Coragem - HitsuKarin
1 Capítulo único
Notas iniciais
Era início de manhã em Karakura. As irmãs Kurosaki preparavam-se para mais um dia de escola. Uma manhã "animada" como o habitual naquela casa, a única diferença era a ausência de Ichigo, que continuava com os seus afazeres de shinigami substituto e no tempo livre, saía com Inoue Orihime.
Karin e Yuzu seguiram caminhos diferentes assim que chegaram à escola. A morena adorava a irmã, mas agradecia não ter calhado na mesma sala. Pelo menos, nesse meio tempo, podia se deixar levar pelos pensamentos sem ter que dar satisfações a ninguém. Karin tinha uma pequena ideia do que se tinha passado quando o seu pai e irmão "desapareceram" e perguntava-se se ele estava bem.
Ela já não via o capitão de gelo desde que Ichigo recuperou os seus poderes, e nessa altura também não tiveram tempo para conversar. Durante a batalha, ela não tinha o pai nem o irmão para proteger a cidade. Antes de Urahara Kisuke se juntar aos mesmos, ele forneceu produtos suficientes para as ajudar. Yuzu não conseguia ver os espíritos, mas ela tinha a reiatsu elevada, o que atraía hollows até si. Com a ajuda de uma pulseira, a sua reiatsu ficava escondida, livrando-a de perigo.
Vez ou outra, Karin lutava contra hollows. Ela agradecia imenso aos treinos que teve com Yoruichi, graças a isso, era bem mais rápida e conseguia usar alguns kidous, contudo, ficava esgotada mais depressa.
- Não vale a pena queimar o teu único neurónio a pensar como fazer para ficares linda como eu, já não tens solução Kurosaki.
A morena estava tão distraída que não se apercebeu do sinal tocar indicando o fim da aula.
- Ninguém quer ser como tu Asuka, ignorante. — Karin sorriu sarcástica e desafiou-a com o olhar.
Nunca que um Kurosaki se rebaixaria, principalmente para pessoas como Asuka. A princesa da sala, snob, arrogante e acima de tudo, ignorante. A ruiva olhava incrédula para a Kurosaki, como assim alguém a ousou enfrentar? — Isso não vai ficar assim Kurosaki.
Karin ignorou a colega seguindo o seu caminho para o campo de futebol. Ela já não jogava com tanta frequência, a escola não tinha uma equipa feminina e não a aceitavam na equipa masculina, mesmo jogando melhor que muitos rapazes. Mas era lá que se sentia bem, na sua paz de espírito.
Mais uma vez, deixou-se divagar sobre o pequeno capitão de cabelos brancos e olhos turquesa. De quando o conheceu pela primeira vez, quando ele a ajudou no jogo de futebol. Ela lembrava-se vagamente de quando o viu pela última vez, que ele tinha crescido um pouco, o cabelo rebelde estava ligeiramente diferente e aquele cachecol a fazer contraste com a cor dos seus olhos.
Os pensamentos da Kurosaki são novamente interrompidos, porém, desta vez, com uma bola que parou ao seu lado. Ela pega na bola, olhando para a mesma e a vontade de jogar voltava com a força toda.
- Kurosaki-san! Peço desculpa, não a queria incomodar. — A morena estava tão absorta em pensamentos que não se tinha apercebido da presença do dono da bola de futebol.
- Ah! Shirogane-san! Não tem problema, eu que estava distraída. — Ela responde ao rapaz ainda sem soltar a bola.
Shirogane Sota, um rapaz de olhos azulados e cabelo castanho. Ele sabia da paixão da Kurosaki pelo futebol e achava injusto não a deixarem entrar na equipa. Na verdade, Shirogane admirava Karin pela sua maneira de ser, podia-se dizer que era apaixonado pela morena e a maneira mais fácil de se aproximar dela seria pelo futebol.
- Né Kurosaki-san, se quiser, eu durante o fim-de-semana costumo me juntar com uns amigos para jogar...
A morena olhou incrédula para o rapaz à sua frente. Era a primeira vez que a estavam a chamar para jogar desde que entrou naquela escola.
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Karin pretendia passar na loja de Urahara para conversar com Yoruichi, então apenas disse à irmã que ia ver o por-do-sol antes de voltar para casa. Já era habitual fazer isso. Contudo, assim que chegou ao portão da escola, Shirogane encontrava-se lá à sua espera.
- Olá Kurosaki-san! — Falou o rapaz com um sorriso assim que a viu chegar.
Karin olhou desconfiada para o mesmo, porque ele decidiu falar com ela assim tão de repente, mas respondeu. — Hum, Shirogane-san. Precisa de alguma coisa?
O maior olhou para ela um pouco nervoso. Tinha criado coragem para a encontrar no portão, mas agora não sabia o que responder. — A-ah... Não é nada... — O rapaz parecia perdido aos olhos da Kurosaki. — Para que lado vai? — Karin mais uma vez estranhou, mas respondeu apontando para o lado direito. — Posso lhe acompanhar? Também vou nessa direcção.
A morena apenas deu de ombros e seguiu o seu caminho com Shirogane ao seu lado. . Ela tentava controlar a sua reiatsu para não ter nenhuma surpresa desagradável pelo caminho, principalmente com o rapaz ao seu lado. Seria muito problemático.
Ainda faltava um bocado para chegar à loja de Urahara. Karin não sabia onde Shirogane morava, se ficava antes ou depois da loja, mas já estava a começar a ficar incomodada com a presença do rapaz. Ele seguia o caminho todo calado, dando apenas alguns chutes na bola, que a fizeram lembrar de outro momento com o capitão do décimo esquadrão.
Felizmente, ou não, tinham chegado onde a morena queria. Rapazes não gostam de compras, principalmente de esperar por alguém que faz compras, seria a oportunidade perfeita para se ver livre dele.
- Eu fico aqui. Obrigada por me acompanhar Shirogane-san.
O maior olhou o letreiro de onde pararam, nunca tinha visto aquela loja antes e também não ia desistir de tudo agora.
- Eu espero Kurosaki-san. — Respondeu ele já entrando no estabelecimento.
- Boa tarde Urahara-san. — Cumprimentou Karin, assim que viu o homem de chapéu e leque. — Certeza Shirogane-san? Eu ainda vou demorar. — Karin tentava de tudo para fazer o colega mudar de ideia, mas era inútil, com um suspiro logo dirigiu-se ao dono da loja mais uma vez. — Urahara-san, cadê Yoruichi-san?
- Está lá dentro Karin-san. Precisa de mais alguma coisa? Posso colocar numa sacola enquanto conversam.
- Sim por favor. — Ela olhou em volta e reparou que Shirogane parecia atento, até de mais, à sua conversa. Urahara percebeu também que o rapaz estava bastante interessado em tudo que a Kurosaki fazia e dizia. — O habitual Urahara-san. — Logo ela foi para dentro, sendo seguida pelo olhar atento do colega.
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- Aaaaahhh! Que nervos! — Karin "gritou" assim que se sentou de frente para Yoruichi, que ainda estava na sua forma de gato. — Eu juro que não entendo as atitudes daquele rapaz. Só queria ter um bocado de tempo para mim.
Yoruichi olhava tudo atenta. Ela gostava da Kurosaki, da sua atitude, da sua garra, mas sabia que por baixo daquela pequena mulher valente, existia uma menina frágil que precisava de amor e do carinho de uma mãe. E a ex-capitã considerava a morena como uma filha. Voltando para a sua forma humana e vestida, ela deitou a cabeça de Karin nas suas pernas e foi lhe afagando os cabelos.
