Corações Problemáticos
14 A Noite Do Jantar
Notas iniciais
Finalmente chegou a hora mais esperada do dia. Três pessoas apareceram na porta, era um homem uma mulher e um garoto talvez mais novo que eu. O homem era um sujeito de meia idade, seus cabelos eram castanhos e perfeitamente penteados, seus olhos eram escuros e seu olhar era sério. Ele vestia um terno preto.
A mulher ao seu lado se parecia muito com Bianca, seu cabelo era preto e seus olhos eram do mesmo verde escuro sedutor da filha tanto que eu fiquei um tempinho a encarando.
O garoto era muito parecido com seu pai, cabelos castanhos e olhos escuros. Ele vestia jeans e uma camiseta branca e um colete preto muito parecido com o que estava usando que pertencia ao Enzo. Eu estava paralisado com todos me olhando, mas por sorte Alex chegou.
–- Tio, tia, primo, bem vindos.
O homem somente acenou com a cabeça, a mulher sorriu e somente o garoto fez contato físico abraçando Alex. Depois eles se voltaram para mim.
–- Ah... Vamos entrar primeiro e depois as devidas apresentações.
–- Ah, sim claro... – A mulher disse.
Eles entraram nós todos nos juntamos na sala de jantar.
–- Bem... Eles são colegas da sua filha, eu vou preparar a mesa, com licença.
Ela saiu e deixou eu e os outros junto com os pais dela olhando um para a casa de outro, no entanto fui eu quem se pronunciou.
–- Bem... – Eu estendi a mão para eles – Sou Daivid Nashville, é... um prazer conhece-los – O mais formal possível.
–- Ah sim – O homem respondeu – Sou Lorenzo De Martino. Essa é minha mulher Leone e meu filho Pietro.
A mulher Leone piscou para mim o garoto Pietro somente me olhou apertou minha mão quando eu a estendi. Os outros também seguiram meu exemplo e fizeram a mesma coisa.
–- Boa noite Bianca --- Sua mãe disse, ela não respondeu.
–- Então, vamos – Alex apareceu – O jantar está servido.
Eu estava nervoso, bem, parecia que estava tudo normal por enquanto, mas eu ainda temia que algo acontecesse segundo a minha politica de dia ruim. Estávamos todos nós sentados a mesa em um total silencio enquanto jantávamos.
–- Então, vocês vão ficar aqui o resto da semana? – Alex perguntou.
–- Não, não – Lorenzo se apressou a falar – Nós só vamos ficar aqui uns dois ou três dias, até o dia do próximo voo para casa. Na verdade eu vim para Itália somente para tratar de algo, então me lembrei de que você morava aqui ai eu pensei em vir.
–- Ah... Entendi.
Eles continuaram conversando, Pietro ficava me encarando e eu já estava ficando incomodado com isso. Bianca comia em silencio e olhava somente para o seu prato. Os outros alternavam os olharem entre Alex, Lorenzo e Leone. Eu decidi fazer como Bianca e olhar somente para o meu prato também.
–- Daivid, você está na mesma escola de Bianca, certo? – Era Leone puxando assunto comigo – Você também sofre de alguma coisa?
Que pergunta mais indiscreta para uma mulher de alta classe.
–- Eu sofro de Transtorno Bipolar de Humor, não é assim tão ruim, tirando as tendências suicidas.
–- Hum... E vocês são todos da mesma escola? – Ela agora perguntou se voltando para os outros.
–- Sim –Tony disse – Mas eu só estou lá para fugir de casa.
–- Eu tenho que cuidar da minha irmã – Isaac também se pronunciou – É que bem... Minha irmã sofre de Transtorno Dissociativo de Identidade...
–- Bipolar... – Pietro disse em um tom alto que fez todos ficarem em silencio seguido de uma cara de raiva. Eu não sei se era só impressão minha, mas parece que esse garoto não gosta muito de mim.
–- O que foi Pietro? – Lorenzo seu pai perguntou.
–- Nada...
Ele me lançou o um ultimo olhar mortal antes de virar o rosto e continuar comendo. O que será que eu fiz para esse garoto me odiar assim? Bem, o resto do jantar seguiu normal, Alex conversava com eles ou outros ficavam em silencio e Bianca mal olhava para sua família. Algumas horas depois nós estávamos prontos para dormir, eu já estava quase admitindo que minha politica do dia ruim estava errada. Foi então que Pietro passou por mim, e como sempre, com seu olhar nada agradável, mas dessa vez eu não me segurei mais.
–- Você tem algum problema comigo garoto? – Perguntei com toda falsa calma do mundo.
–- Não, nenhum, e você, tem algum comigo? – Ele respondeu na mesma calma.
–- Sim, tenho. Principalmente quando ficam me encarando com essa cara de quem comeu e não gostou.
Ele fingiu que não escutou e desviou a atenção para meu cabelo.
–- Isso deve ter doido muito não é? – Ele perguntou apontando para minha pequena cicatriz no cabelo.
Eu suspirei.
–- Consegui ela segunda vez que encontrei sua irmã.
–- Ela... Não é minha irmã – Ele disse com total frieza.
Eu não disse mais nada, ele me olhava nos olhos enquanto falava isso. Por cima do ombro dele eu vi Bianca parada nas escadas. Acho que ela estava subindo antes de ouvir o que o garoto disse. Ela olhava diretamente para mim sem expressão.
Parece que a noite acabou de ficar ainda pior.
Leone se apressou em abrir a porta do quarto onde estava. O clima estava tão tenso que não me importei com o fato dela estar quase sem roupa.
O clima nessa casa estava tenso. Pietro disse algo que parece não pensado. Leone abre a porta e estava vestida de um roupão de seda praticamente invisível, o que me deixava ver a sua roupa de baixo e as curvas de seu corpo. Se minha noite não estivesse tão ruim, eu ficaria mais tempo impressionado, bem mais tempo do que eu fiquei.
–- Pietro – Sua mãe a advertiu.
–- O que é?! Vai fingir que não concorda com isso mãe?! – Ele gritou – Afinal a ideia do internato foi sua não é?
–- Pietro! – Ela também gritou.
As portas dos quartos se abriram. Agora todos estavam observando a cena. Bianca ainda estava parada na escada e lagrimas caiam dos seus olhos. Eu contei mentalmente até dez para não empurrar esse menino do segundo andar. Ao invés disso eu respirei fundo.
–- Pietro – Eu o chamei – Por mais que você não queira ela vai ser sempre a sua irmã.
Logo após isso eu me dirigi aos pais dela.
–- E sempre vai ser filha de vocês.
Alex foi falar com Bianca, eu caminhei em direção a porta do quarto.
–- Ela não merece estar nessa família.
Cerrei os punhos. Estava parado na frente da porta. Tony olhou para a minha mão e posou a sua em meu ombro.
–- Daivid...
–- Ricos... Sempre colocando a reputação da família acima de qualquer coisa. Um renomado homem de negócios, uma família com o nome conhecido em quase todo o pais. Mandar sua própria filha embora para um internato por um problema que foram vocês mesmo que deram existência a ele. Mas sempre o nome da família está acima de tudo. Típico. No fim, eu até concordo com você Pietro.
Agora eu tinha a atenção de todos, e todos me olhavam com um olhar estranho.
–- Isso mesmo, eu concordo com você Pietro. Ela não merece ser dessa família – Eu respirei fundo, os olhares estavam agora assustados – Mas eu acrescento algo, garoto. Ela não merece ser dessa família, ela merece uma família melhor.
Com esse ultimo comentário eu desci es escadas para o primeiro andar.
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