Coração selvagem

32 XXXII - Decisão


O resto do ano foi calmo e meu natal e ano-novo foram ótimos, passei os dois com Atsushi. No nosso último ano as coisas começaram a ficar complicadas, eu entrei num cursinho para a faculdade, mas não fazia ideia do que queria fazer.

— Eu não sei, já disse.

— Então não faz nada. – Atsushi disse.

Estávamos deitados na cama dele, nus e debaixo das cobertas.

— Obrigada pelo incentivo. – ironizei.

Ele riu.

— Eu não quero fazer faculdade.

— Por quê? – perguntei surpresa.

— Eu quero ser dono de um restaurante e não preciso de faculdade pra isso.

— Não sei por que não fico surpresa. – deixei uma risada escapar – Mas já pensou em fazer outra coisa?

— Não. Eu quero e um dia eu vou fazer. – ele sorriu – Por quê? Está com medo de eu não conseguir sustentar você?

— Eh? – corei – M-Me sustentar?

— Hai.

— E-Eu não preciso ser sustentada! Vou ter um emprego! – gaguejei.

Ele sorriu, me olhando.

Baka—chin. – ele disse – Você é lenta.

— Eh? N-Nande? Baka!

— Porque vamos casar um dia.

— Baka! – corei – Não diga essas coisas!

Ele riu.

— Hai, hai. – ele disse, deitando em cima de mim e me beijando.

— Baka... – corei, desviando o olhar – Quer mesmo ficar comigo?

Ele pôs gentilmente a mão em minha bochecha e me fez olhá-lo.

— Quero. – ele sorriu – Nunca vou achar uma garota que cozinhe tão bem.

Fiz cara de tédio e o empurrei para o lado. Ele riu e eu levantei da cama, mas Atsushi segurou meu braço e me puxou para a cama novamente, me beijando. Não sei o que ele fazia, mas eu não conseguia ficar com raiva dele. Principalmente quando ele queria dormir comigo.

...

As meninas e eu conversávamos no vestiário, depois do treino.

— Eu quero ser pintora. – Amaya sorriu.

— Eu estou entre professora e advogada. – Madoka disse, pensando.

— Fotógrafa. – Mitsue sorriu.

— Enfermeira de colégio. – Harumi disse – Acho legal.

— Médica. – Katsumi sorriu.

— Quero trabalhar numa editora, revisando livros. – Yuka disse – Amo ler – sorriu.

— Sério? – Madoka disse – Pensei que seria escritora. – riu.

— Não. – ela riu.

— Eu ainda não sei. – disse – Não faço ideia.

— Mas você vai descobrir. – Katsumi sorriu – Talvez leve um tempo, mas vai.

— Hai. – Mitsue disse – E de repente o que você quer nem depende de faculdade.

— Sério? – disse – Mas pra ser alguém não tem que fazer faculdade?

— Não necessariamente. – Madoka disse – Eu bem que não quero decorar todas essas leis, mas quero advogar, então... – ela deu de ombros – O mesmo para ser professora.

— Hai. – sorri levemente – Já pensou em ser professora de direito?

— Hum, não. – ela riu – Boa ideia!

Eu ri. Comecei a pensar no que queria fazer, eu gostava de fazer tantas coisas. Eu gosto de ler, de computadores, de paisagem, de tirar fotos... Mas nada disso se encaixa bem para mim. Menos cozinhar, eu amaria viver cozinhando.

Arregalei os olhos naquele momento e levantei quase esquecendo de vestir a blusa. Me despedi das meninas e corri para o ginásio. Vi Atsushi se preparando para jogar e fui até ele.

— Vem comigo. – sorri.

— Agora? Vou treinar.

— Hai! – sorri – Descobri uma coisa!

O levei para fora e ele me olhou desconfiado.

— Ne...! Eh? Nani? – disse, olhando sua expressão.

— Não está grávida, ne?

— Claro que não! – exclamei, corando.

— Tem certeza? – ele sorriu.

— Tenho! – disse – Enfim, descobri o que quero fazer!

— Que ótimo. – ele sorriu – O que é?

— Bem... – corei, sorrindo levemente – Quer uma chef no seu restaurante?

— Eu vou ter, mas...

— Lento. – cantarolei, rindo.

— Sério?

— Hai! Bem... – corei – Se você quiser. – sorri levemente.

— Claro. – ele sorriu – Vai ser bom te vigiar de perto.

Fiz cara de tédio.

— Bak...! – ia exclamar, mas ele me beijou de repente.

— Eu amo você. – ele disse – Quer casar comigo?

— Eh...?! – corei extremamente – I-Isso agora?

— Hai. – ele sorriu, achando graça – Mas só vai dar pra te dar a aliança daqui a alguns anos. – ele riu.

Eu fiz cara de tédio, mas acabei rindo.

— Baka. – disse, abraçando-o – Eu quero.

Ele me olhou enquanto eu ainda estava abraçada com ele e corou levemente, pondo a mão em minha cabeça.

— Eu vou fazer você feliz, tá? – ele disse.

— Hai. – sorri – Eu também vou te fazer feliz.

Ele sorriu.

Finalmente tudo estava resolvido e eu sabia que queria me casar com ele. Só não gostei muito de precisar fazer faculdade do mesmo jeito para Gastronomia.

Mas agora apenas faltava os anos passarem.