Notas iniciais
Eeeeee que hoje é aniversário da Vera e eu cheguei com capítulo n novo

—Você acha mesmo que ele irá nos ouvir? —Pergunto para Nefertari enquanto tento me livrar das moscas.

—Ramsés vai ter que ceder, Henutmire. As moscas estão devorando tudo que há na dispensa real. —Nefertari fala pondo o véu branco em seu rosto. —Dessa forma todos nós ficaremos sem o que comer.

—Ramsés não vai ceder, Nefertari. —Falo e então páramos em frente aos portões da sala do trono. —Quatro pragas já caíram sobre nós e ele não cedeu.

—Ele cedeu, mas voltou atrás. —Nefertari fala envergonhada pela atitude do rei. Então as portas são abertas e então entramos na sala do trono. —Você precisa fazer alguma coisa, Ramsés. —Nefertari fala e então o general e Ikeni olham para nós. —Essas moscas estão acabando com todos os mantimentos da dispensa real.

—Escute Nefertari, Ramsés. —Falo assustada com o servo coberto de mel. O mel estava atraindo as moscas para o corpo do servo para que as mesmas não chegassem até o corpo de Ramsés.

—Bakenmut! —Ramsés esbravejou amargurado e então o general o olha. —Chame Moisés e Arão!

—Sim, meu soberano. —Bakenmut consente e então se retira da sala do trono acompanhado por Ikeni.

—Onde está Amenhotep e Djoser? —Ramsés pergunta preocupado.

—Leila e Karoma estão cuidando deles. —Respondo espantando as moscas, todavia elas voltam a me atormentar.

—Você não vai se arrepender depois que falar para Moisés que o povo hebreu está livre, vai? —Nefertari pergunta suspeitando da palavra de Ramsés.

—Fiquem tranquilas. —Ramsés pede enquanto Nefertari me olha com desconfiança. —Esse povo imundo irá embora e então ficaremos livres. —Meu irmão mal termina de falar e então eu dou as costas para ele e Nefertari. —Henutmire? —Ouço meu irmão me chamar, todavia não paro de andar. Se Ramsés vai mesmo libertar os hebreus essa é a minha chance de partir com Moisés e levar meu filho e Hur comigo. —HENUTMIRE! —Ele grita o meu nome e levanta-se do trono, mas eu saio da sala do trono sem a sua permissão de qualquer forma.

(...)

—Meu tio libertou os escravos? —Djoser pergunta admirado e olha esperançoso para Leila. —Mas isso é ótimo.

—Isso significa que o meu filho sairá do Egito. —Leila fala entristecida pelo seu único filho. —Eu não posso nem me despedir dele...

—Você não vai partir com os hebreus, Leila? —Pergunto.

—Não posso deixar Uri, senhora. —Leila responde assim que o olhar de meu filho se encontra com o meu. —Seria muita injustiça de minha parte.

—As moscas não atormentam a senhora por que estamos ao seu lado. —Djoser fala e então eu sorrio aliviada por tê-los comigo.

—Agradeço por ficarem comigo. —Falo. —Mesmo eu estando presa em meu próprio quarto.

—Deus protege os seus. —Leila fala e então um grande sorriso ilumina o seu rosto. —Pena que nem todos pensam assim.

—Uri e Anippe por exemplo.—Djoser fala envergonhado pelos irmãos.

—Mas o príncipe acredita no Deus dos seus antepassados? —Leila pergunta para Djoser.

—Eu creio naquilo que vejo, Leila. E no momento só esse deus mostra que é poderoso. —Djoser responde e então minha dama me olha com censura. —Nem mesmo Rá consegue derrotá-lo.

—O garoto tem razão, Leila. —Falo e então minha dama para de me olhar com censura. —Moisés largou todo o luxo do palácio para servir á este deus e agora entendo o o motivo.

—Entende? —Leila pergunta incrédula. —A princesa do Egito realmente entende o poder do Senhor?

—Eu sinto na pele o poder dele. —Falo surpreendendo Leila e Djoser. Eu senti o milagre do Senhor em meu ventre e na pele, por que então eu devo continuar louvando deuses que se pode ver mas que não fazem nada? Que são apenas estátuas?

—Mas não se pode louvar Deus e louvar outros deuses, senhora. —Leila fala.

—E se pudesse fingir em louvar os deuses egípcios e no entanto louvar apenas esse deus? —Pergunto.

—Deus quer a nossa entrega total, senhora. —Leila adverte e então eu entendo que não posso ficar entre Deus e as divindades egípcias.

—Ele é mesmo único. —Falo surpresa comigo mesma. —Por isso ele é capaz de fazer tantos milagres.

—Que o soberano não ouça a senhora falar isso, princesa. —Leila fala com razão. —Ele consideraria as suas palavras como uma afronta.

—Ramsés está mais preocupado com seu ego do que com minhas palavras, Leila. —Falo.

—Do que vocês estão falando? —Ouço Hur perguntar e então o vejo se levantar da cama.

—Não se mova! —Falo aflita ao ver Hur de pé. —O que pensa que vai fazer saindo da cama?

