Corações Feridos
29 Promessas evasivas
Notas iniciais
Robin sentia calafrios percorrerem seu corpo. Suas mãos suavam, como de costume quando estava nervoso. Permanecia estagnado, diante da porta que dava acesso a sala de Regina. Precisava de coragem para o que viria a seguir...
A vida havia sido árdua com ele novamente. Jamais teria imaginado que as coisas terminariam daquela maneira. Estava submetido a uma difícil escolha, prestes a abdicar da mulher que amava. Suspirou, bateu na porta. Logo em seguida, fora atendido por Regina com seu olhar penetrante.
—Olá, Regina.
—Robin...
—Precisamos conversar, algo importante aconteceu.
***
Cinco dias antes...
A viagem de volta fora tranquila, Regina e Robin trocavam olhares apaixonados constantemente. Chegaram no apartamento dele por volta das nove horas da noite e foram recepcionados por Valerie, que sorriu radiante em vê-los.
Roland correu rapidamente até a porta, para a surpresa de todos, depositou um abraço afetuoso em Regina.
—Que surpresa agradável, querido.
Murmurou, emocionada.
—Eu senti muita saudade!
Ele exclamou.
—Eu também.
Disse, o envolvendo em seus braços, retribuindo o carinho.
Robin e Valerie apreciavam o ocorrido. Ambos sabiam o quanto aquele momento era importante para os dois. Roland ansiava pelo afeto de uma mãe, e Regina só queria ter um filho qual pudesse dedicar seu amor de mãe. Que, até então, ela acreditava que a vida havia lhe negado.
Assim que se desvencilharam, o menino disse:
—Também estava com saudades suas, papai.
—Até que enfim! Já estava ficando com ciúmes.
Respondeu sorridente, pegando o filho no colo.
Surpreendendo Valerie, Regina a abraça. Depositando tanto amor, como havia feito com seu irmão. A jovem sorriu satisfeita com a demonstração de carinho, qual ela desconhecia de uma figura materna.
—Ainda bem que você está aqui, eu preciso falar com você.
Valerie sussurrou no ouvido de Regina.
—Por que? O que houve?
Perguntou, curiosa.
—É o Greg... Ele me pediu em namoro, e eu aceitei. Preciso da sua ajuda com o meu pai.
Antes que a jovem finalizasse, é interrompida pelo pai que, eufórico, questiona:
—Como é que é? Quem se atreve a pedir minha filha em namoro?
—Pai, eu gosto dele.
—Vocês são novos demais para isso. Além do mais, não estou preparado para dividir você com aquele rapaz.
—Robin... (Regina se intromete.)- Valerie é jovem, já está na hora de se apaixonar, namorar.
—Não, não e não!
Disse seguindo caminho até a cozinha.
—Eu vou convencer ele.
Concluiu, indo atrás de Robin.
Adentrou a cozinha, o encontrou cortando tomate em gesto hábil.
—Robin? Por que você foi tão ríspido? A sua filha não merece isso, você quer que ela seja feliz, não é? Greg proporciona isso a ela.
—Ele também pode proporcionar outras coisas... Além do mais, nós somos a família dela, é feliz conosco. Eu não quero ver a minha menina nos braços daquele rapaz.
—Meu Deus, como você é ciumento!
—Não é ciúmes...
—Claro que é! Eu não entendo o porquê de tanta euforia.
—Eu a acho tão nova.
—Robin, Valerie já tem dezenove anos.
—Mesmo assim, eu...
—Eu não acredito que estou namorando um homem das cavernas. Acho melhor eu ir para a minha casa.
—O QUE? Por que? Nós havíamos combinado que você ficaria aqui hoje.
—E combinamos, mas, se você nutre pensamentos tão puritanos assim, eu acho melhor rever alguns conceitos sobre o nosso relacionamento.
—Eu não acredito que você disse isso, Regina!
—Bom, eu acho melhor eu ir, então.
Disse ,caminhando em direção a porta.
—Tá, tá. Tudo bem, eu vou aceitar o relacionamento dos dois.
