Corações Feridos
9 A volta da Dama de Gelo
Notas iniciais
-Deve ser difícil para ela... e para você também ser pai solteiro tão jovem. Você e sua esposa fizeram um bom trabalho, Valeire é uma grande garota.
—Digamos que a Marian nunca se importou com ela, Valerie infelizmente cresceu com a ausência de uma mãe. Tentei ser mãe e pai, mas é difícil. Acho também que isso contribuiu para que ela sentisse mais pela falta de uma figura materna.
—Você é um bom pai Locksley.
***
No dia seguinte...
Ao acordar Robin observou as feições de Regina.
“Tão bela, e tão fria. ” Pensou.
Logo a mesma despertou, perceberam que apesar do frio a tempestade havia passado.
—Será que nós conseguimos ajuda?
Pergunta Regina.
—Eu não sei, fique aqui que eu vou procurar.
Regina o cuidou se afastar, não podia negar de quanto o mesmo fora gentil com ela. Não tinha obrigação nenhuma em ajuda-la, mas foi procura-la, mesmo que fosse para ajudar seu pai. Por mais que a mesma não quisesse admitir, pela primeira vez em anos enganou-se em relação a alguém, sabia que Robin era um bom homem, mesmo a tirando do sério as vezes.
Logo ele chegou acompanhado de um guincho, o motorista o ajudou com a caminhonete, no entanto, o carro de Regina não funcionou, sendo assim o motorista acabou por leva-lo.
—Será que você pode me levar até o aeroporto?
Pergunta Regina.
—Você ainda pretende ir para Washington?
—É claro.
—Vamos até o aeroporto então.
Durante o caminho Robin pode perceber o quão nervosa ela estava, não parava de balançar as pernas freneticamente.
—Não se preocupe, vai dar tudo certo.
Disse ele.
—O que? Eu não estou preocupada.
—Ah não, a sua perna não parou um minuto sequer desde que entramos na caminhonete.
—Isso não quer dizer nada Locksley.
Regina odiava a sensação de quanto o mesmo parecia conhece-la.
Por fim chegaram ao aeroporto, Regina começou a se preparar para descer da caminhonete.
—Boa sorte doutora.
—Eu não preciso de sorte, apenas vou seguir meu código “sem erros, sem falhas. ”
Dito isso retirou-se, enquanto Robin cuidava ela se afastar, pronunciou:
-Merece doutora.
***
Os dois dias em que Regina ficou em Washington passaram rapidamente. A mesma foi muito bem tratada, pelos Advogados da Nação. Não tinha do que reclamar sentiu-se tão bem quanto no escritório de sua família, ambos aceitaram o seu pedido de seis meses, porém queriam que a mesma comparecesse duas vezes por mês até chegar ao prazo de sua mudança.
Concordou, estava decidido, dentro de alguns meses se mudaria, e dificilmente encontraria motivos que a fizessem mudar de ideia.
Chegou em frente a companhia de Advocacia Mills, suspirou. Seria a primeira vez em que Regina adentraria o escritório, depois da descoberta da traição de seu marido com sua secretária.
Aquele era o momento de adquirir sua máscara superficial, ser forte. Nem sua família, a viu cair ninguém veria.
A cada passo que dava sentia os olhares pairar sobre ela. Assim que escutaram o barulho dos saltos dos sapatos desta, todos rapidamente assim como sempre faziam, movimentaram-se para realizar suas respectivas atividades, exceto Robin.
Quando Regina passou por ele, o mesmo a cumprimentou.
-Bom dia doutora!
Regina nada disse, passou reto entrando na sua sala.
—Minha musa, a Dama de Gelo está de volta!
Exclamou Graham.
Todos começaram a rir.
Robin descontente com o comportamento de sua chefe, resolve ir atrás dela.
Ao entrar em sua sala, Regina suspirou profundamente, sentou e ao perceber a quantidade de papéis que haviam sobre sua mesa, novamente suspirou. Sabia que viriam muitas horas extras pela frente...
Colocou seus óculos, e começou a ler os papéis. Assustou-se com alguém abrindo a porta. Era Robin.
—Pelo que vejo, a senhora deixou sua educação em Washington.
—Pelo que vejo, o senhor não sabe bater na porta antes de entrar.
—Pois não.
Robin se retira, e volta batendo na porta dizendo:
—Com licença doutora Mills.
Entra e senta-se em uma das poltronas diante da mesa da mesma.
—Qual o seu problema?
Regina questiona.
—Problema algum, diferente de você eu reconheço os meus erros.
—Pois para mim isso tudo não passou de um deboche.
—Nem todo mundo é como você, e se não acredita em mim eu não me importo. Vim aqui saber se deu tudo certo...
