Notas iniciais
Se preparem porquê hoje o mar vai se abrir. OBS: O capítulo é narrado pela terceira pessoa. Preparem os olhos por causa das lágrimas...

Djoser permaneceu ao lado de Gab a pedido de Ramsés. O faraó então avistou o povo hebreu com ânsia, seus olhos pediam vingança pela morte de Amenhotep, mas ao mesmo tempo seu coração rasgava sua carne pedindo misericórdia por Moisés e Anippe. Eles eram filhos de Henutmire, mas ele poderia ouvir Amenhotep pedindo justiça em sua mente. Ramsés olhou para os lados irritado e arrependido por ter matado Jahi, agora ele seria muito útil. Ele agora tem apenas seu irmão bastado e seu sobrinho, isso é mais do que suficiente para a vitória.


Djoser é jovem e sabe muito bem como manusear uma espada. E Gab... Bom. Gab é mais experiente que ele mesmo e Djoser juntos. —Seus olhos procuravam por Anippe, mas eram milhares de hebreus por ali. —Se pudesse pôr Anippe em seus ombros e trazer de volta ao Egito ilesa para a graça de Henutmire, Ramsés assim faria. Mas ao lembrar que sua única e favorita sobrinha o traiu quando partiu do Egito, Ramsés balançou a cabeça e então sentiu ódio ao invés de amor. Anippe tem o seu sangue, é a única filha mulher que Henutmire teve, a única mulher que nasceu da filha do faraó Seti I. Sua sobrinha sabia a importância que tinha para ele. Anippe era a única neta de Seti, Henutmire teve um filho, adotou Moisés e Ramsés teve um filho como assim queria para sentar-se no trono. Mas Anippe não... Anippe era a única mulher daquela geração assim como sua mãe foi da geração anterior. Nunca uma mulher, nem mesmo Nefertari, decepcionará tanto Ramsés como a princesa Anippe. Assim como Henutmire decepcionou Seti. Mas parece que na família real a decepção vale mais que o amor.


—Henutmire me pediu para você ficar ao meu lado. Lhe prometi isso e não posso falhar. —Gab fala para Djoser enquanto todo o exército espera o comando de Ramsés. —Portanto. —Gab fala antes de encurralar o sobrinho. —Na primeira oportunidade que tiver, fuja. —Os olhos de Gab eram tão raivosos quanto os de Henutmire quando tomada pela fúria. Agora Djoser pode ver o quanto seu tio e sua mãe são parecidos além das características. O príncipe pensou que talvez assim fosse ele e Anippe quando estivessem mais velhos. Ambos seriam como Henutmire e Gab em questão das características. Mas que irônico seria se sua mãe tivesse outro filho homem e tivesse as mesmas características de Ramsés...


—Serei um covarde se assim fizer o que pede. —Djoser fala enfrentando seu tio.


—Prefere ser um covarde ao voltar para sua mãe? Ou um cadáver para ela chorar em meio á um cortejo? —Gab pergunta tão insano quanto Seti quando estava prestes a ordenar algo. —Você interrompeu um cortejo, Djoser. Não faça sua mãe interromper o seu cortejo fúnebre com o nascimento de outro filho. —Gab finaliza e então volta a olhar para a aglomeração de pessoas do outro lado. —Me ouça bem, menino. Você é o próximo rei, mas também é filho de Henutmire. Embora em outros tempos eu desejasse que você e Anippe não existissem para poder levar sua mãe comigo para a Núbia, sem saber que ela é minha irmã, eu não posso deixá-lo morrer, entendeu?

—Por que não me deixar morrer e você assumi o trono? —Djoser pergunta sugestivo, mas ao mesmo tempo irônico.


—Por que não sou jovem para ter uma descendência. —Gab responde friamente. —Sei que Yaffa está com os hebreus, mas você poderá se casar com qualquer princesa de qualquer reino, príncipe das duas coroas. —Djoser então pensou em Yaffa, mas ao mesmo tempo pensou em Halima. —Deve fugir.


—Entendo. —Djoser responde um tanto que vago para Gab. —Voltarei para casa. —Completa antes mesmo de voltar a olhar para o povo hebreu e imaginar Anippe. Do outro lado estava ela e Miriã juntas. Embora com todos os conflitos, Anippe não dava muita importância agora.


