Coração Indomável
51 Capítulo 50
Notas iniciais
Capítulo 50
Edward
Após o encontro que tive com Isabella em seu escritório, resolvi dar um tempo. Não só a ela como a mim também. Eu precisava de tempo para absorver tudo o que acontecia. Estar novamente próximo a ela... Além disso, eu tinha outras coisas para resolver.
Aro.
Carlisle e eu seguimos ao encontro dele. Eu preferia ir sozinho, no entanto meu tio não permitiu. Confesso que o ter ao meu lado me deixava muito mais seguro.
Tomamos o maior cuidado ao ir encontrá-lo. A policia certamente estava vigiando meus passos, então o encontro foi num famoso restaurante em Seattle. Carlisle agendou uma reunião no mesmo restaurante para que servisse de álibi. Para todos os efeitos seria como se fosse um encontro de negócios. Discreto e sem levantar desconfianças dos policiais. Em uma sala privada estaria Aro.
Ao entramos na sala o vi sentando com seu terno caro. Quem o visse pensaria se tratar de um empresário e não de um chefe de gangue. Os dois homens que ali estavam com ele nos revistaram e se afastaram.
Ele nos olhou com seus olhos frios. Sentamo-nos, e eu o encarei.
O garçom entrou nos serviu e após sair falei:
– Vamos direto ao ponto. Por que você armou para eu ser preso? — perguntei sem rodeios.
Aro me olhou impassível.
– A policia estava nos cercando. Estavam perto de pegar algum dos nossos. Melhor que fosse um que estivesse saindo... Com a sua prisão eles estão tão concentrados em você, se vangloriando de sua prisão que esqueceram um pouco de procurar outros pontos. — explicou.
A raiva queria me dominar.
– Então é isso? Eu sou o cordeiro do sacrifício?! — perguntei.
– Eu nunca quis que fosse assim Edward. Você é que sempre buscou isso. Eu tinha planos grandes para você, mas sempre se achou superior a nós e sempre buscou sair da gangue. Sim, eu fiquei com raiva. Você foi feito pra ser chefe de gangue, mas não. Sempre quis seguir uma vidinha medíocre... Ninguém sai da gangue Edward. Será que nunca percebeu isso?
– Então isso tudo foi uma vingança? — foi Carlisle que perguntou.
– Um pouco..., mas seria um acordo na verdade. Você assume a culpa pelo que foi preso, não importa o que vai alegar em sua defesa, desde que não envolva a gangue. E depois disso, sendo absolvido ou preso pelo tempo que for não importa eu o deixo livre definitivamente. Apago qualquer registro de sua passagem na gangue.
Soquei a mesa fazendo os copos saltarem.
– Isso não é justo! — falei exaltado.
Carlisle colocou a mão sobre meu braço, me alertando para que eu me acalmasse.
Aro continuou tranquilo como se meu desespero não fosse nada.
– Sabe que a possibilidade de ele ser condenado é muito grande. – Carlisle disse. — No entanto, ele pode ser beneficiado pela delação premiada.
Então vi Aro se empertigar.
– Você me deve isso. — disse me encarando com raiva.
– Eu? Você é que deve a minha liberdade. Eu fiquei anos trabalhando pra você pra pagar uma divida do meu pai. Depois quando eu estava quase saindo, quase conseguindo minha liberdade assumi a divida da Kate Swan. Que eu tenho quase certeza que foi uma armação sua. Urubu tinha descoberto algo e então você o matou. E eu é que devo a você?! — falei tudo com raiva mal contida.
– Sim. Edward você me deve. Muito mais do que possa imaginar. Eu investi em você todas as minhas fichas e livrei sua cara. Se você quis assumir a divida da Kate Swan não foi culpa minha. Mas é claro você estava trepando com a irmã dela...
– Cala a boca ao falar dela... — me exaltei.
– Edward se acalme. — Carlisle disse.
– O amor é lindo não é mesmo? — Aro perguntou debochado. — Parece que a jovem Isabella está aqui em Seattle não é? É advogada, está noiva e agora será sua advogada... que romântico.
Senti o sangue gelar em minhas veias. Ele sempre soube dela. Nunca havia cumprido sua palavra de deixá-la em paz. Tive que recuar.
– Você... você prometeu que não a machucaria.
– Se eu fosse machucá-la já teria feito. — disse firme — Não que eu não possa mudar de ideia.
