Corações Em Chamas
8 O Corpo No Precipício.
Três dias desde o sequestro, já haviam se passado, e nenhuma notícia de Guilherme. A polícia estava nas buscas, mas não tiveram nenhuma noticia. Já haviam rodado quase toda a cidade, deixando apenas as praias, e alguns bairros mais reservados. Era dia de buscas nas praias e arredores, e o corpo de bombeiros estava em parceria com a policia. Jonathan, como em todos os dias, estava acompanhando as buscas, pelo periodo da manhã. Igor estava acompanhando as buscas junto com Jonathan hoje.
Já marcava quase 12:00 hrs, quando eles fizeram uma pausa nas buscas pra almoçar. Jonathan e Igor, aproveitaram que a lancha dos bombeiros voltou pra praia, para irem embora. Jonathan tinha que ir pro restaurante, e Igor tinha que gravar para o nova série que ele estava fazendo.
– Obrigado por vir hoje. É bom ter um amigo por perto. — Jonathan agradeceu, pegando a mão de Igor.
– De nada. Quero uma trégua. Chega de tanta briga.
– Claro que sim.
– E quando encontrarmos o Guilherme, eu serei o... o... eu serei o... — Igor não conseguia terminar a frase.
– Você será o...? — Jonathan insistiu.
– O padrinho de vocês. — Igor tentou não parecer enojado ao dizer a palavra "padrinho".
– Isso se ele aparecer... — Jonathan baixou a cabeça, mas sem forças pra chorar. Isso era a única coisa que ele tinha feito esses dias. Chorar.
– Ele vai aparecer. Ei, pensamento positivo. Vamos achar ele sim.
– Deus te ouça amigo. — Jonathan deu um abraço em Igor. — Bom, agora tenho que ir pro restaurante.
– E eu tenho que ir gravar. Essa vida não é fácil.
Os dois se despediram e seguiram pros seus respectivos carros.
Duas horas mais tarde, o restaurante cheio, muitos pedidos, um dos garçons que estava no seu horário de almoço procura Jonathan, e o encontra na cozinha. Vai até perto dele e fala:
– Patrão, podemos conversar?
– Agora não tem como Bernardo. Se eu sair da cozinha, pode dar crise no restaurante. É importante?
– Muito importante. Por que você não me deixa na cozinha, e corre lá no seu escritório e liga a televisão?
Jonathan olhou com um olhar desconfiado pra ele, mas tirou o avental, e o chapéu, e entregou a Bernardo. Subiu as escadas correndo e ligou a televisão, começou a passar os canais, até que em um noticiario, chamou sua atenção. Jonathan não acreditou quando leu a legenda que dizia: "Corpo de um jovem é encontrado sem vida pelos bombeiros, próximo a praia." Jonathan procurava um apoio, para não cair no chão, quando o sargento, que cuidava do caso apareceu na tela. Jonathan não aguentou mais, e desmaiou, batendo um dos braços, sobre uma bandeja de taças de vidro, fazendo um barulho estrondoso.
Bernardo ouviu o barulho, e ficou preocupado. Quando chegou Demitri, o chef do restaurante, Bernardo largou tudo na mão dele, mandando ele correr com os pedidos, porque ele tinha que ajudar o patrão. Bernardo correu pro escritório e encontrou Jonathan jogado no chão. Chegou próximo a ele, verificou o pulso. Começou a procurar uma garrafa de alcóol, que sempre ficava ali, mas não encontrava. Foi então que ele olhou dentro do armário, e a viu no canto. Pegou a garrafa, e botou perto do nariz de Jonathan, pra ele cheirar e recuperar a consciência. Jonathan foi acordando, mas ainda muito zonzo.
– O que aconteceu? Guilherme? Cadê o Guilherme? — Jonathan perguntava aflito.
– Calma patrãozinho. Você agora precisa ser forte. Muito forte mesmo.
– Não... Bernardo, não.
– Sinto muito patrão. — Bernardo colocou sua mão sobre o ombro de Jonathan, que caiu no choro. Jonathan então levantou e limpou o rosto.
– Eu tenho que ver isso. Não pode ser ele. Não pode! — Jonathan pegou a chave do carro em cima da mesa e saiu correndo.
Entrou no carro depressa. Ligou o carro e viu Bernardo na porta do restaurante. Deu uma última olhada e seguiu. Jonathan estava com tanta pressa, que nem os sinais de trânsito estava respeitando.
Depois de dirigir por quase uma hora, finalmente chegou ao local. Estacionou o carro de qualquer jeito, e saiu correndo. O local estava cheio de repórteres, radialistas, policiais e curiosos. Jonathan tentou passar abrindo passagem no meio da multidão, mas estava dificil. Tentou passar pela faixa de interdição, mas um dos policiais impediu.
– Amigo, não pode passar dessa fita. — Disse o policial.
– Mas eu tenho que passar. Sargento Lucas! Sargento Lucas! Me ajuda aqui. — Jonathan gritava pro sargento, que era seu conhecido.
No mesmo momento, um monte de repórter se aproximou de Jonathan fazendo perguntas.
– O senhor conhecia a vitima? — Perguntava uma reporter da CNN.
– A vitima tinha alguma possível rixa? — Perguntava um reporter da Globo News.
– É verdade que a vitima era gay? — A mesma reporter da CNN perguntou.
– CHEGA! — Jonathan deu um grito. — Se vocês não respeitarem a memória do Guilherme, eu vou acabar com a carreira de vocês. Ousem falar qualquer besteira sobre ele, que vocês vão se ver comigo no tribunal. E chega de perguntas.
O Sargento Lucas autorizou a entrada de Jonathan na parte restrita.
Jonathan foi fazer o reconhecimento do corpo, e levou um susto. Quando ele olhou, não acreditou no que viu.
– Ai meu Deus... — Foi a única coisa que Jonathan conseguiu dizer.
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