Ele resmungou.
Regina sorriu, satisfeita. Beijaram-se.
Na sala, Valerie roía suas unhas de ansiedade. Assim que percebeu a presença de Regina, a jovem se levantou de imediato.
—Então... O que ele disse? Ele vai aceitar?
Foi pega de surpresa com a chegada de seu pai que estava com uma postura rígida.
—Eu e o seu pai conversamos, e ele decidiu permitir o namoro de vocês...
Antes que Regina pudesse terminar, é interrompida por gritos alegres da jovem, que correu para abraça-la.
—Obrigada, sem você eu não teria conseguido.
Regina sorria, diante do entusiasmo da jovem. Logo abraçou Robin.
—Obrigada, pai, prometo não decepcionar.
—Eu sei, filha. Mas, eu tenho algumas condições, convide o Greg para jantar aqui na quinta-feira. Quero conversar com ele.
—Tudo bem. (Valerie fitou Regina.) –Você vem também?
Perguntou, quase em súplica.
—Se vocês me quiserem por aqui.
Respondeu.
—Quando eu não vou querer você do nosso lado?
Concluiu Robin.
O jantar daquela noite transcorreu animado. Regina colocava Roland para dormir, como o mesmo havia pedido. Estava deitada com o menino em seus braços, sua mão direita acariciava o rosto do garoto.
—Regina?
—Sim.
—Você vai dormir todos os dias aqui? Como hoje. Vai morar com a gente?
—Não, meu bem. Só as vezes, para morarmos juntos seu pai e eu devíamos estar casados, e...
—Se o meu papai te pedisse em casamento, você aceitaria?
Regina foi pega de surpresa pela pergunta de Roland. Deixando o silêncio predominar por alguns segundos...
—No momento, existem alguns problemas que impediriam que isso ocorresse, mas, eu não vejo motivos para recusar essa hipótese no futuro.
—Então, você aceitaria ser minha mamãe? E da Val também?
—Sim.
Respondeu, sorrindo, diante da alegria do menino.
—Eu sempre soube que era você. A vovó me disse.
Concluiu, sonolento, deixando Regina curiosa com aquele comentário. Quando perguntaria do que ele estava falando, percebeu sua respiração suave, indicando que Roland havia adormecido.
Beijou a testa do menino com ternura.
—Boa noite, querido. Durma com os anjos.
Levantou-se com cuidado, para não acordá-lo. Acendeu o abajur que ficava no criado-mudo. Vislumbrou o quadro que ela havia o presenteado de aniversário. Sorriu em contentamento, enquanto apagava a luz, escutou o menino dizer:
—Boa noite, mamãe.
Não conteve as lágrimas que surgiram em seus olhos. Jamais imaginou que escutaria alguém chamá-la assim. Havia perdido as esperanças, até aquele momento... Encontrou Robin no corredor.
—Amor? Você está bem?
—Sim. Só estou emocionada com tudo isso... (Limpou a lágrima que percorreu seu rosto.) –Eu não imaginei que teria uma família. A minha infertilidade, a dor do filho que eu perdi me abalaram tanto, eu não enxerguei que havia outra maneira de realizar meu sonho... Até conhecer você, e os seus filhos.
—Vem aqui!(Robin a abraça.) –Eu não imagino o quanto as coisas foram difíceis para você, mas a partir de agora você poderá contar comigo. Você merece o melhor de mim.
—Eu sei. Eu te amo.
—Eu te amo.
Selaram seus lábios, em um beijo suave.
—Venha, vamos para o meu quarto.
***
Na manhã seguinte...
Robin via a aflição nos olhos de Regina. Estavam paralisados diante da entrada principal do escritório.
—Tudo bem se você não estiver preparada, podemos fazer isso outro dia.
—Não. Vamos fazer isso hoje!
Respondeu, convicta, entrelaçando suas mãos.
—Está pronta?
—Sim.