Fiquei em silencio. Então ele voltou a falar:
– Não é minha intenção machucar Isabella Swan... até por que isso levantaria suspeitas em relação ao passado. É só você cumprir o acordo Edward.
– Eu sempre cumpro minha parte quem não o faz é você. — declarei.
– Vou cumprir. Tem minha palavra. — disse.
– Sua palavra não vale muita coisa. — Carlisle disse e senti sua raiva.
– Para mostrar que desta vez poderá confiar em mim vou lhe contar que... Eu conhecia o pai dela. De sua amada. Charlie Swan.
Minha garganta quase fechou.
– O... O quê?
– Você acha que sabe muita coisa meu caro, mas não sabe de nada. Acha que um gerente de um hotel iria viver na casa em que os Swan viviam? Que iria ter duas filhas numa das melhores universidades do país? — perguntou.
Eu não tinha respostas e muito menos condições de falar.
– Eu e seu pai estávamos em uma festa na casa de um ricaço. Éramos convidados, pois tínhamos o que eles queriam. Drogas. Foi lá que conhecemos Charlie. Ele era um dos convidados. Era um cara certinho. Tinha família e morava numa cidade pequena. Não tinha muitas posses. Passamos aquela noite conversando. Seu primo era o gerente de um hotel e eu e seu pai fizemos a proposta a ele para que convencesse primo a nos facilitar vender a droga no hotel. Daríamos uma porcentagem a ele e a Charlie para que intermediasse o negocio. No início ele não aceitou, mas logo mudou de ideia. Queria dar uma vida boa para as filhas. Queria que elas fossem para a melhor universidade. — ele fez uma pausa. — Depois de um tempo por indicação do primo que se mudara para a Europa Charlie assumira a gerencia do hotel e continuamos com nosso acordo.
– Eu não acredito nisso. — resmunguei.
Aro sorriu.
– Como você acha que sua mãe conseguiu o emprego no hotel? — perguntou. — Fui eu quem pediu a Charlie como favor. Eu quis ajudar... era a esposa do Tony que para o caso de você pensar ao contrario eu tinha sim uma verdadeira amizade por seu pai.
Eu não conseguia assimilar toda esta historia.
– Então... Charlie sempre soube que eu era membro da gangue?
Aro negou de cabeça.
– Charlie facilitava para que eu me infiltrasse nas festas que os magnatas davam nas suítes e levasse as drogas, mas ele nunca foi da gangue. Ele não conhecia ninguém a não ser eu e o Tony. Esta era uma operação sigilosa. Reuníamo-nos com homens poderosos. Eu pretendia expandir a gangue assim como você bem sabe. E meus planos eram que você assumisse esta parte, mas... você nunca mostrou-se interessado em ficar apenas a sair.
Aro bebeu seu vinho, e eu com a boca seca fiz o mesmo.
– Então você se envolveu com a filha dele. — ele ganhou minha atenção ao mencionar o fato. — Eu não me importei. Achei que fosse coisa passageira. Então Charlie descobriu seu envolvimento com ela e a coisa complicou. Ele já tinha uma filha envolvida com a gangue do James, e eu já tinha avisado a ele que desse um jeito naquela garota. Bom, o fato é que ele não se conformou quanto ao fato de você estar tendo um caso com a filha dele. Hipócrita! — Aro grunhiu — Facilitava a entrada de drogas em um hotel, mas não queria a filhinha dele com um membro de gangue. Ele me falou da conversa de vocês. Quando o ajudou com o carro. Neste dia ele fora me encontrar. Exigir que eu desse um jeito em você. Que ele não queria você próximo a filha dele. Foi então que ele resolveu fazer merda. — Aro me avaliou com o olhar — E eu o eliminei.
Eu estava sem palavras.
– Você matou Charlie Swan. — não perguntei e sim afirmei.
Aro nada disse, mas sua expressão já dizia tudo. Não fazia sentido. O pai de Isabella havia morrido de infarto.
– Ele teve um infarto... — murmurei incrédulo.
– Sim. — Aro afirmou — Não um infarto totalmente natural, mas sim um infarto. Ele já sofria de problemas cardíacos dos quais escondia da família. Como sabe na gangue há dois médicos que trabalham conosco. Eles sabiam como fazer tudo parecer com um infarto e, além disso, pessoas dentro do IML muito bem pagas fizeram que a versão fosse confirmada. Quem se importa em investigar morte de um simples gerente de hotel correto e honesto? Conclusão, morte natural.
