Corazón Espinado
7 Do sacrifício, o pranto.
Notas iniciais
Belle-mére acaba de revistar a ponte pela terceira vez, e novamente não encontra nada.
– É sério??! Na ponte nada, no riacho nada, no arredor nada. Qualé Roci?
Depois de tudo o que havia acontecido naquele dia, e o que acontecera antes dele, ela estava completamente "sobrecarregada" emocionalmente. Paciencia não estava muito entre suas qualidades. Ela leva a mão a testa a massageando.
– OKEY. Vamos rastrear você Roci.
Ela volta o caminho buscando marcas de pegadas, ou qualquer pista. Consegue encontrar algumas pegadas que saia de uma moita e depois iam para uma árvore. Ao chegar na árvore ela percebe uma pequena marca, sigela, e com formato de um coração. Ou achava que era aquilo, estava terrivelmente desenhado.
– Oe Roci....
E então tudo acontece repentinamente: Belle-mére os sentidos dela somem por um instante e a visão de turva, some completamente. Um gosto forte de sangue vem a sua boca e ela dentre a escuridão só enxerga um vulto de um grande homem ao chão, com um casaco de plumas negras. Ela cai de joelhos no mesmo instante, e sua visão retorna.
– Arf...arf...
Ela encara o chão e lágrimas vem instantaneamente em seus olhos. Ela não sabia o que era, ou por que vira aquilo tão repentinamente, mas mesmo não vendo o rosto, ela tinha a sensação que era alguém conhecido. E não conseguia tirar de sua cabeça que era ele.
Ela involuntariamente leva seu braço para limpar a boca, e o sangue estava de fato ali. Instintivamente ela olhar ao redor, mas não havia ninguém mais, e ela não estava com novos ferimentos.
– Isso está fora de controle.
Ela fecha os olhos e tenta se concentrar, afastar aquilo. Ela precisava de foco e agilidade se quisesse terminar tudo aquilo rápido. Depois poderia tentar decifrar com calma o que fora aquilo.
Ao passar o olhar no pé da arvore, avista algo estranho, um pequeno buraco. Ela coloca a mão ali com um pouco de dificuldade e consegue puxar algo: o pergaminho.
– Aha!
• • •
– Oe , por acaso é mudo?
Um gigante homem musculoso segurava a cabeleira loira de Roci, que respirava longamente e depressa.
– O maldito não deu um grito, nem fez barulho algum!
Um sorriso cansado brota no rosto do loiro.
– Acha que é divertido? MALDITO VAI VER QUE NÃO ESTOU BRINCANDO!
CRACKKKK....
– ARGH!
Três barras negras passam pelo corpo do pirata, o prendendo. Uma ultima barra prende a boca do mesmo.
– Hina não gosta de pessoas que só falam.
– Arf, arf, Hina?
– Rocinante.
– Você passou por...
– Tsc.. Vocês se preocupam demais. Ela está bem, terminando o que você começou. Hina veio garantir que volte pra ela.
– ...oe..você disse..volte.. para..para...
– Tcs..
Hina solta o loiro e o ajuda levantar. Ela percebe um rubro no rosto do mesmo, e parecia perdido em pensamentos.
– Está bem? Quer que Hina leve direto para o navio?
– Não....está tudo bem. Vamos logo atrás dela.
Um sorriso estava no rosto dele. Um grande e até assustador sorriso.
– Hum... ok.
• • •
Belle-mére caminhava depressa, estava com o coração acelerado e os olhos enormes. Ela não conseguia acreditar: Estavam atrasados. Muito atrasados.
Ao redor dela, tudo era destruição. Era um amontoado de cinzas e escombros, um forte cheiro de queimado, sangue e desespero.
Seus passos se apressam cada vez mais até os resto do que era uma torre, aparentemente central. Ela pula com facilidade, passando por escombros e mais entulho, chegando ao centro onde ela avista algo que parece um corpo. Ela corre até lá e pega o corpo em seus braços. Era um homem de meia idade, muito ferido, sem uma de suas pernas.
– COF....COF.....
– Fique calmo, nós chegamos para ajuda-los! Vou leva-lo imediatamente para o navio..
– Não...temos....tempo.
– Claro que temos! — ela vai pega-lo no colo, quando o homem a empurra, usando praticamente toda sua força.
– O pergaminho....
– Sim eles está aqui... Chifre de bode...
–...Reluz durante a noite e resplandece durante o dia.
Ela tira de um de seus bolsos, entregando o pergaminho ao moribundo.
Ele abre o pergaminho e o lê. Fica quieto alguns segundos, depois sorri.
– Sengoku, maldito....você..sabia.
– . . .
Ele retira um caderninho de sua blusa, junto com uma caneta e anota algo com certa dificuldade. Ele que usa o chão de apoio, empurra o caderno para a rosada.
– A resposta para Sengoku. Dependemos de sua agilidade....cof, cof.. para evitar, mais massacres..
A voz ele vai diminuindo e se tornando mais vagarosa. Ela guarda o caderno em sua capa e pega o homem no colo. Seu braço fraqueja, mas ela mantem ele firme.
– Posso..cof,cof, te pedir um favor?
– Claro, Comandante.
– Me deixe ali perto daquela mesa.
Ele aponta para uma mesa virada entre os destroços de o que parecia ser uma sala.
– Você precisa de atendimento médico rápido..
– Eu sou médico... e sei que ter me arrastado, e me esforçado até aqui, custou meu tempo de vida "extra". Não passo de hoje......hum, você é?
– Contra-almirante, Belle-mére, a seu dispor.
– Haha...cof..cof...sem formalidades, já não tenho tempo para isso. Aqui esta bom.
Ela o ajeita sentado ao lado da mesa. Ele busca nas gavetas que estranhamente estavam intactas, e com auxilio de uma chave, ele revela o conteúdo de uma delas: Charutos importados. Ele puxa quatro entregando dois a ela, e acende o seu passando o isqueiro.
– Posso abusar de você, pedindo mais um favor?
– Claro, Comandante. — Ela está séria. Sua mente sentia pena por ele, ao mesmo tempo que tentava buscar uma forma de ajuda-lo.
– Aprecie comigo essas belezinhas por um..... tempo.
Ela pega o charuto e se acomoda ao lado dele. Eles ficam ali tragando o charuto, sem dizer uma palavra por um tempo. O charuto de Belle-mére acaba, e no mesmo instante ela percebe o braço do Comandante, caindo para o lado, e o charuto que ele segurava, vai rolando até o pé dela.
As lágrimas que ela relutava em derramar, saim por si mesmas, e ela pega, seu segundo charuto, levantando acima da cabeça, enquanto abraça seus joelhos se encolhendo.
– Obrigada pela última tragada.
A rosada leva o charuto para a boca e volta abraçar seus joelhos.
Aquilo tinha sido demais para ela, naquele dia.
Nem tudo tinha sido em vão, mas o sentimento de culpa, era forte.
• • •
– BELLE-MÈRE!
– BELL!
– Como isso aconteceu? Onde ela está?
– Acalme-se, Hina sabe que ela está bem.
Um choro pode ser ouvido a poucos metros. Eles correm para lá, e se deparam com Belle-mère chorando, ao lado e de um corpo. Ao redor do corpo estava cheio de sangue, e as roupa dela também.
– Obrigada pela última tragada.
Ela abraça os joelhos.
Ele corre até ela a abraçando em silêncio. Não precisava de nenhuma palavra para entender o que se passava ali.
– Estamos aqui agora, Bell-chan.
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