Assim que adentraram o escritório de mãos dadas, foram contemplados por diversos olhares curiosos. Pararam suas atividades de imediato, era inevitável para os mesmos não questionar o que estava acontecendo... Muitos começavam a compreender o que vislumbravam, outros mesmo entendendo, não acreditavam.
Contudo, todas as dúvidas foram cessadas com o que veio a seguir... Concluído o percurso até a sala de Regina, pararam na porta. Selaram seus lábios, confirmando as suspeitas. Surpreendendo a todos, sem exceção.
—Nos vemos no horário do almoço?
Robin pergunta.
—Aham...
Regina concorda, sorridente. O beijou rapidamente, entrando em sua sala logo em seguida.
Robin cumprimentou a todos com um sorriso radiante, seguindo até sua sala. Os funcionários estavam inertes com a descoberta. Um grande murmúrio foi gerado. Haviam diversas especulações, sobre o relacionamento da chefe, até então “Dama de Gelo”, com Robin, o colega mais dócil de trabalho.
***
Naquela noite, Robin e Regina sentiram saudades da companhia um do outro. Trocavam mensagens de amor. Ambos aguardavam ansiosamente pelo dia seguinte, para se encontrarem e saciarem aquela saudade demasiada.
No dia seguinte, trocavam beijos calorosos no escritório de Regina, como o previsto.
Foram surpreendidos pela chegada de Zelena.
—Olá, cunhadinho!
Saudou, animada, os flagrando aos beijos. Desvencilharam-se de imediato.
—Como vai, Zelena? (Se cumprimentam.)- E o bebê?
Robin pergunta, apontando para a barriga de oito meses de Zelena.
—Estamos bem.
Ela responde, analisando as expressões felizes de ambos.
—Eu vou deixar vocês conversarem.
Sentiu a mão de Regina sob a sua.
—Está tudo certo para hoje á noite?
—Certamente. As oito estarei lá.
—Vou aguardar.
Roçaram seus lábios rapidamente. Logo em seguida, encostaram um nariz no outro, assim que abriram os olhos vislumbravam o sorriso estampado em seus rostos.
Robin se retira.
Zelena fitava o sorriso radiante que surgia no rosto da irmã ao fechar a porta.
—Você está tão linda!
Regina olhou para a sua roupa.
—Não é na sua aparência, sua boba. Como diria Coco Chanell “Não é a aparência, é a essência.”
Regina sorriu ao responder:
—Isso se chama felicidade!
Concluiu sentando-se no seu lugar habitual, gesticulando com as mãos para que Zelena fizesse o mesmo.
—Então... Não vai me contar como foi o fim de semana?
—Ah, foi... Foi maravilhoso! Nós passeamos de barco, canoa, o jardim está belíssimo, Robin adorou.
—Regina! Eu não sou criança! Quero mais detalhes.
—Zelena!
Regina gargalhou, um som audível agraciado, qual Zelena desconhecia.
—Meu Deus, Regina, você o ama!
—Sim. Ele me faz tão feliz, Zelena.
Respondeu, entusiasmada.
—Você merece ser feliz, Regina! (Disse Zelena, segurando a mão da irmã.) –Eu disse que o destino te traria alguém, para você se permitir amar novamente. E você o fez, está tão linda! Esse sorriso que floresceu em seus lábios, eu imaginei que seria o homem da tatuagem o causador dessa felicidade.
—Talvez seja ele...
—Regina, não me diga que Robin é o...
—Sim, é ele mesmo!
—Regina! Por que você não me contou antes? Ele já sabe?
—Não. Você é a primeira.
—Não vai contar?
—Não sei, será que ele acredita nessas coisas?
—Ele precisa saber.
—Um dia eu conto... Zelena, eu devo te agradecer pelos teus conselhos, algo que você também me disse naquela tarde não saiu da minha memória até hoje: “Nunca é tarde demais para a segunda chance da sua vida.” Essa é, com certeza, a melhor chance da minha vida.
***
Pela primeira vez desde que estavam juntos, Regina faria o jantar. Sua especialidade, lasanha. Sendo muito elogiada por Robin.
—Nossa, Regina, eu certamente comeria sua lasanha todos os dias.