– Por que fez isso? — foi Carlisle que recuperado do choque perguntou.
– Ele queria ferrar com Edward. Dar um jeito de que ele fosse preso. Estava obcecado por tirá-lo de perto da filha preferida e não estava medindo consequências. Eu fiquei de olho aberto. Já não confiava mais nele e não iria o deixar prejudicá-lo. Quando soube que ele iria se encontrar com um policial e que poderia nos dedurar eu agi.
Minha cabeça girava sem parar. Não conseguia acreditar em tudo o que estava ouvindo e poderia ser realmente tudo mentira de Aro. Não seria primeira vez. Mas por quê?
– Aquilo... que houve com a Kate Swan?
– Bom aquilo foi em parte real. Deve ser coisa do sangue por que a loirinha estava metida em rolo tanto quanto o pai. Ela ajudou James e o namorado a tentar me darem um prejuízo roubando a carga da operação com o cartel, mas a historia que a policia entrou na jogada não foi real. Ali eu vi a possibilidade de manter você a meu lado, e de me livrar de uma vez destes Swan que já estavam me dando dor de cabeça em demasia.
– Eu caí como um pato. — murmurei.
– O amor meu jovem deixa as pessoas burras. — Aro comentou.
O encarei com frieza.
– Vê o porquê digo que me deve Edward? Eu salvei a sua pele.
– Sim e agora está me ferrando. — rebati.
– Bom, é a lei da selva. — respondeu — Eu tinha outros planos pra você quando foi para San Diego. Mas seu desinteresse por tudo demonstrou que eu não podia mais confiar em você. E então estamos aqui. — disse.
– Não. Espere. E quanto a urubu? — perguntei.
Ele se recostou em sua cadeira.
– O que tem? Ele apenas descobriu isto que estou te contando. — disse.
– Você o matou. — acusei com raiva.
– Eu não podia deixar que ele lhe contasse. Não sem antes eu ter uma garantia.
– Como agora não é? — perguntei — Sabe que eu não vou dizer nada, pois você já matou duas pessoas importantes e não vou querer correr o risco. Além disso, sabe que não vou querer manchar a imagem de Charlie Swan para a família.
– Não Edward. Temos que ir a policia e...- Carlisle tentou dizer.
– E dizer o que? — o encarei — Não temos provas.
Eu levantei dando por encerrado o que ali fui fazer.
– Temos um acordo. Eu vou pagar pelo que fui preso e você se afaste. Da minha família. Da família Swan. De mim. Nunca mais quero ver sua cara.
– Se você cumprir sua parte eu cumprirei a minha. — disse.
– Não confio em você. — Carlisle disse — Saiba que já tenho pessoas atrás do tal David, que tem a gravação que estava com o Urubu. Reze para que eu não o ache antes de você. — ameaçou.
Aro sorriu.
– Não iria adiantar. Se você entregar a policia vai acabar prejudicando Edward também.
– Pode ser. — Carlisle concordou — Mas não custa ter ela em mãos. É mais como garantia de que você vai cumprir sua palavra desta vez. Um homem que se preze, tem que manter sua palavra, mas acho que isso é algo que você desconhece não é mesmo? perguntou irônico.
Coloquei minha mão sobre o ombro do meu tio.
– Vamos embora. Não temos mais nada que fazer aqui. — falei.
Saímos dali e eu sentia meus músculos doerem devido a tensão. Seguimos para meu apartamento.
No caminho perguntei:
– Aquilo que disse a Aro. Tem mesmo alguém atrás do David? — perguntei.
– Não. Foi um blefe. Mas posso tentar...
– Não sei se adiantaria algo.
No meu apartamento bebíamos doses e mais doses de uísque. À noite fora de muitas surpresas. Minha cabeça doía.
Carlisle apenas me olhava calado sentado no sofá oposto ao meu.
– O que pensa em fazer? — perguntou.
Eu sorri.
– Tenho opções? — brinquei sem humor.
– Eu queria muito ajudá-lo meu sobrinho, mas não sei o que eu fazer... a não ser...
O olhei sem entender.
– Quer fugir? Posso mandá-lo hoje ainda para o lugar que quiser do mundo.
Carlisle estava se tornando o pai que nunca tive.
