Já se passava das 8:30hrs da manhã, quando sai de casa. Passei na loja de informatica, pra comprar uma peça que estava faltando, pra uma coisa lá em casa. Em menos de 30 minutos, cheguei no restaurante. Paguei o taxista, e sai. Olhei meu relógio, e marcava 8:50hrs. Entrei no restaurante, e o Jonathan veio falar comigo.

– Olha meu mais novo funcionário. — Jonathan falou me abraçando.

Meio sem graça, respondi:

– Cheguei. — Sorri pro pessoal que estava lá pra me cumprimentar. — Bom gente, meu nome é Guilherme. Serei o mestre cuca da casa. Espero me dar bem com todo mundo, enquanto eu trabalhar aqui.

– Como assim, enquanto eu trabalhar aqui? — Jonathan perguntou baixinho, com cara de preocupado.

– Eu quero algum dia, poder ter meu próprio negócio. Espero que não tenha problema. Tenho o sonho de ter meu restaurante.

– Claro que não tem problema. — Ele sorriu pra mim. — Espero te ajudar no seu sonho.

Sorri pra ele, e o abraçei. Então lhe disse:

– Obrigado por tudo. Espero um dia poder te retribuir tudo que está fazendo por mim.

– Não se preocupa. Sua felicidade, já é retribuição suficiente. — Jonathan pegou na minha mão. Eu respondi ao seu toque, e botei a outra mão por cima. Ele me olhou e deu um sorriso de canto de boca pra mim.

Reparei que todo mundo ainda olhava, e respirei fundo. Jonathan percebendo, me deu um tapa nas costas, e disse:

– Vamos trabalhar?

– Claro. — Respondi.

– Vou te mostrar tudo. Hum... Cássio, pegue minha mochila lá no carro?

– Mas é claro patrão.

Jonathan jogou as chaves, e Cássio agarrou.

– Vamos começar pela cozinha. — Jonathan disse me guiando. — E vocês pessoal, vamos a suas tarefas. Vão ao mercado, açougue, padaria, feira e deposito de bebidas. Ah... Falem pro Cássio ir na feira de vinhos. Hoje tem uma ótima, e ele sabe onde fica.

– Okay... Eu mesmo falo com ele seu Jonathan. — Eric, um garçom antigo da casa, disse.

– Obrigado Eric. — Jonathan virou pra mim e sorriu. — Vamos?

– Sim, sim.

Depois de me mostrar quase tudo, ele me levou ao escritório, para enfim, assinar a carteira de trabalho.

– Deixe me ver... Hum, aqui. Prontinho.

– Nossa, seu Jonathan...

– Não, não, não, não... Me chame apenas de Jonathan. — Ele falou pegando minha mão.

– Okay. Jonathan, muito obrigado. Não sei como te agradecer por tudo.

Jonathan levantou, e me puxou pra sentar no sofá que tinha ali.

– Eu já disse, que sua felicidade basta.

– Posso te perguntar uma coisa?

– Claro que pode. Você pode perguntar qualquer coisa.

– Por que, você está sendo tão legal comigo? Você nem me conhece, e me botou pra trabalhar num cargo de responsabilidade.

– É pra ser sincero?

– Sim, por favor.

Jonathan respirou fundo, e começou:

– Não sei se você é, ou não, mas eu assim que te vi, senti uma coisa. Não vou mentir. Fiquei com muita vontade de te beijar. Eu acho que estou gostando de você. Não... Espera... Eu tenho certeza, que eu gosto de você.

Uau, minha cabeça começou a girar. Em um momento, era eu, no outro era alguém que eu não sabia. Se é que tinha alguém em mim. Minha mente parou. Não sabia o que responder. Então, eu agi. Dei um beijo em Jonathan. Minha boca, se encaixava perfeitamente na dele. Ele tinha um gosto de chiclete de banana. Era o melhor beijo, da minha vida. E era meu primeiro beijo, com homem. Parecia errado, mas era muito bom. Jonathan então, me deitou no sofá, e me beijando, foi me acariciando. Ele tinha a pegada forte, mas ao mesmo tempo, leve. Algo indescitível. Então ele sem parar de me beijar, disse:

– Eu... quero você. — Parou de falar pra me beijar, e continuou. — Você ta me deixando muito louco. Te quero Guilherme.

Continuei a beija-lo, e quando ia responder, reparei algo na porta, que me fez parar. Jonathan quando viu, também parou, e se levantou. Me recompus, e sentei formalmente.

– Você? — Jonathan perguntou surpreso.

– Então é esse o tipo de serviço que você faz aqui né?! Baixo até pra você, seu mofo. — Igor disse, insultando Guilherme.

– Olha aqui, Igor... Você não vem ofender o Guilherme aqui não. — Jonathan disse, indo pra cima de Igor.