—Eu sinto muito. —Zion fala para Halima ao ver a tristeza no olhar da irmã. —Mas Djoser é o próximo rei.

—Eu não queria um rei, eu queria Djoser. Mas pelo o que estou vendo ele não é meu. —Halima fala e então olha para Yaffa que está ao lado de Anippe. —Nem dela.

—Me ouça, Halima... —Zion tenta conversar com a irmã, mas ela mesma nega-se.


—Não preciso de suas palavras, Zion. Preciso ficar sozinha com as lembranças de alguém que não posso ter. —Halima fala antes de dar as costas para o irmão e então sente seu coração pulsar mais forte. Ela então consegue ver o exército de Ramsés assim como outros hebreus também podem ver. —Djoser. —Sussurrou quase como uma súplica pelo príncipe.

—Anippe. —Yaffa chama a atenção da amiga enquanto ela olha para Miriã. Anippe não sabe porque está olhando tanto para Miriã, mas parece querer se aproximar, e ao mesmo tempo rasgar sua pele por um ódio sem fundamento algum. —Anippe, eu acho que seu tio não veio te buscar. —Yaffa fala e então Anippe olha confusa para a amiga. Mas em seguida olha para a direção que Yaffa também olha e então se depara com o exército egípcio.


—Eu não acredito nisso. —Anippe fala assustada ao imaginar que talvez Djoser esteja ali também. —Meu Deus, me dê um sinal que meu irmão e eu não estamos em lados opostos nesta guerra. —Anippe pediu ao olhar para as aves que cortavam o céu azul do deserto. —Meu irmão não... —Repetiu várias vezes até seus lábios secarem. Foi então que ela se atirou entre as pessoas até chegar em Moisés e Zípora.


—Anippe! —Moisés falou de súbito ao sair do transe em que se encontrava ao ver o exercito egípcio. Abraçou sua irmã mais nova e então entendeu sua aflição naquele momento. —Tenha fé!


—Fé eu tenho, Moisés. Mas o quê será de Djoser? —Anippe pergunta pasma ao compreender que seu irmão está perdido. Moisés então beijou o topo da cabeça de Anippe enquanto Miriã presenciava de longe. Vários hebreus começaram a murmurar novamente, mas Moisés de mostrou paciente enquanto olhava para o exército.


—Não tenham medo. Os egípcios que hoje veem nunca mais tornarão a ver. —As palavras de Moisés assustou Anippe de imediato. Seu irmão, Djoser, poderia estar ali? Pensou que não. Mas Djoser poderia estar ali por ser o futuro rei.


—Acha que ele... —Yaffa não termina de falar ao notar o medo visível nos olhos de Anippe. —Meu Deus...


—Calma... —Anippe pede mesmo que nervosa ao ponto de enlouquecer. —Ai meu Deus... —Ela clama por Deus ao sentir seu coração palpitar forte. Ela põe uma de suas mãos sobre o peito no mesmo momento que Arão e Eliseba se aproximam dela.


—Anippe, minha filha... —Eliseba fala carinhosa e então nota o quanto Anippe está pálida.

—O que ela tem? —Arão pergunta nervoso ao ver Anippe fraquejar aos poucos. —Anippe, fale comigo! —Ele pede ao ver Anippe desmaiar aos poucos.


—Vá ajudar Anippe, Miriã. —Joquebede manda contra a vontade da filha mais velha.


—Não. —É a única coisa que Miriã responde ao ver Anippe nos braços de Arão.


—Anippe... —Moisés chama pela irmã que está desacordada nos braços de Arão. Ele olha atordoado pela vida da irmã para Zípora, mas é então que se afasta de todos e clama por Deus.
—Anippe, pelo amor que tem a sua vida, abra esses olhos,menina! —Arão pede atordoado ao lado de Eliseba.

—Vamos até lá, Miriã! —Joquebede fala brava e então passa por entre todos até chegar em Anippe. —O que ela tem?


—Desmaiou. —Zipora responde aflita, mas em poucos instantes Anippe acorda.


—Ainda bem que você acordou. —Eliseba fala aliviada fazendo Miriã se enciumar demais. —Não sabe o susto que me deu, menina!


—Eles já foram embora? —Anippe pergunta sobre o exército. Fios de cabelos de Eliseba voaram no mesmo momento em que Deus falou com Moisés.