—Ah, Robin... Não precisa exagerar.
Ela disse, bebendo seu vinho.
—Estou falando sério, depois você diz que não sabe cozinhar. Está delicioso! Valerie precisa experimentar, ela também adora lasanha. Ás vezes eu acho vocês tão parecidas.
Concluiu.
—Você poderia traze-los na sexta-feira, para jantarem conosco.
Sugeriu.
—Tenho certeza que eles vão adorar.
Terminado o jantar, foram até a sala e sentaram-se.
—Robin, prometa que vai se comportar amanhã no jantar. Não assuste ainda mais o Greg, pobre rapaz. Eu vejo a maneira que você o encara no escritório.
—É natural, Regina, ele está namorando a minha filha. Você quer que eu libere tudo?
—Não, amor. (Coloca a mão na perna dele.)-Só acho que você não deve ser tão rigoroso. Promete?
—Tudo bem, tudo bem.
Selaram seus lábios em um beijo suave.
—Obrigada, Robin, por me fazer tão feliz. Você é a melhor segunda chance que eu poderia ter.
—Eu que agradeço, Regina, por me dar a oportunidade de te amar. Prometo não te decepcionar.
—Eu sei. Você já prometeu, esqueceu?
—Nunca. Eu amo você.
—Eu também amo você.
Robin alisou o rosto de Regina, seu olhar brilhava de encontro ao dele, o que fez ele sorrir também, suas mãos percorrem desde a maçã do rosto dela, até o pescoço onde a beijou lentamente, mas com vontade. Robin sentiu as mãos dela em suas costas, sentiu-se mais à vontade, prensando ela no sofá delicadamente.
—Venha, vamos subir.
Segurou-o pela mão, o conduzindo até seu quarto.
A noite de amor era selada pelo universo com promessa e votos, os acontecimentos previstos a milhares de anos, estavam finalmente acontecendo. O amor ganhava mais uma guerra, porque o amor tudo pode vencer, tudo estava perfeito, mais do que ambos imaginavam. Eles não desconfiavam que daqui pra frente, segredos seriam revelados, segredos que serviriam para uni-los de forma assombrosa. Seria o destino provando que a união de ambos já havia sido selada, mesmo que os acontecimentos não tenham ocorrido de forma perfeita, eles foram turbulentos e tortuosos, mas tudo aconteceu como um plano do destino, para que o amor deles prevalecesse e mais uma vez, provasse que eles nasceram destinados a fazer o outro feliz...
***
A tão aguardada noite de quinta-feira havia chegado. Para a sorte de Valerie, Granny e Regina fariam companhia no jantar, amenizando a situação.
Assim que a campainha tocou, a jovem correu até a porta para receber Greg. A abriu sorridente.
—Venha!
Segurou a mão dele. Logo já estavam diante de Robin, Regina, Granny e Roland.
—Senhor.
Disse, com certo receio, estendendo a mão para cumprimentar Robin.
—Boa noite, rapaz.
—Dona Regina.
Saudou, beijando a mão dela em um ato galanteador. O que fez Robin revirar os olhos.
—Ah, por favor Greg, somente Regina, estamos fora do escritório.
—Tudo bem, Regina.
Logo em seguida, cumprimentou Granny e por fim Roland, este fora presenteado com um pirulito.
—Sentem-se, temos muito o que conversar.
Concluiu Robin.
Robin e Regina dividiram o sofá de três lugares, Valerie e Greg sentram-se lado a lado no de dois lugares, Granny optou pela poltrona, colocando Roland em seu colo.
Valerie entrelaçou sua mão a de Greg, qual ela sentia suar, deduziu que fosse por aflição, a mesma que ele carregava em seus olhos.
Granny, Robin e Regina, degustavam de um bom vinho que a mesma havia trazido da França, meses atrás...
—Você bebe?
Robin pergunta, fitando Greg.
—Raramente, senhor.
—E você quer um pouco?
—Não. Muito obrigado, estou dirigindo.
“Responsável.” Robin pensou.
