Coração De Diamante
16 Capítulo 14 - Uma História Normal, Não Seria A História Deles.
Notas iniciais
Tinha uma única coisa em minha vida que eu sempre temi; Amar. Esse sentimento, de depender de outra pessoa, para se sentir feliz, e a forma como tudo de bom em sua vida, gira em torno dela. Bom, quando essa pessoa te machuca, algo se quebra dentro de você. Dá para ouvir o cacos, literalmente. Então, depois do choro, dos gritos, e das verdades...Só o que resta é o vazio. Quer saber? Ele é o que mais dói. O sentimento de perda, que se mistura com impotência. A sensação de que, nem que você tente muito, será feliz da forma que foi antes.
Pareciam palavras e pensamentos de um livro clichê de superação, mas era sobre aquilo que Bella refletia, a medida que seu corpo, balançava de forma frenética, ao som de uma música eletrônica, que era bem conhecida por ela. Por causa do suor excessivo, presente em seu corpo, os cabelos de Bella colavam em seu rosto, a medida que ela pulava, deslizava a mão por sua pele, em movimentos sensuais, que provocaram muito tesão, nos homens que a observavam na boate.
Uma boate bem diferente da que foi com Edward. Digamos, que essa era bem mais quente e possuía algumas atrações pecaminosas...Nada que a assustasse.
O par de saltos, foi definitivamente abandonado, e o vestido curto de mangas longas, subia cada vez mais, enquanto ela rebolava e se balançava.
Sentia seu corpo dormente por conta, do excesso de bebidas que tomou, mas aquilo só a fazia rir bobamente. Estava tentando, desesperadamente, voltar as suas origens, tentando ignorar seu erro de se apaixonar por um príncipe estúpido. Só queria voltar a ser a Bella indiferente de antes, e isso envolvia alguns flertes e muitos drinks.
Então, em meio as suas tentativas, algo que ela não previu aconteceu, um a abraçou por trás e beijou seu pescoço. Em outros tempos, se viraria, e o retribuiria com um beijo ardente. Mas, ali, só sentiu que aquilo era errado.
Se virou, e deu um sorriso de “sinto muito”, antes de se afastar, e ir até o balcão. Afinal, ao que parecia, a mesma ainda estava com Edward Cullen em suas veias, e precisava de alguma coisa para substitui-lo. Álcool pareceu uma boa escolha.
Quando recebeu sua bebida, sentou-se em um dos bancos altos disponíveis para os clientes e passou a encarar o copo de vidro distraída, sem cumprir sua intenção inicial de tomar o drink.
—Quanto tempo. — ouviu a voz conhecida, e olhou para o lado, onde encontrou um loiro com um meio sorriso nos lábios. Pensou que aquele sorriso, nunca chegaria aos pés do de Edward, e se puniu por isso mentalmente.
—James. — disse revirando os olhos. —Adoraria dizer que estou feliz em te ver, mas seria mentira. — debocha.
—Como se mentir, fosse um problema para você. — retruca, não como uma ofensa, mas como um simples comentário.
—Tanto faz. — Bella disse, antes de voltar a encarar sua bebida.
—Você não parece bem. — James nota, já que por mais que ela negue, o mesmo a conhecia um pouco, afinal, namoraram por seis meses.
—E o que te leva a acreditar que eu desabafaria, com um idiota, que quase me fez perder o meu emprego? — ela ironiza, ainda que o fato não importasse de verdade, levando em conta, que ela nem ao menos, continuava trabalhando no restaurante.
—Que tal, o fato de que você, claramente, precisa que alguém te ouça? — questionou, arqueando uma sobrancelha, fazendo ela suspirar.
—Eu me apaixonei. — ela diz, rindo de seu próprio sofrimento, James não contém a surpresa. —E ele mentiu para mim. Como eu já menti para todos na minha vida. Seria cômico, se não fosse trágico. — debocha, então dá um gole em seu drink.
—O que aconteceu? — quer detalhes.
—Eu deixei um idiota de um príncipe se aproximar de mim, confiei nele, me apaixonei, fui para cama com ele, e o mesmo se mostrou um perfeito cretino. — fez um resumo da história.
—Bella, você está chapada? — ele tinha que saber.
