Notas iniciais
Saindo completamente da minha zona de conforto para dar voz ao melhor ship da história.
[Texto também postado no Spirit]

Merida deu outra mordida no picolé preparado por Elsa, enquanto observava com um sorriso a rainha proferindo mais um de seus chatos e longos discursos. Vez ou outra, seus olhares se cruzavam e Elsa se irritava com a postura da ruiva.

Olhando aquela postura séria, se lembrava do dia em que a conheceu.

Acordou naquele dia desejando lugares novos para treinar, conhecer ares novos. Montou em Angus e partiu para sua busca, sem hora para voltar. Merida cavalgava pela floresta sem sequer saber para onde estava indo — e esperava que ao menos soubesse como voltar. Seu cavalo se agitou inesperadamente e a jogou para frente. A princesa lançou um olhar zangado para Angus e foi logo bisbilhotar atrás de uma pedra o que havia ocasionado aquele imprevisto. Seus olhos brilharam ao ver Elsa, formando com suas mãos pedaços de gelo que reluziam como a coroa que estava em sua cabeça. Suas mãos eram habilidosas ao formar gelo, mas não se podia dizer o mesmo da mira. Havia um alvo feito de gelo, e embora Elsa estivesse relativamente perto não conseguia acertá-lo.

— Droga. — Murmurou quando errou novamente, frustrada.

— Quer ajuda? — Merida ofereceu com um sorriso provocativo no rosto.

Elsa se virou de súbito, quase acertando a garota com seu poder, mas acabou errando — e pela primeira vez agradeceu por ter uma péssima mira.

— A quanto tempo está observando? — Perguntou com o queixo erguido.

— Tempo o suficiente, majestade. — Provocou — Imaginei que precisasse de ajuda com o alvo.

— Você também…? — A loira questionou arregalando os olhos, imaginando que a mulher misteriosa também tivesse poderes como os seus.

— Não entendo nada sobre poderes mágicos. — Merida riu e se virou de costas, caminhando para longe — Mas posso entender uma coisinha ou outra sobre mira.

Ainda sem se virar, a ruiva disparou uma flecha e, para a surpresa da rainha, acertou exatamente no centro do alvo — E, como a flecha de cupido, o coração da loira.

Merida se pegava pensando nesses dias com certa frequência. Desde aquele dia, passou a ensinar Elsa. Embora não tivesse alcançado a perfeição, havia melhorado muito daquela situação desastrosa em que se conheceram.

Meses mais tarde, descobriria que a rainha de gelo não queria a perfeição. Apenas fingia ainda ser ruim de mira para que Merida continuasse a ensinando, e esse seria um grande pretexto para que se encontrassem semanalmente.

Aos poucos, Elsa se revelou uma garota brincalhona, que se escondia atrás de uma postura séria de rainha. Essa postura também servia como um escudo, para se proteger de um sentimento desconhecido que crescia cada dia mais em seu peito. Conforme se sentia mais a vontade — e se tornando impossível resistir às piadas da ruiva — abaixava cada vez mais esse escudo, que deixava a primogênita do clã DunBroch mais envolvida ainda.

— Não deve ser tão difícil assim lançar gelo. — Merida disse se abaixando e pegando um montinho de neve no chão — Vamos ver.

Ela jogou a bola e acertou em cheio a cabeça da rainha, e ela riu. Ao perceber sua expressão surpresa, Merida parou de rir e estava prestes a pedir desculpas quando foi surpreendida por uma bola de neve, seguida do riso da Elsa.

— Então vai ser assim?

Passaram a tarde brincando na neve, e os poderes da loira davam mais emoção à brincadeira. Merida sorria para o nada enquanto dava outra mordida no picolé, sobremesa que nunca havia provado antes de conhecer sua amada. E foi num desses dias que aconteceu, ela finalmente derreteu aquele coração de gelo.

Elsa estava frustrada por ter errado o alvo, outra vez. Merida riu do seu erro, o que a deixou ainda mais enfurecida, e se aproximou. Seus corpos se aproximaram, fazendo com que ambas se arrepiassem. Merida colocou uma mão no ombro de Elsa e segurou sua mão, apontando para o alvo. A vergonha implorava para que a rainha se distanciasse daquela mulher, mas cada pedaço do seu corpo desejava permanecer daquele jeito, e ela obedeceu ao desejo.

— Agora. — Sussurrou.

Elsa entendeu a ordem e disparou, acertando o centro do alvo. Ela abriu um sorriso de alegria e abraçou Merida por impulso, sendo retribuída e — ainda mais inesperado que ter conseguido — beijada.

Aquele beijo a aqueceu por completo, tanto que por alguns segundos se questionou se era feita de gelo ou fogo. Merida tremia, não pelo frio, mas pela reação da outra. Quando Elsa retribuiu, ambas sorriram enquanto beijavam, e a neve caia fina sobre elas como se de alguma forma pudesse agracia-las.

— Vamos, é a hora da dança. — A rainha Elsa se aproximou com sua postura séria, afinal, estavam diante de todo o reino.

Era o dia em que, finalmente, apresentaria Merida. Não só para seus súditos, mas também para sua irmã Anna.

Elsa segurou numa mão da ruiva, a convidando para a dança com uma expressão nervosa. Assim que se levantou, Merida sentiu seu coração acelerar quando reparou que todos olhavam para elas.

— Já disse para não me olhar dessa forma quando eu estiver fazendo um discurso. — Disse séria enquanto dançavam pelo salão — Eu preciso me concentrar.

— De que forma? — Merida respondeu lançando um olhar provocador e mexendo as sobrancelhas.

— Deixa para lá. — Elsa riu e olhou para baixo, tentando conter as risadas — No que você tanto pensa?

— Sobre as luzes mágicas. — Sorriu de canto.

— Acho difícil acreditar nessas coisas. — Disse com um sorriso apaixonado.

— Mas deveria acreditar, pois elas me levaram até você.

Elsa não conseguiu conter o impulso de beija-la, e todo o reino aplaudiu em comemoração ao perceber que a rainha formava com gelo um grande e brilhante anel de noivado.

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