Coração De Titânio
1 Prólogo
Notas iniciais
Boa leituraaa =3
É impressionante como minha vida mudou naquele ano. Tantos sentimentos. Tantas coisas boas e ruins que ninguém jamais conseguiu tirar dentro de mim. Mas, ela conseguia, mesmo não querendo ou me obrigando a nada. Aqueles foram os anos mais estranhos de toda a minha vida, e os mais estressantes também, diga-se de passagem. Mas, não era por causa dela e sim, por causa daqueles ignorantes que não conseguiam aceitar o simples fato dela estar se tornando a coisa mais importante do mundo para mim.
Na verdade, eu simplesmente não entendo o porquê de eu me importar com o bem-estar dela ou de me importar se ela está sendo feliz com outra pessoa. Eu só queria falar com ela, só mais uma vez. Eu só queria olhar aqueles olhos castanhos de novo e perguntar se ela estava bem. Ou até se ela precisava da minha ajuda como nos velhos tempos ou se simplesmente sentia minha falta.
Se eu ao menos soubesse onde ela está e como ela está. Se eu ao menos pudesse tocá-la mais uma vez e dizer tudo aquilo que não tive coragem de dizer, talvez ela não tivesse ido. Talvez ela estivesse aqui, comigo. Apenas me contando histórias sobre sua vida e sobre como ela estava feliz. Talvez se eu a tivesse abraçado mais forte, ela talvez entendesse o quanto eu sou inútil sem a existência dela. Não. Eu tenho certeza que ela entendeu, mas ninguém podia recusar aquilo. Ela realmente não teve como dizer não. E não a culpo por isso. Eu sei que faria a mesma coisa, não que eu me orgulhe disso.
Não me entenda mal. Ela não me rejeitou nem nada, mas apenas seguiu um caminho oculto e difícil. Coisas difíceis, pessoas difíceis, vitórias difíceis e é claro, perdas difíceis. E esse é mais um dos motivos pelo qual simplesmente sinto ódio de mim mesmo. Eu nunca a disse o quanto admirava quando ela simplesmente mostrava sua verdadeira força, fazendo com todos a encarassem surpresos, alguns até com medo. Pelo menos, não do jeito que eu queria.
Depois de tudo que aconteceu, decidi não deixar mais nenhuma garota se envolver com a minha vida. Alguma coisa dentro de mim me diz que ela ainda está esperando que vá buscá-la. Ou talvez não... Talvez seja eu quem esteja esperando que ela apareça. Nunca vou esquecer a última vez que escutei a voz dela. Foi há 10 anos. Mas, me lembro como se fosse ontem.
Quase morri na hora que percebi que era ela quem estava me ligando. Diziam que era o primeiro dia dos treinos. E esse tal treinador não gostava que nenhum de seus alunos tivesse alguma ligação com o mundo afora. Então, eu realmente não esperava que ela conseguisse ligar para mim.
__Alô? __Comecei a conversa, tentando esconder minha voz um pouco triste. Eu estava completamente abalado por ela ter partido.
__Natsu! Não acredito que estou escutando sua voz! __Uma voz gritou eufórica do outro lado da linha. Demorei alguns segundos para reconhecê-la. Era ela! Só podia ser ela!
__É você, mesmo? __Perguntei, incrédulo, sem acreditar que aquilo era verdade. Pressenti que lágrimas desciam de meus olhos de tanta emoção.
__É claro, seu bobo. Quem mais poderia ser? __Ela respondeu, brincalhona. Ri um pouco do jeito que ela estava falando. Percebi que ela parecia bem mais feliz lá do que perdendo tempo comigo. Parei de ri na hora. Ela percebeu.
__Que foi? Disse alguma coisa errada? __Ela perguntou, preocupada.
__Não. É só... Nada, esquece. __Minha voz saiu um pouco melancólica. Tentei voltar a rir, mas dessa vez não faria nenhum sentido fazer isso. Ela acharia que estava zombando da preocupação dela.
__Não! O que você ia me dizer? __Ela perguntou, com a voz mais séria. Resolvi parar de ficar mentindo.
__É que... Você parece estar sendo mais feliz aí do que era aqui. __Tentei responder sério, mas, novamente, minha voz saiu meio melancólica.
Silêncio. O outro lado da linha ficou em silêncio. Resolvi também ficar quieto. Afinal, ela que havia me perguntado. Eu tinha apenas respondido. Depois de um tempo, ela voltou à linha.
__A-ainda não entendi onde você está querendo chegar. __Ela afirmou, mas facilmente percebei que ela havia mentido. Sua voz estava aparentemente trêmula e tensa, tentando não causar impressões ruins. Mas, aquilo me incomodava. Era óbvio que ela havia entendido.
