Notas iniciais
Hey! Aviso que o inicio deste capitulo não será narrado por Henutmire e sim pela terceira pessoa, vocês vão entender me breve *__* Quando o capitulo começar a ser narrado por Henutmire aparecerá ''*Narrado por Henutmire'', ok? Aaaah, Nefertari não será a única a se banhar com sangue hehehehe Quem tiver problemas cardiovasculares que se segure, pois este capitulo é forte demais.

Narrado pela terceira pessoa;

—Estenda teu cajado, Arão. Estenda tua mão sobre as águas e haja sangue por toda a terra do Egito. —O libertador fala para o irmão mais velho que assim faz o que lhe foi pedido. O faraó então inclinou seu corpo para ver o que iria acontecer.

E então, assim que o cajado feriu as águas sagradas do rio Nilo, o sangue se espalhou como um veneno que se alastra aos poucos em um corpo.

Os peixes foram recuando, recuando até não poderem mais encontrar abrigo. O cheiro insuportável se alastrou e assustou os pescadores daquela região e até mesmo o filho da princesa do Egito sofreu com tamanho fenômeno.

—SAIA DA ÁGUA, PRÍNCIPE! —Ikeni grita apavorado ao ver o sangue se aproximar do príncipe.

—É o meu irmão. —Moisés sussurra baixo ao ver o irmão mais novo se distrair o suficiente para não ver que uma mancha vermelha se aproximava de seu corpo.

Quando ouviu o grito de Ikeni e percebeu que todos olhavam em sua direção, já era tarde de mais. Djoser já estava completamente ensanguentado pelas águas e o mau cheiro lhe deixava tonto. O jovem se assustou de tal maneira que foi preciso que Ikeni e outro oficial o retirassem da água, caso contrário ele morreria afogado.

—O que pensam que estão fazendo? Como se atrevem a contaminar o sagrado Nilo? —O faraó pergunta bravo ao ver todo o rio ser tomado por sangue.

—Eu me banhei com sangue hebreu? É isso mesmo? —Djoser pergunta indignado e olha para Moisés. Os dois irmãos agora sentiam pena um do outro.

—Você foi avisado, Ramsés. —O libertador fala calmo.

—Acham mesmo que vou ceder por causa de uma farsa? De um truque? —O temido faraó pergunta.

—Não é nenhum truque, senhor. A água virou sangue assim como Deus disse que aconteceria. —Arão fala e faz Ramsés ir até a beira do rio. Ao ver que suas mãos ficaram sujas de sangue, o faraó engole um seco e arregala os olhos.

—Sumam daqui! —Ramsés ordena. Mas antes de partir, Moisés olha para Djoser com pena. —Vamos embora, Djoser! —Ramsés grita e o príncipe obedece à vontade do soberano.

Já na palácio alguns nobres e servos já haviam notado que toda a água da grande e magnífica casa de Hórus estava contaminada por sangue. Enquanto o príncipe Amenhotep descansava e estava prestes a beber da água que o Nilo oferece, ele notou que em sua taça continha sangue ao invés de água. Foi então que o jovem príncipe deixou o liquido avermelhado sujar sua roupa, mas rapidamente soltou a taça em sinal de susto.

Pelos deuses! Amenhotep fala completamente assustado.

No jardim real Karoma observava a sua senhora, a grande esposa real, se refrescar e se divertir com a água sagrada trazida do rio Nilo. Até que ao mergulhar na piscina real a rainha se deparou com um liquido avermelhado que aos poucos foi ganhando uma tonalidade mais escura e a água foi deixando de ser cristalina. Suas narinas passaram a ardem e então sua visão escureceu por causa da cor que a água havia ganhado. Foi então que a rainha do Egito saiu das águas encharcada de sangue, da cabeça aos pés, seu vestido branco feito com o mais fino tecido do Egito agora é vermelho rubro assim como suas pele. Em sua pele percorre o sangue ao invés da água e o mau cheiro toma conta do doce aroma de sua pele.

Por Isis! — Karoma esbraveja assustada enquanto outros nobres se aproximam da piscina real para ver a rainha do Egito encharcada de sangue.

Nefertari olhou os seus braços vermelhos e sentiu o mau cheiro de sua pele. A sua vaidade falou mais alto e rapidamente ela se sentiu envergonhada por estar daquela forma na frente de todos. Um gritou de pavor e desespero saiu da garganta de Nefertari e então todos do palácio compreenderam que até mesmo a grande esposa real havia sido atingida pela praga.

Ilha de Philae — Alto Egito

—Se sente melhor, Anippe? —A grande sacerdotisa Thoris pergunta após presenciar um ritual feito por Anippe.

