Coração Indomável
12 Capítulo 12
Notas iniciais

"Eu aprendi da maneira difícil
a nunca me deixar chegar até esse ponto
Por sua causa
Eu nunca ando muito longe da calçada
Por sua causa
Eu aprendi a jogar do lado seguro, assim não me machuco
Por sua causa
Eu acho difícil confiar não só em mim
mas em todos à minha volta
Por sua causa eu tenho medo
Eu perco meu caminho
E não leva muito até você mencionar isso
Eu não posso chorar
Porque eu sei que isso é fraqueza nos seus olhos
Eu sou forçada a fingir
um sorriso, uma risada todos os dias da minha vida
Meu coração não pode quebrar
Quando não estava inteiro para começar"
(Because Of You — kelly Clarkson)
~*~
JACOB
Eu estava na praia, o dia estava ensolarado e quente, o mar estava calmo e convidativo, enfim, era um dia raro e bonito em La Push. Logo, a brisa me trouxe um cheiro familiar de morangos que imediatamente me hipnotizou, até que a vi caminhando na beira do mar. Bella estava linda com seu rosto corado, sua pele macia de porcelana, com sei jeito frágil e seus cabelos castanhos mogno jogados ao vento, seu coração ainda pulsava forte e cheio de vida.
Mas, de repente tudo muda...
Eu me vejo correndo desenfreadamente em direção ao penhasco, onde Bella já me esperava. Naquele momento meu coração batia a mil por hora, pressentindo que algo ruim ia acontecer.
Em seguida, Bella me dá um sorriso triste, antes de se jogar do Penhasco e desaparecer nas águas furiosas do mar.
Abruptamente, acordei me sentindo como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Todo meu corpo doía, a cada vez que se mexia na cama e a minha mente ainda estava desnorteada com o pesadelo.
Eu fechei os meus olhos e, repentinamente, uma enxurrada de memórias da batalha me atormentam, fazendo-me soltar um suspiro pesado.
"Merda!" Tentei me mexer de novo, mas só me causou mais dor e irritação. Um cheiro me invadiu as narinas, tinha um aroma de amêndoas e flores silvestres. "Leah!" O perfume só podia ser dela e era muito bom.
Inconscientemente, fechei meus olhos e inalei mais uma vez o seu perfume que parecia me acalmar, porém sons de passos no corredor me chamaram a atenção e perturbaram o meu sossego.
"Podemos entrar cara?" Era a voz de Quil.
"Acho que ele está dormindo." A segunda voz era de Embry.
"Jake, eu sei que você está acordado! Não adianta fingir!" Fui obrigado a abrir meus olhos para encontrar Quil do meu lado me cutucando parecendo um carrapato.
"Dá pra parar!" Cerrei os dentes.
"Ui! Alguém acordou de mau-humor." Quil realmente estava querendo morrer hoje. Pena que eu estava impossibilitado de lhe dar uma lição.
"Ei cara, como você está se sentindo hoje?" Embry se aproximou da cama me dando um sorriso simpático.
"Foi horrível. Mas poderia ser pior", eu disse com franqueza.
"Ah, curiosidade minha... como foi ser atendido pelo Doutor Presas? Eu teria medo dele... sei lá..."
"Cala boca, Quil!", Embry e eu gritamos em uníssono. "A questão é que ele foi profissional. Em outra situação seria complicada ser atendido por outro médico que desconhecesse nossa natureza sobrenatural." Parei ao ouvir outras vozes vindas de outro canto da casa.
Meu pai estava conversando com Sue e Seth estava discutindo com...
Leah?! O que ela estava fazendo aqui? Como se adivinhassem meus pensamentos, passos seguiram em direção do meu quarto. Ela parou hesitante na porta, olhando diretamente para mim.
"Esquecemos de avisar que ela estava aqui." Ignorei o comentário do meu primo para confrontar as órbitas negras de Leah.
Logo, flashbacks da batalha vieram a minha mente, me fazendo recordar que ela havia fugido como uma covarde.
"O que você faz aqui? Veio se desculpar?" Comecei a agir ironicamente. "Ah, esqueci que... Leah nunca se arrepende de nada!"
Com meu canto do olho vi os caras trocarem olhares e um riso de desdém. Leah os fuzilou com o olhar e depois de alguns minutos em silêncio, ela decidiu se manifestar.
"Ah... bem..." Percebi que ela suspirou nervosamente. "Eu trouxe seu remédio. Já está na hora e..."
