Coração de Gelo (Versão antiga)
29 Ameaça
Notas iniciais
Rafaela estava se sentindo inquieta estando sozinha em casa e por este motivo decidiu sair um pouco para passear de táxi, entretanto a certa altura ela resolveu descer do veículo para caminhar e conhecer parte da cidade a pé. Porém logo se deu conta de que esta não foi a melhor de suas ideias ao tropeça em algo, devido a bota ortopédica que usava, e literalmente cair em cima de alguém.
E que alguém duro e macio ao mesmo tempo!
Jasper estava caminhando pelas proximidades de seu apartamento quando foi surpreendido por uma ruiva de tirar o fôlego que tropeçou na calçada e ao cair o derrubou junto caindo sobre ele.
Mas quem em sã consciência conseguia tropeçar em uma calçada totalmente plana?
—Uau!-a ruiva ofegou. –Pela primeira vez na vida eu agradeço a essa estranha paixão que o chão tem com a minha pessoa. –ela disse e Jasper achou que se tratava de alguma maluca.
—Foi um prazer servir de amortecedor para você, mas será que a senhorita poderia sair de cima de mim para que eu possa me levantar?-Jasper resmungou de maneira sarcástica e a ruiva corou até a alma.
—Me desculpe. –ela pediu esforçando-se para sair de cima dele, porém não conseguiu se pôr de pé.
Jasper foi obrigado a girar seus corpos e ao ficar de pé ainda teve de ajudá-la.
—Qual seu nome? -ele perguntou a ela.
—Sortuda, digo, Rafaela Moore. E o seu?
—Jasper Hale, acho que já escutei seu nome em algum lugar e tenho a impressão de já ter visto seu rosto também.
—Acho que não, eu nunca te vi mais gordo, ou no seu caso gostoso! -a última parte ela sussurrou baixinho.
—O que disse? -ele indagou.
—Que eu preciso ir, muito obrigada pela a ajudar. –ela se apressou em dizer e sair dali o mais rápido possível, pois ela também teve a impressão de já tê-lo visto em uma foto e quando ele se identificou Rafaela teve certeza de que se tratava de seu novo chefe.
Com que cara ela iria olhar para ele amanhã? Será que fazer uma cirurgia plástica de emergência era uma opção?
[***]
Isabella estava preocupada com seu marido, já era tarde nada dele chegar ou ligar.
Será que algo grave tinha acontecido? Ela se perguntou enquanto vestia uma camisa dele.
Isabella escutou o barulho de chaves vindo do andar de baixo e ela teve certeza que era seu marido.
—O que pretendia? Me matar de preocupação? Milla me disse que você estava triste quando chegou mais cedo e que parecia com raiva de alguém. Custa deixar esse celular ligado quando você resolve desaparecer? -Isabella reclamou descendo as escadas e indo ao encontro dele.
—Nossa filha tinha razão, eu estava triste e principalmente furioso com você! -Edward não gritou ao falar, pelo contrário, seu tom de voz era manso e isso foi o que mais a assustou.
—O que foi que eu te fiz? -ela perguntou tentando ocultar o temor que sentia, porém a julgar pelo brilho estranho que viu nos olhos dele sua tentativa falhou miseravelmente.
—Não advinha? -questionou aproximando-se dela e instintivamente Isabella deu um passo para trás.
—Não estou entendendo essa sua atitude. O que aconteceu? -quis saber.
Edward riu sem humor algum.
—Se está me fazendo é essa pergunta é sinal de que ninguém a avisou que hoje eu estive na sede do FBI.
—O quê? -Isabella quase gritou ao falar. –A que horas?
—Se está querendo saber se cheguei a tempo de ver seu amiguinho a beijando a resposta é sim! Para sua falta de sorte eu estava lá e não sabe quanto tive de me segurar parar não partir em cima daquele infeliz! Mas no fim das contas não é ele que me deve fidelidade e respeito e sim você! E agora as perguntas que me faço são, por que não se afastou dele? Por que você permitiu que ele a beijasse?
Isabella ofegou.
Deus, Edward não podia ter descoberto deste modo! Quantas besteira ele já não havia pensado? A confiança entre eles ainda estava sendo construída e nesta construção haviam tantas rachaduras ainda.
Ela passou por debaixo do braço dele e sentou-se no sofá com o rosto entre as mãos.
Como explicaria tudo a seu marido?
—Eu não queria que você soubesse disso desta forma, entretanto também não pretendia te esconder nada. –começou sem ter coragem de encará-lo.
—Então por que você me parece tão assustada? -indagou com desconfiado.