—Hum... Bom, vamos conversar sobre os horários. Afinal, você vai querer sair com ela, não vai?
—Se o senhor permitir.
—Certo. Quando vocês saírem, quero que traga Valerie por volta das nove horas da noite.
—Pai, é muito cedo! Deve ser ás dez horas.
Contrariou Valerie. Regina percebeu os olhares de súplica de pai e filha direcionados a ela, e resolveu opinar, tentando contornar a situação.
—Que tal as nove e meia?
Ambos concordaram.
—Você pode vir jantar aqui nas segundas e quintas-feiras.
—Só dois dias pai? Não pode ser no sábado também?
—Não. Sábado é a minha noite de namorar Regina.
Para os jovens, foi inevitável não sorrir diante daquelas palavras de Robin. Entretanto, Greg logo desfez ao encarar o olhar severo do sogro.
—Quem sabe nos domingos?
Sugeriu Regina. Obtendo mais uma vez a aprovação dos dois.
Seguiram naquela situação por mais alguns minutos... Regina intercedendo nas decisões, contendo o ânimo de ambos.
Estava na cozinha, auxiliando Granny no jantar.
—Eu nunca vi Valerie e Robin cederem tanto quanto nesta noite. Você fez um ótimo trabalho!
Regina sorriu. Antes que pudesse responder, são surpreendidas pela chegada de Robin que vai até Regina a abraçando por trás, beijando seu ombro.
Sorridente, pergunta:
—Não sou mais um homem das cavernas?
—É, acho que não.
Respondeu, em meio a gargalhadas.
Granny os observava, estavam tão felizes.
Robin depositou um beijo na nuca dela, antes de pegar os pratos e se retirar.
—Eu conheço o Robin desde que ele tinha dezoito anos, e nunca o vi tão feliz assim, com esse sorriso. Você é o motivo! Obrigada por fazer ele feliz, Robin já sofreu tanto.
O jantar decorreu mais tranquilo do que o esperado. Por vezes, Robin soltava algumas piadas, sendo contido por Regina... Ao término, tudo havia acontecido na perfeita ordem.
Greg ofereceu carona a Granny, assim que foram embora, Robin tratou de dar banho em Roland.
Regina guardava as sobras do jantar, ne sequer imaginava que era admirada por Valerie que estava inerte no marco da porta.
A jovem se perguntava quantas vezes encontrava-se idolatrando Regina daquela maneira... Não podia negar que ela era encantadora, dona de uma exuberância e humildade. Como dizia seu pai, não havia uma “Dama de Gelo” dentro daquela mulher.
Sabia exatamente o porquê fora atrás dela na cozinha, gostaria de agradecer pela ajuda, mas não sabia como.
—Valerie? Você está bem?
É desperta pelas perguntas de Regina.
—Sim. Eu só estava pensando...
Caminhou até Regina, a surpreendendo com um abraço repentino, que logo foi retribuído, com muito carinho.
—Obrigada, você foi uma intermediária excelente! Se não estivesse aqui, as coisas seriam bem piores... Foi como uma mãe para mim.
Pronunciou as últimas palavras com timidez.
Regina ficou emocionada mais uma vez... Conhecia Valerie o suficiente para saber que a jovem era orgulhosa demais para admitir certas coisas. Certamente devia gostar dela, para dizer tais palavras.
—Querida, você pode contar comigo sempre que precisar.
A abraçou com mais intensidade.
Logo, são despertas daquele momento de comoção, com a chegada de Robin, que carregava Roland no alto, como se o menino fosse um avião. Este se divertia pedindo para que o pai continuasse.
—Mais alto, papai!
Todos gargalhavam na cozinha.
Naquela noite, eram uma família como qualquer outra. Não importava a diferença de bens, os tipos sanguíneos, o ciúme... O amor permanecia entre ambos.
***
Robin caminhava em meio ao trânsito movimentado de Nova York. Voltava de uma audiência no tribunal. Sentiu seu celular vibrando e atendeu.
—Alô. Quem está falando?