– Não, não, não... Não vale a pena Jonathan. — Guilherme conteve Jonathan. — Ele não é digno, de que você encoste nele. Ele na verdade, não é digno de nada. Nem de pena.

– Você não sabe nada de mim mofo.

– Sei o suficiente, pra ter muito cuidado com você. Sei que você é um desequilibrado mental, que você não tem amigos nenhum, que você tinha tudo pra ser reconhecido, mas prefiriu infernizar a vida do Jonathan, só porque ele te dispensou. Mas a vida é assim mesmo. Tem gente, que é totalmente substituivel. E você, é uma delas. — Guilherme falou num tom de provocação.

Igor, estava tentando segurar as lágrimas, mas uma escorreu pelo seu rosto.

– Você acha que vai ficar com ele? — Igor limpou a lágrima, e começou a sorrir.

– Isso não é uma disputa. O Jonathan não é um troféu. E mesmo que fosse, você é a última pessoa, que merece ter ele. Se toca...

– Você já era. — Igor sorriu. — Vou acabar com você.

– CHEGA! — Jonathan gritou. — Seguranças... Você vai sumir daqui. E estará proibido de entrar aqui. Cansei de você.

Os seguranças chegaram no escritório.

– Levem ele, e proibo a entrada dele, aqui.

– Isso mesmo. Me levem pra fora desse restaurante sem classe. Sabe de uma coisa Jonathan? Esse rostinho lindo do Guilherme, pode sumir com um estalar de dedos. Tudo depende de mim. — Igor disse sorrindo.

Guilherme ia pra cima de Igor, mas Jonathan segurou ele. 965592133

– Tá me ameaçando? — Guilherme perguntou furioso.

– Não falei com você, pele de porco. — Igor olhou com cara de desdém para Guilherme. — Enfim, beijos Jon. Seu gostoso.

Igor saiu desfilando, e repetindo a mesma frase:

– Não toquem em mim. Seus imundos.

Jonathan, sentou no sofá, todo jogado.

– Acabou. — Disse Jon, me puxando. — Vem cá. Ele não vai mais nos perturbar.

– Não. — Falei levantando. — Não acabou. Nunca vai acabar, se "isso" continuar.

– Como assim, "se isso continuar"? O que você quer dizer?

– Exatamente o que você pensou. — Disse com a voz triste. — Talvez eu tenha me equivocado, quando aceitei o emprego. Isso tá errado. — Falei correndo.

– Guilherme, espera. — Jonathan gritou.

– Me desculpa, mas eu não posso.

Guilherme saiu pela porta do restaurante correndo, e Igor que estava entrando em seu carro viu. Igor na mesma hora, ligou pros seus capangas.

– É agora. Tem que ser agora. — Igor ordenou.

– Mas agora patrão? — Um de seus capangas achou estranho. — O senhor mandou não fazer nada agora, só seguir.

– Eu sei o que eu mandei. Mas agora, estou mandando você fazer outra coisa. Vocês vão receber, pra cumprir ordens, e não contestar elas. Entendido? — Igor se irritou.

– Desculpa patrão. Então vai ser aquele serviço mesmo?

– Não... Pensando melhor, cheguei a conclusão, de que tem que parecer um acidente agora. Então, vocês vão fazer parecer isso. Não é pra matar. Pelo menos por enquanto não... Só um acidente. Agora façam. Estarei assistindo tudo. Agora! — Igor desligou o celular, e se sentou pra assistir tudo.

– Agora. Patrãozinho mandou, e temos que fazer, porque ele está vendo tudo. Vamos. — Eles ligaram o carro, e se encaminharam, pra fazer o serviço deles.

Jonathan saiu pela porta, e quando viu Guilherme atravessando a rua gritou:

– Guilherme, me espera.

Guilherme virou, pra Jonathan chorando, e disse:

– Não...

De repente, Guilherme parou de falar, e foi jogado pro alto. Passando por cima do carro, e caindo no chão, Guilherme ficou inconsciente. Jonathan quando viu a cena, deu um berro.

– GUILHERME!

Jonathan começou a correr, passando pela frente dos carros. Se tacou de joelhos, sem se importar em rasgar sua calça, ou machucar seus joelhos.

– Meu Deus... Por minha culpa, isso aconteceu. Chamem ajuda. Rápido! — Jonathan gritava, desesperado. — Vai ficar tudo bem, meu anjo. Prometo.

Enquanto Jonathan estava desesperado, Igor estava rindo de tudo. Gargalhava sem parar.

– Bem feito imbecil. Isso, é pra você aprender a não mexer com o homem dos outros. Ele era parte do meu plano, e você acha que pode tirar ele assim? — Deu mais uma gargalhada. — Obvio que não idiota. Agora você vai pagar por tudo. É só o começo!