—Sempre atrevido não é mesmo? E sim dentro de seis meses não terá mais que me aguentar por aqui.
Ela disse suspirando, enquanto assinava uns papéis.
—Por que você não parece muito feliz? Conseguiu um dos cargos mais importantes do país. A sua família está pesando nessa decisão?
—Como se eles se importassem. Não, não há nada que me prenda aqui, não tenho motivos que me façam ficar.
Regina responde friamente.
—Como você pode falar assim? Eles se importam com você, eles te...
—Já chega Locksley! Estou cansada de escuta-lo! Retira-se e vá fazer seu trabalho!
—Pelo que vejo a Dama de Gelo realmente está de volta. Quando será verão nesse coração gelado? Eu sei que tem uma mulher humana aí dentro, deixe-a sair.
Dito isso ele saiu batendo a porta bruscamente.
Deixando Regina frustrada em sua sala.
“Eu sei que tem uma mulher humana aí dentro, deixe-a sair. ”
—Eu não posso, não posso ser fraca.
Limpou rapidamente a lágrima que escorreu pela sua face.
Duas horas se passaram...
Regina é surpreendida por Killian entrando em sua sala.
—Regina nós precisamos conversar.
—Sente-se.
—Eu gostaria de me desculpar pelo meu comportamento naquela noite, você não merecia ouvir aquilo. Me desculpe.
Ele diz esticando seu braço sob a mesa de sua irmã, e pegando em sua mão.
—Tudo bem.
Ela esboça um pequeno sorriso, mesmo com os olhos marejados.
Killian continua...
-Você sabe como sou estúpido ás vezes, é que eu não quero te perder. Vim aqui para te parabenizar pela conquista! (Killian aperta a mão da irmã ainda mais forte.) -E sobre Zelena, bom você sabe que...
—Eu sei exatamente o que ela quis dizer, é o que todos vocês pensam.
Disse Regina com a voz embargada.
—Regina...Você está bem? Tem algo que eu deva saber?
Antes que ela pudesse responder, são interrompidos por Emma e Belle.
—Regina nós precisamos conversar!
Exclamou Emma.
—O que houve?
—Um engano senhora, me desculpe.
Disse Belle nervosa, sabia o quão rigorosa sua chefe era.
Killian levanta-se e encara a noiva com curiosidade.
—Que tipo de engano? Vocês estão me deixando angustiada!
Regina levanta-se da cadeira.
—Sabe aquele caso do empresário Bittencourt?
—Sim. Eu e Graham estamos nesse caso.
—Então...ocorreu um engano, eu coloquei Graham para trabalhar em outro caso do qual ele está junto do doutor Barcellos, já começaram a trabalhar, sendo assim só sobrou o doutor Locksley, vocês terão de trabalhar juntos nesse caso.
Belle lhe entrega um documento.
—O QUE?
—Me desculpe doutora é que...
—É que você é uma incompetente, que não sabe nem sequer fazer seu trabalho direito! Eu não acredito que terei de passar mais horas o aguentando.
—Regina por favor, ele é meu irmão. Achei que vocês estavam se entendendo. Pelo que parece terão de trabalhar juntos.
—Sim, em família. Mas aqui ele é tão...tão...atrevido.
—Eu sinto muito doutora.
Disse Belle mais uma vez.
—Retire-se, tenho muito trabalho a fazer!
Afirmou, ríspida.
Belle aflita saiu rapidamente.
Killian tenta acalmar a irmã:
—Regina se acalme, você não pode ser tão rude assim com todo mundo.
—Alguém tem que ter pulso firme nesse escritório, estou fazendo o meu apelido ter significado por aqui.
—Acho que você está precisando descansar, venha vamos almoçar.
Regina resolveu aceitar o convite do irmão, e juntamente com sua cunhada, saiu para almoçar. Não era acostumada a fazer tal atividade com eles, esse era um dos poucos momentos que se encontrava com Daniel.
Agora teria que se adaptar com uma nova rotina.
Regina não sabia, mas aquele era o restaurante onde todos os seus funcionários, reuniam-se para almoçar...
Estavam todos animados, rindo e conversando. Até a mesma adentrar o estabelecimento.
Regina e Ruby ainda não haviam se encontrado, até aquele momento. A troca de olhares fora inevitável. Todos analisavam a cena discretamente.
As duas sentiram-se envergonhadas pela situação.
Killian vendo a reação da irmã disse:
—Por aqui Regina.
A guiou até uma mesa.
—Eu não devia ter vindo, estou atrapalhando o almoço de todos por aqui.
Emma e Killian surpreenderam-se com o comentário dela.
—Você não está atrapalhando ninguém.
Logo o garçom surgiu e os três fizeram seus pedidos.
Em uma mesa mais afastada, todos conversavam moderadamente.
