Coração selvagem

24 XXIV - Festival de primavera


Notas iniciais
Gente, assistam pelo menos um pouco desse vídeo para vocês saberem qual vai ser a coreografia que eu vou falar durante o capítulo. ;* https://www.youtube.com/watch?v=Sui36-RJHxk E podem imaginar essas roupas do vídeo. Eu só não descrevi elas assim porque pensei antes nas outras que aparecem no cap. ;)

– Por que mesmo a gente tem que fazer isso? – perguntei desanimada.

– Porque esse ano o segundo ano está encarregado do festival da primavera. – Katsumi disse.

Suspirei. Estávamos em cima do palco do ginásio. Tivemos a má sorte – pelo menos eu acho que foi isso – de ficarmos encarregados do festival de primavera esse ano. Ano passado eu não fui, então nem me importei, porém agora seria nossa vez e eu não gostava nada disso. Cada grupo deveria ficar encarregado de algo. Alguns das barracas no pátio, outros das brincadeiras nas salas e também guiar os visitantes de outros colégios. Os meninos jogariam como forma de entretenimento e nós dançaríamos... E eu não estava nem um pouco a fim de fazer isso. Dançar?! Por que dançar?!

O pior do pior é que para escolher a categoria de dança nós fizemos um sorteio, assim como a música. O ruim é que o papel que saiu, de Mitsue, estava “dança do ventre”. Arregalei os olhos na hora, me perguntando se iria mesmo dançar aquilo na frente de todos, porém o papel da música saiu o meu. Madoka fez cara de tédio, estava escrito “Nada”. Eu fiz uma expressão desanimada em sua direção e ela tirou outro papel, o dela própria.

– Oe, oe! – exclamei – Katsumi também escreveu isso!

– Para ter mais chances de sair esse. – ela deu um largo riso.

Fiz cara de tédio.

E agora estávamos ali... Ensaiando a coreografia que Katsumi, Mitsue e Madoka fizeram. Nosso grupo seria o nosso grupo mesmo. Tentamos chamar as senpais do time pra dançar também, porém elas eram do terceiro ano agora e mesmo assim disseram “Sem chance!”. A música tocava e eu dançava desanimada, parecendo mais um espantalho ao vento do que uma garota dançando.

– Tsubaki, leve a sério! – Katsumi disse.

– Não sirvo pra essa dança.

– Se você fosse indiana teria que dançar.

– Mas eu não sou e isso é mais uma mescla do que a própria dança indiana. Nem é dança do ventre direito.

– Mas tem partes. – ela cruzou os braços.

Revirei os olhos. Yuka riu, sentada à beira do palco. Ela virou o rosto em direção à porta e os meninos entraram pra treinar. Vi Atsushi e minha chance de ir embora.

– Hã? Já chegaram? – Madoka disse – Passou rápido.

Levantei rápido, pegando minhas coisas e saltei do palco, aterrissando com os joelhos levemente dobrados e me endireitando.

– Oe, Tsubaki!

– Ja ne!

Corri até Atsushi e peguei em sua mão, levando-o comigo. Demos a volta no prédio e eu parei, recuperando o fôlego.

– Por que me trouxe junto? – ele disse, achando graça.

– Nem eu sei. – respirei fundo e o olhei – Só queria ir embora. – sorri.

– Hum. – ele sorriu e me segurou pela nuca, me beijando.

Corei levemente, fechando os olhos e deixando-o me aproximar de seu corpo quando ele pôs o braço em volta da minha cintura. Cada dia estávamos mais próximos e minha vergonha em beijá-lo, em estar com ele desaparecia aos poucos. Podia-se dizer que era até mágico estar com ele, além de ser engraçado em algumas situações.

Os dias até o festival passaram e depois do ensaio e treino dos meninos, Atsushi e eu íamos para casa juntos. Muitas vezes depois de irmos à lanchonete ou depois de nos beijarmos bastante no parque, sentados num banco. Enfim, chegou a droga do dia em que eu deveria dançar e não estava nada preparada. Sinceramente, era uma palhaçada. Estávamos vestidas como uma mistura de Jasmine e dançarias no ventre. A roupa era uma calça e top rosa como da Jasmine, porém com aqueles acessórios presos ao quadril na calça para fazer aqueles sons de moedas enquanto dançamos.

