu acredito que eu possa conversar isso com vocês. Não é garantia de nada, mas eu posso dizer o que se pode tentar.”
Stiles e Derek assentiram, esperando ansiosamente pelo que o homem iria dizer. Deaton continuou suas explicações.
“Nos meus estudos, eu encontrei vários casos diferentes dos desdobramentos dos hormônios e feromônios no corpo dos ômegas. Geralmente durante a gravidez tudo está bastante aflorado, mas especialmente, existe o caso de alguns ômegas que sentem muita atração sexual, quando a atividade está completamente fora do normal, e isso a gente só pode tratar com remédios. Os controladores funcionam quando não se carrega uma criança, no entanto. Então temos que encontrar métodos alternativos para saciar a vontade do corpo de um ômega.
“Uma das coisas que o corpo de um ômega precisa é ser marcado. O sexo, apenas, já ajuda com isso. Mas existem outras formas, como as mordidas de ligação.”
Quando Deaton falou aquilo, Stiles sentiu que Derek deu uma leve apertada na mão dele, afinal de contas lobisomens tem tudo que ver com mordidas.
“O que é uma mordida de ligação?” Stiles pediu.
Ele sentiu que Derek quase queria explicar aquilo, mas deixou o Dr. Deaton fazer seu papel.
“Quando um lobisomem está em um relacionamento ele pode querer morder seu parceiro. A prática não é exatamente incentivada porque pode causar doenças ou pode machucar outras pessoas, mas eu garanto que isso não acontece. Lobisomens não passam doenças, e a mordida sara mais fácil por causa da saliva dos lobisomens.”
“E isso pode ajudar como?” Perguntou Derek.
“Com a presença do lobisomem sempre com seu ômega, pela forma da mordida, é possível que o desejo sexual se controle, porque o corpo entende que o Alfa está ali junto com ele, que assim que os dois puderem ficar juntos eles vão. O corpo entende isso.”
Stiles assentiu.
“Mas ainda assim isso não é certo.”
“Sim,” Deaton confirmou. “Não é certo, mas tem mais coisas que vocês podem fazer.”
“O que a gente ainda pode tentar?” Stiles perguntou.
“Bom, a segunda coisa que eu posso sugerir é marcar o ômega com algo mais do que apenas sexo e mordidas.” Deaton parou por um tempo. “Os animais geralmente marcam o lugar deles com a urina. Lobos não são diferentes. Os genes de Alfa e ômega tem origem nos lobisomens, então é esperado que algumas dessas características se transmitam para as espécies de hoje.”
Enquanto Deaton começou a falar aquilo, Stiles tremeu por dentro. Não que ele tivesse imaginado algo assim alguma dia, mas ele também, incrivelmente, não parecia tão enojado com aquela ideia. Não que ele fosse sugerir aquilo para Derek um dia, acho que estava fora de qualquer plano, mas assim que Deaton mencionou a urina, Stiles sentiu uma energia dentro dele, algo completamente estranho.
Ele sabia que, teoricamente, os genes dos lobos alteravam a forma de ele se comportar. Fora que em pessoas que eram mais sexuais, utilizar os fluídos corporais durante o sexo era uma coisa a ser explorada, só que nunca passou pela cabeça dele.
Nesse caso, ainda antes de Deaton falar sobre a possibilidade Stiles já conseguia imaginar aquilo.
“Utilizar da urina para marcar o território em outra pessoa é uma das opções,” disse o doutor. Stiles sentiu o tremor que Derek transmitiu em sua mão, e Stiles esperava que aquilo fosse uma opção, e não algo que Derek teria nojo de fazer.
Ele se virou para olhar o Alfa, e Stiles viu algo de diferente naquele olhar. Será que ele também pensava o mesmo que Stiles, será que ele tinha aquilo em sua mente daquele jeito?
Derek virou seus olhos para olhar para Stiles, mas o que ele disse em seguida foi para o doutor.
“E que tipo de práticas as gente teria que fazer?”
Deaton deu uma leve risada.
“Derek, Stiles, eu não espero que vocês queiram conselhos sexuais de mim. Eu lhes disse duas opções para tentar lidar com os problemas sexuais de Stiles, e as duas são bem fazíveis. Não precisa me dizer o que vocês irão fazer, vão para casa, conversem sobre isso e decidam o que pode ser interessante, o que vocês podem tentar. Vai que apenas com a mordida tudo fica certo?”
Por um segundo ninguém falou nada. Stiles quase conseguia sentir a energia da sala em volta dele. Deaton continuou.
“Mas eu também não vou julgar vocês por qualquer escolha que vocês façam. Contanto que seja consensual e fique entre quatro paredes, ou num lugar onde vocês possam fazer, tudo é possível. E nesse caso, recomendável.”
Stiles assentiu. Até o final da consulta ele nem falou muito, e Derek também parecia um pouco chocado. O bebê estava saudável, e era aquilo que importava. Eles foram pra casa sem se falar muito. Não que houvesse uma grande barreira entre os dois, mas Stiles quase sentia como se nem ele soubesse como abordar esse assunto. Era algo que eles teriam que conversar, decidir, ver qual seria a melhor opção, afinal de contas Stiles precisava de alguma coisa para poder controlar seu corpo.
