Notas iniciais
Esse capítulo vai debater umas coisas diferentes, mas eu ri escrevendo. =D Obrigado pelo carinho de todo mundo - essa história já é a que tem o maior número de pessoas acompanhando das minhas fics.

“Eu conversei com o Dr. Deaton outra vez. Ele me explicou melhor porque a gente não conseguia sentir nada, sabe? Porque essa gravidez já tem cinco semanas, pra mais, e eu não senti nada antes, você também não…” Stiles falou.

Eles dois estavam sentados na cama, costas contra a cabeceira e enrolados nos cobertores. Tinha um pote de pipoca entre as pernas de Stiles e a TV estava gritando um filme de terror, mas nenhum estava prestando atenção. Depois que eles se viram e não deu pra segurar o desejo, agora era bom estar apenas um momento sem se preocupar com nada, especialmente porque os dois já sabiam o que estava acontecendo.

“E ele te deu que explicação?” Derek pediu, apertando Stiles contra seus braços.

“Bom, ele disse que como o bebê ainda não tinha sido reconhecido pelos pais, como a gente não sabia, ele também não queria se mostrar. Como se fosse uma coisa meio subconsciente que a criança já pode fazer dentro da barriga, especialmente quando ela quer se proteger dos outros. Porque se a gente não pode sentir, ninguém mais pode, aí não corre o risco de eu ser atacado por causa do filho que carrego,” a voz de Stiles ficou um pouco mais séria no final, e Derek agarrou ele com mais força contra si.

“Nada vai acontecer com você, eu jamais deixaria.” Derek beijou ele perto do ouvido.

Stiles nunca se sentiu mais protegido.

“Eu sei, meu amor.”

Por um momento eles não falaram nada. Derek beijou os cabelos de Stiles e depois deixou suas mãos descerem para a barriga dele, acariciando o pequeno filhote que já crescia lá dentro. Stiles conseguia já sentir ele, o que parecia engraçado porque até ele ter a confirmação do que era, Stiles não sentia nada. Se bem que ele não fazia ideia que a camisinha tinha estourado.

Falando nisso…

“Derek?” Stiles chamou por ele.

“Hum?”

“Porque você não me falou sobre a camisinha?”

Derek parou por um instante. Ele suspirou antes de falar.

“Eu achei que não ia dar nada, confesso. Não é todo dia que a gente engravida alguém, sabe. E eu jurei que isso não iria acontecer.”

“Mas você sabe que a chance de isso acontecer quando são Alfa e ômega, e ainda tem o cio, é grande,” Stiles disse. Derek apenas assentiu. “Eu nem imaginava porque eu não lembro daquela noite, tudo foi tão forte, as emoções me deixaram com amnésia. Eu queria ter lembrado.”

“Você foi perfeito,” Derek falou. “Mas eu queria me desculpar de novo. Achei que não ia dar nada, e a nossa relação tá apenas começando. Não queira adicionar esse tipo de estresse sobre nós, não que tenha ajudado em nada.”

Stiles riu.

“No fim a gravidez veio de qualquer jeito,” ele falou.

“Pois é,” Derek comentou, acariciando Stiles outra vez.

“Eu acho que veio na hora certa, mesmo assim. Eu não tinha planejado um filho, mas também, não tinha planejado encontrar você de volta. Acho que talvez as coisas eram pra ser assim, sabe?”

Derek concordou com um som de garganta.

“Sem falar que a gente vai ter que pensar no que vai fazer. Ainda está no começo, mas você sabe que a gravidez de Almas Gêmeas nunca dá errado, então a gente vai ter um bebê e vai viver junto — eu espero. A gente precisa decidir coisas como onde vamos morar, o que vamos fazer da nossa vida.”

Stiles sacudiu a cabeça, um pouco agitado com tudo.

“Bom, eu poderia vir morar aqui com você por um tempo, pelo menos pra gente ver se isso funciona, não?” Derek sugeriu.

“Eu espero que funcione,” Stiles riu. “Já imaginou a gente não conseguir ficar junto agora que se tem um filho e somos conectados desse jeito?”

Derek riu também, tentando fazer piada para não imaginar uma vida sem Stiles. “Olha, eu não faço nada demais. Só arroto vez ou outra. E vamos ter que se acostumar com o banheiro,” Derek levantou suas sobrancelhas.

