Corações Em Chamas
15 E... Corta!
Igor estava no escritório de sua casa, quando uma empregada bate na porta.
– Pode entrar.
– Com licença. — A empregada abriu a porta e entrou. — Tem uma pessoa querendo falar com o senhor. Ela insiste.
– E você não perguntou quem é? E se for algum repórter?
– Ela disse que se chama Marcela.
Igor que estava de costas pra empregada, na mesma hora virou.
– Marcela. Mande ela entrar. E traga um suco pra nós. Vai.
– Licença.
A empregada saiu, e Igor se ajeitou. Essa conversa ia ser boa. Marcela entrou no escritório com um sorriso forçado pra Igor, que foi abraça-lá, mas ela recusou.
– Marcela. Que honra, ter você aqui na minha casa. Fico feliz em te ver.
– Mas eu não posso dizer o mesmo.
– Sempre brincalhona. — Igor finguiu um sorriso. — O que lhe trás aqui?
– Isso... — Marcela tacou na mesa, uma cópia do jornal sobre a morte de Guilherme, e uma imagem da série que Igor assistia, na qual a pessoa assinava as mensagens anônimas como "-A".
Igor olhou pra Marcela, sem entender nada.
– O que seria isso?
– Ah, você não lembra? Então, vamos recapitular. — Marcela sorriu pra Igor. — Essa é uma série que você assiste. Nela uma menina some, e as amigas dela, ficam recebendo mensagens anônimas, de uma pessoa que assina como "-A". Esse aqui, é o jornal em que mentiram sobre o Guilherme. E olha... Assinado por "-A" também. Agora, vamos lembrar da noite que você fez eu, Michael e Jonathan assitir essa série com você. Você disse exatamente "Assinar as mensagens anônimas com o nome de -A, é genial. Eu faria o mesmo, se fosse -A".
Igor mudou sua cara de felicidade completamente.
– E aonde você quer chegar com isso tudo?
– Foi você Igor. — Marcela olhou séria pra ele. — Você soltou essas mentiras sobre o Guilherme. E eu não duvido nada, que você esteja envolvido nesse desaparecimento dele.
– Quer saber de uma coisa? Fui eu mesmo. — Igor limpou a lágrima que saia de seu olho. — Fui eu que escrevi isso sim. Você demorou só 1 ano pra descobrir isso tudo? Poxa, achei que você fosse mais esperta Marcela. Me enganei.
– Eu sabia. Você não vale nada.
– Já que você quer saber tudo, eu vou te contar. Senta querida. — Igor sentou no sofá, e olhou pra Marcela, que estava com cara de surpresa. — Você sempre esteve certa. Sempre.
– O que você quer dizer com isso?
– Fui eu quem mandei sequestrarem o Guilherme. — Marcela não acreditava, que ele estava lhe contando tudo. — Sabe por que?
Marcela balançou a cabeça negativamente.
– Porque eu odiava aquele imbecil. Ele não podia ficar com o Jonathan, porque se não meu plano não daria certo.
– Plano? Que plano?
– Você não acha, que eu gosto do Jonathan né?! — Igor deu uma risada. — Eu nem gosto de homens. Eu tenho uma namorada. O Jonathan, é só pra mim fazer uma coisinha.
– Que coisinha é essa Igor?
– Acho que você está querendo saber demais já. — Igor se afastou. — Mas okay. Vou te contar. Sabe por que? Porque você não vai poder contar pra ninguém mesmo, ou eu te mato. — Igor mandou um sorriso pra Marcela, que estava assustada. — Enfim, o pai do Jonathan tinha negócios com o meu pai. Meu pai comprou ações do pai de Jonathan, achando que nós iriamos ficar mais ricos. Mas na verdade, a gente perdeu tudo. O pai dele, passou o meu pra trás. Meu pai ficou tão furioso, que ele pegou o carro e saiu dirigindo que nem louco. — Igor estava chorando. — Ele sofreu um acidente. Esse acidente, fez ele ir pro hospital. Lá ele morreu. Ele morreu, por causa do pai do Jonathan. Naquele dia, eu prometi vingança. É isso que eu quero. Vingança.
– Nossa... — Marcela estava chocada com tudo que acabou de ouvir. — Mas o Jonathan não tem nada a ver com isso, Igor.
– Claro que tem! — Igor gritou, fazendo Marcela se assustar. — Ele é filho do culpado, pela morte do meu pai.
– Mas calma... E como você tem tudo isso agora?
– Eu fui o único herdeiro do meu avô. Você não sabe o que eu tive que fazer, pra manter minha situação boa. Eu quando perdi tudo, fui morar com o meu avô. Eu não poderia assumir nada, até ter 18 anos. Quando eu completei 18 anos, eu tive que matar o meu avô. Meu próprio avô. — Marcela se levantou, e foi pra mais próximo da porta. — Numa certa noite quando iamos jantar, eu coloquei uma substancia na sua comida. Ele teve uma ataque do coração. Mas antes disso, ele tentou pegar os remédios dele. Eu na mesma hora, taquei todos no vaso e dei descarga. Mas ele viu. Ele tentou me bater, mas acabou caindo nos meus braços. Ele morreu nos meus braços. — Igor não parava de chorar. Ele olhou pra Marcela, que estava com cara de medo e disse. — Você tem que ir.
– Eu... Eu... Eu vou. Agora.
– Não estou falando embora. — Marcela se assustou com o jeito como ele falava. — Você tem que morrer.
– Não Igor. — Marcela estava muito assustada. — Eu prometo, que nunca vou contar dessa nossa conversa pro Jonathan. Não vou contar pra ninguém.
– Eu sei que não. O Jonathan nunca iria te escutar. Eu convenci ele, de que você não é boa companhia.
– Então... Não precisa temer. É nosso segredo.
– Você sabe demais. Tem que sumir.
– Eu sumo. Vou embora do país. Só me deixa em paz. — Marcela estava chorando muito.
– Certo... Você não faz parte da minha vingança. Some do mapa, e nunca mais volte. VAI! — Igor gritou, fazendo Marcela correr assustada.
Igor limpou sua cara, e começou a pensar no que fazer. Ele não podia demorar mais com a sua vingança. Tinha que terminar logo. Não era seguro, ficar ali.
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