Corações Em Chamas

7 Corra Guilherme, Corra!


Já tinha se passado 30 minutos, desde a hora em que avisaram que Guilherme, havia desaparecido misteriosamente de seu quarto. Policiais andavam de um lado para o outro, conversando com as pessoas presentes no local, em busca de alguma pista, que os levassem até o paradeiro de Guilherme. Igor não saia do celular pra nada. De repente toda aquela preocupação que ele tinha, parecia ter ido embora. Marcela não parava de encarar ele. Michael percebendo, disse:

– Que foi amor?

– Ele está muito calmo, pra quem estava todo preocupado com o Guilherme a poucos minutos.

– E o que você está pensando? Não é o que eu imagino né?!

– Amor, você me conhece melhor que ninguém. Preciso descobrir isso Michael. — Marcela levantou e começou a caminhar na direção de Igor.

– Marcela não... Amor. — Michael segurou seu braço. — Não faz nada aqui. Vai deixar o Jonathan ainda mais preocupado. Pensa no seu amigo.

– Michael, não posso deixar isso passar assim.

– Mas não faz sentido amor. Ele estava aqui o tempo todo. Ele não saiu daqui pra nada. Pensa amor...

Marcela olhou pra Igor, depois pra Jonathan, que estava sentado no canto da sala parecendo um zumbi, de tanto que tinha chorado, e olhou pra Michael.

– Desculpa amor, mas eu preciso. — Falando isso, Marcela se soltou e parou em frente Igor, que por sua vez levantou a cabeça e fez uma cara de desentendido.

– Que foi? Tem noticias do Gui?

– Não seja sinico sua praga.

– O que? — Igor fingiu estar surpreso com o xingamento de Marcela.

– Para de palhaçada. Eu sei que foi você quem sequestrou o Guilherme. E vou te dizendo... É melhor você devolver meu amigo, em ótimo estado, porque se algo acontecer a ele, eu sou capaz de te matar.

– Mas eu não fiz nada, Mâ. — Igor botou a mão no peito, fazendo cena.

– Deixa de ser fingido. Foi você e eu tenho certeza. Só preciso contar pra policia, e eles vão começar a te investigar, e descobrir seus podres. — Marcela falou num tom desafiador.

– Se eu fosse você, não contaria NADA pra policia. Isso se você gostarv mesmo do seu amiguinho vivo. — Igor sussurou.

– Então ele está mesmo com você! Eu sabia. Devolve meu amigo, seu crapula.

– Eu não dise que ele está comigo. Apenas pra você ter muito cuidado.

– Foi você e eu tenho certeza. — Marcela gritou.

Percebendo que todos olharam, Igor resolveu usar aquilo a seu favor.

– Marcela, você está muito abalada amiga. Eu te desculpo por falar essas coisas horriveis.

Jonathan e Michael chegaram perto deles.

– O que está acontecendo aqui? — Jonathan perguntou, com a voz fraca.

– A Marcela está muito nervosa com tudo. Entendo ela.

– Mentira dele Jonathan. Ele está com o Guilherme. Ele que sequestrou o Guilherme amigo.

– O que? — Jonathan olhou pra Igor.

– Mas Mâ, como eu estaria com o Gui, se eu nem sai daqui? Amiga, eu jamais sequestraria alguém. Principalmente alguém importante pro Jonathan.

– Realmente não faz sentido Marcela. Ele não saiu daqui. — Jonathan falou.

– Mas foi ele Jon. — Marcela insistiu.

– Vamos fazer o seguinte... Minha presença está deixando ela descontrolada. Eu vou pra casa, e qualquer noticia que vocês tiverem, vocês podem me ligar. Não importa a hora. Tá bom? — Igor falou.

– Okay Igor. Valeu pela força. — Disse Jonathan.

– Tchau gente. — Igor virou saindo, mas não resistiu e se virou novamente. — Ah Marcela, se cuida.

– Idiota.

Igor saiu do hospital e correu pro seu carro. Deslizando pelo banco, ligou pra um de seus cumparças:

– E ai... Como está essa aberração?

– Patrãozinho, ele dorme feito um principe. — Falando isso, ele e seu parceiro começaram a rir pelo telefone.

– Ótimo.

– Mas agora o que a gente faz com ele?

– Joga ele em qualquer lugar. De preferencia bem longe daqui. Sumam com ele, e depois vocês vão receber.

– Jogar ele aonde?

– Ai sei lá... De algum penhasco de preferencia.

– Tem certeza patrão?

– Absoluta. Vocês resolvem. Mas tem que ser longe.

– Entendido.

