Corazón azul y piel dorada
1 O primeiro Jogo
Notas iniciais
¡P U M A S!
…Como no voy a querer si mi corazón azul, es y a mi piel dorada siempre a querré…
¡Oh Universidad!
Escucha con qué ardor
Entonan hoy tus hijos
Este himno en tu honor
Al darte la victoria
Honramos tus laureles
Conservando tu historia
Que es toda tradición
Unidos venceremos
Y el triunfo alcanzaremos
Luchando con tesón
Por tí Universidad
Universitarios,
Icemos siempre airosos
El pendón victorioso
De la Universidad
Por su azul y oro
Lucharemos sin cesar
Cubriendo así de gloria
Su nombre inmortal
¡¡México, Pumas, Universidad!!
Poncho
Hoje era uma noite mais que especial, nada melhor do que depois de um dia de trabalho sair correndo do escritório, tirando a camisa social e deixando o manto sagrado exposto.
Sim eu era fanático, não só por futebol, mas pelo meu time do coração. Club Universidad Nacional A.C. Não conhecem? Ok. Todos o conhecem como Pumas. Agora sim? Eu sabia.
E como estava contando, hoje é noite de futebol e sai do meu trabalho direto para o estádio, meu Pumas jogaria contra Tigres UANL, essa noite que o Pumas coloca o gatinho para tomar leite na tigela.
Eu pensava sorrindo enquanto dirigia para onde ficava o estádio.
:- Por su azul y oro!! Lucharemos sin cesar… — Eu cantarolava o hino junto com a música que tocava no meu carro. – Estava ansioso demais.
Difícil foi conseguir achar meu lugar no estacionamento, graças aos céus eu era sócio torcedor e tinha privilégio de melhor vaga no estacionamento. Por que ficaria horas tentando encontrar uma vaga sequer ao redor do estádio lotado.
Peguei tudo que deveria e deixei o estacionamento andando, passei pela revista e entrei no estádio com meu coração jorrando de alegria, sempre foi assim, ainda mais para ver meu Pumas.
Comprei minha cerveja e fui para meu lugar. Agora só faltava o jogo começar eu olhava para o gramado vazio ainda, com olhos de menino.
Quando os jogadores entraram em campo junto com toda a torcida vibrei em apoio, seria uma grande noite, teríamos a vitória, certeza!
O primeiro tempo deu uma prévia do que seria o jogo, disputado em todas as jogadas, o que me deixava menos nervoso era que o time estava bem, acertando os passes, boas finalizações, só faltava à bola entrar no gol adversário. E a nossa chance veio com a falta, sofrida. Agora abriríamos o placar, olhei para cima pedindo.
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Dulce
Maldito professor!! Mil vezes maldito, custava ter me liberado mais cedo. Deve ser um mal amado que não sabe dos prazeres da vida.
Eu reclamava enquanto chegava no estádio, totalmente atrasada chegaria no final do primeiro tempo, por culpa do professor que resolveu passar trabalho para última hora, na Universidade. Mas, não importa eu finalmente cheguei.
:- Anda logo, minha filha estou perdendo o jogo. – eu falei com a segurança que parecia uma lesma me revistando.
Eu ainda tive tempo de passar no bar e comprar minha cerveja e um pacote de amendoim, assistir jogos ao vivo, sempre me deu nos nervos e com eu havia feito minha unha hoje, não roeria. Aliás pintei com as cores do meu Pumas.
Eu sabia que daria sorte, sou um amuleto da sorte humano. Só foi eu pisar na arquibancada que Pumas sofreu falta a nosso favor. Ou seja, altas chances de gol.
: — Vamos lá Pumas, vamos lá. – Vibrei abrindo a embalagem do amendoim com a boca enquanto desviava das pernas das pessoas, procurando o meu lugar.
...García se prepara para bater a falta...
Eu escutava por um rádio ligado de um torcedor barbudo do meu lado, o jogo sendo narrado, estava bem alto e mesmo com toda gritaria da torcida me concentrei em escutar e ver o jogo ao mesmo tempo.
...Ele se prepara e ameaça bater...
:- Chuta logo para o gol, FILHA DA PUTA! – alguém gritou atrás de mim.
E tudo foi muito rápido, assim que o torcedor terminou de gritar, García chutou a bola que teve muita potência e fez uma curva perfeita atravessando a barreira e indo certeira no ângulo do Gol. O goleiro sequer se mexeu conforme a velocidade de tudo.