- Que foi Karin? Hitsugaya-taichou apareceu e já te tirou do sério?
Karin levantou-se num pulo e com cara assustada pelo comentário da mais velha. — O Toushiro? Não! Claro que não. Não vejo o Toushiro à muito tempo. Porquê?
- Ora. Chegas aqui a reclamar de um rapaz. Quem mais poderia ser?
- Porquê o Toushiro? Eu n-
- Não me tentes enganar Karin, sei bem que gostas do Hitsugaya-taichou. — Yoruichi completou, voltando a fazer a menor se deitar de novo. — Se não é do capitão que estamos a falar, é de quem?
- Shirogane Sota, um colega da escola que começou a falar comigo do nada hoje e decidiu me seguir até aqui. — Karin suspirou, estava cansada e não era de matar hollows. — Mas não foi para isso que aqui vim. — A morena logo se recompos e voltou a se sentar de frente para Yoruichi.
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Urahara olhava atento para o rapaz. Era apenas um humano comum, não tinha porque se preocupar, mas notou o olhar incomodado da Kurosaki com a sua presença. Sorriu de lado, estes jovens eram como um livro aberto.
- Shirogane-san, correto?
O rapaz olhou para o mais velho confuso, pelo que entendeu ele era o dono daquela loja, pelo menos foi o que percebeu, visto que a Kurosaki o tinha chamado pelo nome que estava no letreiro.
- Precisa de algo? Procura algum produto em específico?
- Ah! Não obrigado. Estou só a acompanhar a Kurosaki-san. — O menor logo respondeu, queria que Karin se despacha-se logo, não se sentia confortável com aquele homem a olhar para si.
- Hum... Estou a ver... — Urahara murmurou. — Hitsugaya-san sabe? — O loiro perguntou com o olhar sombrio por baixo do chapéu com o leque a esconder o sorriso de deboche.
- Quem?
- Urahara-san tem aí a minha sacola? — Karin apareceu, interrompendo a conversa dos dois, com Yoruichi no seu colo. — Obrigada Yoruichi-san, volto amanhã. — Ela falou para o gato que tinha nas mãos, deixando Shirogane ainda mais confuso
"Ela esteve este tempo todo a conversar com um gato?"
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Karin sentia-se melhor após falar com a ex-capitã, porém, ainda se sentia incomodada com a presença de Shirogane e o seu súbito interesse. Antigamente ela já teria dito algo para o afugentar, mas prometeu a Yuzu controlar as palavras.
- Shirogane-san, obrigada pela companhia, mas queria seguir o resto do caminho sozinha. — A Kurosaki falou, esperançosa que ele percebesse que não queria a companhia dele.
- Mas-
- Por favor. — A morena cortou antes que ele tentasse algum argumento.
O rapaz baixou os ombros derrotado. — Tudo bem Kurosaki-san, obrigado pela tarde. Até amanhã.
A mais baixa acenou com a cabeça e observou Shirogane se afastar na direcção oposta. Soltou um suspiro cansada e seguiu para a colina que o capitão adorava para ver o por-do-sol. Aproveitou esse tempo para refletir sobre a sua vida. Diferente de Yuzu que já sabia o que fazer no futuro, ela não fazia deia do que queria para o seu futuro, apenas vivia o presente. Karin sabia que o que tinha pedido a Yoruichi era imprudente, mas tendo em conta a sua personalidade, ninguém iria culpar a ex-capitã do segundo esquadrão. Com um pequeno sorriso no rosto e um pouco de esperança, abandonou o local que passara a visitar todas as tardes e foi para casa.
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Na manhã seguinte, as irmãs Kurosaki caminhavam juntas para a escola. Yuzu falava o quanto achava um menino da sua sala interessante e por mais que Karin quisesse tomar atenção ao que a irmã dizia, os seus pensamentos estavam na conversa que teve com Yoruichi. Ela não via a hora do dia chegar, estava ansiosa.
Ao chegarem à escola, são surpreendidas por um rapaz alto de cabelos acastanhados que aguardava pela Kurosaki de cabelos e orbes negros.
- Bom dia Kurosaki-san. — Ele cumprimentou assim que as viu, dando apenas um aceno de cabeça para a outra ligeiramente envergonhado.
- Shirogane-san? Bom dia. — Karin respondeu, mais uma vez desconfiada pelo súbito interesse do rapaz por ela.
- Novo namorado Karin-chan? — Yuzu perguntou com um sorriso que Karin conhecia, estava a ser provocada pela irmã. — Então e o Hitsug-
- Yuzu! — Karin repreendeu a irmã com as maçãs do rosto rosadas. — Shirogane-san é apenas um colega ok? Vem, vamos para dentro. — A morena puxou a irmã pela mão deixando para trás um Shirogane cabisbaixo e pensativo.
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No fim-de-semana, Karin foi até ao parque indicado por Shirogane. Podia se sentir incomodada na presença do mesmo, mas era para jogar futebol e não estavam sozinhos. Ela tinha o seu cabelo preso num rabo de cavalo alto, e vestia uns calções que iam até meio da coxa e uma t-shirt larga que quase cobria os calções por completo. Não gostava de roupas justas e percebeu que com o desenvolver do corpo, os rapazes a olhavam de maneira diferente e ela não se sentia confortável. Já lhe chegava ter que usar saia na escola.
Assim que chegou ao parque pode ver o campo de futebol e nele, Shirogane junto de um grupo de rapazes que rondavam a mesma idade.
- Kurosaki-san! — Shirogane chamou a morena assim que se apercebeu da sua presença. — Sempre veio. — Falou ele com um sorriso.
- Claro. Estou sempre pronta para jogar. — Karin respondeu com outro sorriso.
A tarde passou a correr. Quando Karin se apercebeu, o sol já se começava a por, indicando que já deveria ir para casa. A morena preparava-se para se despedir do grupo quando é surpreendida ao ver alguém familiar se aproximar.
- Yoruichi-san?! Que faz por aqui? — A Kurosaki perguntou se esquecendo completamente de onde estava.
- Está tudo bem Kurosaki-san? — Shirogane perguntou. "Outra vez esse gato? Como chegou até aqui?" Pensou confuso.
- Sim sim. Eu tenho que ir. Obrigada pela tarde pessoal. — Karin respondeu apressada, pegando Yoruichi no colo e indo embora.
A Kurosaki andava apressada com Yoruichi nos braços. Mil pensamentos passavam pela sua cabeça do porquê da mais velha ter ido à sua procura. Será que o dia que tanto esperava tinha chegado? Quando viu que estava num área longe da população, parou e soltou Yoruichi. A mais velha percebeu o nervosismo e a confusão no olhar da pequena. Era engraçado como Karin se deixava ficar vulnerável quando estava na sua presença.
- Podes relaxar Karin, tenho apenas uma surpresa para ti. Pode ser que não precises fazer aquilo. — A mulher gato falou tentando acalmar a Kurosaki, mas viu ainda confusão no olhar. — Kisuke recebeu uma mensagem a avisar que alguns shinigamis viriam para cá. O motivo não sei, mas-
- Isso quer dizer... — Karin interrompeu a fala de Yoruichi com um tom esperançoso e um pequeno sorriso aparecia na sua face.