"Cuidado, Jake! Vai que ela trocou os remédios por veneno", Quil disse em tom de zombaria.
"Cala a sua boca, idiota!" Leah já estava tremendo sem parar, mas um pouco e ela iria se transformar ali mesmo.
"Ei Leah, fique calma!" Me surpreendi com a voz tranquila de Embry. Ele agora parecia preocupado com ela.
"É só vocês ficarem quietos!", ela bufou e decidiu entrar no meu quarto. "Você precisa desse remédio para aliviar a sua dor." Só para irritá-la mais, hesitei em pegar o comprimido. "Caramba, nós não temos a tarde toda!" Leah resmungou rispidamente.
"Tudo, bem." Eu me remexi desconfortável e desajeitadamente na cama, tentando me posicionar sentado, mas foi uma tarefa difícil. "Merda, como dói!", resmunguei.
"Sinto muito!" Leah sussurrou para mim, após eu engolir o comprimido e a água. "Bem, eu... queria... é..."Ela me olhava com uma expressão séria e parecendo um tanto nervosa.
"Uh, isso é irritante. Vou tentar facilitar pra você...", eu disse já sem paciência. "Eu sobrevivi, eu estou bem... Quer dizer, eu vou estar bem. Então, bola pra frente." Dei de ombros. "Pode ir embora em paz. Eu já te perdoei. É isso que você quer ouvir?"
Eu esperava que ela fosse me dar uma reposta sarcástica ou raivosa, porém a garota me surpreendeu quando se aproximou de mim me deixando tenso, depois segurou os meus ombros e, gentilmente me ajudou a se deitar.
"Obrigado, Jacob! Eu te devo a minha vida." Mais uma vez, ela me surpreendeu ao me agradecer, olhando bem no fundo dos meus olhos. "Talvez, você esteja com fome. Vou mandar o Seth te trazer um lanche bem caprichado." Por fim, Leah me deu uma piscadela e sorriu, aquecendo meu coração com a sua sinceridade.
Depois que ela saiu os garotos voltaram a me encher o saco.
"Uau. Quem diria que a harpia amarga podia ser tão... fofinha!", Quil disse sarcástico. "Espera, Jake. Temos que ver se suas bolas ainda estão no lugar." Ele foi erguendo o lençol que me cobria só para me sacanear. Eu queria arrebentar a cara dele, mas foi Embry que me fez esse favor lhe dando um murro no braço.
"Se você falar mais alguma asneira, quem vai ficar sem as bolas vai ser você, Quil!", Leah gritou do corredor nos assustando.
Nós passamos o resto da tarde no meu quarto, jogando conversa fora e sabendo dos últimos acontecimentos. Até para rir dos garotos e suas aventuras era um sacrifício, pois meu corpo reclamava.
Eu descobri que tinha dormido por durante dois dias e meio. Realmente o remédio surtiu efeito, ainda que haja a dor física. Durante esses dois dias, o clima entre a matilha era bastante tenso, especialmente porque a Leah passou a ser mais hostilizada pelos outros Lobos. Isso me incomodou um pouco.
"Todo mundo, às vezes, comete erros. Leah não é a única." Seth estava tendo uma discussão acalorada com Quil e Embry. Ele estava disposto a defender a sua irmã. "Ela não fez por mal."
"Mas, ela sempre tem que ser imprudente e egoísta. Não é a primeira vez, que ela se arrisca, sem pensar nos outros." Eu concordei internamente com Embry.
"Bom, mas ela já levou um baita susto com o que aconteceu com Jake." Para minha surpresa, Seth me disse que Leah tem vindo me visitar nesses dois dias e que ela até dormiu do meu lado, esta informação me fez sentir que minhas bochechas ruborizaram e meu coração se entusiasmou.
Então, era por isso que senti o perfume dela tão forte e inebriante no meu quarto? Apesar de tudo o que me aconteceu, pelo menos teve uma coisa boa. Talvez, essa seria uma boa oportunidade de consertar a nossa amizade.
***/ /***
A maior vantagem de ser um Lobo era que nosso corpo se regenerava mais rápido do que um humano comum. Então, no terceiro dia eu já estava me sentindo melhor e sem dor.
Aproveitei para tomar um banho demorado, deixando a água fria escorrer por meu corpo e relaxar meus músculos. Após me enxugar e me enrolar na toalha, saí do banheiro sem perceber que ela estava em meu quarto. Tudo foi muito rápido e eu acabei me chocando contra Leah que se desequilibrou e quase caiu, se não fosse por minha intervenção ao segurá-la pela cintura, assim colando nossos corpos.