__É óbvio que você entendeu. __Falei, completamente seguro. As palavras saíram da minha boca. Quando percebi, o outro lado da linha estava quieto de novo.
Esse silêncio demorou mais tempo. Nossa conversa parecia estar ficando mais tensa a cada segundo. Segurei o telefone com mais força, tentando passar minha impaciência e tristeza para ela, mesmo sabendo que era impossível. Por mais incrível que seja, a voz dela voltou a tomar conta da linha.
__N-Natsu. __Escutei meu nome sendo gaguejado por ela. Percebi que ela estava ligeiramente emocionada. __Me leva pra casa. __Ela sussurrou a última parte já sem forças.
__M-mas, eu... __Tentei argumentar, sem forças. Eu realmente a queria de volta.
__Natsu, me leva pra casa, por favor! __Ela gritou em um tom incrivelmente mais alto.
Fiquei calado por mais um tempo, tentando computar as ideias. Eu realmente queria fazer o que ela estava pedindo, mas eu simplesmente não podia. Escutei um choro abafado. Fiquei paralisado, sem conseguir pensar em nada.
__Por favor... __Ela sussurrou, tristonha. Suas lágrimas interrompiam o raciocínio, mas eu conseguia entendê-la perfeitamente, mesmo com todos os soluços.
Eu estava quase aceitando a proposta dela, mas me segurei. Aquilo doía. Deixá-la lá e não comigo, doía. Mas, eu precisava daquela dor para amadurecer e também, para deixá-la feliz.
__Você me prometeu que nunca desistiria de nada, por mais difícil que fosse, lembra? __Aquilo doía como uma facada em mim. Eu não podia fazer o que ela queria. Eu tinha que incentivá-la, mesmo que aquilo me matasse por dentro.
__M-mas... __Ela mal conseguia organizar frases. Seu choro desenfreado atrapalhava tudo.
__Mas, nada! __Eu gritei, severamente. Se eu mostrasse que eu não estava totalmente seguro, ela certamente não me ouviria. __Aquelas promessas... Tudo foi uma mentira? __Eu perguntei ainda sério, mas completamente comovido com a garota.
__Nunca! __Ela gritou com toda a força que tinha. __É minha vez, Natsu! Prometo ficar forte para te proteger.
Desta vez, era minha vez de ficar em silêncio. Ela estava enfrentando tudo aquilo para se tornar forte por mim? Mais lágrimas caíram de meus olhos. Tentei não soluçar, mas foi inútil. E ela havia percebido aquilo.
__V-você está chorando? __Ela perguntou ainda incerta. Rapidamente, esfreguei os olhos, mesmo sabendo que eu podia mentir.
__Isso não importa. Apenas, quero que saiba que fico muito feliz em saber que está fazendo tudo isso por mim. __Eu respondi a pergunta dela e ainda acrescentei mais um pensamento.
__Sempre fiz tudo com sua ajuda. Por que não fazer um sacrifício por você? __Ela fez aquela humilde pergunta. Não me segurei e chorei de novo. Desta vez, em um tom mais alto. Ela novamente não conseguiu ignorar.
__Escute bem. Mesmo que meu corpo esteja em pedaços, minha alma estará lutando, lembra? __Ela perguntou fazendo com que eu tivesse mais lembranças do colegial.
Aquela frase... Eu mesmo disse aquilo quando ela me pediu para que eu me esquecesse dela, mas eu simplesmente não me importei com os riscos. Chorei um pouco mais, porém um enorme sorriso decorou meu rosto junto com as lágrimas.
__Natsu, está na hora de começar o treinamento. Não sei quando poderei falar com você de novo. M-mas, posso te pedir uma coisa? __Ela pediu, quase implorando.
__Qualquer coisa. __Respondi, já com o coração pesado. Eu sabia que demoraria um bom tempo para a gente se falar de novo. Talvez a gente nunca mais se falasse.
__Prometa que nunca vai me esquecer. __Aquelas palavras aceleraram meu coração. Eu sabia que eu faria isso, mesmo que ela pedisse ou não.
__Pode confiar em mim. Nunca vou te esquecer. __Eu prometi, sabendo que nunca mais me esqueceria daquela conversa.
Já se passaram 10 anos desde aquele dia. Mas, nunca me esqueci dela, como prometido. Sei que ela provavelmente lembra-se de mim como um amigo, um grande amigo que ela teve no colegial. Não que eu não goste de ser recordado como um velho amigo, mas eu só queria perguntar algumas coisas para ela. Algumas perguntas que podiam fazê-la rir ou simplesmente ficar vermelha, mas isso dependia de como ela se sentia em relação àquelas perguntas e em relação a mim. Eu realmente queria saber as respostas dela.