—Estou muito cansada. Não tenho costume em despertar tão cedo e fazer rituais tão longos. —Anippe fala segurando as lágrimas. Ela se entristece ainda mais ao ver enorme semelhança entre o vestido azul e branco da grande sacerdotisa com o da sua mãe.

—Sente falta de casa? De seus pais? —Thoris pergunta preocupada. —A princesa Henutmire deve estar com muitas saudades de você, minha querida.

—Eu vou molhar o meu rosto, talvez isso faça com que eu desperte um pouco. —Anippe desconversa e vai até a água. Ao fechar os olhos e levar a água para o seu rosto, Anippe não percebe que seu belo rosto agora está sujo de sangue. —Mas... —Ela fala ao ver sangue em suas mãos e no recipiente de porte médio.

Ao notar que seus anéis e braceletes estão manchados de sangue, Anippe vai até o espelho e grita apavorada ao ver seu rosto sujo de sangue. —A ÁGUA! —Ela grita apavorada e faz com que a grande sacerdotisa se assuste. Mas mais assustada ela fica ao ver o rosto da jovem ensanguentado.

—Fomos amaldiçoados! —Thoris fala sem se quer imaginar que Deus é o grande responsável por toda a água ter virado sangue.

—Por Ísis! —Anippe fala com o pensamento voltado para sua família. —Como minha família deve estar?

—Preocupe-se com você mesma. A sua família está unida e você está sozinha. —As palavras de Thoris fizeram Anippe sentir o gosto amargo do arrependimento. —O soberano deve estar cuidando da princesa Henutmire com o auxílio da grande esposa real... —Thoris parou de falar ao se lembrar da aluna que quase se tornou uma sacerdotisa e agora é a rainha do Egito.

—Meus irmãos... —Anippe fala ao se lembrar de Uri e Djoser. —Ainda bem que Moisés não está mais no Egito...

—Será que esta água amaldiçoada desceu pelo Nilo foi até o Baixo Egito? —Thoris pergunta assustada e olha para Anippe. —Estamos em guerra com os deuses.

—Se estamos em guerra com nossas divindades, não temos a quem recorrer. —Anippe fala e vai até a grande imagem da deusa Ísis. —O que vocês farão conosco? —Ela pergunta dirigindo seu olhar para Seth e Osíris. —POR QUÊ CASTIGA TEU POVO, GRANDE SETH? —O grito de Anippe fez a com que a grande sacerdotisa tremesse com tanto medo e começasse a chorar.

As aves voaram e riscaram os céus com medo e mais assustadas ficaram ao ver que todo o Nilo agora é feito de sangue e não da água pura e cristalina que cura e limpa os egípcios. Os animais se afastam por conta do mau cheiro, as escravas hebreias se assustaram ao ver as roupas sujas de sangue e o rio apodrecer por causa dos peixes mortos

PI — Ramsés — Baixo Egito

*Narrado por Henutmire

Sai acompanhada por Leila para procurar uma explicação por ter sangue ao invés de água em minha jarra. Será que algum servo se confundiu na cozinha real e me ofereceu sangue ao invés de água? Isso não deve estar acontecendo, sei bem que Gahiji não é de fazer este tipo de coisa, ele faz tudo com muito cuidado e seu trabalho é impecável.

Noto uma grande movimentação estranha pelos corredores do palácio. Algumas pessoas falam sobre sangue, será que os deuses nos amaldiçoaram?

—Pelos deuses. —Falo ao ver Nefertari surgir ensanguentada da cabeça aos pés. Ela esfrega suas mãos em seus braços para que o sangue saia de seu corpo, mas é inútil.

—O que está acontecendo? Por que toda a água do palácio virou sangue? —Nefertari pergunta assustada e é auxiliada por Karoma. —Eu mergulhei na piscina e quando estava nadando toda água ficou avermelhada. Quando sai eu já estava coberta de sangue... —Ela fala trêmula ao ver que todo o seu corpo está avermelhado.

—Vá se banhar no Nilo! —Aconselho.

—Toda a água do rio Nilo virou sangue. —Amenhotep fala com o pescoço manchado de sangue. —É o que dizem...

—Olha para você, meu filho... —Nefertari fala assustada ao ver sangue em meu sobrinho.

—Mãe, a senhora está coberta de sangue! —Meu sobrinho fala assustado e solta a taça de sua mão. —Isso é um sinal dos deuses?

—Talvez seja. —Nefertari fala um pouco pensativa.

—Djoser e Ramsés foram até o Nilo. —Falo preocupada com meu irmão e meu filho. —Sabem se eles já voltaram?

—Eu preciso me limpar. Ramsés ficará assustado ao me ver assim... —Nefertari fala mais preocupada com sua vaidade do que com sua saúde. Rapidamente ela e Karoma saem a procura de algo que a limpe.

