Coração Malandro

8 Capítulo 7


Notas iniciais
Boa leitura e obrigada a quem comentou :)

Mara acordou no dia seguinte com uma enorme ressaca, fruto da noite anterior. Olhou as horas e viu que já estava atrasada. Vestiu a primeira roupa que encontrou e dirigiu-se à cozinha onde já se encontrava Benjamin.

–Bom dia. – disse Mara indo até Benjamin e dando-lhe um beijo na cara.

–Bom dia. – respondeu Benjamin estranhando a normalidade de Mara. – Mara, eu… — Benjamin foi interrompido por Mara que não o tinha ouvido.

–Foste tu que me trouxeste ontem? É que não me lembro de quase nada. – perguntou Mara. e foi aí que Benjamin percebeu. Mara não se lembrava de nada por causa do seu estado alcoólico. Logo não se lembrava do beijo que tinham dado nem da forma como se afastou e fugiu dele. Se calhar seria melhor assim, pensou Benjamin.

–Sim fui eu. Digamos que o teu estado não era dos melhores. – brincou Benjamin para disfarçar o constrangimento.

–Não gozes. Até parece que nunca ficaste assim. – respondeu Mara a rir-se – Tenho de ir andando, já estou atrasada.

Mara encaminhou-se para a faculdade, apressada. Ela estava atrasada e tinha completa noção disso. No entanto, também tinha noção da enorme dor de cabeça que sentia. Mara sabia que não deveria ter bebido a um dia de semana com aulas e trabalho no dia seguinte mas foi mais forte que ela. Ela sentia a necessidade de esquecer o que se tinha passado no dia anterior. O que Alexander tinha dito para ela, mesmo não sabendo o quanto aquelas palavras podiam afetar Mara, magoara-a muito. Aquelas palavras lembraram-lhe que ela nunca teve nem nunca teria uma família, nunca teria uma mãe para pedir conselhos sobre a sua vida amorosa e não só, nunca teria um pai para implicar com os seus namorados, nunca teria os pais para fazer um programa em família. E Mara percebeu que beber não adiantou de nada porque no dia seguinte voltaria a relembrar tudo.

Chegou ao portão da faculdade e olhou para o relógio, oito e cinquenta e oito. Suspirou aliviada, afinal tinha chegado a tempo da primeira aula. Dirigiu-se assim, mais calma, para a sala onde seria a sua primeira aula. Ao chegar, encontrou Anthony acompanhado de uma rapariga baixinha de cabelos e olhos negros.

–Bom dia. – cumprimentou Mara assim que chegou ao pé de Anthony e da rapariga desconhecida.

–Bom dia Mara. – cumprimentou Anthony – Mara, é a Elinor. Elinor, é a Mara. – apresentou-as Anthony. Mara e Elinor cumprimentaram-se com dois beijos na cara.

–A tua namorada não fica com ciúmes? Da maneira que arranjas amigas na faculdade qualquer dia ela põe-te os patins. – brincou Mara numa tentativa de provocar Anthony.

–Não tenho culpa que o meu charme atraia tantas mulheres. – respondeu Anthony na brincadeira.

–Já estou apaixonada. – disse Elinor fazendo a maior cara de apaixonada que conseguia fazendo Anthony e Mara rirem.

Entretanto o professor apareceu e Elinor, Mara e Anthony entraram para mais um dia de aulas como universitários.

Aquele dia, para surpresa de Mara, correu sem nenhuma surpresa. Para seu alívio não tinha dado de caras com Alexander. Quer dizer, não tinha visto Alexander na faculdade, mas sabia que o encontro entre eles mais tarde ou mais cedo teria de acontecer. O problema é que seria mais cedo do que queria, afinal ambos trabalhavam no mesmo escritório.

Mara despediu-se de Elinor e Anthony e seguiu para o escritório. No caminho ligou para Marcella. Afinal, já não falava com ela há alguns dias. Combinaram um jantar no apartamento de Mara entre elas, Benjamin e as gémeas Amy e Dominique.

Ao chegar ao escritório, Mara estranhou o silêncio. Mas rapidamente se lembrou do motivo deste silêncio, a hora de almoço ainda não tinha terminado portanto era normal não existir ninguém no escritório. Mas este silêncio durou pouco tempo. Mara ouviu as portas do elevador abrirem-se e de lá saiu Alexander. Mara voltou-se para o que estava a fazer ignorando-o completamente.