—Sim. — disse, tomando mais um gole amargo. Então, notou porque, ele perguntou aquilo. —Ei! Eu realmente transei com um príncipe. — afirma ofendida, por ele duvidar disso.
—Bella, você está claramente bêbada, eu entendo que esteja tendo esse tipo de visão. Mas, acho que você deveria ir para casa. — aconselha, pois ela não parecia estar, em seu estado lúcido, não que ela fosse normal, ou coisa assim, mas, ela estava estranha. — Quer que eu ligue para alguém? — indaga preocupado. Não é porque tiveram um término ruim, que ele não se importava com ela.
—Não há ninguém para quem ligar. — ela murmura.
—Ótimo, começamos com o orgulho. — debocha e suspira.
—Não é orgulho, só não quero preocupar ninguém. Meu irmão está na cidade, mas não quero estragar a viagem dele, aparecendo bêbada assim, e Alice está grávida, não vou fazer ela vir até aqui. — diz, sendo lúcida por dois segundos.
—Quer que eu te leve? — indaga sério.
—Quero que me ouça. — admite. — Quero que acredite em mim. — diz sincera.
—Okay, preciso de uma bebida para isso. — após uma dose de vodka, Bella inicia a história de como conheceu Edward, e não demora para que James note, que a mesma estava mudada. O jeito que falava, era manso e controlado, não estava arisca como de costume. Só frágil.
Ela sorria quando falava dele, mesmo que fosse de maneira triste, ela aparentava ama-lo de verdade, e James invejou aquilo por um momento. Sempre quis que Bella, se referi-se a ele, com tanta devoção. E ali, ele soube. Tudo que Bella dizia, era a mais pura verdade.
—...E assim, ele quebrou o resto de mim. — Bella finaliza sua terrível história.
—Bella, me ouça. — ele pede. — Por que fez isso? — questiona e ela franze as sobrancelhas. — Se você o ama mesmo, porque não deu a ele, uma segunda chance? É isso que fazemos por quem amamos, perdoamos os inúmeros erros e continuamos tentando. Se você desiste fácil, é porque está com medo, e é com isso que você está. Tem medo de aceitar o que te ele ofereceu. Tem medo de se casar com ele, porque isso dará a impressão de que ele é obrigado a ficar com você para sempre, e isso é de verdade, o que você mais sente medo na vida. Medo de ser um estorvo, de não ser o suficiente. Você não acredita no casamento, porque nunca tentou ser de alguém completamente. Você não quer um reino, porque você não consegue nem administrar seus próprios sentimentos. — ali estava ela, a verdade. Que ela não queria, mas precisava ouvir.
—Preciso ir. — anunciou cambaleante. Se continuasse ali, seu orgulho iria para o lixo, James a convenceria a ser complacente, e em 10 minutos, a mesma correria para o hotel de Edward, e aceitaria qualquer que fosse a proposta dele.
[...]
Expressões fechadas, e esperanças acabadas, formulavam Emmett e Edward naquela manhã. Enquanto os dois seguiam, para a recepção do hotel, onde os guardas reais os esperavam, para a partida da corte. O príncipe suspirou, quando lembranças dele e Bella naquele elevador surgiram em sua mente.
Emmett por sua vez, perdera sua personalidade brincalhona, a parti do momento, que constatou que Edward faria aquilo. O príncipe casaria com a mulher que ele amava. Tudo por causa de uma coroa, e um maldito trato.
Sabia que não devia culpar seu melhor amigo, mas desde que Edward anunciou a volta deles ao reino, sem Isabella, Emmett evitava falar com ele. Não queria dizer coisas impróprias.
—Vai desistir dela? — por fim, ele questionou.
—Ela nunca será o que eu preciso. — o príncipe disse o que concluiu nas horas que passou acordado, na noite anterior.
—Então é isso? Vai deixar sua felicidade escapar? — Emmett indagou incrédulo.
—Minha felicidade,só será feliz, se eu estiver longe dela. — Edward diz, em seguida suspira. Notando o olhar de chateação de Emmett, ele disse as palavras que nunca pensou que diria. —Eu sinto muito, por ter que casar com Rose...Fomos idiotas ao acreditar, que podíamos burlar o meu destino...Mas, se você quiser, como rei, posso autorizar que você saia do reino e viva uma vida normal, como sempre quis. Não vou te obrigar a ficar e ver a mulher que você ama, casando-se com seu melhor amigo. — anunciou, tão triste quanto ele.