—Meu pai já deveria ter voltado. —Amenhotep fala assustado. —O que será que aconteceu com ele e Djoser?

—Eu vou atrás deles. —Falo angustiada por não saber do meu filho e de meu irmão.

—Aquele é o meu primo? —Amenhotep pergunta assustado e eu me deparo com Djoser ensanguentado da cabeça aos pés como Nefertari está.

—Djoser! Djoser, o que aconteceu? —Pergunto ao sentir o forte abraço de meu filho. —Por quê toda a água virou sangue?

—CHAMEM PASER! —Ramsés ordena e Ikeni faz o que foi pedido. Amenhotep segue o pai até a sala do trono e me deixa sozinha com Djoser e Leila.

—O que aconteceu, Djoser? —Pergunto preocupada ao ver meu filho chorar desesperado em meus braços. Eu nino o meu filho como eu fazia quando ele ainda era uma criança, todavia nada surte efeito nele. —Fale para mim... —Djoser então me olhou amedrontado.

—Moisés e Arão foram ao nossa encontro... —Djoser fala com a voz trêmula e suas lágrimas se tornam avermelhadas por causa do sangue em seu rosto. As mesmas lágrimas sujam o meu colo e o meu rosto, mas eu não me importo com isso. —E então fizeram com que toda a água do Egito virasse sangue. —Leila me olhou assustada, mas foi de encontro a Uri e Hur.

—Leila! —Uri fala aliviado ao sentir a esposa em seus braços. Hur vem até mim e nosso filho assustado ao nos ver sujos de sangue.

—O que aconteceu? —Hur pergunta separando Djoser de mim. Ao ver o estado de nosso filho, Hur se afasta ainda mais perplexo.

—Deus não está brincando, Uri. Ele está castigando o faraó com a água transformada em sangue. —Leila acaba ganhando nossas atenções. —Ele quer ver o povo nosso povo livre.

—Anippe. —Uri fala e nos olha assustado. —Como minha irmã deve estar?

—Traga Anippe de volta, mãe. —Djoser pede e eu olho para Hur que abaixa a cabeça. —Mãe? Mãe, a senhora vai deixar Anippe sofrer longe da família?

—Eu não sei o que fazer, Djoser. —Falo encostada na parede. Ao perceber que minhas vestes estão sujas de sangue, Hur se aproxima de mim preocupado.

—Ela está ficando pálida... —Leila fala ao olhar para o meu rosto. Estou tão assustada que sinto minhas pernas ficarem bambas diante de tamanha situação.

—O que vai ser de nós? Moisés não disse quando a água voltaria ao normal. —Djoser revela e me deixa ainda mais preocupada.

—Eu não me sinto bem. —Falo completamente enjoada ao me ver suja de sangue após ter abraçado Djoser. Hur põe sua mão sobre minha testa para ver se estou com febre. —Eu vou voltar para meus aposentos.

—Eu vou com a senhora, mãe...

—Vá se limpar, Djoser. Leila cuidará de mim. —Interrompo Djoser.

—Como eu vou me limpar se toda a água virou sangue? —Djoser pergunta com razão e eu olho preocupada para Hur. Por Ísis! Estamos perdidos! E a minha Anippe? Como deve estar com tudo isso?

(...)

Por sorte Djoser e Nefertari se banharam com leite de burra. Mas a situação está se agravando, muitas pessoas estão sedentas e outras já passam mal. Nem mesmo o vinho, a cerveja e os refrescos feitos apenas com a fruta estão servindo mais. Não sei o que será de todos nós com essa falta de água, mas Ramsés precisa fazer alguma coisa para que a água volte ao normal. Caso contrário, todos nós morreremos.

—Princesa! —Leila me chama e me apóia em seus braços. Acabo ficando tonta ao descer um degrau e por sorte minha dama e Hur me auxiliam.

—Estou com tanta sede. —Falo ao me deitar na cama com a ajuda de Hur e Leila.

—Tome um pouco de vinho. —Hur me oferece, mas eu nego enjoada somente ao sentir o aroma do vinho. —Beba, Henutmire.

—Eu sinto sede de água, Hur. Não quero vinho, acabarei me embriagando ao tomar tanto vinho e já estou enjoada ao beber o suco de tâmara. —Me queixo ainda enjoada. —O suco está muito forte...

—Você vai adoecer se não beber o vinho, Henutmire. —Hur insiste e me deixa aflita. —Pelo menos tente.

—Não quero. —Me nego a beber o vinho mais uma vez e isso faz com que Hur fique mais preocupado. —Onde nosso filho está?

—Eu vou chamá-lo. —Leila fala e se retira.

