Coração Desgastado
3 Teoria
Notas iniciais
Capítulo 3: Teoria
No dia seguinte, tinham feito o desjejum, tomaram um rápido banho, Mello lera um jornal enquanto Matt jogava algum jogo que ele pouco se importava em saber qual era. A vontade de jogar o ruivo na rua era imensa e os motivos aumentavam a cada hora em que estava em sua companhia. Por hora, deixemos este último tópico para mais tarde.
Na tarde que se seguiu, mostrou a ele todos os documentos que lhe foram dados por Halle e esperou que ele lesse e tirasse suas próprias conclusões. Como esperava, ele teve as mesmas impressões a respeito dos assassinatos brutais.
Estava assistindo tv e Matt encontrava-se deitado no sofá jogando novamente quando uma notícia o fez parar bruscamente de mudar de canal e retornar. Inclinou-se na direção do aparelho e o ruivo fez o mesmo, ambos profundamente concentrados nas palavras que a jornalista proferia.
"Foi encontrado nesta tarde o corpo de uma jovem assassinada há aproximadamente vinte e sete horas. Lucy tinha vinte e cinco anos, exercia a carreira de advogada e estava grávida de seis meses".
"A polícia já examina o caso neste exato momento, mas ao que tudo indica ela morreu por afundamento da caixa torácica."
[...]
"Agora nos resta a pergunta: este caso tem alguma relação com o dos assassinatos anteriores?"
Mihaell teria rido da pergunta se não estivesse concentrado nas informações e estabelecendo todas as relações possíveis entre aquelas mortes. Era mais do que óbvia a resposta.
De acordo com sua linha de raciocínio — e duvidava que estivesse errada — e com as autópsias dos cadáveres o que andava provocando todas aquelas mortes eram coisas pesadas. Mas Mihaell teve outra ideia: e se não fosse exatamente uma coisa, porém sim alguém?
Tudo parecia fazer sentido com aquela nova teoria.
::{ Coração Desgastado}::
Ele não gostava de trabalhar com grupos, mas honrava sua palavra e por isso estava naquele mesmo instante na frente do apartamento onde se encontrava Near, Halle e os outros dois agentes.
Matt se assustou quando o puxara pelo braço com toda a força e abrira a porta às pressas e correra até este outro apartamento. No meio do caminho, explicara com poucas palavras para onde estavam indo antes que ele ligasse para a polícia dizendo que seu amigo o sequestrava naquele mesmo momento.
Se não fosse pela grande ansiedade que sentia no momento, teria rido da piada sem graça.
Em poucos segundos já tinha batido várias vezes na porta escutando Matt dizer "vai com calma", até que o policial loiro abriu a porta com uma cara carrancuda.
─ O que você quer? — ele se manteve em sua frente, de modo que Mello nem Matt poderiam adentrar o recinto.
─ Me dê passagem — Mello deu passo para a frente e ficou tão perto que podia senti a respiração dele batendo contra seu rosto, enquanto o encarava.
─ O que você quer?– ele perguntou outra vez, dando para notar um pouco de irritação contida. Aquele cara queria mesmo o tirar do sério?!
─ Preciso falar com o Near! — gritou exasperado.
O outro não parecia que iria ceder ao seu pedido, talvez por causa do orgulho ou por não ter ido com a sua cara, até que outra voz colocou aquele homem em seu lugar.
─ Rester, deixe-os entrar. É uma ordem do próprio Near.
Mihaell Keehl sentiu que os cantos de sua boca tinham se curvado para cima ao entrar, sentindo-se vitorioso. O tal Rester ainda o fuzilava com o olhar.
─ Sente-se — a loira apontou o sofá.
Mello e Matt sentaram-se próximos. Não tardou para que o ruivo retirasse seu Nintendo DS do casaco e iniciasse a jogar em silêncio. O loiro o mirou com um olhar mortal para que ele desligasse a merda daquele video-game, pois tinham algo muito mais importante. O outro apenas sorriu com um pouco de deboche e continuou jogando.
─ O que lhe traz aqui, Mello? — Near, que estava brincando com alguns dados no chão, indagou. Mello não conseguia perceber nenhuma emoção em seu rosto, novamente.
