Corações Problemáticos
17 Reconciliação?
Notas iniciais
–- Daivid! – Era Tony gritando quando eu roubei a comida do prato dele.
Isaac se divertia com a cena rindo, mas protegendo seu prato com o braço. Porque eu estava roubando comida de seus pratos? Bem, por um simples motivo, diversão. Irritar o Anthony era a coisa mias divertida que se tinha para fazer em um dia entediante. Eu estava rindo e roubando quando escutei um som familiar, mas parou.
–- Daivid, seu celular tocou – Aisha me avisou.
Era esse o som familiar que escutei, faz algum tempo desde que eu recebi uma mensagem, por isso que não o reconheci.
–- Tem uma mensagem para mim...
Abri meu celular, comecei a ler e paralisei.
–- Daivid, o que foi? – Tony perguntou preocupado.
–- Assunto de família.
Guardei meu celular novamente, provavelmente vai ficar parado novamente por um longo tempo.
–- Que tal uma volta na praia? – Sugeri.
Bianca já estava com o rosto deitado sobre a mesa e os braços em volta da cabeça.
–- Vamos! Bianca, você fica muito linda de biquíni.
Ela somente levantou um pouco a cabeça e me encarou com aquele olhar frio que eu adoro. Sério, eu poderia agarra-la agora se eu não tivesse tanto autocontrole. Escutei um pequeno gemido de frustação no outro lado da mesa e percebi que vinha de Aisha.
–- Ah, bem, eu já estou indo, vejo vocês lá.
–- Daivid – Uma voz me chamou do outro lado.
Olhei para a direção apenas para encontrar Leone me chamando, ainda fazendo sinal com o dedo. Olhei para os rostos de todos a mesa, eles me olhavam esperando minha reação. Dei de ombros e me levantei indo em sua direção. Ela estava junto com a sua família, todos de malas prontas.
–- Já estão indo?
–- Bem, sim. Mas ainda temos tempo...
–- Tempo para que? – Perguntei já confuso e desconfiado.
–- Para passear... Na praia.
Ela segurou meu braço e me puxou para a o chão de areia. No meio do caminho Leone abandonou suas roupas revelando um biquíni extremamente atrativo. O que me deixou desconfortável já que todos os homens e até mulheres da praia olhavam em nossa direção, alguns até com olhares de inveja ou olhares mortais em minha direção.
Nós nos sentamos. Eu como sempre tentava prestar atenção a outra coisa, que no caso era o movimento no mar. Alguns caras tentando surfar, outros nadando, outros navegando em seus Jet-Skis. E outros na praia, olhando para nós, imaginando, sei lá, que somos mãe e filho, ou um casal. Eu não sabia nem o que eu estava pensando sobre isso.
–- Porque eu fui arrastado para cá?
–- Foi você quem disse que queria vir a praia – Ela respondeu. Virou e se deitou de costas e pegou um pote de protetor solar, o entregando a mim – Se incomoda?
Suspirei.
–- Não, tudo bem.
Fiz o que ela pediu, que era passar protetor solar em suas costas. Se me perguntar qual era a sensação, bem, era meio difícil descrever, sem falar nos olhares agora que não pareciam mais como se nos vissem como mãe e filho. O que me incomodava ainda mais.
–- Porque se incomoda tanto? Deixe-os pensarem o que quiserem.
Eu estava fazendo exatamente isso, deixar eles pensarem o que quiserem, mas isso não estava fazendo eu me sentir melhor. Ainda mais quando chegou a parte abaixo da cintura dela, sim, essa parte. Fiquei ainda mais tenso.
–- Bem, o que queria falar para você era o seguinte. Você esqueceu uma parte.
Olhei novamente para suas costas procurando a parte que havia esquecido, sim é exatamente essa parte que você esta imaginando.
–- É brincadeira. Não precisa, a menos que você queira.
–- Não enche – Eu enterrei meu queixo na areia – O que você queria falar comigo?
Ela soltou o ar dos pulmões.
–- Eu já notei o quando você gosta dela...
Ela disse isso assim, simples e direto. O que me pegou desprevenido e eu quase dei um pulo de susto.
–- Isso é algum tipo de instinto maternal? – “Se é que você tem um...”, pensei.
–- Você acha mesmo que é preciso algum instinto maternal para notar isso? Eu já havia notado desde o dia em que cheguei.
Eu desviei o olhar por alguns segundos. Como vocês devem ter percebido eu não sou muito tímido. Bem ao contrario disso. E também não sou masoquista, que fique bem claro.
–- Você está com vergonha?
–- Na verdade não. É que...
–- Você gosta dela. Então provavelmente posso deduzir que não vai ser fácil. Você vai sofrer um pouquinho.
–- Você não vai me aconselhar a desistir não é?
–- Na verdade eu queria te desejar boa sorte e também te dar o meu apoio.
Eu fiquei fitando a areia por alguns segundos.
–- Hum... Isso é estranho...
–- O que é estranho?
–- Você me apoiando nisso. É um pouco estranho.
Ela riu.
–- O que eu quero dizer é que você pode ser bom para ela. Você é o primeiro que não desistiu dela depois de ter essa cicatriz no braço, ou essa na cabeça. Ou muitas outras que ainda vão vir no futuro.
–- Ah, isso não é nada. A do braço foi eu mesmo quem fiz. E meu corpo é cheio de marcas e cicatrizes, graças a minha ex-namorada.
–- Ora. Você é um M?
Isso novamente não. Bem, se tinha algo que eu já estava me cansando era de todos me dizendo que eu era um M. Você sabe o quer dizer não sabe?
–- Bom. Deixando isso de lado. Até porque o modo que você prefere sentir prazer não é problema meu. O que eu queria te dizer é que eu estou confiando em você para cuidar da minha filha de agora em diante.
Ta legal. Isso foi ainda mais estranho.
–- Achei que você não gostava dela – Eu soltei.
Ela suspirou
–- Eu também...
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