Graham se pronuncia.
-Robin porque você não se junta a eles, também faz parte da família, e logo acabará ocupando um cargo importante no escritório.
—Eu jamais aceitarei ocupar um cargo importante, se não for por próprio mérito. Dificilmente me verá naquela mesa, aquela mulher é extremamente complicada.
—Eu trabalho naquela empresa há seis anos e nunca a vi sorrir!
Completou doutor Barcellos.
—Deve ficar mais linda ainda.
Concluiu Graham.
“Radiante.” Pensou Robin.
No dia seguinte...
Era uma daquelas tardes em que Regina estava extremamente irritada.
—VOCÊ É UMA INCOPETENTE BELLE! EU NÃO SEI O QUE MEU PAI VIU DE BOM EM VOCÊ! SAIA DAQUI!
Um grupo de funcionários escutava os berros da chefe atrás da porta.
Robin não aprovava nem um pouco o comportamento de sua chefe, acreditava que a mesma não podia tratar seus funcionários tão bravamente, não podia humilha-los. Somente por acreditar que eram inferiores a ela.
Questionou a si mesmo, se ele era o único capaz de enfrenta-la?
As horas se passaram... A noite havia chegado, a maioria dos funcionários haviam partido. Regina estava cansada, decidiu que faria o mesmo.
Ao sair de sua sala, percebeu um grupo de funcionárias em volta de uma das mesas.
—Onw que fofo! Ele vai ser lindo!
—Será que vai parecer mais com você, ou com o senhor Daniel?
Mesmo de longe Regina pode ouvir os comentários delas.
Ao perceberem a presença da chefe, trataram de recolher suas coisas, e saíram apressados.
Acabaram esquecendo a imagem do ultrassom em cima da mesa, o que chamou a atenção de Regina, olhou em volta, não havia sinal de alguém no escritório.
Sendo assim o pegou, e analisou atentamente. Seus olhos adquiriram tristeza, logo marejaram... Ruby e Daniel teriam uma menina. Lágrimas escorreram pelo seu rosto.
Precisava ficar só, sentia-se,frustrada. Era como se a vida quisesse a derrubar constantemente.
Largou o exame onde estava, e tratou de entrar na primeira porta que viu.
Robin decidiu ficar até mais tarde, teria um caso importante no dia seguinte.
Porém não sabia por que motivo, recordava-se repetidas vezes das palavras da vovó Granny’s naquele fim de semana.
“[...] permita-se amar novamente, não deixe seu coração ferido para sempre.”
“Não é tão fácil assim vovó, entregar meu coração a alguém. Amar é um sentimento intenso, belo, entretanto, uma das partes sempre sai machucada e infelizmente isso acontece comigo. O amor é algo que não terei mais em minha vida, é algo que só uma pessoa que já se feriu tanto quanto eu, irá compreender. ”
Celine Dion — Because You loved me
Seus devaneios são interrompidos por alguém abrindo a porta de sua sala apressadamente. Para sua surpresa era Regina, em meio ao pranto.
A mesma não havia percebido que adentrou uma sala ocupada. Fechou a porta, e escorando-se nela. Seus olhos estavam fechados, lágrimas inundavam seu rosto, chegou até a soluçar de tanto chorar.
Robin não sabia o que dizer, jamais pensou em vê-la daquele jeito.
Por fim, ela abriu os olhos e surpreendeu-se ao encarar aqueles belos olhos azuis.
—Locksley? O que está fazendo aqui?
—Essa é minha sala, estava trabalhando.
Regina encara ao redor, percebendo que de fato era a sala dele. Limpando o seu rosto profere:
—Essa sala ficou tanto tempo vazia, que ainda acho que ela está desocupada. Bom, de qualquer forma desculpe por perturba-lo.
Ela disse envergonhada, fazia muito tempo que alguém lhe via chorar.
Se virava para abrir a porta e retirar-se, mas antes que saísse sente as fortes mãos de Robin sob a sua.
—Espere! (Ambos se encaram, olham para as mãos e Robin que a solta em seguida.) –A senhora está bem? Posso ajuda-la?
—Você deve estar feliz não é mesmo? Estou sendo humana, fraca, inútil!
—Como você pode dizer uma coisa dessas? Jamais ficaria feliz em ver a infelicidade de alguém. Como pode ser tão fria? Qual o motivo? O que há de errado? A traição do seu marido não deve ser a única justificativa, por que minha mulher também me traiu. E nem por isso trato as pessoas da mesma forma que você. Eu não sei por que, mas sinto que há algo a mais, o que a vida lhe roubou Regina?
—Todo mundo já passou por alguma situação terrível, capaz de nos afetar tanto, sendo impossível voltar a ser a pessoa que éramos antes.
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