Ele esperou que o rapaz de madeixas bancas o olhasse nos olhos para que pudesse começar a fala sobre suas próprias conclusões. Uma coisa que Mihaell odiava era uma pessoa não o olhar nos olhos enquanto conversavam. Mas quando Near o fez, foi uma das experiências mais bizarras que já presenciara. Aqueles olhos pretos como ônix pareciam ter a mesma energia sinistra de um buraco negro, embora tivesse o pressentimento que aquilo fosse só mais uma defesa para se proteger dos desconhecidos ou até impor algum respeito por meio disso.
Ele não pôde evitar de sorrir.
"E se eu te quebrar aos poucos? Anda vai ser capaz de exercer esse mesmo poder?"
Quando ele menos esperasse, estaria acabado. E, em seu rosto, haveria alguma emoção. No fim, Mello estaria orgulhoso por trazer um morto à vida.
Saindo daqueles pensamentos perversos, e que em breve deixariam de ser apenas apotegmas para se tornarem atos concretos, Mello proferiu:
─ Li os relatórios e tirei algumas conclusões que gostaria de partilhar.
Brevemente ele citou as informações mais relevantes e toda sua linha de raciocínio, apontando dados dos relatórios para ter uma base sólida em seus argumentos.
::{ Coração Desgastado}::
Ele teve uma bela caçada no dia anterior e esperava que o mesmo acontecesse hoje à noite, quando poucas pessoas poderiam o ver atrair a presa para um beco. Talvez ele pudesse fazer um novo teste, cortar a carne de outro modo...
Quando avistou uma mulher loira de aparência agradável, comemorou pela sorte batendo no volante ansiosamente. Já podia ouvir os gritos de dor e misericórdia, o som das unhas arranhando sua pele e o piso, o barulho delicioso da faca e, mais tarde, o do golpe fatal.
Ah!
Guiou o carro até o lado dela e ofereceu carona.
─ Não é seguro sair sozinha ao anoitecer. Com esses assassinatos ocorrendo a todo instante, o melhor é se manter em casa — sorriu como um verdadeiro cavalheiro.
─ Não, obrigada — ela o fitou assustada. Seus instintos já a alertavam do perigo.
Ele queria rir. Os pais dela a ensinaram muito bem sobre não confiar em estranhos!
─ Vamos, não vou lhe morder. É apenas uma carona para te ajudar.
─ Já disse que não — a loira recomeçou a andar, mas desta vez mais rápido.
"Ande mais um pouco, querida. São estes passos que lhe conduzirão ao inferno!"
Seu sangue esquentou e o coração o bombeou mais rápido. Adrenalina.
Não havia ninguém na rua.
Ela estava fugindo.
Ele gostava desses jogos.
Saiu do carro e bateu a porta com força para que ela pudesse ouvir. Imediatamente ela olhou para trás e começou a correr, gastando todo o ar de seus pulmões. O corpo estava formigando e cada passo a mais que dava era doloroso. Gritou por ajuda.
Ele ficou com raiva.
Bitch!
Correu atrás dela e a alcançou com facilidade. Segurou-a pelo pescoço numa chave de braço e lhe chutou com toda a força que tinha. Ela caiu e tentou se levantar, porém foi impedida pelo pé dele, que agora estava sobre seu pescoço.
Várias lágrimas desceram pelo rosto dela, acompanhados de soluços. Ela começou a engasgar. Que criatura patética! E ele riu como nunca.
─ Vamos para a parte mais divertida, sim? — ele sorriu e a pegou nos braços.
Ela tentou se soltar, chutando-o ou lhe desferindo tapas e socos, contudo de nada a adiantou. Será que ela não tinha se tocado que não conseguiria mais fugir?
Assim que se encontrava prostrado de frente para o porta-malas, abriu-o. Retirou uma corda e a utilizou para amarrar aquela moça que ainda chorava.
Tocou-lhe o rosto com suavidade. Ela cuspiu em sua face.
Ergueu sua mão o mais alto que conseguiu e lhe deu um forte soco. Imediatamente, ouviu o som de algum osso partir. Provavelmente o do nariz, que sangrava. Ela deixou o rosto cair para um dos lados. Estava atordoada com a pancada.
Jogou-a no porta-malas sem alguma delicadeza e voltou a dirigir. Ao segurar o volante, constatou que suas mãos tremiam, não de pavor, mas ódio.
Talvez matá-la lhe acalmaria um pouco.
Talvez.
Notas finais
Não tenho muito o que falar dessa vez, só que foi legal escrever esse capítulo -q Gostei de fazer a parte do assassino, acho que fcou legal (?)
Don't know.
O próximo já dá introdução ao romance de dois casais. Yep. Dois casais -Q *morram de curiosidade*
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