—Aqui é do hospital de Outer Banks, sou o médico de Marian.
—Ah, sim, Dr. Felts, aconteceu alguma coisa? Ela piorou?
—Pelo contrário, já faz alguns dias que venho tentando falar com você. A Marian acordou, ela quer falar com você.
Aquela notícia causou um grande impacto em Robin. Afinal, até meses atrás as chances de sua mulher acordar, eram mínimas. Nada conseguiu dizer.
—Senhor Locksley?
—Sim? Me desculpe.
—O senhor quer ver sua esposa? Virá no hospital? Ela está ansiosa para vê-lo.
—Estou a caminho.
Ligou para Ruby, pedindo que a mesma avisasse que ele teria um compromisso.
Horas mais tarde...
Estava de volta a Carolina do Norte, sentado na recepção do hospital. Aguardava pela enfermeira. Não acreditava que Marian havia acordado, tudo encontrava-se perfeito até aquela manhã.
Seus dedos roçavam constantemente no celular, o nervosismo predominava. Até senti-lo tocar, era Regina. Uma parte sua queria atender e explicar o que estava acontecendo, outra ignorava este equívoco. Não queria preocupa-la, a determinação sobressaltava.
Conversaria com Marian, explicaria a situação, tinha certeza que entrariam em um acordo. Afinal, ela não o amava, seu coração agora só pertencia a Regina. Nenhuma outra mulher ocuparia o lugar dela em sua vida.
Divagava, até ser interrompido pela enfermeira.
—O senhor já pode vê-la.
Adentrou o quarto, sequer imaginava o que viria a seguir...
***
No escritório...
—Valerie, por favor, anote na minha agenda esse almoço que tenho com o Dr. Hastings na semana que vem... Tenho que explicar a ele porque não vou mais me mudar.
Regina percebendo a distração da jovem, pergunta:
—Valerie? Estou falando com você. Está tudo bem? Parece tão distraída a tarde inteira. Algo está te perturbando, posso te ajudar? (Segurou a mão da jovem.) -Aconteceu alguma coisa com você e Greg? O seu pai disse algo, porque, se for...
—Não, nenhum deles fez nada. Eu só estava pensando, pensando nos... (Após uma pausa, continua...) – Meus pais.
Regina sabia o quão delicado era aquele assunto.
—Eu posso te ajudar?
—Acho que não. Ninguém pode, com todo o respeito, vocês não tem como compreender o que eu sinto... Até hoje eu não consigo entender o que eu poderia ter feito de errado para minha mãe me abandonar, me rejeitaram entregando na casa de uma pessoa que nem sequer conheciam. (Os olhos de Valerie marejaram.) –E se não fosse o meu pai que tivesse me encontrado? E se fosse uma pessoa ruim? (Lágrimas escorreram. Regina apertou suas mãos com mais força, tendo como objetivo lhe dar apoio, para que ela continuasse.) –Durante tanto tempo, eu quis saber quem eram meus pais biológicos, mas agora, a única coisa que eu sinto é desprezo. Principalmente da minha mãe, foi ela que me gerou, sentiu cada movimento meu em seu ventre, acompanhou meu crescimento dentro dela, a maternidade é um elo tão lindo, criado entre mãe e filho, e ela simplesmente o ignorou.
—Talvez ela tenha abdicado de você para lhe dar uma chance melhor.
Regina tentou reconforta-la.
—Não. Se ela soubesse o que eu já sofri pela ausência de uma figura materna... Eu tenho um pai maravilhoso que me ama, mas uma mãe é insubstituível. Por isso eu fico feliz que Roland tenha você. (Sorri em meio as lágrimas que banhavam seus rosto.)-Eu não quero que ele passe o mesmo que eu... A cada cartão feito dedicado as mães na escola... Era triste chegar em casa e não ter a quem entregar. (Soluçou.)-Eu os guardava, acreditando que um dia a encontraria para entregar, tenho eles até hoje.
—No fundo, você ainda tem curiosidade de saber quem é ela.