Estávamos vestidas com os uniformes escolares até chegar a nossa vez, porém no momento da dança, trocamos as roupas e subimos no pequeno palco montado no pátio para piorar nossa vergonha. Como companhia, Harumi também estava com vergonha assim como Amaya. Suspirei aliviada por Atsushi não estar por perto para me ver daquele jeito. A música começou, “Lean on”, e começamos a dançar a coreografia. Para o meu azar – o que percebi ter demais! – os meninos chegaram e entre eles Atsushi. Arregalei os olhos, mas continuei a dançar. Ele me olhou surpreso, vendo como eu estava. Com aquela roupa e o cabelo com uma longa trança embutida. Corou levemente, me vendo dançando e meu rosto estava totalmente vermelho. Yuka estava com Midorima e ele parecia descrever como estávamos. Que constrangedor todos nos assistindo! Madoka parecia estar gostando e estava bem animada por Aomine-kun estar assistindo-a como se a desejasse naquele momento. Katsumi corava levemente em relação à Akashi-kun, Amaya parecia feliz assim como Mitsue e Harumi tentava não encontrar o olhar de Kuroko-kun.

Ao fim da música, nós finalmente descemos do palco com todos nos aplaudindo pelo entretenimento e fomos em direção do vestiário.

– Viram? Deu tudo certo. – Madoka sorria.

– Hai! – Katsumi sorriu.

– Foi divertido! – Mitsue disse.

– Embaraçoso. – Harumi corou.

Eu revirei os olhos sem comentar nada e senti ser puxada de repente. Ele me virou, me pondo contra a parede num espaço entre dois prédios.

– Atsushi?! – corei – Me assustou, baka!

– Hai. – ele disse e me beijou de repente.

Corei mais, era de língua e ele colocava uma mão na minha cintura e a outra em meu seio.

– Uhm...! Baka! – parei o beijo – Na escola?!

– Hai. – ele riu – Antes que troque de roupa.

Corei ainda mais e desviei o olhar. Se fôssemos pegos não seria nada bom.

– H-Hum... Ne. – disse – Nós pagamos pelas roupas, então... Eu vou levar pra casa... Hum...

Ele abaixou até minha altura, sorrindo maliciosamente.

– Veste pra mim na minha casa.

– Uhm...! – arregalei os olhos, ainda corada – M-Mas...!

– O-ne-gai. – ele disse, aproximando o rosto e me beijando.

Apertei os olhos com receio de alguém chegar.

– H-Hai, hai! – exclamei, me encolhendo.

Ele sorriu, querendo rir e se endireitou.

– E-Eu vou... Me trocar.

– Hum. Vou te buscar às seis.

Corei.

– H-Hai.

Voltei ao vestiário e tive que ouvir as perguntas sobre onde eu estava. Dei uma desculpa e me troquei. Atsushi realmente veio me buscar em casa às seis. Disse a minha mãe que nós sairíamos e na bolsa eu levava a roupa como ele pediu. Fomos para o quarto dele quando chegamos e eu me troquei em seu banheiro, voltando e ficando corada por ele me olhar tanto, sentado na cama. Me sentei ao lado dele e ele me beijou aos poucos pondo sua língua dentro da minha boca. Pôs a mão em meu seio e tirou o top, deixando meus seios expostos. Corei e ele me deitou de repente, tirando a calça e me deixando apenas de calcinha. Eu sei que ele não passaria disso, mas eu estava com medo de mim. De dizer a ele que eu queria e depois ficar com medo e decepcioná-lo. Claro que ele iria dizer que não estava, mas eu não queria deixá-lo dessa forma. Além do mais, é vergonhoso nos imaginar nus numa cama, mesmo eu até gostando da ideia.