Já Alex reparou que Mara já se encontrava no seu local de trabalho. Alex até pensou em provocá-la por causa da noite anterior, quando a encontrou num estado bastante alterado mas controlou-se. A razão era simplesmente o que Ezra lhe tinha contado no dia anterior após ter ido atrás de Mara quando ela teve aquele ataque de fúria. Ela é órfã, por isso reagiu assim às palavras que disseste, dissera-lhe Ezra. Alex sentia-se mal por lhe ter dito aquilo. Ele tinha a completa noção que, se soubesse disso, nunca teria dito aquelas coisas para Mara porque Alex tinha noção que tinha muitos defeitos mas de uma coisa ele tinha também a certeza, ele nunca seria cruel por puro prazer.

Assim, Alex entrou na sua sala e começou mais um dia de trabalho. Ou pelo menos tentou porque não lhe saía da cabeça o que dissera a Mara e o que Ezra lhe contara posteriormente.

Alex acordou dos seus pensamentos quando ouviu alguém bater à porta. Mandou entrar e viu que era Mara com alguns documentos para ele. Mara colocou os documentos na secretária de Alex sem pronunciar uma única palavra. Silêncio consentido por Alex que também nada falou. Consentido pelo menos até ao momento em que Mara se preparava para fechar a porta atrás de si.

–Mara. – chamou Alex – Posso falar contigo um minuto? – pediu. Mara estranhou o seu comportamento. Não existia uma ponta de ironia, de sarcasmo. Na realidade a voz de Alexander parecia bem séria. Mara fechou a porta e dirigiu-se para a cadeira à frente da secretária de Alexander e sentou-se esperando que ele continuasse a falar. – Bem, eu não sou bom com estas coisas mas também sei que não me vou sentir bem se não fizer isto portanto…

–Alexander podes ir direto ao assunto? – perguntou Mara já sem paciência. Ela simplesmente não queria estar no mesmo espaço que Alexander, a sós, por muito tempo.

–Certo. Eu queria pedir-te desculpas pelo que disse ontem. Se eu soubesse que eras órfã nunca tinha dito isso.

–Apesar de seres um completo estúpido, eu sei que não foi essa a tua intenção, afinal tu não sabias. Por isso esse assunto está completamente esquecido. – disse Mara preparando-se para sair do escritório. A verdade é que mesmo aquele assunto estando encerrado, ela continuava a não gostar de Alexander por causa do modo como ele tratava as mulheres.

–Tu dizes que eu sou um completo estúpido mas se realmente eu fosse o que tu achas, ontem teria aproveitado o teu estado de embriaguez. – disse Alex chamando a atenção de Mara. Como assim tinha aproveitado o seu estado de embriaguez? Aliás, ela tinha estado com Alexander ontem?, perguntava-se Mara completamente confusa.

–Como assim? – perguntou Mara tentando não demonstrar curiosidade e falhando miseravelmente.

–Ah, então não te lembras? Realmente o teu estado era lastimável. – provocou Alex. – Pois fica sabendo que ontem andavas sozinha pelo meio do bar bêbada, frágil, pronta para que alguém se aproveitasse de ti. E eu vi-te e posso dizer que não me aproveitei de ti. – disse Alex fazendo com que Mara ficasse surpreendida. – Eu não sou um monstro como tu o pintas, boneca.

–Até podes não ter feito nada mas a verdade é que a forma como tu usas as mulheres é nojenta. – cuspiu Mara.

–Eu não tenho culpa que elas gostem de ser usadas por um homem irresistível como eu. E elas sabem claramente quais são as minhas intenções desde o início.

–A humildade mandou saudades, Alexander. E eu tenho mais que fazer do que ficar aqui a ouvir-te falar como és irresistível e tudo mais. Por isso, adeus. – disse Mara prestes a sair mas não sem antes ouvir Alexander falar.

–Um dia também não me vais resistir, boneca.

Mara bateu a porta com demasiada força e Alex percebeu que ela tinha ouvido o seu último comentário e sorriu com isso. Já Mara vinha tão furiosa com Alexander que se assustou quando viu Ezra sentado na sua cadeira.

–Olá Ezra. – cumprimentou Mara. – Se quiseres falar com o Alexander, ele está desocupado. – disse Mara e Ezra sorriu por causa da forma como Mara tratou Alex. Nunca ouvia chamarem o amigo pelo nome todo, exceto quando Rebecca se irritava com o filho.

–Olá. Sim é com ele que quero falar. Mas antes queria trocar umas palavras contigo.

–Claro. Sobre o que queres falar? – perguntou Mara curiosa sentando-se na outra cadeira disponível.

–Queria saber se o Alex falou contigo e… — começou Ezra mas Mara não o deixou terminar pois já sabia onde aquela conversa chegaria.

