Coração Perdido
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Boa leitura !!
Lilian tinha a boca e os olhos arregalados, não podia acreditar em nenhuma palavra que a garota ao seu lado dissera. Ela e Megan decidiram voltar para casa a pé, coincidentemente, as duas moravam no mesmo bairro. Megan havia contado toda a história para Lilian, e agora era encarada pela outra. Depois de tanto tempo sendo observada, Megan abaixou a cabeça envergonhada.
– Eu ainda não posso acreditar – murmurou Lilian. Depois se virou para a menor e disse: – Deixe-me ver se entendi. Você esbarrou no Nathaniel e quebrou o relógio do avô do pai dele e como você não pode pagá-lo vai ter que virar a empregada pessoal dele?
– Isso mesmo – concordou Megan abaixando a cabeça.
– Por que você não negou? Ele não pode te obrigar a isso – Lilian reclamou indignada.
– Mas eu também não posso ficar sem pagar para ele – retrucou Megan chateada. – Eu ainda não decidi o que fazer...
Mesmo achando que ela deveria negar, Lilian não disse mais nada. Megan entrou na casa, silenciosa como sempre. Sua tia estava no trabalho e sua irmã estudava em período integral, então tinha o dia inteiro para si.
Deixou sua mochila na sala e subiu para o banheiro do segundo andar. Pegou uma toalha no armário, que era embutido na parede ao lado da porta do banheiro, e entrou. Como sempre que estava de cabeça cheia, ligou o chuveiro no frio. Deixou que a água escorresse por seu corpo, desde sua cabeça até seus pés. Fechou os olhos e permitiu-se esquecer de seus problemas, a água sempre a tranquilizava, desde criança.
Megan saiu do banho enrolada na toalha, subiu para seu quarto e abriu o guarda-roupa, pegou um shorts jeans e uma camisa branca simples de mangas, colocou seu chinelo e desceu para a sala. Pegou seu material e colocou-o na mesa de centro, mesmo que tenha sido o primeiro dia de aula os professores haviam passado lição de casa.
Para a garota foi surpreendente ver que a lição de casa era mais complicada que os exercícios de classe. Ligou o som que havia na sala e sentou-se no chão em frente à mesa para fazer os exercícios. Era uma quantidade considerável de lição, então resolveu lanchar em ver de fazer o almoço, que tomaria muito tempo.
Sua irmã chegou a casa às cinco horas da tarde, Megan estava deitada no sofá assistindo televisão. Bianca beijou a bochecha da mais velha e subiu correndo as escadas; vinte minutos depois ela apareceu na sala sem a roupa do colégio e olhando para Megan como se quisesse alguma coisa.
– O que foi, Bia? – perguntou olhando para a irmã.
– Cadê seu uniforme? Quero ver – falou apontando para a mais velha.
– Ali, na mochila.
Bianca abriu a mala da irmã e tirou o saco preto, lacrado, de dentro. Olhou reprovadora para a mais velha por não tê-lo aberto. Dentro havia uma blusa social branca de mangas compridas, um casaco a cinturado azul escuro com o emblema da escola no peito, uma saia preta e um par de sapatos parecidos com os de bailarinas na cor preta também. Bianca pegou o bilhetinho que vinha colado no pacote e leu.
– Senhorita Colby, é um prazer recebe-la me nossa escola. No primeiro dia de aula não é obrigado a usar o uniforme, mas a partir de amanhã a entrada no edifício só será permitida com os devidos trajes. Não se esqueça de que deve usar meias brancas com o uniforme, do tamanho que você preferir. Espero que tenha um bom ano, diretor Johnson – Bianca terminou de ler e olhou para a irmã. – Você tem que experimentar.
– Não quero – retrucou Megan ainda deitada.
– Você tem! E se estiver muito curto ou muito grande – quando Bianca percebeu que Megan não iria se levantar parou em frente à televisão e a desligou. – Se você não for não deixarei que você assista nada.
Megan lançou um olhar irritado para a irmã, mas pegou as roupas e foi para o banheiro. Bianca sorriu convencida e sentou-se no sofá. Megan colocou o uniforme e quis tirar na hora, era tudo muito apertado e curto, hesitou em sair, mas lembrou-se que sua irmã só iria deixa-la em paz quando mostrasse a roupa.
Bianca deu um pequeno grito quando Megan saiu do banheiro, o uniforme havia caído como uma pluma na mais velha. A camisa não estava larga, e sim, um pouco apertada como devia ser, a saia batia na metade das coxas da garota, as meias ¾ transparentes e os sapatos combinaram muito com Megan.
– Está simplesmente perfeita – falou Bianca animada.
– Está tudo muito curto e apertado – reclamou Megan. – E desde quando um colégio nos EUA precisa usar uniforme?