...GOLLLLLLLLLLLLLLLLLL DO PUMAS...
:- Gooooooooooooooooooooooooooooooooooooool – abracei uma senhora que nunca vi na minha vida, gritando e vibrando pelo Pumas. — Gol, porra, gooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooool. – Ela me olhou assustada, mas mesmo assim vibrou comigo. Tentei beijar minha camisa desesperadamente, mas o tecido colado impediu tal ato.
:- VAMOSSS UNIVERSIDAD, VAMONOS A GANAR…- comecei a cantar junto com os torcedores, dando apoio ao time ainda mais depois de abrimos o placar, agora era só se concentrar e fazer o segundo, o terceiro e o quarto e etc, Gol. Pensei sorrindo enquanto o Juiz apitava e o jogo voltava com a posse de bola do Tigres.
Mas, eu tinha esquecido de um mero detalhe, estávamos praticamente num clássico, ou seja, num jogo importantíssimo e qualquer erro poderia resultar no empate e foi justamente o que aconteceu em cinco minutos após nosso gol. Confesso que não vi o gol fiquei reparando nas pernas de um torcedor do Pumas perto de mim. Gato. Analisei-o de baixo a cima.
:- Filho da Puta! Estava impedido! – ele gritou irritado e foi apoiado por vários torcedores que não perderiam a oportunidade de xingar a família inteira do juiz, bandeirinha e companhia.
Voltei a prestar atenção no jogo quando vi a torcida se manifestar. Estamos com a posse de bola, fora à jogada incrível que fizemos, mas na hora da finalização erramos. Pois é, quem disse que seria fácil vencer um Tigre? Apesar de ter total confiança no meu Puma.
Mesmo começando a ficar irritada com o jogo eu voltei a procurar o cara gato torcedor do Puma. O encontrei ele tomou um gole de sua cerveja e estava fumando demonstrava nervosismo, assim como eu, que estava roendo minhas unhas.
:- Você viu o gol que aquele imbecil perdeu? Inadmissível, filho da mãe. – Falei para o cara desconhecido, ainda mantendo minha educação, sem xingamentos pesados. Quando ele me olhou, quase suspirei. — Se essa bola tivesse vindo nos meus pés, eu não tinha perdido. – ele me respondeu estressado como eu, sentando rapidamente e se levantando com a curiosidade falando mais alto que a vergonha naquele campo.
Olhei para ele, admirando sua voz, nunca escutei esse timbre antes. E com ele me olhando me surpreendi com sua beleza que era maior do que suspeitava.
:- Até EU com salto alto faço aquele gol! – falei divertida querendo sua atenção. Consegui ele me olhou e trocamos sorrisos, mas logo voltamos nossa atenção para o jogo rolando.
O que eu tinha na cabeça? Estava naquele estádio para assistir ao meu Pumas, não para “paquerar” Ri de mim mesma. Estava ficando nervosa, primeiro pelo fato do tempo passar e o pumas não virar logo a bosta daquele jogo e segundo pelo fato dos olhos do homem ao meu lado se intercalarem de minuto a minuto entre eu e o campo. Maldição! Ou eu poderia dizer, tentação?
: — Acho que preciso de mais algumas latas de cerveja. – Ele disse estressado depois de bufar, e tudo o que fiz foi roer mais um pouco minhas unhas, chacoalhando minhas pernas.
: — O tempo está passando, está passando. – Levei à mão a testa quase em desespero quando O Tigres se aproximou da nossa área. – Puta que pariu, eu não saiu viva daqui hoje.
: — Tira essa bola daí, filho da puta. – Alguém gritou perto do meu ouvido e eu dei um pulo do banco, levando a mão até a parte debaixo da orelha.
: — TERIA COMO VOCÊ PARAR DE XINGAR NO MEU OUVIDO, CACETE?
Eu disse ao homem colocando fogo pelo nariz, sentindo meu ouvido palpitar. Que merda era aquela? Que gritar? Que grite, mas longe dos meus ouvidos. O homem me encarou sério, mas não devolveu minha provocação, para o meu alivio.
: — Eu acho que você precisa de mais uma cerveja, também.
Concordei com a cabeça inalando fogo e suspirei, vendo o gato ao meu lado, digo, o torcedor legal do pumas, se referir a mim. – Eu vou buscar enquanto não acontece nada, eu já volto.
