Coração Impuro
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Você pode conhecer ela pelo seu jeito carinhoso e pelo fato de sempre estar sorrindo. Mas, ninguém é tão santo assim; ninguém. Todos tem algo a esconder.
E lá estava ela, sentada em sua cadeira. Sorrindo e falando com seus milhares de amigos, como sempre. Ela não era uma pessoa que gostava da “popularidade”, ela era… Normal. Em meio de tanta gente, ela é um ponto insignificante para o mundo.
O sinal apita. Havia finalmente acabado as aulas.
— Podem descer sem mim, preciso acabar de copiar uma coisa! — Disse a garota. Ela viu seus amigos descerem as escadas.
Mas ela não tinha nada para copiar. Ela arrumou suas coisas e deixou um lápis em cima da mesa. Sentou-se e ficou olhando para o quadro negro.
Não havia mais ninguém nas salas e nem nos corredores. Todos estavam na quadra ou haviam ido embora. Ela pegou um giz e começou a escrever na lousa.
— Estou caindo em pedaços, caindo em pedaços… Estou caindo em pedaços, caindo em pedaços… — Sussurrava repetidamente.
Ela saiu da sala com sua mochila. Havia deixado o lápis em cima da mesa.
Sua escola não tinha câmeras ou muitos empregados. Era regra descer assim que batesse o sinal. Uma vez que você desceu, não pode subir mais.
Ninguém esperava que ela iria ficar lá. Ela não era o tipo de garota que faria isso.
Ela sentou no meio do corredor. O sol que estava lá fora de manhã, não estava mais lá. Havia sido coberto pelas nuvens de chuva, ela conseguia ver bem pela janela. Ela sorriu com aquilo.
Não era mais ela ali. Era seu lado sombrio dominando seu corpo agora. Ela não estava com a mesma aparência. A garota com lindos cabelos ondulados e um rosto delicado, não estava mais lá.
Agora ela estava com cabelos negros quebradiços e uma pele pálida, pálida como os dias nublados. Ela abriu sua mochila e de lá tirou uma sacola. Entrou nos bainheiros e se trocou.
[...]
Quando ela saiu dos banheiros, estava do jeito que queria: um shorts curto, meia calça, uma bota e uma blusa bem solta. Estava com uma arma escondida no shorts e estava segurando uma garrafa de álcool.
Ela pulou da janela e estava bem. Afinal, não era ela, não era um ser humano, era só seu lado sombrio que havia tomado conta dela.
Sentou-se atrás de uma árvore que havia lá. Seu lado sombrio ficou refletindo como os humanos eram insignificantes. Eles não merecem nada.
Ela pegou a garrafa de álcool e deu mais um gole, mais um gole e mais um gole. Tudo o que quem havia “tomado” conta dela queria era que ela fosse pega bebendo, com uma arma e roupas politicamente incorretas para a idade dela.
E foi isso que aconteceu.
A pura menina nunca mais existiu. Seu lado sombrio tomou conta dela para sempre, até ela morrer. Mas, ninguém sentiu falta daquela menina boa. Afinal, todos são insignificantes.
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