– É uma tradição muito antiga do colégio que eles não quiseram deixar de lado – Bianca e Megan olharam para a tia, que havia acabado de chegar a casa. – E também essa é uma das razões por ser uma escola tão tradicional.
– Tia ela não está linda? – perguntou Bianca animada.
– Sim, está. E não adianta reclamar Meg, você é obrigada a ir assim – explicou calma a tia.
Megan concordou e saiu para se trocar. Bianca seguiu a tia até a cozinha e começou a contar sobre seu dia, Megan voltou quando ela estava no final.
– Então essa garota disse para eu me sentar ao lado dela e ficamos amigas – terminou feliz.
– Que bom que você fez uma amiga, Bia – cumprimentou Cloe feliz. – Agora vá fazer sua lição que eu te chamo quando jantar estiver pronto.
– OK.
Cloe olhou para Megan e esperou ela começar. Megan respirou fundo e sorriu falsa para a tia.
– Meu dia foi bom também – começou tentando parecer feliz. – Fiz uma amiga, a Lilian.
– Só isso? – perguntou curiosa.
– Conheci quatro professores, fui chamada de pirralha por uma de minhas colegas e a professora de biologia é o máximo – completou feliz.
Agora sim a tia estava satisfeita, sorriu para Megan e pediu ajuda para prepara o jantar. Tudo ocorreu bem, logo que terminaram de comer Megan subiu para ajudar a irmã com a lição de casa. Ficou no quarto até ela dormir, saiu de fininho. Eram onze horas da noite, sua tia já havia ido deitar, toda a casa estava apagada. Puxou a escada para o sótão e subiu devagar.
Ao se deitar na cama e recordar seu dia, Megan realmente se arrependeu de ter esbarrado em Nathaniel. Porém ainda não acreditava no que ele dissera, para ela era tudo uma brincadeira de muito mal gosto. Adormeceu pensando em como seria ter uma vida normal.
***
Acordou no horário certo naquele dia, tomou banho, colocou o uniforme e prendeu seus cabelos em um longo rabo-de-cavalo. Quando desceu sua tia estava terminando de fazer o café da manhã. Sentou-se a mesa e abaixou a cabeça em cima dos braços.
– Você nunca fica cansada de manhã, Meg. O que foi? – perguntou Cloe preocupada.
– É só a escola nova, é tudo muito cansativo – mentiu abaixada.
Cloe serviu o café para a garota e subiu para chamar Bianca. Megan terminou de comer e saiu de casa, parado em frente ao lugar estava uma Mercedes Benz SL65, porém o que chocou mais Megan foi sua cor bronze.
– Oie! – acenou Lilian do lugar do motorista. – Venha, vou te dar uma carona.
Megan abriu a porta do passageiro e entrou hesitante. Quando Lilian reparou em Megan, sorriu, o uniforme caíra como uma luva na menor. A loira deu a partida e saiu em direção a escola.
Megan se assustou com a quantidade de carros caros que havia naquele estacionamento. Lilian parou o dela, perto da entrada e saiu. Megan a seguiu para dentro da escola, ninguém parecia reparar nelas e a menor agradeceu por aquilo. Megan foi até seu armário, pegou seus livros e o caderno e foi para a classe. Lilian já estava sentada. As duas sentavam-se na frente, bem perto dos professores.
– Megan, me empresta sua lição de biologia? – perguntou Lilian manhosa.
– Claro – ela pegou seu caderno e entregou à outra. – Mas não deixe que a professora veja você copiar.
Quando Megan olhou para a porta da sala, viu o que se tornou seu pesadelo: Nathaniel Blake e seus amigos. Ele a encarou e foi em sua direção, Lilian levantou a cabeça e olhou para o garoto parado a seu lado.
– Precisa de alguma coisa? – perguntou brusca.
– Quero saber se a pirralha aqui – falou apontando para Megan. – Vai fazer o que eu falei.
– Ela não...
Mas Megan interrompeu Lilian se levantando: — Eu não vou fazer aquele absurdo que você disse.
Todos que estavam na sala pararam para vê-la enfrentar o “chefão” da sala. Nathaniel a olhou de cima abaixo, Megan fez muita força para não se encolher quando ele a encarou.
– Você tem certeza de que vai querer me enfrentar? – perguntou rindo.
– O que eu tenho certeza é que não vou ser sua empregada, nem pensar – retrucou Megan brava.
Nathaniel deu-lhe as costas e foi se sentar, Megan caiu sentada e respirou aliviada, Lilian deu pequenos tapinhas na cabeça dela e virou-se para frente quando o professor entrou. A menor pensou que tudo iria voltar ao normal.
Como estava enganada.
Notas finais
O que acham que vai acontecer agora? Para a nossa personagem principal vai ficar muito bem, nem eu me deicidi ainda =D
Espero que estejam com vontade de mais. Até a próxima semana.
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