- Sim. — Yoruichi respondeu simplista e viu o quanto a mais nova sorriu com a notícia.
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O resto do fim-de-semana passou a correr e mais um dia de aulas se iniciava. Naquela manhã, Ichigo estava em casa e Karin sabia o porquê. Pelo menos, naqueles dias, teriam a presença do irmão em casa. Yoruichi tinha lhe informado no dia seguinte que eles chegariam pelo meio da manhã e a vontade de faltar às aulas era enorme, porém, Yuzu não permitiria. A mais nova conseguia ser bem assustadora quando queria.
As gémeas despediram-se do pai e irmão e seguiram para a escola, como era habitual. Yuzu notou que a irmã estava mais agitada que o normal e ponderava se deveria ou não perguntar o motivo.
- Né Karin-chan, porque parece ansiosa? — A morena olhou para a irmã surpresa, ela não sabia que demonstrava tanto assim.
- Bem... Eu soube que a Rukia-san chega hoje com mais alguém.
Yuzu olhou desconfiada para a irmã. — Rukia-chan? Hum... Quem mais?
A outra olhou surpresa para a mais nova, precisava fugir daquela conversa. Voltou a colocar a sua cara de desinteresse e respondeu curta. — Não sei.
- Certeza Karin-chan?
- Bom dia Kurosaki-san!
Karin nunca pensou em ficar tão aliviada com a presença de Shirogane, agradeceu mentalmente ele ter aparecido, pelo menos agora conseguia fugir da irmã.
- Bom dia Shirogane-san. — A morena cumprimentou o rapaz. — Vamos para a sala? — Ela nunca pensou que faria tal coisa, mas se era para fugir à perspicácia da irmã, teria que ser.
O rapaz olhou confuso de Karin para Yuzu, mas aproveitou o momento, acenou para a mais nova e seguiu a colega para a sala. Quanto mais a Kurosaki queria que o tempo passasse, mais parecia que demorava. Assim que o sinal tocou, indicando o fim das aulas, Karin andou com um passo apressado, queria sair logo dali. Ia tão distraída que não percebeu a presença de alguém logo atrás dela.
Ao chegar aos portões da escola é parada por Shirogane. — Kurosaki-san! — Karin olha para ele assustada por não o ter notado antes. — Porquê tanta pressa? — O olhar de susto inicial muda para irritação, não era conta dele. — Queres ir jogar agora lá no parque?
- Karin-chan. — Agora era Yuzu que chamava. A mais nova parecia querer dizer alguma coisa.
- Será que podem me deixar em paz?! — A Kurosaki mais velha gritou, assustando os presentes e também quem passava por perto.
Yuzu encolheu-se ligeiramente assustada pelo tom de voz da irmã e Shirogane recuou um passo. A morena sabia que se ia arrepender de ter falado daquela maneira, mas no momento ela só pensava em sair dali. Tinha esperado tanto por aquele dia que os nervos estavam à flor da pele.
- Ói Kurosaki. — Uma voz diferente foi ouvida, atraindo a atenção dos três. Yuzu sorriu, logo entendendo o motivo da irmã estar mais agitada, e Shirogane olhava confuso para a pessoa à sua frente, tanto por conhecer a Kurosaki, como pela sua aparência diferente.
- Toushiro... — Karin sussurrou quando os seus olhos se cruzaram com os turquesa do rapaz à sua frente.
O capitão fez um movimento com a cabeça indicando à Kurosaki mais velha para o seguir e cumprimentou a mais nova com um leve acenar. Hitsugaya não esperou uma resposta e saiu.
- Oe Toushiro, espera seu pirralho!! — Karin gritou após recuperar do choque inicial e correu atrás do albino, deixando so outros para trás. "Ele já não parece mais um pirralho" Pensou ela enquanto observava as costas do amigo.
Yuzu sorriu mais uma vez antes de se despedir do rapaz ao seu lado e seguiu para casa. Imaginava que teria bastante gente em casa então queria caprichar no jantar.
A Kurosaki mais velha conhecia o caminho que o capitão de gelo fazia. Afinal, ela ia para lá todos os finais de tarde. Ao chegarem à pequena colina, atravessaram a faixa e sentaram-se no gramado, lado a lado. Estiveram alguns minutos sem dizer nada, apenas a aproveitar o momento e a companhia um do outro.
- Né Toushiro... — Karin chamou quase num sussurro. — Porque demoraram tanto para voltar? — A morena sabia que tinha havia uma guerra, e que não tinha sido fácil, que até o seu pai participou, assim como Urahara e Yoruichi, mas não entendia o porquê dele não ter vindo ao mundo humano mais cedo.
- Muita coisa aconteceu... — O capitão respondeu com o olhar fixo no horizonte enquanto se recordava dos momentos nada bons. — Houve muitas mudanças. — Ele respondeu simples, esperando que ela percebesse que era um assunto delicado e que ele não se sentia muito confortável a falar do mesmo.
- Hum... Por acaso houve mudanças. Já não pareces um aluno do fundamental! — Karin respondeu com deboche.
- Ora sua...!
A Kurosaki gargalhou e Hitsugaya entendeu. Ela mudou de assunto, aliviando a tensão.
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Durante toda a semana, o capitão de gelo aparecia na escola, na hora das gémeas sair. Algumas vezes ia fora do gigai, sendo visto apenas pelas Kurosaki. Ele não foi com a cara do colega de Karin, Shirogane. Não gostava de como ele olhava para a morena.
A meio da semana, Shirogane descobriu que o rapaz de cabelos estranhamente brancos era Hitsugaya. O nome que lhe foi mencionado duas vezes. O rapaz não gostava em como a Kurosaki ignorava tudo e todos desde que o albino apareceu. Felizmente o fim-de-semana se aproximava e Shirogane sabia que a morena não recusava uma partida de futebol.
- Kurosaki-san! — Shirogane chamou vendo-a se aproximar do tal Hitsugaya. — Amanhã lá no parquinho? — Ele perguntou com um sorriso. Conseguiu ver o outro rapaz levantar uma sobrancelha e o olhar como se o quisesse matar.
- Desculpa Shirogane-san, desta vez não vai dar. Fica para a próxima. Vamos Toushiro.
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Aquele seria o último fim de tarde que passariam ali juntos. A Kurosaki não queria admitir, mas já começava a ficar com saudades do capitão. Ela percebeu que ele estava um pouco inquieto desde que chegaram à colina. Estava constantemente a colocar a mão no bolso e sentia o olhar dele em si.
- Aquele teu amigo é bem persistente. — Hitsugaya comentou, atraindo a atenção da mesma.
- Hum? Shirogane-san? É apenas um colega de sala. — Ela respondeu. — O outro dia chamou-me para jogar futebol e desde então não descola, chega a ser chato às vezes.
- Huumm
Continuaram o resto do tempo sem trocar uma palavra, mas não era incomodo para eles. Contudo, Karin continuava curiosa, o capitão continuava a ir com a mão ao bolso, parecia pensativo.
- Né Toushiro. — Karin chamou, recebendo um murmúrio como resposta, indicando que estava a ouvir. — O que tanto mexes aí no bolso? Sei que não é comichão no saco.
Hitsugaya olhou para ela espantado. Era possível ver um pequeno rubor nas maçãs do seu rosto, só não se saberia se era por ela ter percebido que ele tinha algo no bolso ou se foi pelo comentário nada discreto.
- Tsc. — O albino estalou a língua, tentando dissipar a vergonha repentina e estendeu a mão na direcção de Karin. — Aqui.