—MARCHEM! —Ramsés gritou como um louco assustando Djoser. Foi então que todo o exercito marchou rumo aos hebreus. Assim como os hebreus começaram a correr, assim o povo se viu encurralado.


—Anippe. Onde ela está? —Zion perguntou assustado ao ver sua amada fora de alcance. Mas assim que a viu com Arão de imediato foi até ela. —Você está bem? —Ele pergunta ao ver Anippe ofegante.


—Estou com medo, Zion. Meu irmão certamente está lá. —Anippe fala saindo dos braços de Arão e vai até os braços de Zion.


—Não pode ser. Djoser não iria concordar em vir, Anippe. —Zion fala ao ver o quanto Anippe treme de medo.


—Ele veio... Eu sei que Djoser veio... Ele é o futuro rei. —Anippe fala enquanto abraça Zion com total força. —Por favor, meu Deus. Por favor, faça com que Djoser suma daquele exército. —Anippe pede enquanto seu irmão, do outro lado do deserto pede por um milagre.


—Meu Deus... —Djoser fala enquanto segue rumo ao seu povo. —Salve-os. —Seu pedido o surpreendeu. Ele poderia ter pedido a sua salvação, mas pediu a de seu povo. —Se for de sua vontade que eu me salve, então assim será. Mas tire Anippe da visão de qualquer soldado deste exército. Eu não suportaria voltar para o palácio com ela morta nos braços...


—Por quê clamam tanto? Diga ao povo que marche... —Deus fala para Moisés. Foi então que uma coluna de terra se formou e do alto do céu algo luminoso demais caiu. Quando houve o contato uma imensa coluna de fogo formou-se, assim como o céu escureceu.


—Mas... —Anippe tentou falar, mas seu medo foi maior que qualquer outra coisa. Ela então olhou assustada para Zion, mas de imediato entendeu que Deus iria ajuda-los novamente.


—As águas... —Halima falou assustada ao ver que o mar se agitava.


—Djoser... —Gab chamou pelo sobrinhos ao ver que a coluna de fogo impedia que o exército pasasse. —Sabe o quê é isso?


—E ainda pergunta? —Djoser lhe responde com outra pergunta plena de sarcasmo. Mas ao mesmo tempo sua mente é levada para o Egito, para seus pais. Mal sabe Djoser que sua mãe chora por ele.


—Beba isto, senhora. Vai acalmar seus ânimos. —Paser pede, mas a ajuda de Hur faz com que Henutmire beba toda a fórmula calmante.


—Eu não quero me acalmar! —Ela fala nervosa ao ponto de assustar Hur e Paser. —Me deixem sozinha. —Ela pede ao olhar para todos os lados a procura de Djoser.


—Henutmire... —Hur insiste, mas Henutmire insiste em ser violenta.


—SAIAM! —Henutmire grita assustando-os de súbito. Ambos preferem sair dos aposentos da rainha do Egito e com isso seu choro começou. Desolada, quase louca, Henutmire afaga seu rosto nas almofadas de sua cama como se quisesse sentir o calor de seus filho. Os rostos de Anippe e Djoser vieram em suas lembranças doces, mas que agora a fazem ser amarga. —Eu quero meus filhos! —Henutmire pede enquanto chora. —Eu quero meus três filhos! —Ela fala ao se lembrar de Moisés. —Eu quero... —Parou de pedir ao engasgar-se com seu próprio choro, mas após várias tosses consegue voltar ao normal.


—Isso não é nada bom, Paser. —Hur fala amedrontado ao ouvir o choro de Henutmire. —Ela vai morrer de tanta tristeza assim!


—A fórmula logo vai fazer efeito. —Paser fala nervoso. —Em pouco tempo ela irá dormir.


—Me preocupo com ela e com a criança, Paser. Essas fórmulas não fazem mal para ela? —Hur pergunta preocupado.


—A única coisa que vai fazer mal para a criança é o total descontrole da rainha. —Paser alerta ainda mais preocupado e então Hur entra novamente nos aposentos de Henutmire.


—Eu disse para me deixar sozinha... —Henutmire fala ao ver Hur entrar em seu quarto. —Hur, me deixe sozinha... —Ela pede ao ver seu marido se aproximar, todavia Hur a retira do chão e a abraça forte.