—Eu já estou bem, Henutmire. —Hur fala, todavia faço com que ele se deite novamente. —Não preciso mais descansar.

—O sumo sacerdote me disse que todo cuidado é pouco. —Leila deixa Hur sem alternativa. —Não pense que só por que apresentou uma melhora vai poder passear pelo palácio, meu sogro.

—Principalmente agora com as moscas. —Djoser fala baixo, mas Hur consegue escuta-lo.

—Moscas? —Hur pergunta completamente confuso.

—É a nova praga. —Respondo. —Se eu não estivesse aqui com vocês talvez as moscas estivessem me incomodando.

—As moscas atingem apenas os egípcios, senhora. Por isso fique aqui com meu sogro e o príncipe... —Leila fala dando alguns passos em direção a porta. —Vou ver onde Uri está.

—Quando a praga acaba? —Hur pergunta preocupado.

—Eu não sei. Tudo o que eu sei é que Ramsés liberou os escravos, Hur. —Minhas palavras chocaram o meu marido. —Mas de nada vai adiantar se ele voltar atrás.

—Se ele fizer isso outras pragas irão vir. —Djoser fala e então Hur me olha com pena. —O que vai ser de nós?

—Eu não sei, meu filho. —Respondo asfixiada pelo meu próprio medo. Meu coração pede para partir com os hebreus, mas a razão grita que eu não posso abandonar Ramsés.

—O que você tem? —Hur pergunta ao ver o meu semblante fechado. —Parece estar preocupada...

—Estou confusa. Mas você não precisa se preocupar com isso. —Falo. O que Hur pensaria se eu falasse sobre o meu desejo de partir com os hebreus?

—Ouçam. —Djoser fala então páramos de falar.

—São mulheres gritando. —Hur presume assustado.

—Pareciam loucas no harém. —Falo angustiada ao me lembrar do sufoco que cada mulher passou assim que as moscas entraram no harém. —Não vejo a hora dessa praga acabar.

—Pelo o que vejo somente amanhã as moscas irão embora. —Djoser fala e então vai até a porta. —Vou ver como meu tio está.

—É melhor eu ir. —Falo e então vejo que Hur e Djoser se entreolharam.

—As moscas irão de encontro a senhora assim que sair. —Djoser fala preocupado.

—Não saía daqui, Henutmire. Só os deuses sabem as consequências que essa praga irá nos causar. —Hur pede segurando a minha mão com firmeza, todavia eu minha mão escapa da sua. É então que Hur me olha incrédulo ao saber que não irei fazer o que ele me pede pela primeira vez em todos esses anos.

—Mãe, eu posso ir até o meu tio. —Djoser fala ao ver a reação de Hur. —Talvez as moscas o deixe em paz com a minha chegada.

—Mas você não vai falar para ele o que eu quero falar...

—Mãe! —Djoser chama a minha atenção. —A senhora sabe que as moscas irão atormenta-la assim que sair do quarto.

—Eu não vou aguentar ficar presa como se fosse uma prisioneira! —Falo irritada e então Djoser vem até mim.

—Só até amanhã, mãe. Amanhã de manhã todas as moscas estarão longe do Egito. —Meu filho fala com o intuito de me convencer a permanecer em meus aposentos. —Amanhã todo o povo hebreu vai partir.

—De todos os lugares do Egito. —Hur ressalta e então se senta á beira da cama. —Bezalel deve estar ansioso pela partida.

—Pai... —Djoser fala receoso e me então se senta ao lado do pai. —O senhor não sente nada ao saber que todos os hebreus irão partir? E que os hebreus do palácio, como o senhor, Uri e Leila irão permanecer aqui?

—Você não entenderia o que eu sinto. —Hur fala com receio. —É complicado demais...

—Mas... —Meu primogênito sente medo em falar enquanto seu olhar passa por Hur e por mim. —Vocês me deixariam partir com os hebreus ao lado de meu irmão? —A pergunta dele foi fatal. Por um momento pensei que Hur fosse passar mal novamente, mas quem acabou perdendo o equilíbrio fui eu.

—Henutmire! —Hur chama por mim, todavia quem me ajuda é Djoser.

—Você voltou a pensar nisso? —Pergunto já rouca e então Hur olha para o nosso filho com desconfiança.

—E você já havia falado em partir, meu filho? —Hur pergunta fazendo com que Djoser me solte.

—O que há de mal nisso, pai? —Djoser pergunta ingênuo e levado pelo seu desejo. —Eu posso sentir o poder do Senhor.

—Moisés é o libertador dos hebreus, Uri nega ser um, Anippe despreza ter sangue hebreu e está no Alto Egito para ficar longe de nossa família e agora você pretende sair do Egito? —Hur pergunta incrédulo para Djoser, que nada fala e faz além de estar de cabeça baixa.

—Me perdoe, pai. —Djoser fala com serenidade e então levanta a cabeça. —Mas se o senhor e meus irmãos não reconhecem o poder do Senhor, reconheço eu.

—Mas o que é isso? —Pergunto enfurecida pela atitude de Djoser. —Não respeita mais o seu pai?

—Claro que não, mãe...