– E deixar vocês aqui a mercê do Aro? Não.
– Podemos fugir todos. — disse. — Dinheiro não é problema.
– Eu não sou homem de fugir. — falei firme. — Vou me apegar na esperança que Isabella irá conseguir minha absolvição, mesmo eu sabendo que será praticamente impossível.
– Sobre isso... não acho que deva ficar próximo a esta moça... tudo o que houve...
– Ela não tem culpa Carlisle. — tomei outro gole de minha bebida.
– Tenho tanta raiva do pai dela. Não sabe o quanto me recriminei por não ser o homem certo para Isabella. O homem que ele achava ideal para filha. Em uma coisa Aro está certo Charlie Swan é um filho da puta hipócrita.
Carlisle nada disse por um tempo.
– Ele era um pai preocupado com o bem estar dos filhos, não estou dizendo que ele estava certo, mas o entendo. Não estou oferecendo a você a possibilidade da fuga com o intuito de protegê-lo? Então... eu posso entender.
Mas uma vez ficamos em silencio cada um com seus pensamentos.
– Vai contar a ela? — perguntou se referindo a Isabella.
– Por mim ela nunca ficará sabendo. Do que adiantaria? Ele está morto. Não preciso mais isso na consciência, fazer a filha saber dos podres do pai.
***
– Eu tiro alguns dias de ferias e acontece tudo isso!–Sharon exclamou.
– Desculpe despejar tudo isso em cima de você... acabou de voltar de férias. Mas eu precisava desabafar. — falei.
– É pra isso que serve os amigos não é? Diga-me então? Está com muita raiva do pai da Isabella?
– Não... na verdade...
– Edward! Sou eu. A Sharon. Comigo não precisa fingir.– disse.
Ela me conhecia bem.
– Quer saber ainda bem que ele está morto por que senão estivesse provavelmente eu o mataria. Filho da puta!
– É isso! Põe pra fora meu amigo. Bom... você vai contar pra ela?
– Não tenho coragem e, além disso, nossa relação é profissional.
– Ah conta outra. Logo vocês vão estar nus sob uma superfície.– falou rindo.
E mesmo com tudo o que estava acontecendo ela conseguiu me fazer rir.
Dois dias depois e mais calmo. Eu tinha um horário agendado com a Dra. Isabella Swan.
Durante a reunião tentei me portar de forma profissional. Como um cliente que procura a advogada para acertar os detalhes do seu caso. Fora difícil ter Isabella ali tão perto e não fazer nada. É claro que ora ou outra eu a provoquei a chamando de boneca.
Será que ela não gostava mais de ser chamada assim? É verdade que ela estava muito diferente. Mais será e seus gostos poderiam ter mudado?
Durante nossa conversa tentei manter o foco no que ela dizia. Quando ela começou a me inquirir sobre a gangue, foi impossível não deixar que o fato de que o pai dela estava metido com a mesma gangue em que participei, entrasse na minha mente.
Que coisa maluca isso? Como pode? O pai dela? Eu estava com ódio dele por colocá-la em risco. Será que ele não percebeu que a família dele poderia estar em risco quando ele se envolveu com a gangue?
Isabella me questionou sobre urubu e neste momento quando contei a ela que ele havia morrido foi onde pude sentir ela mais acessível a mim.
Fomos interrompidos por seu noivo novamente e fui apresentando a ele. Na verdade eu já o conhecia, quando o vi na galeria com ela e também em um jantar de negócios a algumas semanas atrás, mas não o reconheci na época.
Mais tarde naquela manhã recebi uma ligação inesperada.
– Isso é realmente uma surpresa. Acho que nunca nos falamos por telefone.
– Acho que não houve necessidade até hoje.– minha cunhada respondeu.
– E hoje a necessidade seria por quê?- eu não resistia a curiosidade de saber o Rose queria comigo.
– Se deve ao fato da Bella ser sua advogada. De você estar de volta a vida dela.
– Rose...
– Escute Edward. Durante esses anos percebi muita coisa em você. Que ama sua família. Que se sacrificou principalmente por Emmett e eu agradeço isso. Vi que você é um cara incrível... o que fez por Alex e Elisa é sem igual, mas quanto a Bella... não quero que volte a magoá-la.
– Eu não pretendo isso Rose. Na verdade ela é minha advogada e só isso.