A Kurosaki pegou na pequena caixa e abriu a mesma. Os seus olhos brilharam ao ver o conteúdo da mesma. Um colar com um pequeno pingente de uma flor de narciso feita em gelo.
- É lindo Toushiro, obrigada. — Karin sorria sem tirar os olhos do colar.
- É feito com o Hyorinmaru, então não irá derreter. — Ele comentou observando o olhar fascinado da morena. — Essa flor é a que simboliza o 10º bantai. — Hitsugaya falou voltando a desviar o olhar para esconder o rubor da sua face.
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O dia que o capitão voltaria para a Soul Society chegou num piscar de olhos. Karin não conseguiu estar presente na chegada, mas fez questão de estar na partida, era fim-de-semana, então não havia motivos para não a deixarem ir.
- Karin-chan~!! — Exclamou Matsumoto ao mesmo tempo que dava um abraço bem apertado à pequena.
- Rangiku-san. Prometo que na próxima vez que cá vier irei contigo às compras. — Falou Karin sentindo pena da tenente que durante toda a semana, sempre que a via, pedia o mesmo, mas o capitão arranjava sempre uma maneira de Matsumoto não "roubar" Karin de si.
- Viu só Taichou? Temos que voltar logo então. — Cantarolou a mulher.
Karin sorria vendo o entusiasmo da tenente do 10º esquadrão. O restante do grupo também parecia ocupado e entretido enquanto se despediam. Rukia e Renji faziam pouco de Ichigo por algo que a irmã não fazia ideia. Tinha também um careca e outro um pouco excêntrico que a Kurosaki decidiu ignorar e por fim, tinha Toushiro. Karin percebeu o semblante do mesmo ficar mais tenso quando Rangiku mencionou voltarem lá.
- Toushiro. — O capitão olhou para os olhos onix. — Quando voltas? Promete que não vais estar anos sem visitar outra vez. — Karin pediu, colocando a mão no peito, onde se encontrava o pingente escondido pelas roupas.
- Eu... eu não sei. É complicado... — Ele desviou o olhar, não conseguia olhar na cara da morena e ver o desespero e a tristeza no seu olhar. — Eu vou tentar Karin.
A morena sorriu. Sorriu porque o capitão prometeu que voltaria, mas principalmente, porque ele a chamou pelo primeiro nome. Alheios a tudo, não perceberam que uma pessoa estava atenta à conversa e interação dos dois.
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Mais de meio ano se tinha passado desde a última visita dos shinigamis ao mundo humano. Karin queria gritar de frustração. Ela sentia um turbilhão de coisas dentro dela. Sentia raiva de si mesma, sentia-se traída pelo capitão não ter cumprido a promessa de voltar logo, mas acima de tudo, sentia tristeza e saudade do mesmo. Foi com isso em mente que a Kurosaki se dirigiu para a loja de Urahara. Estava decidida em seguir com o se antigo plano para a frente.
- Seja bem-vinda Karin-san! O que a trás por aqui? — Urahara cumprimentou a mais nova com o seu sorriso habitual escondido pelo leque.
- Olá Urahara-san. Venho conversar com Yoruichi-san. Ela está?
- Lá dentro. — Informou o ex-capitão, vendo a Kurosaki seguir para os aposentos da loja. Ele não era burro, sabia o porquê das visitas da pequena. Só mesmo uma pessoa como Ichigo que não notaria, ou melhor, não sentiria a pequena quantidade de reiatsu que acompanhava a Kurosaki desde à 6 meses e que não pertencia à mesma.
- Oh Karin! Que surpresa! — Yoruichi exclamou assim que viu a menor entrar no seu quarto. Diferente das outras vezes, encontrava-se na sua forma humana.
- Olá Yoruichi-san. — Karin cumprimentou a mulher à sua frente e acomodou-se sem cerimónias, ela já era da casa praticamente.
- Imagino o porquê da visita... — Murmurou a ex-capitã e viu o olhar de Karin entristecer. — Sabes que é perigoso...
- Perigo é o meu nome do meio. — Interrompeu Karin, fazendo Yoruichi soltar uma gargalhada.
- Ok, eu usarei os meus métodos para convencer o Kisuke a ficar calado. — A mulher gato falou com um sorriso travesso no rosto. — Mas agora Karin, mostra-me lá isso que tens no pescoço que irradia reiatsu de Hitsugaya-taichou.
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Uma semana após a conversa que teve com a ex-capitã, o dia finalmente tinha chegado. Ichigo havia sido chamado para uma reunião na Sereitei e aquela era a oportunidade que Karin tanto esperava.
Saiu primeiro que o irmão em direcção à loja de Urahara. Poderia ter saído depois, até porque Kurosaki Ichigo não era a melhor pessoa a sentir reiatsu, principalmente de humanos, mas não queria correr o risco de ser interrompida pelo pai ou Yuzu e acabar por não chegar a tempo.
Pouco tempo depois, Ichigo chegou à loja de Urahara, que já aguardava pelo mesmo com os portões abertos. O shinigami daikou atravessou os mesmos, sendo acompanhado por uma borboleta infernal. Uns segundos a seguir foi Karin, sem o irmão perceber a sua presença.
- Yoruichi-san, ela sabe que aquilo vai atrás dela certo? — Urahara perguntou ligeiramente preocupado. — Bem, em certo ponto, isto até trás boas lembranças.
- Eu avisei que seria perigoso e expliquei tudo o que deveria saber. — Respondeu a ex-capitã. — E eu não me quero lembrar daquela altura. Ichigo quase arrancou a minha cauda! — Resmungou ela. — Agora... Vens ou não Kisuke? — Perguntou Yoruichi sedutoramente ao mesmo tempo que se dirigia para os aposentos.
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As pernas já estavam fracas de tanto correr e sentia-se a ficar sem fôlego. Ter deixado de jogar futebol com tanta frequência deixou-a com menos resistência. Yoruichi havia lhe avisado dos perigos, sendo o principal, o motivo de estar a correr.
Após ter atravessado o portão, seguiu em frente até porque era o único caminho que tinha, mas uns minutos depois, ouviu algo atrás dela e desde então não parou de correr, se o fizesse, estaria morta. Finalmente ela conseguiu ver uma luz ao fundo do túnel, literalmente, e correu mais ainda em direcção à mesma..
- Aaaaahhh! Consegui. — Murmurou Karin enquanto tentava recuperar a respiração.
Quando se sentiu estável, começou a observar tudo à sua volta. Ela estava numa espécie de vila. Pelo que se lembrava do que Yoruichi lhe tinha ensinado, estaria em algum distrito de Rukongai, que era para onde as almas eram enviadas após a morte. Teria que arranjar uma maneira de encontrar o capitão de gelo, mas não sabia como.
Decidiu caminhar um pouco por aquela "vila", poderia ser que assim ajudasse a ter alguma ideia. Percebeu as caras que eram direcionadas a si. Ela sabia que as almas não gostavam de quem tinha uma reiatsu elevada, mas a sua estava escondida. Até que se lembrou. As suas roupas. As roupas eram completamente diferentes, o que acabava por chamar à atenção. Era apenas umas calças jeans pretas, uma t-shirt e um casaco desportivo, que de momento se encontrava amarrado à cintura.