Chorava como uma criança inocente que acabará de perder seu doce por culpa da crueldade de um adulto enquanto Hur a consolava em seus braços. Enquanto isso seus pensamentos estavam apenas em seus filhos que agoram estão no deserto.


—Anippe? —Zion chamou pela filha da rainha mais uma vez ao ver que ela estava muda ao presenciar o mar se agitar. O céu estava negro assim como os olhos de seu avô Seti, negros e não azuis como os olhos de sua mãe e de seu irmão, não como os seus.


Anippe sabia bem o significado de seu nome. Filha do Nilo, essa sou eu. Filha do Nilo com a cor dos céus em meus olhos. Pensou ao lembrar de sua mãe grávida como rainha do Egito.


—Rainha do céu e do Nilo. —Anippe falou ao ver as águas do mar vermelho se tornarem ainda mais agitadas. —O quê vai acontecer? —Ela pergunta e então olha para a coluna de fogo. A coluna é a única coisa que lhe separa de seu irmão agora. —Djoser. —Chamou pelo irmão com lágrimas nos olhos.


—Anippe. —Djoser chamou pela irmã e então olhou para o mar em sua frente. Por que tantas ondas? —Vai acontecer uma tragédia. —Ele fala assustando Gab de tamanha forma que o homem sente seu coração pulsar forte.


"Se chamará Moisés... Por que das águas o tirei."


"Anippe. Princesa Anippe do alto e baixo Egito, filha do Nilo."


Foi nisso que Djoser pensou ao fechar os olhos e saber que seus irmãos irão sair ilesos da tragédia que está por vir. Deus vai operar mais um milagre e isso vai custar muito caro para Ramsés. Mais caro que a vida de Amenhotep.


—Não me solte, Zion. —Anippe pede assustada ao ver o mar se agitar ainda mais. —Não me solte pelo amor que sente por mim. —As palavras de Anippe deixou Zion ainda mais preocupado. Ele então envoelveu Anippe em seus braços deixando Arão enciumado. Anippe não é de demonstrar medo. Ramsés dizia, quando ela ainda era criança, que quando Anippe temia algo, os deuses também deviam temer. Isso porque Anippe parecia ser inabalável apesar da pouca idade. Se alguém na família herdou o dom de Seti em não demonstrar sentimentos, esse alguém era Anippe. Ela parecia ser a filha de Seti, não neta.


"Os deuses deram Anippe como neta, mas na verdade ela seria uma perfeita filha." Foi o quê Anippe escutou da boca de Nefertari em um dia qualquer. Da cabeça aos pés, Anippe era egípcia. Mas por dentro ela era hebréia. A sua aparência agradava a todos, era uma princesa coroada de beleza que orgulhava o tio em todas as festas. Henutmire fôra tão bela quanto Anippe, mas a neta de Seti não era tão emotiva.


Mas todos os olhos se voltaram para o mar. Anippe gritou escandalizada ao ver o mar se abrir em suas partes como um corredor para que seu povo passasse livre e a salvo. Ela abria e fechava os olhos várias vezes tentando entender, achando que está louca. Mas é então que Anippe realmente entende que Deus salvou seu povo novamente. Zion viu o corpo de Anippe desvencilhar dos seus braços e ir até onde Moisés está. Anippe atirou seu corpo ao chão próximo aos pés de Moisés e então viu melhor o mar aberto.


—Vamos! Marchem! —Moisés ordenou ao povo hebreu. De início todos ficaram assustados, mas logo passaram por entre o mar.


—Eu estou vendo isso mesmo? —Anippe perguntou assustada e com lágrimas nos olhos. Seu coração bate tão forte quanto um tambor ao ver tamanha maravilha.


Ali, aos pés de Moisés, vendo seu povo passar, Anippe chorou ao lembrar de sua carinhosa mãe. Queria Anippe ter toda sua família ali vendo o maior milagre de Deus. Se Djoser estiver mesmo do outro lado, verá com seus olhos, mas certamente não irá atravessar o mar vermelho assim como o seu povo assim faz agora.