: — Está bem. – Fiquei tão encantada com o cavalheirismo dele que perdi a noção do tempo enquanto o via sair a procura de cervejas.
Que diabos eu estava fazendo? Eu nem bebia tanto assim, na verdade eu nunca passava de uma garrafinha e... Neguei com a cabeça e mastiguei meu amendoim rapidamente, voltando minha atenção para o campo.
: — Anda Pumas, anda. – Esbravejei, contando de um até dez mentalmente. – JOGA ESSA PORRA PELA LATERAL, CACETE. PELO MEIO NÃO DÁ.
Gritei quase me jogando da arquibancada.
Eu não havia ido até aqui para ver o meu time perder, mas não tinha mesmo.
: — E ai, como estamos? – Levei um susto ao ouvir a voz rouca ao meu lado. Ele havia voltado, e me oferecia com uma das mãos uma lata de cerveja. Pisquei nervosa e a peguei.
: — A mesma merda, eu não acredito que vim até aqui para ver meu Pumas perder para esses gatinhos de meia-tigela. – Abri a lata e tomei um bom gole. – E ah! Obrigado.
: — Não tem de que. – Ele bebeu um gole de sua cerveja depois de xingar uns palavrões, agorando o time dos felinos saltitantes. – E eu posso saber o seu nome?
: — Meu nome? – Perguntei enquanto olhava o campo, quase esmagando a latinha na mão enquanto o Pumas avançava.
: — É...
: — Dulce. – Prendi a respiração quando observei a bola cruzar a pequena área e a torcida se levantar. – E o seu? – perguntei automaticamente.
Assim que terminei de perguntar, não vi mais nada, só ouvi, na verdade o sangue desceu tão de pressa de meu corpo que eu podia jurar que desmaiaria.
:- GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL. GOL CARALHO, GOL. É ISSO AI, PORRA, NÃO TEM PRA NINGUÉM.
Ele gritou e eu percebi que meu Pumas havia feito mais um gol, havia virado o placar e naquele momento eu não conseguia vibrar e muito menos gritar. Os braços do homem estavam ao meu redor, me esmagando de tudo quanto é jeito, onde seus lábios gelados por causa da cerveja esmagavam minhas bochechas em beijos estalados. Respirei engasgada, eu nem ouvi seu nome, nem comemorei o nosso gol. Tinha como ser pior?
Talvez ele tenha percebido como eu tinha ficado imóvel com sua atitude.
:- Desculpe! – ele falou alto por que todos a nossa volta comemoravam. – Não pude conter a alegria.
:- Sem problemas — falei ainda incerta dos calafrios que eu senti com ele me abraçando e beijando minhas bochechas.
:- Poncho.
:- Oi? – perguntei confusa.
:- Meu nome. – ele sorriu, o sorriso mais aberto agora. Tinha como ficar mais lindo que isso? Pensei.
Mesmo com o jogo disputado a todos os momentos, sendo difícil mesmo, nos estávamos defendendo nossa vitória, com muita garra e foi assim até o fim do jogo.
E voltei a ouvir o torcedor com uma rádio ligada, nem me toquei que ele tinha saído daqui perto, tinha outras pessoas para reparar, olhei de relance para Poncho. Que estava olhando final do jogo.
...E acaba mais um jogo desse campeonato eletrizante...
Fechei os olhos esperando o narrador falar as palavras mágicas que serviam de música para meus ouvidos.
...Pumas Unam 2 X 1 Tigres UANL...
Todos apenas comemoraram quando escutaram o eco do apito do juiz. Anunciando o fim da partida e consagrando nossa vitória.
Aos poucos todos foram saindo do estádio, comemorando, bebendo, gritando... Se empurrando. Em um certo momento, Poncho teve que se colocar em minha frente para evitar que eu fosse esmagada perto do portão de saída. Agradeci a Deus por tê-lo conhecido lá, ou caso contrário eu estava indo direto para uma cova ali perto mesmo. Cruzes.
: — Então, colocamos os gatinhos para tomar leite na tigelinha.
Ele me disse com um sorriso aberto assim que saímos do estádio e eu cai na gargalhada. Estava me sentindo radiante.
: — Graças a Deus, eu não suportaria ver meu Pumas perder, não quando eu vim toda preparada pra cá. – Corei um pouco e sorri de canto, estendendo minhas mãos para ele. – Olha só, até minhas unhas eu pintei com as cores.