—Parece uma boa proposta. — murmura, antes de passar a frente dele, e entrar dentro do carro, que os levaria ao aeroporto. Edward encarou os guardas que o acompanharam naquela viagem e questionou: — Deixaram o envelope? — o chefe deles assentiu. —Ótimo...E, nada do que aconteceu nessa viagem, será mencionado no reino. — decretou sério.
—Mas, o Rei Carlisle... —um deles, tentou ir contra.
—Eu serei seu futuro rei, então aconselho a você, ignorar o que Carlisle quer. — foi com fúria que ditou aquelas palavras, e entrou dentro do carro. Rumo a um destino cruel, longe de tudo de bom que conseguiu.
[...]
Depois de ter colocado toda a bebida da noite anterior para fora, Isabella tentava se hidratar com uma garrafa de água. Estava cansada, e com desconforto, por causa da ressaca. A mesma ressaca que lhe atingiu ontem, só que aquela havia sido por um bom motivo.
Apenas por distração, checou sua correspondência e encontrou no meio dela, um envelope pardo, sem remetente. Com sua curiosidade, rompeu o lacre, e puxou uma das folhas de dentro, deixando a outra que parecia um documento, de lado.
Passou assim, a ler rapidamente.
Sempre fui bom com cartas. Sempre achei melhor, escrever uma, do que usar a tecnologia para expressar como eu me sentia. Bom, é assim que você é, quando se é um príncipe. O trabalho de escreve- la, a medida que os sentimentos surgem é algo indescritível...Eu sei que nesse exato momento, deve achar que estou te enrolando para não te dizer, o que realmente quero, e você está certa.
Dentro desse mesmo envelope há um documento, você já deve ter notado, e direi agora do que se trata; Nesse documento, Bella, está expresso que a parti de agora, você é a dona daquela galeria, que você se sente tão ligada, a mesma na qual seus pais te abandonaram, em frente a ela. Você, acima de qualquer pessoa que já conheci, merece ter cada sonho realizado. Então, se quer expor suas obras, com a sua visão, e com o seu jeito, agora você pode. Usando o dinheiro que tenho, a comprei para você.
Sei o que irá querer fazer, irá rejeitar esse presente, mas, eu peço por favor, que não faça isso. Não o rejeite, para tentar provar algo, para provar sua independência ou algo assim. Não abra mão de algo que merece, por orgulho. Alias, se você por acaso, duvidar que merece, quero que lembre de algo; Eu passei toda a minha existência preso em um castelo, tendo minha vida decidida por outras pessoas, nunca conheci o mundo lá fora, então surgiu uma oportunidade de conhece-lo e foi você a responsável por isso. Você, Isabella Swan, me fez conhecer todas as partes boas dele. Não estou falando de ponto turísticos, ou boates...Você, me ensinou a viver, a rir de coisas bobas, a olhar o simples e ainda sim o considerar incrível, você me fez ter coragem — não tanto quanto eu queria. — Você me fez amar. Amar você, com todas as minhas forças, porque não importa o que aconteça, com que eu case, quantos filhos eu tenha, você, sempre será o amor da minha vida. Não haveria um futuro mais brilhante para mim, do que nós dois construindo uma vida juntos, mas como isso não irá acontecer, eu só quero que você seja completamente feliz. Que encontre o amor em outra pessoa, e que ela possa te fazer feliz do jeito que você merece.
Com amor, Príncipe Edward.
Caiu no chão da cozinha, e chorou como uma garotinha que se perde dos pais no supermercado. A diferença é que, ela não tinha pais. Ela parecia não ter ninguém, até Edward aparecer em sua vida, e mudar isso. Ele despertou tudo de bom que havia nela, e agora aquilo acabou, e ela só quis saber, porque, de uma forma ou de outra. Isso sempre acontecia.
Por que, ela não pode conhece-lo em uma exposição, em que eles trocariam seus números e jantariam juntos no dia seguinte? Por que ela não podia ser normal? Uma voz lá no fundo, respondeu aquela pergunta; Se fosse normal, não seria tão bonito. Se fosse normal, não seria a história deles.
Fale com o autor