—Quando os mares secarem. —Djoser falou uma frase do papiro que entregou para sua mãe. —Eu disse quando secarem e não quando se abrirem. —Ele falou com lágrimas nos olhos ao lembrar da última vez que viu sua mãe grávida. —Mas se algo me acontecer, a criança que gera em seu ventre vai lhe encher de alegrias. Tantas que não saberá o que é dor.


—Sua mãe? —Gab perguntou ao ouvir as palavras de Djoser. —Como é ter uma mãe, Djoser? —A pergunta do príncipe bastardo fez um nó se formar na garganta de Djoser.


—Ter uma mãe é a melhor sensação que possa existir. É ter ouro que pulsa no sangue, olhos que por mais que estejam cansados te observam crescer, é ter alguém para zelar por você do acordar ao adormecer. —As palavras de Djoser foram ditas no mesmo momento em que Anippe voltava a pensar em seus pais. Gab então olhou para o lado tentando evitar olhar para Djoser e para o mar que estava aberto. Sua mente está tão vaga que seu corpo mal corresponde aos estímulos. Mas ao mesmo tempo ele sente lágrimas em seus olhos por lembrar que um dia amou a própria irmã e que pegou Djoser no colo assim que nasceu. Aquele dia que pegou Djoser no colo, também foi o dia em que Henutmire caiu dentro da piscina real. Foi naquele dia em que ele envenenou sua irmã com planos de raptar Djoser, mas tudo deu errado porque Hur então chegou. No momento de desespero como esse, Gab apenas pensa em seus pecados.


—Vamos! Andem! —Moisés ordenou bravamente e então o povo hebreu passou firme e forte entre o mar.


—Está seco. —Miriã afirmou ao pisar no chão seco e então olha para sua mãe.


—Vamos, Ana. —Oséias chamou por Ana, mas ela hesitou em ir.


—Estou com medo. —Ana responde ao ver o corredor entre o mar vermelho.


—Não tenha medo, tenha fé. —Ele fala e assim então Ana começa a andar.

—Anippe, vá! —Moisés falou ao dar atenção para a sua irmã mais nova.

—Eu vou atrevessar o mar com você, Moisés. —Anippe fala enquanto chora emocionada. Moisés então sorriu para a irmã enquanto Deus operava mais um de seus milagres através dele.


—E Anippe? —Eliseba pergunta preocupada enquanto olha para todos os lados. —Arão, Anippe desapareceu!


—Ela está com Moisés, minha sogra. —Inês fala para acalmar Eliseba. Desde que saíram do Egito que Eliseba ama Anippe como sua própria filha. Assim mesmo faz Arão, até mesmo quando Anippe está com Zion. Para ele ser responsável por Anippe é muito mais importante do quê ajudar seu irmão a conduzir um povo.


Assim então o povo hebreu, o povo escolhido por Deus em meio a tantos outros povos, atravessou o mar vermelho entre lágrimas de admiração e espanto. Quando a coluna de fogo foi se desfazendo aos poucos, Moisés entendeu que Deus a criou para impedir que o exército chegasse perto. Mas ainda faltavam muitas pessoas atravessarem e com isso Arão e Zion jogaram uma enorme corda para quê os restantes fossem puxados a medida que corriam. Os rebanhos e carroças ainda passavam com alguma dificuldade, mas com a ajuda de outros passavam ilesos.


E então a coluna de fogo deixou de existir assim dando passagem ao exército egípcio de Ramsés II, foi nesse momento que Gab olhou para Djoser com aflição. Agora será a vez do exército atravessar o mar vermelho. Ramsés olhou pleno de pompa e envenenado pelo ódio que há em seu peito, sorriu maliciosamente para o mar ali aberto.


—Venha, Anippe! Vamos! —Moisés chamou pela irmã que estava olhando para o exército. —Anippe? —Moisés chama pela irmã ao ver que ela está dividida. —Anippe, vamos. —Ele chama, mas Anippe olha para o exército de seu tio.


—Eles estão lá. Nosso irmão está lá. —Anippe fala durante seu transe. Ela então caminha lentamente como se quisesse voltar e ir até o exército de Ramsés, mas Moisés segura firme em seu braço.


—Anippe, acorde. Anippe o quê está acontecendo? —Moisés pergunta ao olhar bem nos olhos da irmã, mas vê o quanto ela está com o olhar vago. —ANIPPE! —Ele grita fora de si ao ver seu povo passar e faltar somente ele e sua irmã. —Minha irmã, volte a pensar... —Ele pede ao chacoalhar sua irmã mais nova.