Nós ficamos nos olhando por um tempo sem se mexer e até respirar. Seus olhos eram intensos e hipnotizantes e suas mãos tocaram sem querer a minha pele me causando um arrepio e fazendo meu coração bater descoordenado. Eu senti minha pulsação ficar agitada e meu corpo mais quente que o normal. Ela também parecia um tanto confusa e encabulada.
No entanto, a razão voltou a tomar conta de mim.
"O que você tá fazendo aqui?", inquiri engolindo em seco e me afastei dela.
"Ah, me desculpa." Ela mordeu os lábios de um jeito que fez meu corpo reagir e me deixou desnorteado. "Eu só estava... limpando o seu quarto e... não te vi chegar”, Leah gaguejou e, então, seus olhos negros me fitaram com um brilho diferente.
Seus olhares me deixaram nervoso, com o coração acelerado e o meu corpo parecia que ia pegar fogo. Era uma sensação nova, assustadora e, ao mesmo excitante.
“Tá apreciando a vista?” Criei coragem e resolvi provocá-la e me aproximou perigosamente dela.
“O quê?!”
A principio ela arregalou os olhos parecendo perplexa com a minha ousadia e recuou colocando sua mão no meu peito nu para me fazer parar. Meu corpo novamente reagiu ao seu simples toque.
“Ah, garoto... vê se enxerga!” Ela me empurrou em cima da cama e depois riu da minha cara. “Eu sou muito areia pro seu caminhãozinho!” Enfurecido, atirei um travesseiro na direção dela. Não que isso fosse causar algum dano nela. "Uh, você errou!" E então a filha da mãe fugiu me deixando frustrado, mas depois me peguei rindo daquele situação.
***/ /***
Cheguei para almoçar na casa de Sam e o pessoal já estava todo animado, falando e comendo sem parar, só faltava a Leah ali, mas todos sabíamos que ela não queria estar por perto de seu ex-noivo e da sua prima.
Emily me recebeu com um abraço caloroso e já foi me enchendo de comida. O almoço correu bem, com piadas infames de Paul e as palhaçadas do resto dos garotos, mas nem todos pareciam tão animados. Jared parecia perdido em pensamentos, com certeza estava pensando em seu imprinting, parece que houve alguma briga entre eles.
Depois aproveitamos para ir a praia, os garotos decidiram jogar futebol na areia e eu consegui me divertir bastante. O dia também ajudou trazendo um sol tímido para iluminar o céu e tornar a tarde mais bonita. No entanto, a calmaria não durou muito, pois no meio de um grupo de jovens, jurei ter visto cabelos castanhos mogno e olhos da cor chocolate que me fizeram me lembrar de Bella.
Será que ela já virou uma vampira? Será que... ela já se casou? Esses pensamentos eram muito perturbadores e, sinceramente, não quero me tornar uma pessoa obcecada.
Eu não quero ser obcecado pela Bella, a garota que me rejeitou.
"Jacob, você está bem?" Eu não respondi aos chamados dos caras e apenas sai dali. Eu precisava ficar sozinho no momento, sem os questionamentos e olhares de pena.
No meu caminho de volta, passei em frente da casa dos Clearwater e resolvi dar uma espiada em Leah, a peguei dançando no meio da sala ao som de Beyoncé, enquanto terminava de varrer o chão.
E caramba! Como ela estava linda e muito sexy naquele shorts jeans. E, acima de tudo, como Leah parecia tão alegre.
Eu me escostei perto da estante e fiquei esperando ela me notar. Bom, essa ia ser a minha vingança pelo dia em que a garota invadiu o meu quarto e me pegou só de toalha.
"Seu idiota!" Leah se virou na minha direção e teve um mini-enfarto. Eu comecei a rir descontroladamente. "Que merda! Há quanto tempo você estava aí parado com essa... sua cara de tarado?" Eu me senti muito ofendido com sua acusação sem sentido.
"Espera aí, Clearwater! Quem foi que estava me devorando com os olhos no outro dia quando eu estava só de toalha, hein?"
"Ah, fala sério! Eu nunca que iria olhar pra um pirralho como você." Ela me encarou com desdém.
"Ei, eu não sou um pirralho!" Eu parei na sua frente, impedindo-a de passar.