–Sim já falou comigo, já pediu desculpas e já voltou a ser o estúpido de sempre. – disse Mara fazendo com que Ezra gargalhasse. Era visível o quanto Mara não gostava de Alex. E era também visível que Alex não perdia uma única oportunidade para provocar Mara.

–Ainda bem que ele falou contigo. – disse Ezra entre risos. – Agora vou ouvir a versão dele dos factos e descobrir o que é que ele fez desta vez. Até já, boneca. – provocou Ezra sabendo muito bem que aquele tinha sido o apelido que Alex tinha dado a Mara. Já Mara limitou-se a revirar os olhos. Aqueles dois mereciam-se, foi à conclusão que Mara chegou.

Mara deixou de ver Ezra quando este entrou no escritório de Alexander. Mas também avistou uma rapariga ruiva que reconheceu como sendo Rose House, filha do seu patrão. Mas o que achou mais estranho foi o facto de Rose estar a chorar. Quando Rose notou que Mara tinha notado a sua presença simplesmente fugiu. Já Mara, preocupada com o estado de Rose, foi atrás dela.

Seguiu-a até às casas de banho do escritório de advogados. Ao entrar apenas ouviu os soluços de Rose vindos de dentro de uma das cabines. Aproximou-se até ficar encostada na porta onde se encontrava Rose.

–Rose. – chamou Mara mas sem qualquer sucesso pois Rose simplesmente a ignorou – Eu sei que não me conheces e deves estar a estranhar uma desconhecida vir até aqui falar contigo mas eu estou preocupada. Das vezes que vieste aqui visitar o teu pai nunca te vi assim.

–Deixa-me sozinha. – berrou Rose do outro lado da porta. Mara pensou seriamente em sair dali se era isso que Rose queria mas se havia uma coisa que Mara era, era ser persistente e por isso decidiu ficar até convencê-la a sair dali.

–Eu não te vou deixar sozinha, Rose. Eu sei que eu não te conheço e tu não me conheces mas mesmo assim não te vou deixar aqui. Sempre me ensinaram a ajudar quem está mal.

–Não preciso da tua pena.

–Quem é que disse que eu estou com pena? Anda lá Rose, sai daí. – pediu Mara. Rose não respondeu e aquilo já estava a irritar Mara. Por isso decidiu partir para a ameaça. – Se não saíres daí agora vou chamar o teu irmão. – disse esperando por uma reação de Rose que não demorou a surgiu. Pode ouvir a porta ser destrancada e viu sair de lá uma Rose com os olhos inchados por causa do choro.

–Pronto feliz? – perguntou Rose rudemente.

–Sim. Rose, eu não sei o que se passou mas qualquer que seja o motivo não merece as tuas lágrimas.

–Conheces-me de algum lado para vires para aqui com conselhos? – perguntou Rose raivosa. Mara já estava a perder a pouca paciência que ainda lhe restava. Nunca pensou que Rose fosse assim. Sempre que a via visitar o pai, Rose parecia uma rapariga calma, tímida, de poucas palavras. Mas agora, essa mesma Rose estava à sua frente e praticamente gritava consigo. E Mara não conseguia entender o porquê disso.

–Olha eu não sei o que se passa contigo, está bem? Eu estou apenas a tentar ajudar-te, ainda não percebeste? – respondeu Mara já exaltada. Rose não esperava que Mara lhe falasse assim e assustou-se com o tom de Mara. Mara percebeu que Rose se assustara. – Desculpa, eu não queria ter falado nesse tom.

–Eu também devo um pedido de desculpas pelo modo como estava a falar contigo. – disse Rose sorrindo pela primeira vez para Mara naquela conversa.

–Agora já me podes contar o que se passou? – perguntou Mara a medo. A verdade é que numa coisa Rose tinha razão, elas não eram amigas nem mesmo conhecidas para que Mara se intrometesse assim na vida de Rose.

–Não sei se quero falar disso ainda mais contigo. – respondeu Rose.

–Qual o mal de ser comigo? – perguntou Mara chateada. Não conseguia perceber o que Rose tinha contra si. – Agora é que me vais contar mesmo o que aconteceu. – disse Mara decidida e Rose percebeu que não tinha saída a não ser contar o que se tinha passado.

Notas finais
Então Mara não se lembra do beijo do Benjamin. E agora? Será que Benjamin lhe contará o que aconteceu ou vai ficar quieto? Afinal o Alex também sabe pedir desculpas... O que será que se passa com Rose? Comentem :)