Mas, agora, você deve estar se perguntando quem era essa garota e o que aconteceu com ela. É tudo uma longa história. Vou precisar voltar vários anos no tempo, mas prometo contar cada momento que tive com ela.
O nome dela? Lucy. Lucy Heartfilia.
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Sinto falta dele. Sinto falta das risadas dele, sinto falta dos momentos com ele e é claro, das inúmeras vezes que ele me protegeu de tudo e de todos. Apesar de tudo, ainda não consigo entender o que ele viu em mim para ter tido a coragem que teve. Realmente, não entendo o porquê dele ter se tornado meu amigo e ter se metido em tantas confusões por minha causa. Eu realmente não entendo.
Também não entendo o porquê de eu nunca ter admitido tantas coisas que pareciam idiotas na época, mas hoje causam um enorme remorso em mim. Não. Não eram coisas idiotas. Eram coisas importantes, mas tentei ignorar a importância delas. Pensei que precisava ser forte e me focar no destino que estava sendo traçado, muitas vezes, sem minha vontade. Mas, por mais forte que eu fosse ou pelo menos que eu tentava ser, ele sempre era minha fraqueza e minha força também.
Por mais que meu inimigo fosse forte, ele sempre estava do meu lado, incentivando-me a ganhar quem quer que fosse. E eu estava lá sorrindo, tentando não gritar quando me arremessavam de um lado para outro daquela Arena. Ás vezes, sentia até vergonha de mim por isso. Mas, ele sempre estava ali, torcendo por mim, mesmo que fosse o único torcedor. Realmente, aquele era o torcedor mais importante. Então, eu sorria, como se aquela luta não tivesse começado e eu não estivesse sentindo dores por todo o corpo.
Ele também vivia me defendendo com todos, mesmo que fosse contra quase colégio inteiro. Mas, ele parecia não ligar, coisa que me deixava bem surpresa. Tantas vezes, já me perguntei que sentimento era aquele, que me incomodava, mas ao mesmo tempo me deixava feliz. Talvez, se eu tivesse falado tudo o que eu tinha para falar naquela época, meu coração não estaria tão quebrado como hoje.
Apesar de tudo, não me distanciei dele por que quis. Simplesmente, tive que sumir do mapa de Fiore. Ninguém sabe aonde estou. Ás vezes, nem eu mesma sei. O cansaço dos treinamentos, muitas vezes, me faz ficar desnorteada. Tantas vezes, abri os olhos e percebi que meu corpo tinha ataduras em todas as partes. Eu tentava não gemer, mas aquela dor era realmente insuportável. Pelo menos, foi assim nos primeiros meses.
Lembro-me como se fosse ontem. Meu primeiro dia foi duro. Perdi todos os meios de comunicação. Gritei, chorei, esperneei. Nada foi devolvido, nada. Mas, então, tudo foi explicado com mais calma e eu lancei um olhar surpreso, percebendo que meu futuro não estava sendo aquilo que eu imaginava. Passei uma boa parte daquele dia calada, tentando não chorar mais do que eu já havia chorado.
Ainda consigo lembrar com precisão das palavras de meu treinador, naquela noite. Eu estava observando as estrelas, em completo silêncio. Tentando encontrar um motivo para tudo aquilo. Então, meu suposto treinador se aproximou e se sentou ao meu lado. Não me importei com a presença dele, querendo ou não, teríamos que ter uma convivência.
__Eu entendo sua dor. __Ele sussurrou assim que percebeu que eu o estava observando. Suas palavras ecoaram em minha cabeça, fazendo com que me lembrasse de uns dos motivos pelo qual eu estava triste.
__Não vejo Cornélia há muito tempo. __Ele falou antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa.
__Cornélia? __Questionei por intuito. Não fazia a menor ideia de quem ele estava falando.
Ele olhou para mim, me encarando com aqueles olhos escuros. Tentei encará-lo, sem ter nenhum medo das coisas que ele poderia me contar.
__Cornélia é minha mulher... Não a vejo há tanto tempo... __Ele falou a última parte com um pouco de tristeza, enquanto encarava as estrelas. Tentei não perguntar nada indelicado, mas as palavras saíram da minha boca.
__O que aconteceu com ela? __Perguntei, sabendo das inúmeras respostas que ele poderia me dar.
Ele voltou o olhar para mim, já com os olhos cheios de lágrimas. Assustei-me ao vê-lo daquela maneira.
__Ela morreu. __Ele respondeu a minha pergunta, friamente. Tentei não dizer mais nada pelo resto da noite. Por mais que tentasse, qualquer pergunta poderia feri-lo de um jeito que eu não desejava nem para o meu pior inimigo.