A Kurosaki decidiu ignorar tais olhares, até porque não fazia da personalidade dela ligar para o que os outros diziam. Andou mais um pouco e chegou a uma espécie de floresta. Ela estava decidida a entrar, mesmo sabendo que seria perigoso, porém, um barulho vindo da mesma, na sua direcção, a deixou em alerta.
Assim que sentiu aquilo se aproximar, mandou uma voadora, sem nem olhar, e acertou em cheio. Sentia-se orgulhosa. Mas "treinou" a vida toda com o seu pai. "Pelo menos aquele velho serviu para alguma coisa" Pensou Karin. Após se recompor foi ver o que era que vinha na sua direcção e assustou-se ao ver um homem com a cabeça quase enterrada do pontapé que levou.
- Estás louca menina? Queres me matar?! — Exclamou o homem, que se levantou num pulo. Karin suspirou de alívio por ver que ele estava bem.
- Eu que digo isso! Você vinha para cima de mim numa velocidade absurda. Podia me ter matado! — Reclamou a morena chateada.
- Ora sua... Ah! Não tenho tempo para isto. A onee-san vai me matar se chegar atrasado. — O homem falou com as mãos na cabeça e começou a correr.
- Espere! — Gritou Karin, fazendo-o parar. — Será que me pode ajudar? Eu preciso ir num lugar mas estou perdida.
- E onde seria esse lugar?
- Preciso ir ao 10º bantai.
- Não! Nem pensar garota. Tchau.
A Kurosaki olhou incrédula para o homem que lhe virou as costas e desapareceu num instante. Mas Karin não era burra, ela conseguia saber para onde ele foi, bastava seguir o rasto que ele deixou. E se ele não queria ajudar, com sorte, a tal "onee-san" podia ser simpática e ajudá-la a encontrar o capitão.
Sentia-se cansada e com fome. Depois de correr tanto para sobreviver, agora caminhava pelo que lhe pareciam horas, estava exausta. Ao fim de um tempo, chegou onde supostamente aquele homem ia. A morena olhou atentamente para o edifício à sua frente. Era bem diferente dos que estava habituada e... Único. Aquilo eram mãos?
A Kurosaki não teve muito tempo para observar a "casa" à sua frente pois uma explosão foi ouvida de dentro da mesma. No instinto, ela correu para lá para ver se estava tudo bem. Qual não foi sua surpresa, ao ver o homem de antes, de joelhos em frente a uma mulher a pedir desculpas.
- Desculpa onee-sama! Mas uma pirralha quase me ia matando e-
- Ei! Quem é que estás a chamar de pirralha seu desgraçado?! — Interrompeu Karin, esquecendo-se por um momento do que se passava à sua volta.
- Oh?! Estás a dizer que foi por causa dela que te atrasaste? Hun?! — A mulher tinha um olhar assustador. — Seu-
- Espere! — Karin voltou a interromper, mas desta vez para "salvar" o homem. Até porque ela sentia um pouco de culpa. — Eu posso explicar o que se passou. — Ela falou confiante, mas ainda com certo medo do olhar daquela mulher. A mulher ainda segurava no homem pelos colarinhos enquanto aguardava a Kurosaki falar. — Eu estava na entrada da floresta quando senti algo a vir na minha direcção. Por instinto, acabei por dar uma voadora quando o senti chegar perto. Ele ia me matando! Mas isso não vem ao caso. Depois perguntei se ele não me podia ajudar. Ele recusou, mas eu o segui na esperança de haver alguém aqui que me consiga ajudar.
A mulher ouviu tudo que Karin disse com atenção. Gostou da garota, ela parecia ter atitude, a lembrava de quando tinha a sua idade.
- Hum... Estou a ver... Vinha da floresta...? — O homem já suava frio, já sabia o que lhe esperava. — Seu inútil!
- Onee-san! Por favor!
Tudo que a Kurosaki se lembra é de ouvir aquele homem a suplicar e logo a seguir, mais uma explosão, que para sua surpresa, não a atingiu de maneira alguma. A mulher largou-o num canto e levou Karin para uma espécie de sala e serviu-lhe um chá e biscoitos, que ela agradeceu imenso.
- Então... Como é o teu nome mesmo? — A mulher perguntou e Karin engasgou-se. Seria boa ideia dizer o seu sobrenome? Ela não era pessoa de se preocupar com esses pormenores.
- Kurosaki Karin.
- Kurosaki? Não admira que conseguisses parar o idiota do Ganju. — A morena olhou confusa. — Ganju é meu irmão, um idiota. — A mulher respondeu, entendendo o olhar de Karin. — Suponho que sejas irmã do Ichigo.
- Sim! Conhece-o? — Karin perguntou entusiasmada. Afinal aquela mulher não era assim tão assustadora.
- Claro que sim! Esse idiota deu-me bastante trabalho quando veio cá pela primeira vez.
A Kurosaki riu pelo comentário, não era de admirar. Principalmente se a sua primeira visita aquele mundo foi tão agitada como a dela. Karin sentia-se confortável na presença daquela mulher, que pouco tempo depois veio a descobrir que era sua familiar. Shiba Kukkaku. A família da parte do pai que nunca conheceu, ou melhor, nem sabia que existia.
- Então qual é o motivo da tua visita Karin? — Kukkaku perguntou por fim, curiosa. Não foi para conhecer família de certeza.
- A-ah bem... — Karin ficou nervosa de repente. — Eu queria ir até ao 10º bantai... — Ela murmurou enquanto olhava para baixo. Tinha medo de ter uma resposta como a que Ganju lhe deu mais cedo.
- Estou a ver... Mas sinto muito. — Karin olhou decepcionada para a mulher à sua frente. — Não é que eu não queira ajuda, simplesmente não consigo. — Ela justificou-se de imediato. — Nós não temos permissão para entrar na Sereitei.
- Entendo. — Respondeu Karin e Kukkaku logo percebeu algo diferente.
- Mas não te preocupes Karin. Pelo que percebi, ele mesmo vem ter contigo. — A mulher falou enquanto apontava para o peito da pequena.
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A Sereitei estava agitada. Já faziam anos que algo assim não acontecia. Não era nada como a última guerra, longe disso. À umas horas mais cedo, logo após Kurosaki Ichigo chegar para a reunião, o alerta de um ryoka foi dado. Este encontrava-se algures por Rukongai. Os capitães que estavam nos seus lugares prontos para a reunião acontecer, foram instruídos para capturar o ryoka vivo.
"Mestre" O capitão de gelo ouviu a voz da sua zanpakutou assim que sentiu uma reiatsu no ar, um pouco longe, mas sentiu. "Eu sei Hyorinmaru" Ele respondeu e saiu da sala no shunppo deixando os outros capitães e tenentes sem entender.
- Taichou~!! — Matsumoto gritou pelo capitão mas foi em vão.
A reunião logo foi adiada para mais tarde e todos seguiram com os seus afazeres. Matsumoto seguiu para o seu esquadrão. Não entendia o motivo que fez o seu capitão sair daquela maneira, ele não era assim, impulsivo, só quando estava na presença de-
- Karin-chan! — Exclamou a tenente com um sorriso como se tivesse ganho na loteria.
- Quem Rangiku-san? — Perguntou uma mulher, de estatura mais baixa que a ruiva.
- Hinamori-chan! Não a percebi chegar. — Falou Matsumoto tentando desviar a conversa. — Onde vai?
- O Soutaichou mandou procurar pelo ryoka, mas quando o Shiro-chan saiu senti algo estranho. — Hinamori falou pensativa. — Mas é impossível, deixe para lá. — Completou com um sorriso. — Mas quem é essa "Karin-chan"?