Tinha vontade de dizer que jamais faria algo pra magoá-la, pois eu a amava. Não falei. Este era um segredo que eu levava dentro de mim.
Eu analisava um projeto e junto comigo estava minha assessora Tânia. Era uma loira inteligente que havia ficado no lugar de Paul que havia ido trabalhar em New York a pedido de Carlisle.
Eu sentia falta de trabalhar com Paul, nos entediamos bem. Trabalhávamos em parceria e as coisas sempre davam certo. Já com Tânia apesar de ela ser competente eu sentia que ela algumas vezes confundia as coisas e flertava levemente comigo.
– Acho que está tudo dentro do que esperávamos. — falei olhando as projeções — Mas quero analisar com mais tempo.
Tânia se aproximou mais colocando sua mão no meu antebraço.
– Nós poderíamos fazer assim. Podíamos jantar num restaurante que conheço que é fantástico, e discutiríamos sobre o que você ainda acha que precisa ser revisto. — disse entre sorrisos.
Eu me afastei fazendo com que sua mão perdesse o contato com meu braço.
– Tânia...
– Um jantar. Sem segundas intenções. — prometeu.
– Tânia eu não acho isso uma boa ideia. — falei para ver se ela se tocava.
Então ela jogou seu charme.
– Que isso Edward. Por que não? Não tem nada demais...
– Senhor Cullen? -a voz de Mercy minha secretaria me fez olhar para trás e junto dela estava Isabella.
– Isabe... Doutora Swan? — falei surpreso, porém contente em vê-la.
– Olá. — ela disse seria olhando para Tânia.
– Que surpresa. Uma boa surpresa é claro. — falei sorrindo.
– Eu vim por que nos esquecemos de alguns papeis que você precisa assinar. — explicou firme.
E eu fiquei levemente chateado por ser apenas isso que a tenha feito vir me procurar.
– Ah claro. — tentei disfarçar minha decepção.
Eu estava parecendo um maricas.
– Olá. Eu sou Tânia Denalli. Sou assessora do Edward. — Tânia disse simpática.
Aborreceu-me foi o tom que ela utilizou como se tivesse mais intimidades do que era normal. Eu teria que ver isso depois.
– Olá. — Isabella disse fria — Será que podemos ver isto logo? Eu estou com pressa. — estranhei ainda mais o jeito dela.
– Claro. Vamos até a minha sala.
A acompanhei pelo corredor que levava a minha sala. Mas o que será que deu nela? Perguntava-me.
Ao entrarmos em minha sala ela foi logo tirando o papel para que eu assinasse. Estava com pressa pelo jeito.
– Quer conhecer a empresa? — perguntei tentado agradá-la.
– Não obrigado. — respondeu dura.
De onde vinha toda aquela animosidade.
– Está tudo bem? Você parece irritada. — perguntei.
– Engano seu. Eu estou ótima. Talvez um pouco incomodada que meu noivo vá viajar amanhã e que vou sentir muito a falta dele. Mas ele recompensará sua ausência me levando para jantar hoje. — respondeu cravando a faca em meu peito.
Era isso então? Saudade do noivo que ainda nem havia partido. Ela devia amá-lo mesmo.
– Você precisa a todo instante jogar na minha cara que tem um noivo e que está assim tão feliz com ele? — perguntei perdendo a paciência.
– Eu não estou jogando na sua cara estou apenas comentando. — falou parecendo constrangida.
– Está sim. — confirmei — O que você quer? Torturar-me? — perguntei me aproximando dela.
Ela começou a ofegar.
– Por que se sentiria torturado? — sussurrou.
– Por perceber que perdi você. — confessei rendido.
Olhava apenas para sua boca, ela estava tão próxima a mim. Não tinha como resistir.
Mas então a porta se abriu e Tânia entrou. Afastamo-nos rapidamente.
–Ah desculpe. Eu não sabia que estavam ocupados. — ela disse envergonhada.
– Tenho que ir. Boa tarde. — saiu como um foguete.
Eu fiquei tentando entender tudo com Tânia parada no meio de minha sala.
– Edward me desculpe...
– Duas coisas. Primeiro, e sou senhor Cullen e segundo sempre bata na porta antes de entrar. Estamos entendidos? — perguntei irritado.
– S-sim. Desculpe.
– Ótimo. Pode sair agora.