—Moisés e Anippe. —Miriã fala ao ver que falta apenas os dois.


—Anippe, pai! Onde ela está? —Chibale pergunta assustado. Foi então que Zion viu o tamanho da preocupação de Chibale com Anippe, seu ciúme falou mais alto que sua razão.


—Sabe quem é ele? —Zion pergunta para Yaffa, assim causa uma certa arrogância em sua irmã Halima.


—Filho do cozinheiro real. Se chama Chibale. —Yaffa falou fazendo Zion se enciumar ainda mais.


—Espero que Moisés e Anippe estejam bem. —Joquebede fala e é nesse momento que Anippe volta de seu transe.


—Estão vindo. —Ela balbucia e então Moisés fica aliviado por saber que sua irmã está voltando aos poucos. —Eu vou ficar.


—ANIPPE! —O segundo grito de Moisés fez Anippe tremer de medo. —Não tenha medo. —Ele fala mais calmo e então segura firme na mão de sua amada irmã.


—Vamos, Moisés! —Anippe fala firme e então os dois correm de mãos dadas enquanto o céu se torna ainda mais negro e o mar se agita novamente.


—Anippe! —Moisés chama pela irmã ao vê-la cair no chão após correr. Ele segura a irmã pelos braços no exato momento em que Ramsés ordena a ida de seu exército.


—ATACAR! —O faraó grita como um louco.


—Vamos embora daqui. —Gab fala ao ver que Ramsés pretende atravessar o mar vermelho.


—Para onde pensa que vai? —Ramsés pergunta furioso ao ver Gab e Djoser fugirem enquanto o exército avança. —São dois covardes!


—Não vou deixar que Djoser atravesse esse mar, Ramsés! —Gab enfrenta o irmão. —Isso é loucura! —Ele afirma ao empurrar o sobrinho para seu lado direito próximo ao cavalo.


—Quem está fazendo isso é o Deus dele, Gab! Ele vai atravessar! —Ramsés ordena ao puxar o sobrinho pelo braço com tamanha brutalidade. —Você é o único que pode passar ileso neste exército. Por isso você vai passar! —Ramsés exclama como um louco, mas sua loucura enfureceu Gab.


Djoser atirou-se no chão novamente quando Gab e Ramsés se atracaram em meio ao exército que passava entre eles em direção ao mar vermelho. Ele tentou intervir na briga, mas algo o impedia de levantar, mas ao lembrar que Anippe estava do outro lado, suas pernas se ergueram firme. Pensou que poderia atravessar antes que todo o exército, Djoser correu afoito enquanto Ramsés e Gab brigavam.


—Djoser. —Anippe chamou pelo irmão enquanto corria de mãos dadas com Moisés. Viu que o exército de Ramsés já estava atravessando o mar, assim um grito saiu de sua garganta.


—Ikeni? —Djoser indagou ao ver Ikeni próximo á ele.


—Não vá, príncipe. —Foi a única coisa que Ikeni falou. —Seremos tolos se formos.


—Acha que eu posso trazer Anippe de volta ao atravessar? —Djoser indagou enquanto senti sua perna latejar, deveras tê-la cortado com algo profundo ao cair do chão.


—Pelos deuses! —Ikeni falou ao ver o sangue de Djoser escorrer sem parar da perna do príncipe.


—Me solte! —Djoser ordenou bravo ao sentir tamanha dor. —ANIPPE! —O grito de Djoser pleno de dor chego aos ouvidos de Anippe.


—Moisés, ele está lá! —Anippe falo ao subir em terra firme com Moisés. Todos olharam para eles assustados, mas nada perguntaram pela demora.
Deus então ordenou que Moisés fechasse o mar. Moisés então lembrou do grito de Djoser, ele sabe que seu irmão pode estar entre o exército. Mas é uma ordem de Deus. Se ele não fizer o quê o Senhor pede, certamente será punido assim como o seu povo. Mas ele sabe que se Djoser morre assim que o mar se fechar, Anippe não irá perdoá-lo assim como Henutmire.


—O meu irmão... —Anippe fala ao compreender que o mar irá se fechar. —Moisés! —Anippe clama desesperada.