Matsumoto olhou curiosa para a tenente do 5º bantai. — Karin-chan é uma menina do mundo humano, ela tem uma reiatsu elevada. Tanto que nos consegue ver fora dos gigai. Mas o que sentiste Hinamori?
- Hum... Entendo. — A pequena respondeu não muito satisfeita com a explicação da outra. — Senti a reiatsu do Shiro-chan em dois sítios diferentes, mas isso é impossível, então esqueça isso Rangiku-san.
A ruiva despediu-se de Hinamori e seguiu para o seu esquadrão. "Não é impossível quando se faz algo como o taichou fez." Pensou a tenente com um sorriso. Iria fazer o seu trabalho, estava orgulhosa do seu capitão e ele merecia um descanso de vez em quando.
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Karin estava feliz por conhecer mais membros da família, mas estava com medo ao mesmo tempo. Shiba Kukkaku era louca, principalmente na presença de Ganju. A Kurosaki temia pela sua vida dentro daquela casa. Sorrateiramente ela conseguiu sair sem ser vista, aproveitou um dos momentos em que Kukkaku explodia com o irmão por ele ousar lhe responder.
Depois de subir a enorme escadaria, chegou ao exterior. Aproveitou para observar melhor o espaço à sua volta. Não era muito diferente do seu mundo. Tudo bem que aquela casa era bem bizarra e lembrando do "bairro" de quando chegou que parecia o Japão na era Edo, ali não era muito diferente.
Afastou-se um pouco da casa pois ainda era possível ouvir e sentir as explosões. Queria ficar um pouco sozinha para reflectir. Ela já pensava em cometer esta loucura à bastante tempo, mas visto que o capitão de gelo havia prometido voltar na sua última visita, ela desistiu. Contudo, ele parecia que tinha se esquecido, ou fazia de propósito e isso irritou a Kurosaki.
Observava agora o pequeno pingente que trazia consigo pendurado ao pescoço. Desde aquele dia nunca mais o tirou. Lembrava daquela semana com um sorriso no rosto, que foi morrendo aos poucos. Não entendia o porque dele não ter cumprido a promessa. Karin espantou-se quando viu o pingente brilhar, nunca tinha visto tal coisa acontecer e logo de seguida assustou-se com um vulto que lhe apareceu à frente de repente.
- Estás doida Kurosaki? Sabes o quão perigoso é vir até à Soul Society? — A pessoa gritava com ela exaltada e isso irritou-a ainda mais.
- Hun? Fala o senhor capitão que não sabe cumprir promessas. — Respondeu a morena com desdem.
- Não tenho culpa se tenho uma tenente irresponsável que deixa todo o trabalho para mim, me deixando sem tempo para descansar!
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Dentro do escritório do 10º esquadrão, Matsumoto revisava vários documentos quando, do nada, sentiu um arrepio na espinha.
- Credo que mau pressentimento, parecia que tinha aqui o taichou a gritar comigo. — Falou ela sozinha ao mesmo tempo que olhava à sua volta e logo voltando para a pilha de documentos.
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Uma borboleta voava para longe e Karin olhava fascinada. Hitsugaya havia enviado uma mensagem ao Soutaichou informando sobre a identidade do ryoka, agora só teriam que aguardar uma resposta. Enquanto esperavam, Karin foi agradecer a Kukkaku pela hospitalidade e deu o dedo do meio a Ganju e saiu em disparada.
Sorria alegremente, afinal não tinha sido tão difícil encontrar o capitão, ou melhor, ele é que a encontrou, mas quem liga a esses pormenores, definitivamente que não era Kurosaki Karin.
Caminhavam lado a lado em direcção à Sereitei, em passos lentos. Karin contava como tinha conseguido chegar até ali e Hitsugaya ouvia tudo com atenção, a repreendendo de vez em quando. O capitão temia pela vida da Kurosaki, então quando soube que ela quase entrou na floresta teve que a repreender. E se tivesse aparecido algum hollow? Ficou aliviado quando soube que ela decidiu seguir o idiota do Shiba. Ele admirava o seu antigo capitão, mas aquela família dele era de loucos.
- Né Toushiro. — A morena chamou, sem olhar para o mesmo.
- Hum?
Quando Karin ia voltar a falar, uma borboleta infernal aparece diante do capitão de gelo, a mesma trazia uma mensagem, que Hitsugaya pressupõe que foi entregue a todos os capitães da Gotei 13.
Com um longo suspiro, o capitão falou. — Temos que ir para o primeiro esquadrão, ordem do capitão-comandante.
A morena estremeceu com a notícia. Estava encrencada por ter invadido a Soul Society? Ela não foi lá com más intenções, mas quem iria acreditar nela? Se todos forem tão rígidos como o capitão de gelo, Kurosaki Karin estava ferrada.
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Karin encarava aqueles grandes portões com o número um. Ela sentia a presença de várias pessoas dentro daquela sala, uma mais forte que a outra. Mesmo com medo, entrou de queixo erguido. Hitsugaya tinha entrado primeiro para assumir o seu posto e não criar tanto alarido, apenas Kyoraku Shunsui sabia que tinha sido ele a encontrar o ryoka.
A pequena assim que adentrou na enorme sala, sentiu uma pressão espiritual arrebatadora, porém não se deixou fracassar. Andou até ao centro e curvou-se num ângulo de 90 graus.
- Perdão por ter causado tamanha confusão, não foi minha intenção. — Ela falou sem mudar de posição. Sentia os olhares todos sobre si.
- Podemos saber o motivo da sua inesperada visita menina Kurosaki? — O capitão-comandante perguntou com um sorriso divertido no rosto. Com o apelido da mesma divulgado, foi possível ouvir alguns burburinhos.
- A-ah... Bem... — Ela hesitou, passou o olhar por todos, demorando mais em Hitsugaya, que não passou despercebido pelo capitão do 5º bantai, assim como Kyoraku e Matsumoto. — Eu só queria conhecer o outro mundo do Ichi-nii. — Ela falou por fim, achando a desculpa ideal.
Matsumoto ia dizer algo, Hitsugaya percebeu e antes que a desbocada da sua tenente abrisse a boca, ele soltou um pouco da sua reiatsu, algo bem leve para que só ela sentisse.
- Entendo. — Respondeu o capitão-comandante ainda com o seu sorriso. — Espero que não leve a mal, mas tive que chamar o seu responsável, até porque ele estava preocupado com o seu repentino desaparecimento. — Comentou Kyoraku deixando a pequena confusa. Ichigo não daria pela sua falta, até porque foi ela que o seguiu.
Quando a Kurosaki ia questionar a respeito, os portões são abertos de rompante e alguém corre em direcção à mais nova. No automático, como sendo algo do seu dia-a-dia, Karin chutou aquele que se aproximava, deixando quase todos perplexos por diversos motivos.
- Ah! Masaki! A minha filhinha está a virar uma delinquente igual ao irmão. — A pessoa falou olhando para o nada enquanto fazia um drama.
Aquela sala ficou num total silêncio durante uns segundos. Muitos dos presentes ainda tentavam assimilar tudo que se estava a passar.
- Seu velho dramático. — Resmungou a Kurosaki ao ver as lágrimas falsas do pai.