—Pode ser, mas eu jamais irei perdoa-la. Já sofri tanto, ela me abandonou e não merece que eu perca meu tempo falando dela, afinal, nem deve se importar comigo, e, sinceramente, eu também não me importo com ela, se estivesse morta não faria diferença, já vivi dezenove anos sem ela.
—Valerie...
—Não fale nada, Regina, ninguém me fará mudar a minha opinião sobre ela.
Disse, levantando-se e se retirando da sala. Regina suspirou, havia tanto rancor no olhar da jovem.
***
A tarde passou rapidamente, Regina achou estranho, até então, Robin não ter voltado, ou sequer retornado as suas ligações.
Começava a ficar preocupada. Escutou uma batida na porta, assim que a abriu, deparou-se com Robin. Percebendo a expressão amargurada que ele carregava em sua face.
—Olá, Regina.
—Robin.
—Precisamos conversar, algo importante aconteceu.
—Eu também acho, Valerie não está bem... Onde você estava? Por que não retornou as minhas ligações? Eu...
—Regina! (Exasperou.)- Por favor, é importante.
Suavizou.
Naquele momento, ela percebeu que algo realmente estava acontecendo... Sentaram-se no sofá.
—O que houve? Você parece aflito.
Robin havia ensaiado durante todo caminho, as palavras que pronunciaria quando a encontrasse, mas, ao encarar aquele olhar, teve a súbita vontade de explicar com exatidão o que estava acontecendo, mas, Marian estava certa, Regina não conseguiria ajuda-lo, definitivamente não poderia contar a verdade a ela.
—Marian, acordou...
Regina não acreditava no que estava escutando... Tudo piorou com as palavras que vieram a seguir.
—Ela quer voltar... Reconstruir nossa família. Isso mexeu comigo... Ela mudou. (Regina franziu o cenho, seus olhos já estavam lacrimejados, não acreditava nas palavras que escutava proferidas da boca do homem que amava.) –Ela está se recuperando, precisa de cuidados... É a minha esposa, mãe do meu filho... Além do mais, eu... (Robin engoliu seco, pela mentira que diria em seguida, tentava encontrar a pouca coragem que lhe restava para prosseguir....) – Eu me apaixonei por você, mas eu a amo.
Aquelas palavras foram o abismo de Regina, que deixou as lágrimas fazerem o percurso pelo seu rosto. Seu coração fora ferido mais uma vez.
—Eu acabei de pedir minha demissão.
Levantou-se rapidamente, seguindo em passos rápidos até a saída, não queria que Regina visse as lágrimas que se formavam em seus olhos. Saiu, sabendo que havia deixado sua felicidade para trás no momento em que cruzou aquela porta. Passou rapidamente pelo corredor, sua tristeza era perceptível pelos funcionários que já sabiam da demissão do amigo, era evidente que algo estava acontecendo... Não compreendiam o motivo, afinal, até então, tudo estava perfeito, ou, pelo visto, quase.
Regina recostou-se na porta, caindo até o chão. As lágrimas banhavam seu rosto. A felicidade não passará de um perjúrio. Estava encolhida, com a cabeça baixa, seus braços envoltos de suas pernas, o chão estava frio, mas ela não se importava. Não havia nada mais frio naquele momento do que sua vida. Passou minutos estagnada daquela maneira. Tentava compreender o motivo daquela decisão...
É desperta por Emma que tentava abrir a porta trancada.
—Regina? O que está acontecendo? Por que ele se demitiu? E você está ai trancada...
Diante do silêncio, ela continua:
—Eu vou falar com o meu irmão... Deve ter alguma explicação.
Saiu atônita.
Regina recordou-se de semanas atrás... Quando havia entregado seu coração a Robin.
“Robin, você pode me prometer uma coisa?”
“O que?”
“Você promete que não irá me ferir?”
“Eu prometo.”
Regina soluçava, tudo não havia passado de uma promessa evasiva. Levantou-se, mas não conseguiu manter-se em pé. Foi atingida por uma náusea, que a fez ver o mundo perder as cores, desfalecendo-se.
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