Passamos um tempo em silêncio, observando as estrelas. Cada constelação parecia ser mais bela que a outra. Mas, havia uma estrela isolada das outras que me chamou a atenção. Tentei lutar contra isso, mas acabei me lembrando do garoto do colegial. Novamente, lutei, mas lágrimas escorreram sobre minha face. O treinador percebeu minha tristeza e resolveu me contar mais sobre a morte que, certamente, havia marcado a vida dele.
__Era uma criatura horrível. Eu realmente tentei, mas era forte demais para mim. __Ele parou de narrar sua história e voltou o olhar para mim. Fiquei em silêncio, tentando não ficar assustada com a história dele.
__Quando vi que eu não podia vencê-lo, ela simplesmente disse que iria me proteger e ficou na frente daquela criatura horrível. Ela recebeu um impacto que a arremessou longe. A criatura levantou voo e desapareceu nos céus, me deixando afundar no desespero. Corri o mais rápido que pude, como se minha vida dependesse daquilo. Mas, quando eu a encontrei, já era tarde demais. Ela já estava morta. Venho treinando desde então. Nunca mais quero perder as pessoas que amo só porque não tenha capacidade de defendê-las __Cada acontecimento da história dele havia tomado conta de mim. Ele novamente ficou em silêncio, como se esperasse que eu dissesse alguma coisa.
__Prometo nunca mais reclamar. __Prometi, fazendo com que ele voltasse o olhar para mim. Aparentemente confuso.
Novamente, voltamos o olhar para as estrelas. Percebi que aquela estrela solitária parecia brilhar mais que todas as outras constelações. Talvez, ela tivesse que ficar sozinha para não ofuscar muito o brilho das outras.
__Por mais difícil que esse treinamento seja, faço tudo o que for preciso para que eu seja forte o suficiente para que eu proteja as pessoas que amo. __Minha frase fez com que ele sorrisse. Sorri de volta, já espantando toda a tristeza.
__Escute bem. Não precisa pegar leve comigo. Mesmo que meu corpo esteja em pedaços, minha alma estará lutando. __Garanti com toda certeza do mundo. Novamente, lembrei-me daquele garoto. Aquela frase abalou-me na primeira vez que foi dita. Ele sempre dizia aquilo para mim quando eu o pedia para que me esquecesse, para que ele evitasse se machucar.
__Gostei do seu espírito, garota. Isso me fez lembrar de uma mulher que treinei há alguns anos atrás. __Ele refletiu. Parecia tentar se recordar da tal mulher.
__Layla Heartfilia? __Perguntei, sem qualquer foco.
__Como você...? __Ele parecia surpreso comigo. Na verdade, seus olhos se arregalaram assim que disse o nome dela. Como se ela fosse um entidade sagrada ou como simplesmente eu estivesse lendo os pensamentos dele.
__Posso lhe contar sobre minha vida aos poucos. Mas, acho que seremos bons amigos... Hum... Treinador. __Falei a última parte com um pouco de dúvida se desfrutávamos o mesmo pensamento. Mas, ele, rapidamente sorriu, fazendo com que eu perdesse minhas incertezas.
__Gildarts. Meu nome é Gildarts Clive. __Ele comentou, totalmente orgulhoso de si.
__Acabamos não nos apresentando direto. Meu nome é Lucy. Lucy Heartfilia. __Ele apenas arregalou os olhos, sem acreditar naquilo. Apenas ri da cara dele.
Lembro-me daquela noite como se fosse ontem. Jogamos conversa fora, falamos sobre o passado, observamos as estrelas. Mas, no dia seguinte, meu treinamento começou com tudo. No final daquele dia, eu estava acabada, sem qualquer força para andar ou algo do tipo. Gildarts me viu daquela maneira e disse que eu só iria voltar aos treinos só na semana que vem. Lembro-me de ter pegado impulso e ter dado um soco nele. Gildarts caiu no chão e eu sorri, mas rapidamente caí ajoelhada no chão com a tamanha dor que estava sentindo no tornozelo direito. Ele nunca mais passou a duvidar de mim nem de minha condição física desde então.
10 anos se passaram desde o início dos treinos. Hoje, sou mais forte e mais madura do que há anos atrás, mas aquele sentimento do colegial nunca passou. Se eu ao menos pudesse ver aquele garoto de novo... Gostaria de abraçá-lo forte e agradecê-lo por toda a força que ele me deu quando ninguém tinha coragem de dizer nada. Queria também chorar no ombro dele e dizer o quanto senti sua falta. Queria dizer coisas que não tive coragem de dizer.
Você deve estar se perguntando. Quem é esse garoto e motivo pelo qual eu tive que me afastar dele. Bem, isso é uma longa história... Terei que voltar muitos anos no tempo, mas prometo contar todos os meus momentos com ele.
O nome dele? Natsu. Natsu Dragneel.
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