- Shiba-taichou?! — Matsumoto exclamou surpresa ao ver o seu antigo capitão. — Não acredito que a Karin-chan é filha do taichou... Como não percebi isso antes? — Murmurou a ruiva estupefacta.
- Yo Rangiku, à quanto tempo. — Cumprimentou o Kurosaki mais velho que logo levou o seu olhar para o mais baixo. — Toushiro eu disse que serias o próximo capitão.
- Shiba-taichou... Como...? — Hitsugaya parecia o mais surpreso com aquilo tudo, ele não conseguia desviar o olhar do seu antigo capitão.
- Soutaichou estamos dispensados? — Isshin perguntou, ele sabia que tinha muitas explicações a dar agora. Com um aceno de Kyoraku, Isshin agarrou na filha e antes de sair chamou. — Toushiro porque não nos acompanhas? — Hitsugaya um pouco relutante seguiu para perto dos dois, sentia-se incomodado com os olhares todos em si. — Como cresceste Toushiro! Ah~! Masaki! Temos mais um filho na família! — Exclamou Isshin ignorando completamente todos os presentes.
- Me larga seu velho. — Reclamou Karin, tentando tirar o braço do pai que passava por cima dos seus ombros. — Toushiro faz alguma coisa!
Os capitães e tenentes presenciavam tudo em silêncio até Kurosaki Isshin arrastar os mais novos com ele para fora daquela enorme sala. Ninguém se atrevia a dizer algo, por mais que quisessem. Matsumoto ainda estavam surpresa com a notícia, mas logo sorriu e Hirako Shinji, capitão do 5º bantai, percebeu o desconforto da sua tenente, mas decidiu ignorar por hora, até porque o assunto não lhe dizia respeito.
- Ah, a juventude. — O silêncio foi quebrado pelo capitão-comandante que observou tudo com um olhar sonhador, até de mais, na opinião de Nanao, sua tenente. — Bem, parece que a reunião está terminada, podem seguir com os seus afazeres.
Kurotsuchi resmungou algo por o terem interrompido da sua pesquisa para algo banal e Zaraki alargou o sorriso ao saber que Kurosaki Ichigo se encontrava na Sereitei. Este que se encontrava ainda pelos distritos de Rukongai à procura do ryoka, como estava sozinho, não tinha recebido o recado sobre a reunião e não sabia que o ryoka era na realidade sua irmã.
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Karin esperneava, tentando se soltar do braço do pai, que ainda não tinha largado a mais nova enquanto que o capitão de gelo caminhava ao lado do Kurosaki, seu antigo capitão. O pequeno olhava admirado para o maior e quando parava para pensar, agora fazia sentido o poder absurdo de Kurosaki Ichigo e também o porquê de Karin o conseguir ver.
- Shiba-taichou. — Hitsugaya quebrou o "silêncio", chamando à atenção dos Kurosaki.
- Toushiro, não sou mais um capitão. — O mais velho falou com ternura na voz. — E agora meu nome é Kurosaki Isshin, mas podes me chamar do que quiseres, até de pai, ou sogro. Eu aprovo!
O Kurosaki mais velho falava com tanto entusiasmo, mas sempre atento aos mais novos, e soltou uma gargalhada quando viu as reacções dos mesmos com o seu comentário. Ele não era burro, apenas se fazia de idiota, mas percebeu sempre dos encontros que os dois tiveram no mundo humano. Ele apenas queria a felicidade dos seus filhos e esperava que Toushiro, o rapaz que sempre seguiu as regras da Soul Society, tomasse a decisão mais acertada.
Hitsugaya não queria acreditar na audácia do seu antigo capitão. Não sabia como ele conseguia falar aquelas coisas com tanta naturalidade. Se não o chamaria por taichou como deveria chamá-lo? Kurosaki seria muito estranho, pois já chama assim pelo shinigami substituto e por vezes Karin também. Isshin seria muito ousado, muito íntimo, afinal de contas, ele já foi seu superior e é pai da Kurosaki.
- K-Kurosaki-san. — O albino falou hesitante, esperando pela reacção do maior. Assim que teve a atenção do mais velho continuou. — Porque foi embora assim de repente? Sem dizer nada? O que aconteceu? Pensei que tinha morrido...
A mais nova olhava atenta para os dois homens, pela primeira vez estava a ver um Hitsugaya Toushiro diferente, nada a ver com a sua personalidade de indiferença.
- Sabes Toushiro, um homem é capaz de tudo por amor. — Isshin falava com ternura, lembrando de Masaki. — Um dia irás perceber o que estou a falar. — O capitão de gelo ganhou um tom rosado na face, o que alargou ainda mais o sorriso do moreno. — Bem, tenho que ir antes que Yuzu fique preocupada. Não leves a minha filhinha muito tarde para casa Shiro-Shiro!!
Sem nem dar tempo de resposta, o mais velho desapareceu num segundo usando o shunppo, deixando os mais novos sozinhos. Hitsugaya ainda olhava para onde o seu antigo capitão estava à uns segundos atrás, tentando digerir tudo o que estava a acontecer, enquanto que a Kurosaki observava o capitão de gelo, estava a gostar de ver as reacções do mesmo, por não ser algo comum. Ela também ainda não queria acreditar que o seu pai, aquele velho imprestável, foi um dia capitão, um shinigami e ainda por cima, superior de Toushiro, o mundo realmente era pequeno.
- Ne Toushiro. — A morena falou por fim. — Que vamos fazer agora?
O rapaz de olhos turquesa olhou para a Kurosaki e suspirou, definitivamente, aquela família era de loucos. Agora que parava para pensar, percebeu que Kurosaki Karin e Kurosaki Ichigo partilhavam o mesmo sangue dos Shiba.
- Posso te levar a conhecer Sereitei se quiseres. — O capitão murmurou, ainda se lembrando das palavras do seu antigo capitão.
- Sério? Posso conhecer também o teu escritório? Tens um não é? — A morena logo se entusiasmou com a ideia, finalmente ia conhecer melhor o novo mundo do seu irmão, o mundo e a vida de Toushiro.
- Claro, se a desmiolada da Matsumoto ainda não o destruiu aproveitando a minha ausência.
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Por onde passavam, eram sempre alvo de algum olhar, nem todos os shinigamis sabiam que a irmã do shinigami daikou estava de visita e muito menos acompanhada do capitão do 10º bantai, mas bastava o capitão aumentar um pouco a sua reiatsu ou lançar um olhar gélido para voltarem aos seus afazeres.
Caminhavam em direcção ao esquadrão do albino quando se cruzaram com um capitão pelo caminho.
- Karin-chan~! Quanto tempo. Como cresceu, virou uma bela moça.
Hitsugaya olhava desconfiado para o capitão à sua frente e questionava-se do porquê de tanta intimidade.
- Hun? — A mais nova olhava curiosa para a pessoa à sua frente, tentando se lembrar de onde a conhecia. — Hirako-san? Uau, quase que não o conhecia com esse cabelo enorme.
- Se conhecem? — O capitão de gelo questionou com uma sobrancelha erguida.
A Kurosaki ia responder, mas o loiro foi mais rápido. — Oh sim, nós cruzamos algumas vezes no tempo que ajudámos Ichigo a controlar o seu hollow, né Karin-chan? — Falou o loiro piscando o olho e lançando um sorriso debochado para o outro.
- Estou a ver... Vamos Kurosaki. — O albino passou direto pelo capitão do 5º bantai, não querendo ficar mais um segundo perto do "loiro debochado" como ele o intitulou. Karin não entendendo o que se passou, deu apenas um aceno a Hirako e seguiu Hitsugaya.