"Para de palhaçada!" Ela arqueou as sobrancelhas e tentou passar por mim.
"É só pedir com jeitinho!" Continuei a provocá-la.
Achei que com todo o meu tamanho seria difícil dela conseguir me vencer. Entretanto, Leah revirou os olhos e me deu um sorriso maroto se aproximando mais de mim. Confesso que isso me desarmou e de novo me senti estranho com a sua aproximação.
"Vai sonhando!" Ela me deu um murro no braço.
"Aí, sua maluca! Delicada como uma avestruz", resmunguei massageando o local. "A tia Sue vai ficar sabendo disso."
"Hahaha... Quantos anos você tem? Para de ser molenga!" Eu a segui até a cozinha. A sua casa estava toda organizada e com um cheiro tão bom.
"Você até que canta bonitinho."
"Você está me elogiando?"
" Sim, mas não fique metida!" Nós trocamos um sorriso cúmplice.
Eu havia esquecido como era bom tê-la por perto. Ainda não era como antes, mas percebi que por trás dessa sua máscara de amargura e ressentimento, ainda existia aquela Leah alegre, espontânea que eu amava.
Eu amava?! Meu coração se abalou com esse pensamento sobre essa garota na minha frente.
"O que foi? Por que tá me olhando assim?" Fiquei nervoso com a sua pergunta.
"Nada... Eu só me distrai com uns pensamentos." Desviei meu olhar.
"Tenho certeza que você estava pensando... na sonsa da Bella."
"Não fale assim dela!" Nosso momento de trégua tinha que ser estragado porque ela trouxe a Bella na conversa.
"Você é jovem demais pra ficar sofrendo por uma garota egoista como ela. Você precisa esquecer dela."
"Ah tá, é fácil falar. Mas e você... já esqueceu o Sam?", retruquei a desafiando com o meu olhar. Ela franziu a testa chateada.
"É melhor você ir embora." Ela começou a me empurrar para fora da cozinha.
De repente paramos ao ouvir vozes alteradas vindos lá de fora. Nós dois resolvemos ir checar o que estava acontecendo e nos deparamos com uma discussão entre Kim e Jared.
Havia uma grande tensão entre eles.
"Se não me quer por perto, porque eu sempre sinto como se estivesse agonizando, toda vez que não estamos perto um do outro. Ou porque você sempre tem que estar na minha mente. Tudo depende de você. Eu serei o que você quiser. Quer que eu seja o seu príncipe encantado? Ou seu amigo confidente? Ou o seu escravo?", Jared disse furioso enquanto Kim chorava. "Decida o que você quer de mim!"
"Já chega! Vai embora, Jared!" Leah resolveu se intrometer, indo até Kim para consolá-la. Eu decidi permanecer calado, pois ainda estava confuso.
"Eu vou se ela me mandar embora." Kim se afastou de Leah para enfrentar Jared que tinha uma expressão agoniada e inquietante.
"Eu sei que lá no fundo, você me odeia e pensa: Com tantas garotas por aí, porque tinha que ser logo ela?!", Kim desabafou numa voz fraca. "Mas, você acha que eu sou feliz sabendo que você... nunca me quis por perto. E que tudo isso... é só fruto do imprinting."
"Eu sinto muito." Jared desviou o olhar, mas ela permaneceu firme com suas palavras duras.
"Jared, o que você fez?" Sam e Seth também apareceram e o Alfa queria interferir, mas foi barrado por Kim.
"Não isso é entre mim e ele." Kim enxugou as suas lágrimas e voltou a enfrentar o seu namorado. "Por muito tempo eu fiquei calada, sendo humilhada por você."
"Kim eu..."
"Por sua causa eu não conseguia mais me olhar no espelho. Por sua causa eu tinha vergonha da minha origem e fiquei com medo de tudo." Kim que sempre foi muito tímida, agora estava imparável. "Meu coração se quebrou a cada palavra e olhar de desdém que você me dava. O cara bonito, inteligente e inalcançável pra mim... que sempre me rejeitou... agora é a minha alma gêmea?"
Jared depois de Sam, era o único que tinha um futuro começando a ser construído longe de La Push. Ele cursou um ano de veterinária e ainda fazia parte do time de basquete da faculdade de Seattle. Mas, durante o inverno passado, quando veio visitar os pais, inesperadamente, aconteceu a febre, seguido das mudanças sobre-humanas e, repentinamente, o garoto se viu transformado em um lobo enorme e com um novo destino traçado.