Sentei atrás de minha mesa para tentar trabalhar, mas só conseguia pensar no que quase tinha acontecido. Eu senti que ela estava vulnerável... que quase cedeu não fosse por sermos atrapalhados.
Ao mesmo tempo ela dizia que estava triste pela partida do noivo. Ele iriam jantar não iam. Onde seria?
De repente o que eu precisava era descobrir onde eles jantariam. Eu precisava vê-los juntos em um lugar em que não fosse o escritório.
Se eles tinham a paixão. A paixão que eu via nos olhos dela cada vez que olhava para mim.
Peguei o telefone decidido.
– Escritório da Dra. Swan. — atendeu a secretaria maluquinha.
– Olá Angela é o Edward Cullen.
– Ah o senhor lambivel!
– O que?! — perguntei sem entender.
–Ah... hum... quer dizer senhor Cullen. Como vai?
– Bem Ângela, obrigado por perguntar. Eu precisava falar com a Isabella. — se ela estivesse eu teria que inventar uma desculpa.
– Ela não está. Já foi.
– Ah... que pena. Eu precisava... bom deixa pra lá.
– Quem sabe eu posso ajudar.– disse a moça prestativa.
Perfeito.
– É que a Dra. Swan iria me dizer o nome de um restaurante. Eu não estou em Seattle há muito tempo e ela iria me indicar. Um que ela vai com o noivo senão me engano hoje.
– Ah sim. Eu sei qual é. Vou passar para o senhor.
Foi mais fácil do que eu imaginava.
Eu e Carlisle entravamos no restaurante algumas horas depois.
– Eu sempre tive vontade vir a este restaurante quando vinha a Seattle, mas nunca tinha tempo. Boa escolha Edward. — disse pouco antes de o garçom nos receber.
Eu não prestava muito atenção somente procurava por certo casal pelo grande salão.
Até que os vi e segui para lá seguido por Carlisle que estava alheio ao meu propósito.
Parei ao lado da mesa deles. Sem falar apenas os observando.
Carlisle foi que falou.
– Srta. Swan. Sr. Fronz. Quem bom revê-los. — disse.
Eles nos cumprimentaram. Isabella então se dirigiu diretamente a mim.
– Como vai Edward? — perguntou.
– Bem. — respondi mecanicamente.
– Não vamos atrapalhar o jantar de vocês. — Carlisle disse. — Vamos para nossa mesa.
Fiquei no mesmo lugar.
– Vamos Edward. — meu tio disse firme.
Sentamos em nossa mesa que era próxima de onde o casalzinho estava. Isabella estava de frente para mim.
Após o garçom nos servir Carlisle afirmou.
– Você sabia que eles estariam aqui.
– Eu sabia. — assumi.
– O que está pretendendo Edward? — perguntou irritado.
– Jantar.
Ele me olhou descrente.
– Certo. Não vou me meter neste assunto.
Carlisle puxou uma conversa sobre a empresa em que eu tentei participar, mas minha atenção estava focada no casal a algumas mesas.
Realmente Isabella não demonstrava paixão pelo noivo, mas ao invés disso me aliviar teve o efeito contrario. Pois era com ele que ela estava não era? Isso era importante.
Ele que tocava sua mão neste momento. Ele tinha seus sorrisos. Ele que tinha uma vida planejada com ela, e que poderia fazê-la feliz.
Como sempre eu não sabia me expressar e foi através da musica que o fiz. Pedi a musica que eu tinha certeza que combinava com o momento que vivíamos. Aproveitando que o noivo dela havia saído mandei o bilhete em que eu dedicava aquela musica a ela.
Entretanto, jamais imaginei que letra da música fosse se materializar a minha frente quando ela e o noivo foram dançar. Bem a frente dos meus olhos.
E enquanto ela dançava nos braços de outro homem. Nos braços do noivo perfeito. Entendi que Charlie Swan tinha razão em ter feito tudo o que fez. Eu não era e nem seria nunca o homem certo para ela.
Bella
Isabella... acredito que deva estar surpresa pelo que falei sobre seu pai. Acredite também fiquei. Minha intenção era nunca lhe revelar o que ele fez, mas como estou optando por ser totalmente verdadeiro com você eu tinha que lhe contar. Na hora fiquei furioso com ele, mas hoje eu consigo entendê-lo, um pouco. Não esqueça as coisas boas que ele fez para você. Era seu pai. Ele a amava e você o amava, é isso que importa.
Continua...
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