—Anippe! Anippe, fique calma! —Arão pede ao ver o estado em que Anippe está. —Olhe para mim! —Ele pede. Miriã, ão ver todo o desespero de Anippe, dá as costas assustada. —Djoser não está lá!


—Ele gritou por mim. —As palavras de Anippe chocam Arão. Então a única alternativa do homem é abraçar a moça.—Por favor, Deus. Mantenha minha consciência nos céus para não ver meu irmão morrer. —Anippe clama enquanto chora nos braços de Arão.


—Djoser está lá? —Miriã pergunta para Zípora, mas a cunhada nada responde. Miriã se choca ao saber que de fato o filho de Henutmire e Hur pode estar lá.


—Mas... —Djoser fala assustado junto á Ikeni. —Não pode ser. —Suas palavras foram as mesmas que Ramsés falou ao soltar Gab no chão e ver o mar se fechar aos poucos.


—Se afaste! —Ikeni pediu e então correu ao lado de Djoser com medo ao ver o mar se fechar aos poucos.

—Os cavalos, as bigas, os soldados... —Ramsés fala ao olhar incrédulo para o mar se fechando com seu exército dentro. Pensou na dor que cada soldado iria sentir com o peso das águas, afinal, era o mar.

O povo de Israel então louvou ao senhor assim que viu o mar engolir o exército de Ramsés. O mar ainda se acalmava com suas águas fortes e os corpos dos soldados já surgiam de dentro delas. Moisés olhou para tudo, viu toda a tristeza do outro lado do mar, viu Ramsés, ou melhor, pensou ter visto. Enquanto isso Anippe chorava desolada nos braços de Arão pensando que Djoser está morto, pensou até ouvir um assobio familiar...


Flash Back On


—Todas as vezes que você se perder, eu vou assoviar assim. —Djoser fala para Anippe então a princesa olha bem para o irmão.


—Mas eu não vou me perder! Mal saímos do palácio. —Anippe brinca e faz Djoser rir.


—Servirá caso um dia você estiver longe. —Djoser fala e então volta a assobiar forte.


—Me ensina?


—Se a nossa mãe souber... —Djoser fala temeroso, afinal, isso não era adequado para uma moça.


—Ela nunca vai saber. —Anippe garante risonha. Ela olha bem para o irmão para aprender, mas acaba errando.


—Vai precisar de prática. —Djoser brinca.


—Você e Uri se acham espertos por serem homens. —Anippe subestima o irmão. Ele então a abraça por trás e a faz rir.


—Você é fraca. —Djoser fala para provocar Anippe. Ele feriu o ego da irmã.


—Uma mulher não precisa de armas. A única arma de uma mulher não são as lágrimas...


Flash Back Off


—Djoser. —Anippe falou entre lágrimas enquanto o assobio de seu irmão se tornava mais forte.


—MOISÉS! —Ramsés gritou no exato momento em que caiu ajoelhado no chão derrotado. Seu grito foi ouvido por todo o povo de Israel, mas somente Moisés e Anippe sentiam a tristeza do faraó. Djoser cessou o som que saia de sua boca na expectativa de ouvir Anippe.


—DJOSER! —Anippe gritou contente por saber que seu irmão está vivo. Somente ele e ela sabiam daquele assovio, era o código entre eles. —Ele está vivo, Moisés! —Ela fala ao se abraçada pelo libertador com tamanha alegria. —Meu irmão está vivo... —Ela repete ao imaginar a alegria de sua mãe ao ter Djoser de volta para seus braços.


—Gab! Gab! —Djoser chamava pelo homem que está desacordado. —Levanta! Levanta pelo amor de Deus! —Ele pede e assim Gab faz.


—Djoser? —Gab pergunta confuso. —O quê aconteceu?


—O mar... —Djoser falou ao ajudar Gab a se levantar do chão. Gab então se assustou ao ver que o mar voltou ao seu devido lugar. —Engoliu o exército. —Djoser finaliza e acaba assustando Gab.


—Sua mãe tinha razão, garoto. —Gab fala ao ser auxiliado por Gab e Ikeni. —De fato aconteceu uma tragédia. —Ele fala ainda assustado com tudo que está vendo. Ikeni então olha para a perna de Djoser e pode então notar ainda o ferimento do filho de Henutmire.