Stiles torceu um pouco o nariz.

“Nada contra arrotos, ainda que eu espero que até o filhote nascer você possa controlar um pouco eles, porque eu não quero ver a minha — a nossa criança andando e arrotando por aí.”

“Não iria ser uma imagem boa,” Derek admitiu.

“E sobre o banheiro, bom, tem sempre os odorizadores de ar, não tem?” Stiles sugeriu. “Ainda que se a gente vai ficar junto pra sempre vai ter que acabar se acostumando. Eu ouvi que meu pai tinha flatulência terrível durante a gravidez, então…” Stiles advertiu Derek. Ele não queria assustar o homem, mas com as histórias que o pai dele contou, era melhor deixar tudo claro antes deles começarem a viver juntos.

“Eu não queria comentar antes, mas eu asseguro você que não vou sair correndo se você começar a peidar na cama, vez ou outra. Confesso que quando eu estou a ponto de dormir, geralmente um pouco de flatulência noturna acontece, mas nada demais.”

Stiles riu.

“Gente, nós estamos falando sobre gases intestinais na cama, logo após ter feito sexo. Isso nem parece real.”

“Mas você nunca assistiu pornô de Alfas e Alfas?” Derek pediu. Stiles sacudiu a cabeça, curioso. “Alfas não produzem lubrificação própria, e durante o sexo sem camisinha, durante o ato, é bem comum ouvir ar saindo de dentro do ânus da pessoa, sem falar que podem ser gases. É preciso ter um estômago forte pra esse tipo de pornô.”

Stiles estava surpreso.

“Eu acho que isso é uma das coisas mais estranhas que eu ouvi.”

“Isso porque você não viu,” Derek comentou.

“E você estava excitado para sexo Alfa x Alfa quando?”

“Ah, eu já vi um pouco de tudo,” Derek falou. “Especialmente porque sendo um Alfa é meu dever saber exatamente o que a pessoa que vai ficar comigo pelo resto da vida quer — e também porque eu fiquei tantos anos apenas na punheta que eu tinha que descobrir os melhores vídeos eróticos pra me divertir.”

A explicação de Derek fez Stiles sorrir. Ele se virou para poder olhar para Derek.

“Mas agora que você tem eu você não precisa mais usar apenas a sua mão, certo?”

“Corretíssimo,” Derek falou, beijando Stiles em seus lábios. “Agora eu posso usar a sua mão. A sua boca. A sua bunda,” ele falou sussurrando.

“Pode sim, você pode me usar inteiro.”

“Eu sei.” Derek beijou Stiles com força, colocando uma das suas mãos próximo às nádegas de Stiles, agarrando ele com força. Era bom saber que a vida deles estava apenas começando.

~*~

Naquela mesma noite eles tiveram um jantar com o Xerife, outra vez. Eles conversaram sobre o bebê, contando tudo sobre o novo filhote que estava chegando por aí. O Xerife, claro, estava mais do que muito feliz com tudo aquilo, e Stiles e Derek se sentiam bem em ouvir o pai e chefe já dando conselhos para os dois.

“Vocês tem que se lembrar que, independente do gene do filhote, vocês tem que ensinar ele a se comportar como um humano, porque muito do que acontece aí com essas crianças e adolescentes é porque os pais não ensinam eles a respeitar as pessoas. E já digo pra vocês, não vou aceitar um neto que não respeite todo mundo,” falou o Xerife com gravidade.

“Sim, pai. Você sabe como eu sou, e eu sei como você me educou. Não posso nem imaginar a possibilidade de a nossa criança não entender essas coisas, afinal de contas nós dois somos um casal de Alfa e ômega.” Stiles olhou para seu pai.

Os três estava sentados na sala do loft de Stiles. O Xerife fingiu que não sentiu o cheiro de sexo no apartamento, afinal eles tinham já deixado o odor deles dois em volta de tudo. E não era nada anormal, o Xerife sabia bem como as coisas aconteciam quando dois jovens estava juntos. E também era por causa daquilo que agora teria uma nova criança na família.

“Eu ainda tenho que levar o Stiles pra jantar com a minha família,” disse Derek.

Stiles olhou para ele.

“Vocês ainda não foram lá?” Pediu o Xerife.