: — Que fanática, você. – Ele disse rindo e coçou a nuca rapidamente.
: — Olha quem fala, não é? – Respondi no mesmo tom quando observei a chave de seu carro em uma de suas mãos, com o adesivo do símbolo do Pumas. Revirei os olhos, o sujo falando do mal lavado. Poncho corou um pouco, sorrindo sem graça.
: — Então, ér, eu já vou indo. Meu ponto de ônibus é pra lá. – Sorri amarelo, estendendo uma das minhas mãos. – Prazer em conhecê-lo, Poncho.
: — Eu te levo em casa, já está tarde. – Ele disse sério, apertando o alarme do carro para que as portas destravassem.
Arregalei um pouco meus olhos, não que eu não quisesse deixar que ele me levasse em casa, mas sim por estar me assustando fácil com a áurea agradável e prestativa que ele estava deixando transparecer o tempo todo para mim. Tão adorável. Mordi o lábio inferior e levei as mãos até o bolso do jeans que eu usava.
: — Não precisa, eu... Eu pego um ônibus e já já estou em casa. – Sorri sem graça e o ouvi bufar. O sorriso lisonjeiro que ele abriu logo depois me fez tremer um pouco, confesso. Estava vacilando demais toda vez que ele abria aquele sorriso pra mim e me encarava com aqueles olhos misteriosos. Eu estava me sentindo um pouco tonta com aquilo, já.
: — Te levo em casa, Dulce. Não vou aceitar um não como resposta.
Estava ainda muito incerta se aceitaria a carona ou não, as aparências enganam isso era fato. Mas, Poncho parecia ser um cara encantador, além de gato também e como sou impulsiva acabei aceitando. Ele foi cavalheiro de abrir a porta do carro para mim.
E enquanto eu explicava para ele onde eu morava, nos conversamos descontraídos sobre o jogo, o campeonato, enfim sobre o Pumas. Ele tirou todo o receio que eu tive da carona.
Ele estacionou em frente ao meu prédio e me encarou, de um jeito diferente, mais profundo que as outras vezes.
:- Está entregue, pequena pumista. – Ele riu do seu comentário, ri junto com ele, nós dois estávamos sem graças de nos despedimos. Essa impressão minha sumiu quando ele voltou a falar.
:- Então, eu acho que eu mereço uma recompensa em forma de agradecimento pelo meu cavalheirismo de ter lhe trazido em casa. – mal pude raciocinar o que me disse.
Por que eu já o senti avançar toda a distância que tínhamos rapidamente e me beijou sutil. Talvez esperasse que eu o afastasse a qualquer momento e lhe desse um tapa o xingando de todos os palavrões possíveis. Porém, eu não fiz nada disso, fiquei parada esperando ele continuar o que começou, por que estranhamente me senti atraída desde a primeira vez que coloquei os olhos nele.
E por mais que eu não faça isso normalmente, afinal ele é um desconhecido que eu só sei o nome e que é fanático como eu pelo Pumas talvez por isso tenha me atraído tão fácil, e como ele não tomava mais nenhuma atitude eu mesma o beijei melhor.
E que beijo mais um motivo para não me arrepender depois dessa atitude ousada, ele sugava e explorava minha boca de um jeito que me deixava sem ar e ao mesmo tempo queria mais. E no auge do beijo, ele nos separa bruscamente, fiquei ainda de boca aberta esperando o ar voltar para respirar. E apenas vi ele abri seu porta-luvas e tirar algo e colocou em minha mão.
:- Eu quero muito te encontrar de novo, eu.. — ele suspirou e vi também precisava de ar — gostei de você. — me encarou com os olhos fixos, por Deus que olhos eram aquele castanho esverdeado. — Para que você não pense que estou brincando, aqui está. — ele colocou um cartão na minha mão. — Meu cartão, me procura?! Me ligue a hora que quiser, não tem problemas para mim.
Pensei por um momento desde quando eu sai da minha faculdade até agora como uma noite pode te surpreender, e o melhor de tudo é que meu time ganhou. Dei uma olhada rápida no cartão, claro que ligaria, não sabia quando.
:- Te ligo podemos marcar de ver algum outro jogo, talvez. Agora tenho que entrar, até logo, pequeno pumista. – Devolvi o jeito carinhoso que ele me chamou e ri da sua cara de abobalhado quando dei um selinho demorado como despedida antes de sair do carro e seguir em direção ao meu prédio.
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