—Porque sei o quanto você pode ser temperamental, impulsivo, possessivo, ciumento, perigoso! Porque melhor do que ninguém eu sei que esta sua vulnerabilidade é apenas uma casca que pode ruir a qualquer instante. Eu tenho medo de que você possa fazer alguma loucura! -desabafou aos prantos.
—O que eu farei ou deixarei de fazer vai depender exclusivamente do que me diga e de que até que ponto eu serei capaz de acreditar em você. –Edward declarou lutando contra as vontades de gritar com ela e ao mesmo tempo querer abraçá-la.
—Eu ainda não tinha chegado ao FBI quando Jasper me ligou extremamente alterado e quando perguntei o motivo ele me contou sobre uma sórdida armação de Alice Brandon contra você. O meu primeiro impulso foi de ir até o FBI e esganar aquela mulher, mas como Jasper conseguiu impedi-la a tempo de evitar uma desgraça e ele já a havia prendido decidi deixá-la nas mãos dele, pois se eu fosse até lá de imediato eu não tenho dúvidas de que perderia a cabeça e a mataria. –Isabella teria prosseguido se seu marido não a tivesse interrompido.
—Que armação foi essa? E por que você não me disse nada a esse respeito?
—Alice tentou enviar uma foto sua ao líder dos terroristas poloneses para que ele descobrisse sua identidade e assim ela se vingaria de mim através da sua morte pelas mãos dos terroristas poloneses e ficaria rica. Eu não te disse nada porque a missão Polônia, apesar de ser em conjunto com o grupo SEAL é muito mais problema meu do que seu. –explicou.
—Uma ova que é! -o general gritou, porém baixou o tom de voz ao lembrar que a filha deles dormia no andar de cima.
—Desculpe, eu não quis contrariá-lo, apenas poupá-lo. –sussurrou.
—Eu não sou feito de cristal para quebrar ao menor toque. Prossiga! -ordenou de maneira tão gélida que sua esposa estremeceu.
—Quando finalmente cheguei ao FBI fui procurar Jasper para saber o que exatamente tinha acontecido, pois fiquei sabendo que ele perdeu totalmente o controle, e quando o encontrei e o questionei a esse respeito Jasper se declarou. Eu tentei me esquivar dele, mas Jasper não permitiu que eu fizesse isso e quando me dei conta ele estava me beijando. Num primeiro momento eu fiquei tão surpresa que não consegui reagir e depois não me afastei porque não quis magoá-lo mais do que inevitavelmente eu faria após o fim daquela fatídica situação.
—Mas ao idiota aqui você podia magoar, é isso? -Edward perguntou avançando na direção dela e a suspendeu do sofá a sacudindo pelo braço.
—Eu não tinha a menor ideia de que você estava ali! E independentemente do que Jasper tenha feito eu deixei bem claro que entre mim e ele não pode haver nada porque meu coração é seu. Sempre foi e sempre será! Apesar de não ter me afastado dele em momento algum eu correspondi ao beijo porque não poderia fazer isso com você.
—O fato de você não ter se afastado me fez pensar tantas bobagens que cheguei a cogitar fazer uma loucura, sabia? -seu marido comentou a soltando bruscamente, fazendo com que ela caísse sentada sobre o sofá.
—Que tipo de loucura? -Isabella perguntou, entretanto no fundo já sabia a resposta, pois seu marido era um ser bastante impulsivo.
—Eu sair para beber um pouco e estava com tanto ódio que por um momento cogitei cometer adultério.
Doeu escutar aquilo, muito mais do que ela jamais seria capaz de expressar em palavras.
—E por que raios você não entrou naquela sala e nos enfrentou ao invés de agir como um covarde? -ela berrou esquecendo-se de tudo.
—Covarde eu seria se tivesse feito isso, pois eu estava tão cego de raiva que teria matado aquele maldito! Ai sim todos poderiam encher a boca para me chamar de assassino. E com você eu nem sei o que teria feito! -Edward rebateu transtornado. –Presta atenção no que eu vou te dizer: você é minha mulher e de mais ninguém. Se eu pelo menos sonhar que algo perto daquilo voltou a acontecer entre vocês os dois irão desejar nunca terem nascido! Eu fui claro? -perguntou a agarrando novamente pelos braços, deixando seus corpos praticamente colados. -Eu estou cansado de ser feito de massinha de modelar em suas mãos. A partir de hoje ou você aprende a dançar conforme a minha música ou nosso casamento acaba de vez! E se isto chegar a acontecer tenha a certeza de que moverei céus e terra, mas nossa filha não ficará com você. Entendeu?
Continua...
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