Stiles sacudiu a cabeça.

“Não ainda, o Derek não me levou e não combinamos nada…”

“Eu tava esperando pra gente decidir direito o que iríamos fazer,” Derek falou, indeciso. Ele bufou. “Eu não sabia exatamente como a gente ia se decidir. E depois a gente ficou se descobrindo pouco a pouco, sabe. Eu não queria causar mais problemas entre nós e nossas famílias…”

Derek tentou se justificar, mas Stiles não estava esperando que ele se justificasse. Na verdade, Stiles não estava obrigando o Derek a fazer os dois se encontrarem, com a família Hale. Óbvio que ele deveria encontrar a família e contar de tudo para eles, conversar com a família e tudo mais. Derek teria que apresentar Stiles como seu ômega, e pai do filho dele.

Só de pensar naquilo Stiles chegou a tremer. Derek olhou para ele com expectativa, tendo sentido aquilo.

“O que foi?” Derek pediu.

“Nada, nada…” Stiles sacudiu a cabeça. “Eu só me emocionei um pouco pensando no bebê.” Um rubor subiu para as bochechas de Stiles. Parecia bobagem, mas a ideia de um filhote chegar, de ele sentir a criança crescendo dentro dele era uma loucura. Mas ele amava tudo aquilo.

“Stiles?” O Xerife pediu.

“O que?”

“Você está bem, não?”

“Sim, sim, pai. As emoções ficam meio perdidas apenas.”

O Xerife deu uma pequena risada. O olhar dele ficou um pouco vidrado nas paredes, como se ele estivesse perdido.

“As emoções ficam bastante descontroladas, sim. A gente não sabe o que acontece com a gente na maior parte do tempo. Eu sei que eu chorava todos os dias durante o quinto mês. Sem falar que no sétimo mês eu não conseguia ver a sua mãe sem começar a tirar a roupa,” o Xerife deu um sorriso quando disse aquilo.

Stiles torceu o nariz. “Eu prefiro que você não fale sobre aquilo, exatamente.”

“Ah, filho, você vai perder essa vergonha de falar as coisas logo, logo.” O Xerife levantou as sobrancelhas para o filho.

Derek colocou um braço em volta do Stiles. O Xerife fez questão de olhar em volta e fingir estar cheirando as paredes, e tudo aquilo que os dois fizeram lá dentro.

“Pai,” Stiles grunhiu. “Eu sei que é alguma coisa que todo mundo faz, mas não precisa também ficar esfregando na nossa cara.”

“Mas num mundo como o nosso a gente não tem como ter vergonha dessas coisas. Eu sei que no começo a gente não quer contar pra todo mundo o que está acontecendo, claro, mas depois a gente perde a vergonha, e passa a entender que todo mundo faz isso.”

O Xerife suspirou.

“Seria muito melhor se todas as famílias entendessem isso, sabe? Tanto o sexo como a sexualidade é uma coisa normal e todo mundo tem parte nisso. Não é só porque a gente quer privacidade que nós vamos esquecer de falar sobre isso. Quantas crianças nem sabem o que quer dizer os genes? Especialmente aqueles que não os tem, nem sabem como isso funciona.” O Xerife estava em seu modo palestrante. “Tem um monte deles que poderia entender melhor a si próprio quando entende sobre a sexualidade de todo mundo. Os pais poderiam ajudar, mas não fazem isso.”

“Acho que a gente tem que prestar atenção a isso,” disse Derek. Stiles assentiu.

“Eu entendo, pai,” disse Stiles. “Eu sei que mesmo tendo os genes a gente nem sempre consegue compreender as coisas.”

“E é bom a gente fazer a nossa criança entender que é bom ser livre, e entender que essa liberdade é linda,” Derek comentou.

Era incrível a forma como os dois se conectavam daquela forma também, em relação às escolhas que eles iriam fazer com o filhote. Talvez eles nem soubessem exatamente o que teriam que fazer, mas tudo fazia sentido.

O papo deles seguiu, e no final da noite eles decidiram marcar um jantar com a família Hale. O Xerife iria ir junto, e todos seriam uma família feliz, reunida na casa de Talia. Stiles já estava um pouco nervoso, mas eles teriam que conhecer a família algum dia, não?