Igor desligou o celular. Um dos bandidos olhou pro outro preocupado, e o outro perguntou:

– E ai, é pra fazer o que?

– Qualquer coisa. De preferencia jogar de um penhasco.

– O que? — Ele ficou assustado com essa ideia. — Isso é muito mais do que estamos acostumados a fazer cara.

– Foi o que eu pensei também.

– E agora cara? A gente já está metido nessa até o pescoço. Temos que terminar o serviço, pra receber e fugirmos daqui.

– Verdade... Vamos terminar com esse serviço logo.

Guilherme começou a despertar.

– Hum... Aonde eu estou? Por que estou amarrado? Ai... — Guilherme estava muito sonolento ainda. — Minhas costas estão doendo. Ai... Quem são vocês?

– Essa não! — Um dos bandidos disse.

– Prazer vossa alteza. Estamos levando você pra dar um passeio.

– Mas quem são vocês? Eu não os conheço. E por que estou amarrado?

– Não se preocupa. Nós somos seus amigos. E você está amarrado, porque nos preocupamos com você.

– A gente tá ferrado. Estamos ferrados. Acabou tudo. Ele viu nosso rosto. Estamos ferrados, estamos ferrados, estamos ferrados. — Um dos bandidos não parava de repitir essa frase.

– Não cara. Não estamos, não.

– Gente, vocês estão me assustando. Me soltem. Me deixa voltar pra casa. Aonde estamos? Eu não conheço esse lugar. Por favor, me soltem. — Guilherme começou a chorar.

– Cala a merda da boca. — O bandido gritou para Guilherme.

– Se você quiserem dinheiro eu não tenho. Eu juro. Sóme deixem ir, e eu não conto pra ninguém. Por favor.

– Você quer sair? — O bandido parou o carro, saiu dele, abriu a porta dos fundos, e soltou Guilherme. — Você tem 10 segundos pra correr, ou eu vou te pegar.

– O que você está fazendo cara? Ele vai fugir.

– Deixa ele. Corre! — O bandido que soltou Guilherme gritou.

Guilherme começou a correr. Ele entrou na mata que tinha na beira da estrada, e começou a desviar das àrvores.

– 9... 10. Ai vou eu amiguinho. — O bandido pegou um revolver e começou a correr. Entrou na mata correndo e escutando os passos de Guilherme. A mata estava muito escura, devido ao horário.

Guilherme estava correndo o mais rápido que podia. De repente, houve um barulho estrondoso. "PAAAAH". Guilherme parou de correr. Quando se deu conta de que era barulho de tiro, ele se meteu no meio de uma moita que tinha ali. Barulho de passos, se aproximavam. Guilherme estava tentando ao máximo segurar o choro. Os passos ficavam cada vez mais altos. Do nada, os barulhos de passos sumiram. Guilherme viu um farol de carro, ao longe. Quando ele achou que estava sozinho, correu em direção ao farol. Ele correu tanto, que começou a sentir as dores do acidente. Os barulhos de passos voltaram. Eles estavam ficando mais perto. Guilherme olhou pra trás enquanto corria, e viu que era um dos sequestradores. Ele segurava uma arma enquanto corria na direção de Guilherme. Quando Guilherme virou pra frente, ainda correndo, tropeçou e caiu. Ele olhou na direção do carro, e viu que tinha voltado pro ponto de inicio. Assustado, começou a rastejar enquanto o sequestrador que corria em direção a ele, se aproximava.

– Parece que você não conseguiu fugir de mim.

– Por favor, não faça nada. — Guilherme estava chorando.

– Vem cá... — O sequestrador levantou Guilherme e segurou ele pela camiseta. — Tá vendo aquele mar ali embaixo? Então, ele vai ser seu novo lar. Mas só do seu corpo, porque sua alma vai pro inferno. — Ele falou apontando pro mar, que tinha na beira da estrada.

– Por favor... Eu imploro. — Guilherme não conseguia parar de chorar.

– A cara... Pelo amor de Deus. Fica que nem homem. Você só vai morrer. Vai doer um pouco por causa das pedras.

O bandido jogou a arma pra trás, e segurou Guilherme com as duas mãos. Se aproximando da beirada, ele empurrou Guilherme, que por reflexo o puxou também. Os dois cairam, rolando pelas pedras.

O parceiro do sequestrador quando viu a cena, saiu correndo, pra ver de perto o que tinha acabado de acontecer. Olhou pra baixo, mas não encontrou nada. Nem vestigios dos dois.

Ele com medo voltou ao carro, e fugiu dali, esquecendo a arma do amigo no chão.