Jared estava preso em La Push. Entretanto, ele ainda tentou fugir, até que sem saída teve que se render ao imprinting e Kimberly se tornou seu tudo.
Por ironia do destino, Kim a jovem que Jared achava ridícula e feia, acabou por se tornar o centro do seu mundo, a sua alma gêmea. Por quem ele morreria e mataria para fazê-la feliz. Entretanto, olhando agora para a história dos dois, vejo que o imprinting não é tão perfeito como os anciões e as lendas pintam por aí.
"Aceitar o imprinting e você na minha vida, é como esquecer todas as coisas que você me disse e fez no passado e que me destruíram. Eu não queria sentir mais nada do que indiferença por você", ela admitiu com a voz trêmula.
Kim não consegue aceitar que isso é real, que Jared a ama incondicionalmente, pois afinal, todo esse amor é resultado de uma magia sobrenatural. O fato é que isso deve machucar a ambos.
"Eu não acredito que o que nos une é um amor de verdade e especial. Eu quero um alguém que seja meu cúmplice, que me dê equilíbrio, que não tenha me magoado no passado. E, acima de tudo, alguém que seja minha força e me ame por quem eu sou. Você nunca será esse alguém."
É olhando para o casal que eu sinto mais raiva e medo do imprinting. Eu não quero e não vou deixar uma magia estúpida comandar a minha vida. Se for assim, prefiro morrer.
"Eu vou facilitar as coisas pra nós dois. Jared eu te amo, mas não lhe quero mais na minha vida. Se tudo depende de mim, eu quero que você fique bem longe."
***/ /***
No silêncio do meu quarto, eu fiquei pensando sobre as palavras de Kim. Será que ela era corajosa ou estúpida, por estar disposta a enfrentar a magia do imprinting?
"Desculpe se eu te acordei." Meus devaneios foram interrompidos por Leah. "Eu só vim trazer as chaves." Eu liberei o Rabbit para Leah levar Kim para casa.
"Como ela está?" Leah se encostou na porta do quarto e ficou olhando para os seus pés. Senti que havia algo a mais que estava tentando esconder. "Aconteceu alguma coisa no caminho?" Me sentei e olhei preocupado para ela.
"Não. Eu só estou cansada disso tudo. Dessa vida aqui, dessa coisa com imprinting." Ela soltou um suspiro pesado, como se estivesse com um nó na garganta. "Talvez, Sam nunca tenha me... me amado de verdade. Ou talvez, ele pensou que não valia a pena lutar por mim." Suas palavras eram cheias de dor. Dor que também parecia ter me consumido.
"Não seja boba! Olhe pra mim, Leah." Eu me levantei e parei em sua frente, tocando seu rosto e encontrando seus olhos tristes. "Ele não lutou por você, porque é um covarde. Ou talvez, ele não seja o cara certo. O cara que vai ser capaz de domar esse seu coração indomável." Ela me deu um olhar estranho, mas depois me deu um sorriso lindo.
"Bella é mesmo uma idiota por ter te deixado." Eu me senti tonto com suas palavras, mas ela segurou meu rosto me fazendo olhar mais fundo em seus olhos. "Você tem um dom, Jake. Você tem uma luz. Apenas com seu sorriso você é capaz de iluminar o mundo. Tá... talvez... eu tenha exagerado na parte do MUNDO." Nós dois rimos. "Mas, chega disso! Nós estamos parecendo dos bebês chorões."
De repente, me vi gargalhando mesmo, como há muito tempo eu não fazia. Estar com ela parecia tão fácil e leve. Quase libertador!
"Devemos fazer um juramento", afirmei com uma ideia maluca.
"O que eu vou ganhar com isso?" Ela franziu a testa desconfiada.
"Claro, claro. Nós dois vamos ganhar com isso. O plano é simples... O que temos que fazer é... não deixar o outro triste, ou pensado em Sam e... na Bella. Aliás, tá proibido pensar, ou falar neles!"
"Tipo uma terapia?"
"Sim. O que você me diz?" Eu falei animado. Leah mordeu o lábio pensativa.
"Tá, eu topo." Nós dois apertamos as mãos fechando o acordo.
Isso poderia ser a coisa mais sem sentindo e não funcionar entre nós e, no fim, acabarmos do jeito que começamos. Contudo, eu queria ter momentos como esse, sem lágrimas, raiva, dor e com muito mais sorrisos e alegrias.
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