Coração Perdido
14 Capítulo 13
Notas iniciais
O baile de primavera estava bombando. Lilian usava um vestido rosa bebê e tinha seu cabelo preso em um coque artístico. Ethan, que a acompanhava, usava um terno perto com a camisa social azul-marinho.
Eles estavam acompanhados por Nick, que não levara ninguém, e Nathaniel que estava com Chazz. Quatro deles se divertiam, mas Nathaniel parecia estar com a cabeça em outro planeta. Nick aproximou-se do amigo e lhe entregou um copo de ponche.
– O que você tem, Nate?
– Só estou pensando, cara.
– Seria em uma pessoa baixinha, com cabelos negros e olhos azuis?
– O que você esta insinuando, Nick?
– Oras, Nate, você sabe. Por que não admite?
Nathaniel olhou-o irritado, ignorou o que ele disse e voltou sua atenção para Chazz. Nick negou com a cabeça e suspirou voltando sua atenção para Ethan. Lilian, que os observava, ficou apreensiva.
~~//~~
Megan terminara de lavar a louça enquanto sua tia e Bianca estavam sentadas esperando o senhor Johnson.
– Tem certeza que não quer ir, Meg? – questionou sua tia receosa. – Você não quis nem ir ao baile da escola...
– Tenho certeza sim, tia. Estou bem aqui – sorriu calma. – Ouviu? É a campainha. Sua carona chegou. Vá e se divirta!
Ela ainda lançou lhe um olhar preocupado antes de sair. Bianca pulou em volta de si e deu um beijo em sua bochecha, se despedindo. Ao ouvir a porta se fechar, a menina olhou para os lados e suspirou feliz. Finalmente teria alguma calma para ler e resolver algumas questões da escola.
Pegou os maiores livros que tinha: As Crônicas de Nárnia e a coletânea de tirinhas da Mafalda e se jogou no sofá. Era hora de aproveitar o final de semana.
Passaram-se quatros horas, sua tia ligara avisando que não voltariam para casa, o que queria dizer que passaria a noite sozinha. Estava terminando de fazer sua pipoca e arrumar as coisas para acampar na sala, quando seu celular tocou mais uma vez.
O identificador mostrava que era Lilian, com um suspiro de quem sabia que sua noite pacífica estava fadada ao fracasso, a menor atendou ao telefone.
– Meg!
– Oi, Lily. Por que a gritaria?
– Oras, estou falando com a minha amiguinha, claro que estou feliz – respondeu enrolado. Ao fundo Megan pode ouvir Ethan dizendo para a menina se controlar. – Meg, estou com saudades de ti.
– Lilian, acho melhor você ir para casa. Está bêbada.
– Não, não estou e acho que vou ai te ver. Que tal?
– Desculpe, Lily. Mas estou sozinha e minha tia não gostaria, podemos sair amanhã, se você estiver bem, o que acha? – ofereceu sabendo que a amiga não lembraria de nada no dia seguinte.
– Ah, mas Meg...
A fala da garota foi seguida de um grito. Todo o bairro da escola estava com suas luzes apagadas. Até a casa de Megan. Com um suspiro, a garota chamou Lilian e fê-la parar de gritar.
– Lily, pare de gritar. É só um apagão, fique calma. Ethan está ai contigo, né?
– Sim...
– Então, peça para ele lhe levar para casa ou melhor, fiquem todos juntos. É muito perigoso dirigir no escuro!
– Ok. Vou falar com ele. Obrigado, Meg. Se cuide! E vou cobrar nosso passeio amanhã.
Ela desligou o telefone e suspirou. “Tenho que me lembrar de deixar Lilian longe de bebidas” anotou mentalmente. Quando ia se deitar ouviu a campainha tocar, bufando de raiva levantou-se e olhou pelo olho mágico. Nathaniel estava parado, meio avoado e Chazz batia o pé no chão irritada, ao lado da menina estava Nick, com um sorriso nada inocente. Megan abriu a porta com uma sobrancelha erguida.
– Sério? Viemos visitar essa pirralha? – reclamou Chazz quase aos berros. – Qual seu problema, Nathanael?
– Eu disse que você podia ir para casa, Chazz – retrucou frio.
– O que vocês estão fazendo aqui? – Megan interrompeu séria.
– Nate insistiu que viéssemos, Meg – respondeu Nick com um sorriso. – Ele disse que precisava falar com você. Não se preocupem, podem conversar que eu levo Chazz para casa.
– O quê?! – gritou a menina. – Nate disse que me levaria!
– Me faz esse favor, Nick? – perguntou Nathaniel ignorando a garota. Nick acenou feliz e puxou-a para dentro de seu carro. Megan ia retrucar sobre dirigir pela cidade com um apagão, mas ele saiu antes que ela pudesse falar qualquer coisa. – Bem, posso entrar, Megan?
Ela encarou-o chateada. Ele estava com um leve cheiro alcoólico, mas além disso não parecia nada bêbado. “Deixe-me corrigir, ele está bêbado. Está aqui parado na minha porta e é quase meia-noite!”.
– Acho que pode entrar – disse depois de algum tempo pensando.
Ele agradeceu e ela deu espaço para que ele passasse. Megan não soube se foi de propósito ou não, mas ele passou e seus corpos quase se tocaram. Achando que nada daria certo, a garota voltou para dentro.
Nathaniel sabia que estava meio alto, não o suficiente para não pensar direito, mas o suficiente para aceitar coisas que não queria antes. Via a menor colocar algumas velas na mesa de centro e acendê-las, sabia que não deveria ter vindo, mas como concluíra estava alto o suficiente para não ligar para a própria consciência.
Megan observava-o cautelosa, sentou-se no colchão que preparara para si e ofereceu-lhe pipoca. O garoto pegou um punhado e desceu para sentar ao lado dela. Para sua surpresa, ela sentiu-se de duas formas: 1°. Nervosa, sabia que não devia deixar um Nathaniel se aproximar sóbrio, o imagine bêbado; 2°. Animada e ansiosa, só poderia imaginar o que ele faria e depois desse pensamento aceitou que estava começando a gostar do idiota que estava a sua frente.
– Nate, o que veio fazer aqui? – perguntou quando a pipoca chegou ao fim. – Você não estava fazendo companhia à Chazz?
– Você sabe o quanto a acha sem graça e chata, Meg...
– Então por que continua com ela?
Ele entendeu muito bem o tom da pergunta, sabia o que ela queria dizer. O maior problema era que se admitisse para ela, teria que contar tudo e não sabia se alguém tão inocente saberia aceitar aquilo.
– Quer mesmo saber?
Megan hesitou, percebeu que vinha algum tipo de bomba para sua pergunta.
– Eu sabia, deixe para lá, Meg – suspirou, um pouco decepcionado.
– Não, espera, Nate – pediu segurando a mão dele, que encarou-a surpreso. – Eu quero saber. Quem é você de verdade? O que aconteceu contigo?
Fale com o autor