—Não sinto minha perna. —Djoser fala assustado Ikeni e Gab. Enquanto isso Ramsés permanecia ajoelhado a beiro do mar. —Não pode ser... —Ele fala ao ver a quantidade absurda de sangue que saia da panturrilha de sua perna direita. Pôs sua mão tentando estancar o sangue, mas isso apenas piorou o ferimento.


—Vá chamar o rei,Ikeni. Precisamos ir! —Gab ordena e então ajuda seu sobrinho. —Me deixe ver esse ferimento melhor, Djoser.


—Sangrando? —Ramsés pergunta incrédulo ao ver Djoser no chão novamente. —Henutmire irá me matar se eu não voltar com Djoser bem. —Ele fala unicamente preocupado com a reação da irmã. Ramsés então foi até Djoser e permaneceu ao lado de Gab, nem pareciam que ambos haviam brigado.


—É uma lâmina. —Gab fala assustado e então olha para Ramsés preocupado.


—Sabe como tirar? —Ramsés pergunta aflito ao ver Djoser sangrar tanto. Gab olhou seriamente para o rei, e com isso Ramsés entendeu tudo. Djoser irá morrer. Não há tempo,não há ajuda para salvar o príncipe.


—Príncipe? —Ikeni chamou por Djoser ao vê-lo fechar os olhos e permanecer inerte no chão. O céu voltava a ser azul como sempre fôra, azul da cor dos olhos de Djoser.


—Eu sei que ele está bem. —Anippe fala do outro lado do mar para Halima e Yaffa. —Meu irmão não é de desistir fácil. —Seu olhar voltou para o outro lado do mar no momento. —Ele vai governar o Egito um dia...


—Djoser, acorde! Djoser! —Ramsés chamava pelo sobrinho, mas ele não respondia. —Pelos deuses! Eu matei o filho de Henutmire, foi isso? —O faraó pergunta nervoso ao ter o sangue de Djoser em suas mãos.


—O filho da rainha está morto? —Ikeni pergunta para Gab. Gab então olhou bem para Djoser, mas em seguida fechou os olhos deixando claro que não quer falar, mas em seguida dá uma ordem.


—Me ajude a levá-lo, Ikeni. —É a única coisa que Gab fala ao ver o semblante sério e jovem no rosto de Djoser. Tentou esperar para que os olhos de Djoser se abrissem, mas isso não aconteceu.


—Para onde vai com ele? —Ramsés pergunta ao ver Gab montar em um dos cavalos que restará de todo exército com Djoser nos braços.


—Não posso esperar que o seu cavalo puxe-o na carruagem, isso vai demorar muito. Se ainda resta algo a se fazer pela vida deste garoto eu vou fazer, ou caso contrário Henutmire irá enlouquecer assim que chegarmos no Egito. —Gab fala seriamente fazendo Ramsés tremer aflito. —O pulso deste garoto está fraco, Ramsés. Se realmente quer ter sua irmã de verdade ao voltar para casa, me deixe ir com ele para qualquer lugar, a vida dele vale mais para Henutmire do quê a coroa que ela usa. —Ramsés então permitiu a ida de Gab com Djoser.


—Vá na frente, eu e Ikeni iremos seguir você. —Ramsés fala ainda nervoso ao ver o sangue vermelho rubro de Djoser escorrer. Poderia Djoser ter se cortado com algo por culpa dele? Sim, foi culpa dele, unicamente dele.


—Não se demorem. —Gab fala antes de correr em seu cavalo com Djoser. Ramsés se assusta ao ver o meio irmão galopar tão depressa com o jovem príncipe naquele cavalo branco. Mas parece que Gab está voando para salvar a vida de Djoser.


—Não vai dar tempo. —Ikeni fala, mas acaba fazendo Ramsés se sentir ainda mais culpado por Djoser. —A lâmina é velha demais. Se o príncipe sobreviver, sobreviverá aleijado. —O soldado fala antes de engolir o seco.

Ramsés permaneceu imóvel ao ver Gab correr em seu cavalo para salvar a vida de Djoser, mas em seguida ele viu o povo hebreu, seu olhar foi de arrependimento enquanto o olhar de Anippe para Moisés era de felicidade. Mal sabe Anippe que Djoser está quase morrendo...

Notas finais
Chamem o SAMU pro Djoser!