Era quase interessante que durante aquela consulta ele não se sentiu pegando fogo nem nada — o que poderia até sinalizar que seu corpo aprovava alguma das opções. E Stiles tinha que admitir que ele também estava mais do que curioso.
Os dois voltaram a conversar apenas quando estavam no apartamento. Derek ainda teria umas horas para matar antes de voltar ao trabalho e Stiles nem sabia se queria abrir a Coração de Lobo hoje. Se bem que ultimamente ele tinha se sentido assim todos os dias. Já era complicado ele se concentrar quando os enjoos estavam incomodando ele todos os dias, mas agora que o desejo sexual não conseguia diminuir, Stiles não queria nem sair da cama. E não queria que o Derek fosse sair também.
“Nós precisamos conversar,” disse Stiles assim que ele fechou a porta do apartamento.
Derek parou em sua frente e os dois ficaram se olhando por um instante. Stiles quase queria saber o que estava se passando pela cabeça de Derek, quem sabe descobrir se essa conversa seria normal ou se eles iriam ficar indecisos, se iria haver uma discussão. Stiles estava quase a ponto de fazer qualquer coisa para melhorar, mas e se Derek não estivesse pronto para aquilo? Nunca teria como ele saber com certeza o que iria acontecer.
“Você quer fazer isso já agora?” Derek perguntou. Stiles assentiu.
Os dois caminharam para ao sofá e sentaram. Eles estavam perto mas nenhum se encostava. Levou um tempo para eles falarem, mas quando começaram, os dois foram ao mesmo tempo.
“Eu queria saber-”
“Eu tenho que-”
Os dois pararam. Stiles teve que rir, ajudando o nervosismo a se dissipar. Derek riu também. Depois de se recomporem, Stiles foi o primeiro a falar.
“Eu só queria dizer que eu estou disposto a fazer qualquer coisa, mas também não quero fazer você se sentir mal enquanto está comigo. Eu sei que a gente riu sobre cheiros estranhos há um tempo atrás, mas é uma coisa diferente ir disso para os chuveiros dourados.”
Derek confirmou com a cabeça.
“Ainda assim, se você está disposto a fazer tudo. Eu também.” Derek falou.
Stiles tremeu. A admissão daquilo colocava tudo em perspectiva. Não que ele iria mudar seu modo de ser se Derek tivesse dito que não, mas havia algo de inesperado em estar ali pronto para o que viesse. Sem falar que o que poderia vir era a urina do seu namorado. Stiles nunca tinha imaginado que aquilo iria sequer passar por sua cabeça.
“Você tem certeza? Porque a gente não vai poder voltar pra trás depois que você… mijar em mim.” Stiles tinha até medo de dizer as palavras, mas de uma forma, foi libertador colocar elas pra fora. Derek pensaria o que iria pensar. Stiles tinha que dizer.
“Eu não tenho,” Derek falou. Stiles ficou abalado por aquela resposta. Derek falou antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. “Mas eu quero dizer que eu estou nervoso e indeciso sobre o que isso pode mudar entre nós. Eu só quero que você fique bem, e se isso é algo que precisa ser feito, eu quero te ajudar. Não quero que você imagine que não me preocupo com você.”
Derek respirou fundo. Stiles viu que nas bochechas dele um pouco de rubor apareceu. Stiles poderia apenas imaginar o quão vermelho ele estava.
“Eu também não quero que barreiras se criem entre a gente, certo? Eu só quero parar de me sentir desse jeito. Eu quero poder aproveitar a minha vida e a gravidez.” Stiles suspirou, deixando-se cair mais no sofá. Derek finalmente chegou perto dele.
“E eu quero te ajudar. Se é assim que tem que ser, eu faço até agora, Stiles.”
A ideia era tentadora.
“E como a gente faria isso?”
“Não sei. Nunca fiz em ninguém. Acho que teria que ser no banheiro e, bem, a gente precisaria estar nu.” Stiles se deixou imaginar enquanto Derek falava. “Acho que eu poderia ajudar você a se despir e depois você poderia me ajudar a fazer o mesmo. Eu iria beijar você com cuidado, deixar você sentir meu corpo perto do seu, fazer com que a excitação começasse a surgir. Talvez você iria me sugar por um tempo, pra sentir o gosto de como eu sou de verdade, não que você não saiba.”
Stiles já sentia seu membro duro, e imaginava que Derek estava também, ainda que eles não se tocassem além dos ombros e mãos.
“Então você já estando ajoelhado no chão eu iria mirar o jato do meu gozo em seu rosto e ia gozar em você, te marcar. E quando o meu pênis começasse a ficar mais mole eu ia deixar a urina sair, começar a te molhar nos ombros, no pescoço, marcar cada pedaço do seu peito e fazer você me sentir em todos os seus poros. Depois que tudo terminasse, eu iria colocar ele de novo em sua boca e deixar você me lamber até eu ficar duro de novo, e então eu iria te puxar do chão e colocar contra a parede, virando você de costas para eu poder meter fundo em você. Já imaginou como iria ser selvagem daquele jeito?”
Stiles conseguia imaginar. Conseguia imaginar até demais.
“E depois?” Ele pediu, já ofegante.
“E depois,” Derek começou a responder mas parou. “Você não quer saber o que acontece depois?”
Stiles assentiu.
“Então vem comigo,” Derek falou antes de beijar Stiles.
E ele foi.
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