Corações Partidos Parte 2
9 Capítulo 9- Tentações
Notas iniciais
No meio da noite, quando estava tudo escuro um homem apareceu. Ele era belo. Deveria ter uns 22 anos, tinha olhos azuis. Ele sussurrava pra mim:
–Vem cá! Em silencio!
Eu fui. Ele estava sem camisa e eu podia afirmar que ele era sarado.
–Você quer esquecer um pouco toda a confusão da sua vida e aproveitar um pouco?
–Quem é você? — Questionei.
–Não importa! Quer ou não?
–Quero, mas como?
–Venha comigo.
Chagando do lado de fora, tinha um carro de luxo preto. Ele abriu a porta de trás e eu entrei. No carro ficamos em silencio, eu estava confuso do que estava fazendo. Eu queria um pouco de diversão pelo menos daquela vez esquecer um pouco das coisas. O carro parou depois de quinze minutos. Ele saiu e abriu a porta pra mim. Isso é estranho, porque eu poderia abri-la sozinho.
–Deixe-me te levar ao paraíso essa noite.
–Onde estamos?
– Sex & Fun. É a melhor boate da cidade.
Ele pagou nossa entrada. Nunca tinha ido a uma boate ou coisa do gênero. Era maravilhoso lá dentro. Todas aquelas pessoas felizes, pulando ao som de uma música eletrônica. Ele segurou na minha mão e me legou pra pista de dança.
Os olhos dele eram extremamente claros. Ele dançava muito bem, já eu não dançava quase nada. Porém ele era muito animado. Ele sai e o perdi de vista. Quando o vejo novamente, ele estava com duas bebidas nas mãos. Peguei uma. Era muito forte, na primeira vez me deu uma dor forte na cabeça. Tudo aquilo me proporcionava uma sensação de prazer incrível.
Mesmo tudo aquilo sendo bom e prazeroso, aquilo também tinha um gosto proibido. Nanda estava em casa dormindo e eu estava em uma boate com um homem que eu nem sabia o nome. Não sei o que tinha dado em mim, mas era muito bom.
As luzes piscavam sem parar, eu estava animado, mas não sabia o porque. Eu e o homem pulávamos e riamos sem motivo. Tudo aquilo não fazia sentido algum. Todas aquelas batidas da música me deixavam excitado. Tudo me deixava excitado ali.
Tudo estava muito confuso, e a tendencia era ficar mais confuso ainda. Estava tocando uma música que eu não me lembro direito o título, mas posso afirmar que era da Miley Cyrus. Se eu não me engano era Who owns my heart. O homem segurou no meu quadril e se puxou pra mais perto dele. Eu podia sentir a respiração dele. Podia sentir o coração dele batendo. Eu queria empurrar ele pra longe de mim, eu queria me afastar dele. Porém eu não conseguia, tudo aquilo era bom.
Depois de um tempo, no refrão da música, ele me beija. Não sei o que aconteceu durante o beijo. Mas tudo dentro de mim estava queimando, queimando de verdade. Doía um pouco, uma dor confortável. Uma dor prazerosa. Depois disso, nada mais aconteceu. Continuamos na boate, rindo. Apesar de tudo, aquela noite foi maravilhosa, acho que nunca irei esquece-la.
Eu só me lembro de entrar no carro dele de novo pra voltar pra casa. Quando acordei Miguel e Nanda estavam olhando pra mim. Eu levei um susto. E quando levantei minha cabeça parecia que ia explodir.
–Aii! — Gritei .
–O que foi? O que aconteceu com você? Você parece péssimo. -Disse Nanda
–Minha cabeça está latejando. Eu não sei. Cadê ele? — Perguntei.
–Ele quem? — Perguntou o Miguel.
–O homem de olhos claro.
Escutei um riso do meio da sala.
–Ele estava comigo. Nossa, eu posso jurar que você amou a noite, não é mesmo, Marcos? — Disse Lúcifer.
–Então, era você?
–Mas é claro, prazer é comigo mesmo.- Disse ele rindo.
–O que você fez com ele? — Perguntou Nanda gritando.
–Ora, ora, garotinha, abaixe o tom de voz... Ah, você quer dizer ou prefere que eu diga, Marcos?
–Ele me levou pra uma boate. Lá tinha luz, bebida, muitas pessoas, risos, era tudo muito...
–Prazeroso. — Completou ele. — Não vai contar a outra parte?
–É... — Falei hesitando — E depois, ele me beijou.
–O que? — Disse Nanda irritada. — Só falta me dizer agora que vocês transaram!
–Não, é claro que não. -Disse — Pelo menos eu acho que não... Mas eu não queria, tudo aquilo era muito bom, me dava prazer, mas...
–Pode ficar tranquilo, nós não transamos! Até porque você é da família — Disse ele rindo.
–Não. Eu não sou da sua família! — Exclamei.
–Claro que somo. Todos aqui sabemos do seu poder e etc...
–Isso é péssimo, Marcos. Ele fez isso pra entrar na regra das três tentações. Você não deveria ter aceito. — Disse Miguel.
–Três tentações? — Questionei.
–Sim, três tentações. Lembra de quando Deus foi tentado no deserto? Então, se ele fizer o mesmo com você e você ceder três vezes, ele poderá te matar. Isso funciona, porque quebra seus poderes.
– Tudo isso é balela, meu filho. — Disse ele ainda rindo. — Só queria te proporcionar prazer.
–Um prazer proibido. — Disse Miguel. — Agora, saia!
E ele se foi. Eu poderia sentir agora um arrependimento, uma nostalgia ruim dentro de mim.
– Você só tem mais duas chances! Você tem que recusar as duas. Depois, ele não pode mais tentar! — Explicou Miguel.
–Tudo bem!
–Até agora uma coisa ainda não faz sentido pra mim. — Disse Nanda ainda confusa.
–Se ele veio pra fazer uma tentação e proporcionar prazer, porque ele veio como homem e não como mulher? Você sente prazer em homens, Marcos?
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