- Ah! Hitsugaya-taichou! — O capitão olhou para trás esperando o que o outro teria para dizer. — Penso que a minha tenente esteja no seu escritório juntos da sua tenente. — E com mais um sorriso, o loiro foi embora.
Hitsugaya odiava aquele tipo de gente, com sorriso debochado. Primeiro foi Ichimaru Gin e agora Hirako Shinji. Eles conseguiam lhe dar uma raiva em meros segundos, mas tinha que admitir que eles conseguem ser bem atentos ao que acontecia ao seu redor.
Ao atravessar os portões com o número 10, o olhar da Kurosaki corria tudo à sua volta, ela queria conhecer o ambiente onde Toushiro vivia. Por onde passavam, os shinigamis cumprimentavam o capitão, o que deixou a morena ainda mais fascinada.
Ela ia tão distraída que não percebeu quando o capitão parou diante uma porta e acabou indo contra as costas do mesmo. — Gomen.
O rapaz olhou por cima do ombro e apenas fez um aceno com a cabeça indicando que estava tudo bem. Ao entrar no escritório, o capitão viu a sua tenente descontraída no sofá e não acreditou quando olhou para a sua secretária. A Kurosaki olhava atenta para o cómodo, ela tinha imaginado algo diferente após ouvir Toushiro falar várias vezes.
- Né Toushiro, afinal a Rangiku-san não é assim tão desmiolada e irresponsável como me falaste.
- Ehh?! O senhor pensa isso de mim taichou? — Matsumoto perguntou com a voz manhosa ao mesmo tempo que fazia um biquinho.
O capitão apenas ignorou as duas e foi até atrás da sua secretária, abriu as gavetas e nada. Olhou em baixo do sofá, nada, nas estantes, também nada.
- O que o senhor tanto procura? — A ruiva perguntou curiosa.
- Os papéis que estavam por revisar, onde os escondeste? — O capitão respondeu com outra pergunta e uma sobrancelha levantada, ela deve ter os escondido em algum lugar.
- Eu fiz tudo quando o senhor foi procurar a Karin-chan por Rukongai. — Respondeu a tenente emburrada pelo capitão duvidar dela.
O albino ainda olhava desconfiado para Matsumoto, eram muito raras as vezes que ela fazia o seu trabalho e a Kurosaki observava a interacção dos dois com um sorriso, era engraçada a relação deles, até que reparou em mais alguém naquela sala e lembrou-se das palavras de Hirako Shinji "Penso que a minha tenente esteja no seu escritório...", deveria ser ela.
- Não acho que a Rangiku-san esteja a mentir. A franzir assim as sobrancelhas vais ganhar rugas mais cedo Toushiro. — Falou Karin ao mesmo tempo que tocava com o seu dedo na testa do capitão.
- Tsc. — O capitão estalou a língua e afastou a mão da Kurosaki. — Por hoje passa Matsumoto. — Ele falou a contra-gosto e logo ouvindo um "Eba! Obrigada Karin-chan" e viu a ruiva quase sufocar a menor. — Que fazes aqui Hinamori? — Ele perguntou, finalmente, ao outro elemento que se encontrava no local.
- Supus que viesse para cá com Karin-san em algum momento e vim co Rangiku-san assim que a reunião terminou, só queria conhecer melhor a Karin-san. — Hinamori falou com um sorriso sincero no rosto. — E sim Shiro-chan, a Rangiku-san terminou de revisar os papéis todos.
- É Hitsugaya-taichou Hinamori. — O capitão suspirou cansado de corrigir a amiga.
O capitão sentou-se na sua secretária, virado de costas para o sofá, a observar o céu, porém, os seus ouvidos estavam atentos à conversa que as três mulheres partilhavam alegres.
- Sabes Karin-san, o Shiro-chan e eu nos conhecemos desde pequenos, ele é como um irmão mais novo para mim. — Karin ouvia atenta as histórias que Hinamori e Matsumoto contavam sobre o capitão. O seu objectivo em ir até à Soul Society era saber o porquê de Toushiro não ter cumprido a sua promessa e claro, conhecer melhor o seu mundo, o seu ambiente. E aquilo estava a lhe sair melhor que o esperado, ter aquelas duas a contar das histórias mais embaraçosas do capitão era a cereja no topo do bolo. — ... e quando o Shiro-chan molhou a cama.
- Hinamori! — O capitão exclamou, olhando para as três com o rosto completamente vermelho.
- Ah qual é Toushiro, é normal quando se é criança. — Falou Karin tentando manter uma expressão séria, mas falhando completamente quando a vontade de rir foi maior.
- Está a ficar tarde, prometi ao Shi-Kurosaki-san que te levava para casa. — Hitsugaya logo tratou de mudar de assunto, tentando fazer a vergonha que sentiu desaparecer. — Vamos Karin.
A morena de olhos onix despediu-se das tenentes e seguiu o rapaz para fora do escritório. Matsumoto e Hinamori trocaram olhares e sorriram em cumplicidade.
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Já no mundo humano, o casal caminhava a passos lentos até à casa dos Kurosaki. Iam em silêncio, apenas a apreciar a companhia um do outro. A morena ia distraída nos seus próprios pensamentos. Ela não queria se despedir do capitão, não sabia quando o veria outra vez e isso a atormentava. Hitsugaya pensava nas palavras ditas pelo seu antigo capitão, "um homem é capaz de tudo por amor", ele ainda não compreendia muito bem o significado daquelas palavras, mas de uma coisa sabia, ia fazer de tudo para cumprir a sua promessa com Karin.
- Karin. — O rapaz chamou-a quando percebeu que se aproximavam do seu destino. — Eu prometo que venho te visitar pelo menos uma vez por semana.
A Kurosaki sabia que não era uma promessa fácil de cumprir, mal ou bem, ela entendia que Toushiro tinha muito trabalho e o seu posto como capitão não facilitava, mas então ela viu o olhar decidido do albino e sorriu.
- Sabes onde me encontrar. — Ela falou sem tirar o sorriso da cara.
Hitsugaya olhava para a morena encantado e logo o nervosismo tomou conta do seu corpo, a Kurosaki percebendo o que se estava a passar, decidiu ser impulsiva, mais uma vez, naquele dia.
- Ói Kurosaki. — O capitão exclamou surpreso, a face completamente avermelhada de vergonha e a mão sobre os lábios.
- Qual é Toushiro, o capitão tem tanta coragem para umas coisas e não tem coragem para me beijar? E pára de me chamar pelo apelido!
O capitão de gelo ainda olhava incrédulo para a morena, mas foi por esse seu jeito impulsivo que ele se tinha encantado. — Tsc, vamos Karin, antes que o teu pai me mate.
- Ah! Esse velho ainda tem muito para me contar.
Fim?
- Ói! Ichigo! Finalmente te encontrei. Vamos lutar!
- Kenpachi?! Estás doido? Anda um ryoka à solta, temos que o encontrar! — O shinigami substituto tentava fugir do capitão do 11º bantai enquanto tentava o fazer lembrar que a Soul Society foi invadida.
- Hun? Ryoka? Se estás a falar da tua irmã, a esta hora já deve ter voltado para o mundo humano. Mas isso não interessa. Vamos lutar!!
- Irmã? Karin? Aqui? Ei!! Chega para lá, seu louco!
Fim
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