Depois de horas rodopiando com seu mestre e seu irmão, finalmente pararam diante os portões da corte de Seelie da rainha das fadas Titânia e da melhor amiga de seu pai. Ao ver os três aparecerem do nada, o guarda rapidamente assobiou, e logo em seguida apareceu um cavaleiro fada de porte imponente, e expressão seria no rosto fino e belo.

Ao olhar para a insígnia do arco dourado no manto de liam, o cavaleiro fez uma pequena reverencia.

– Lorde Liam, príncipe e princesa Radathra e Liadrel dos Elfos. O que desejam na corte Seelie? – perguntou o cavaleiro.

– Estamos aqui por causa de uma emergência. Solicito uma audiência com a rainha Titânia a pedido do rei Theraradel. – disse Liam ao cavaleiro que concordou.

– A rainha já sabia que vocês viriam, e está esperando. Venham. – disse o cavaleiro atravessando uma barreira invisível onde foi seguido pelos três.

Já fazia muitos anos desde que Radathra tinha pisado na corte de Seelie. Ela ainda lembrava-se de quando era criança e brincava com as inúmeras fadas no reino de Titânia. E não tinha mudado muita coisa. Altas árvores com escadas percorrendo seu tronco, e com casas nas suas copas no alto. Todo o reino brilhava lindamente com o pó das fadas que desprendia de suas asas enquanto voavam. O lago era tão transparente como um cristal e muitas náiades brincavam ali. Uma grande floresta ao lado, onde vários animais corriam quando as fadas aladas brincavam perseguindo-os. No outro lado, uns vastos campos de flores brilhantes com botões de pérolas e diamantes estavam espalhados. Radathra junto de Liadrel fascinados se aproximaram e cheiraram as rosas. O perfume era incrivelmente doce e agradável, e Liadrel escolheu uma flor dourada com botão de diamante e fez com que ela se abaixasse e ele pusesse a flor em seu cabelo atrás da orelha, rindo quando viu o resultado.

– É pra você Rada. Para você continuar sendo sempre linda. – disse Liadrel observando com um sorriso sua bela irmã envolta em seus belos cabelos vermelha ao vento, com a rosa dourada nele, e seus incríveis olhos azuis.

Radathra por um momento esquecendo o motivo de ter vindo ali, já que tinha sido deixada ali por Liam que foi se encontrar com a rainha primeiro, sorriu para seu pequeno irmãozinho que riu quando ela o pegou pelos braços e o girou em círculos no meio do campo de flores, enquanto algumas fadinhas pixies se juntavam na brincadeira e acompanhavam a dança. Parando o giro, ela deixou-se cair no meio das flores com o irmão, e as pixies a imitaram caindo dentro das flores com os braços atrás da cabeça com risadinhas.

– Ora, ora quem resolveu voltar. Rada é você? – perguntou um garoto fada que observava de perto.

Radathra se virou e viu de quem pertencia a voz, e abriu um sorriso. Ao levantar, ela percebeu que as fadinhas tinham trançado seus cabelos, e feito para ela uma coroa de flores que estava em sua cabeça.

– Ren, é você mesmo? – perguntou Rada em dúvida. Ren era um velho amigo de infância quando ela vinha para a terra das fadas brincar. Ele foi o primeiro com quem tinha feito amizade. De um garotinho de cabelos azuis, olhos violeta, e corpo pequeno como o dela antigamente e orelhas pontudas, em seu lugar agora estava uma fada adulta.

Mais alto do que ela, corpo musculoso e definido que se sobressaia em suas roupas justas, o cabelo azul que antes curto, agora chegava aos ombros todo repicado que ele amarrava atrás. Seus belos olhos violeta, ainda conservavam o mesmo brilho intenso e amável com um toque zombeteiro. Uma rala barba preenchia seu belo rosto fino.

– Ora claro que sou eu pimenta. – disse Ren com um sorriso quando ela se jogou em seus braços e o abraçou derrubando os dois nas flores. Ren na primeira vez que a viu, apaixonou-se por ela mesmo sem saber. Quando se lembrava daquela pequena diabinha de cabelos vermelhos correndo para todo lado enquanto ele a perseguia, seu coração dava um aperto caloroso. Já faziam mais de 70 anos desde que ela tinha pisado novamente na terra das fadas, e no minuto em que a viu, perdeu a voz. De uma menina travessa, tinha se tornado uma bela mulher. Uma bela elfa de cabelos vermelhos que agora desciam em cachos com um pequeno trançado atrás com a coroa de flores na cabeça. Olhos tão azuis quanto o mar, um corpo belo e esbelto de tirar o folego de qualquer macho, unidos naquele sorriso alegre e deslumbrante que cativava a todos. Enfim ele sabia o que sentia, quando seu coração deu um solavanco de alegria ao revê-la novamente. E pelo que parecia ela ainda era a mesma de antigamente.

Ela estava caída em cima de seu peito olhando para ele com um sorriso naquela boca, que ele se controlou para não beijar para provar seu sabor e suavidade.

– Você engordou pimenta? – disse ele com uma risada quando ela torceu o nariz dando uma tapa nele quando saiu de cima, e puxou o irmão para o colo.

– Eu não engordei nada seu bobo. Isso se chama músculos. Ao contrario de você que ainda continua magrelo como um varapau. – disse Rada mentindo com um sorriso, porque ele estava muito melhor do que antes fisicamente, e ele apenas sorriu.

– Oi Ren. Como vai? – disse Liadrel que estava percebendo um clima acontecer entre sua irmã e Ren, deixando-o de lado.

– Eae Drel o que anda fazendo? – respondeu Ren bagunçando os cabelos loiros do pequeno elfo de olhos verdes com uma carinha inocente de fada.

– Qual foi o motivo da visi... – ia dizendo Ren, quando foi interrompido com a chegada do arco dourado e da própria rainha Titânia, que ele fez uma reverencia imediata que foi retribuída pelo sorriso e um leve balançar de mão dela.

– Meus queridos sobrinhos. Há quanto tempo não os viam aqui em minhas terras. Rada querida como você cresceu, e se tornou uma bela princesa. – disse a rainha com um doce sorriso em seus lábios vermelhos brilhantes.

– Titânia, eu também estava com muitas saudades da senhora. – disse Rada com um sorriso e abraçando a rainha que retribuiu amorosamente os pequenos elfos que estavam agarrados a ela.

– Em outros tempos, eu os convidaria para ficar, mas o assunto que os trouxe é urgente não é querida? – perguntou a rainha das fadas.

– Sim minha senhora. – respondeu Rada que Ren percebeu que ela e seu irmão tinham parado de sorrir e tinham expressões de tristeza e raiva.

– Então venham que eu explicarei a vocês dois. Eu peço que nos dê licença meu caro Ren, já que tomarei os dois emprestados de você. – disse a rainha amavelmente ao garoto que observava Radathra com um olhar apreensivo, que se tornou um olhar exaltado em surpresa com seu pedido.

– Claro que sim minha rainha. – disse Ren curvando a cabeça, e levantando para observar a mulher dos seus sonhos se afastar uma vez mais dele.