—Eu estou tão fraca... —Falo assim que Hur se senta na beira da cama. —Eu só penso em Anippe.

—Eu estou preocupado com ela também. —Hur fala ao acariciar o meu rosto. —Com esta falta de água a nossa filha deve estar doente.

—Ela é forte por quê é jovem, Hur. Ela ficará bem. —Falo.

—Não fale mais. Vai ficar com mais sede. —Hur pede e beija o meu rosto. —Eu vou ver onde Leila e Djoser estão...

—Não. —Peço segurando a sua mão com firmeza. —Fique comigo, por favor. Não me deixe sozinha...

—Tudo bem, eu fico.—Hur fala assustado ao me ver amedrontada. —Eu fico aqui com você até nosso filho chegar. —Eu não dou importância para as palavras de Hur, eu observo a forma como ele me olha preocupado e toco em seu rosto.

—O que seria de mim se você não existisse? —Pergunto emocionada. —Olhe só para você! Tão preocupado comigo...—Percebo que minha voz está ficando rouca e paro de falar.

—Poupe a sua voz. Não fale mais nada. —Ele coloca o seu dedo indicador em meus lábios e eu me calo. —Eu não sei o que irá acontecer daqui para frente. Mas sei que estaremos juntos, certo? —Eu concordo e faço Hur sorrir.

—Mãe. —Djoser me chama ao entrar eufórico. Vejo que meu filho está abatido, mas ele vem até mim. —O que a senhora tem?

—Sua mãe está ficando fraca, Djoser. —Hur fala por mim.

—Eu já não aguento mais beber tanto suco. Está muito forte! —Djoser fala com muito cansaço.

—Venha aqui. Descanse comigo. —Peço para o meu filho e ele se deita ao meu lado. Hur acaba sorrindo ao nos ver deitados.

—Quando você era criança e tinha pesadelos de noite, você pedia para dormir conosco e sua mãe morria de medo de te machucar. —Hur relembra me fazendo rir.

—Até por quê eu nunca gerado um filho, nunca tive tanto medo em carregar uma criança em meus braços. —Falo abraçada ao meu filho.

—Eu me lembro de como a senhora se preocupava comigo. —O silêncio se estabeleceu no local após Djoser falar, mas meu filho nos surpreende com uma pergunta. —Como estará a minha irmã? —Eu evitei olhar para Hur.

Meu marido ainda tem mágoa em seu coração e não suporta se lembrar de Anippe. Sei o quando foi para Hur saber que Anippe odeia suas origens hebréias e que as mesmas lhe foram dadas por ser filha dele. Se eu pudesse mudar o pensamento de minha filha eu mudaria, mas Anippe é genista demais para dar ouvidos aos meus conselhos. Digo que Anippe se parece muito com o avô, mas agora noto o quanto ela se parece comigo. Anippe tem a mesma coragem que eu tive ao enfrentar o meu pai. Mas seu caso é muito diferente do meu! Se no meu caso eu fiquei magoada com meu pai, no de Anippe é Hur quem está decepcionado e magoado. Eu não devia ter dado uma filha tão frívola para Hur como eu dei.

—Ela não tem ninguém da família por perto. —Djoser fala e encosto sua cabeça na minha. —Sei que minha irmã errou, mas não já passou da hora de trazê-la de volta?

—Anippe é orgulhosa demais, Djoser. Não voltará para o palácio nem que o soberano ordene. —Hur fala magoado. —Eu só me entristeço pela forma que nos despedimos. Eu sempre coloquei Anippe em primeiro lugar, ela sempre foi minha filha querida e no final fez questão de me ferir desta maneira. —Meu marido nos dá as costas para que não vejamos suas lágrimas. É a primeira vez que vejo Hur chorar por Anippe depois que ela se foi, sei bem que ele já chorou outras vezes, mas é a primeira vez que presencio seu choro. —Mas sei o quanto ela deve estar sofrendo agora.

—Mesmo que Anippe queira voltar ela não pode. —Falo. —Nenhuma embarcação navegará em um rio de sangue e com todo esse mau cheiro. —Falo assustada e olho para Djoser.

—Talvez amanhã a água volte ao normal. —Hur fala aflito ao me ver prostrada em uma cama com nosso filho. Ele tenta se acomodar na poltrona, mas não encontra conforto. —Tentem descansar. —Hur pede ao beijar o rosto de Djoser e em seguida o meu. —Vocês são tudo o que eu tenho. —Vi uma certa tristeza no olhar de Hur e senti medo ao ter meu rosto acariciado pela última vez. Rapidamente fecho meus olhos e adormeço abraçada ao meu filho. —Bons sonhos...

Notas finais
Ay meu coração!!!! O pessoal que leu Blue Heart deve estar com o coração na mão agora