—Pois então trate de se expressar melhor quando for falar com seu pai. —Falo firme e faço Djoser se assustar comigo. Hur põe a mão sobre meu ombro para que eu seja menos branda com o garoto, e então eu atendo ao seu toque. —Vá para o seu quarto descansar. —Falo e então Djoser se retira desconfiado.

—Você nunca falou dessa maneira com Djoser, Henutmire. —Hur fala assim que ficamos à sós. —Você está sempre com medo, ansiosa e as vezes parece tropeçar nas palavras que saem da sua boca.

—Eu estou me desconhecendo, Hur. Já não sei se estou sendo eu mesma ou se fingi ser uma pessoa boa durante todos esses anos e agora diante das pragas estou sendo quem realmente sou. —Falo confusa e em seguida lágrimas brotam dos olhos de Hur.

—Todos nós estamos confusos, meu amor. —Hur me conforta em seus braços mais uma vez. —Mas você está agindo igual ao...

—Igual a quem? —Pergunto olhando nos olhos de Hur. —Estou agindo como Ramsés?

—Não! Não foi isso o que eu quis dizer... —Hur fala com uma certa desconfiança. —Não é nada, apenas não falei como devia.

—Afinal, o que você quis dizer? —Pergunto curiosa.

—Eu queria dizer que você está tão nervosa que não consegue mais ser... —Hur para de falar novamente e então seu corpo se desprende do meu meu. —A verdade é que você parece ser outra pessoa.

—Outra pessoa mais indelicada? —Enfatizo no adjetivo e então Hur me olha assustado. —Eu não estou entendendo, Hur. Seja mais claro!

—Você vive com o semblante fechado, mas ao mesmo tempo cansada demais. —Hur fala eufórico. —Até mesmo Paser percebeu isso!

—Eu tive alucinações de tão sedenta que eu estava na primeira praga, tenho sonhos que me perturbam o meu sono, Hur. —Lágrimas brotaram de meus olhos ao lembrar de cada momento infeliz que tive ao decorrer das pragas.

—E até despertou sentimentos em Arão. —Hur fala brando me deixando confusa. De onde ele tirou isso? —Ou aquilo tem outro nome?

—Do que você está falando? —Pergunto assustada. —De onde tirou essa ideia absurda?

—Eu vi com meus próprios olhos a forma como vocês se olhavam. —Hur fala ressentido.

—Mas que absurdo é esse? Arão é irmão de Moisés... —Falo e então Hur me lança um olhar como quem assimilou tudo.

—Então você está usando Arão para se vingar por causa de Miriã? —Hur pergunta irônico e então eu tento achar uma solução para me redimir. —É isso mesmo?

—Arão? Eu não sei de onde você tirou essa ideia, Hur. —Falo indignada com meu marido.

—Pela forma que vocês ficam juntos, como conversam e se olham...

—CHEGA! —Grito histérica para fazer com que ele se cale. —Arão é apenas um amigo, Hur. Você está imaginando uma coisa absurda...

—Eu não estou imaginando nada! —Hur esbravejou com todo seu ciúme e em seguida se aproximou de mim com rapidez. —Você não percebeu a forma como ele te olhava, Henutmire?

—Não seja infantil, pelos deuses! —Perdi a paciência com a insistência de Hur. Se as moscas não viessem até mim assim que eu saísse pela porta com certeza eu o deixaria sozinho em nosso quarto. —Você está se deixando levar pelos ciúmes. Ciúmes sem base e argumento...

—E o que você queria que eu pensasse ao ver você e Arão de mãos dadas? —Hur pergunta é então a lembrança de Arão segurando minha mão se passa pela minha mente.

—Arão é irmão de Moisés, Hur. Ele é um amigo meu e somente isso! —Falo sentindo todo o ciúme de Hur o cegar e deixá-lo sem razão. —Hur? —O chamo assim que ele me dá as costas. —Hur, olhe para mim... —Chamo por ele mais uma vez, todavia Hur não me dá atenção e se deita em nossa cama me ignorando por completo.

—Boa noite, Henutmire. —Hur fala ríspido e então eu me sinto completamente ignorada por ele. O que está acontecendo com Hur afinal? Se eu estou me tornando uma pessoa totalmente diferente do que sou, Hur está se tornando um homem que de longe não é o que um dia foi.

Começo a pensar que talvez Nefertari, assim como as outras pessoas do palácio, tem razão. Talvez eu não pertença ao mundo de Hur assim como ele também não pertence ao meu. Mas o que vivemos não é um erro, não pode ser um erro! Eu não posso ter enfrentado todos, até mesmo os deuses por esse homem para que no final eu perceba que tudo foi uma paixão boba.
Eu não sou mais uma menina imatura que enfrenta tudo e todos por uma paixão passageira. Não! Hur é o grande amor da minha vida e eu não posso deixá-lo partir. —Ele pode partir do Egito se preferir, pode ir para outro lugar, mas não pode partir do meu coração nem eu do dele. — Todavia não me atrevo a incomodar Hur novamente, não agora que sei o quanto ele está cego por seus ciúmes.

Notas finais
Hur pegou pesado