Coração selvagem

23 XXIII - Suspeita


Notas iniciais
*o*

Nós nos formamos no primeiro ano e entramos de férias. Não soube exatamente como foi o ano novo das meninas, mas pela cara delas, se divertiram bastante. Nós mantivemos contato nas férias e marcávamos de sair todas juntas uma vez na semana. No resto dos dias, eu saía com Atsushi. Era engraçado nós dois andando e as pessoas olhando para cima, se surpreendendo com nossa altura. Eu já era alta e já era incômodo andar na rua e todos me fitarem, porém agora eu me sentia bastante normal ao lado dele. Nós saíamos e íamos ao cinema, parques e festivais de inverno. Essas férias foram ótimas!

Em fevereiro, veio o dia dos namorados. Fiquei realmente envergonhada em dar chocolates a Atsushi, principalmente por ficar até tarde na cozinha com Yuka, que também queria fazer chocolates para Midorima. Enfim, nós saímos naquele dia e na volta fomos para a casa dele. Ficamos em seu quarto e eu dei, corando, a caixa cheia de chocolates confeitados. Ele os olhou, surpreso e os colocou no criado-mudo. Achei que não houvesse gostado, mas de repente ele pulou em cima de mim, me beijando e me deitando na cama. Arregalei os olhos pelo ato e ele sorriu feliz, agradecendo. Corei e sorri, acalmando o olhar e o abraçando. Comemos juntos os chocolates e ele cismou de dividirmos um, porém ele o segurou com a boca e depois que eu mordi a metade, ele quis tirar a parte de cima das minhas roupas.

Na volta às aulas, as meninas e nós duas nos reencontramos de novo. Logo no primeiro dia, colocamos tudo em dia e eu ainda escondia delas o fato de Atsushi fazer aquelas coisas comigo. Elas sabiam que namorávamos e que provavelmente isso acontecia, porém eu não confirmava nada. Semanas depois do começo das aulas e dos treinos, percebi que Madoka estava apreensiva. Pensei ser alguma coisa sobre Aomine, porém era mais ou menos isso.

– Madoka? – disse surpresa ao entrar no banheiro – Daijoubu?

Ela me olhou e vi seus olhos marejados.

– Hum... Não é nada. – ela desviou o olhar.

– Tem certeza? – me aproximei – É algo com Aomine-kun?

– Não, não... – ela forçou um sorriso, parecia nervosa – Estamos namorando, ne.

– É, mas...

– Tsubaki. – ela riu – Daijoubu. – cantarolou e saiu apressada do banheiro.

Não entendi nada, mas não foi preciso me esforçar para descobrir. No começo da noite, ela me ligou e eu olhei em dúvida para o visor do celular.

– Madoka?

– Tsubaki... – sua voz estava chorosa.

– O que houve? – perguntei preocupada.

– Nee... Eu nunca te agradeci por ter feito aquele plano pra juntar Aomine e eu.

– Eh... Está chorando por isso?

– Não... – ela começou a chorar – É porque eu quero ajuda.

– De que? – perguntei nervosa.

– Eu acho que estou grávida...

Fiquei boquiaberta, sem reação.

– Tsubaki...

– Uhm... Vem pra minha casa agora!

Ela não entendeu, mas assentiu. Quando desligamos, eu liguei para Atsushi.

– Tsubaki. – ele sorriu ao atender.

– Preciso da sua ajuda! – exclamei desesperada.

– Uh? Nani?

– V-Você... – corei – Pode comprar um teste de gravidez e trazer aqui em casa?

– Eh? Como você está grávida se eu não coloquei nada em você? – ele brincou – E eu usaria camisinha...

– Baka! – exclamei, interrompendo-o – É pra Madoka!

– Ah... – ele compreendeu e fez cara de tédio – Mina-chin... Chego aí em vinte minutos.

– Arigatou!

Não consigo descrever o quão aliviada e agradecida eu fiquei por tê-lo por perto. Madoka chegou alguns minutos depois e ficamos na sala. Meus pais haviam saído e Yuka estava na casa de Midorima.

– Como pode estar grávida?! – exclamei sem entender – Vocês usam camisinha, não é?

– E-Eh... À vezes...

– “Às...”! Madoka!

– É que é mais gostoso sem. – ela disse arrependida.

– Vai ser gostoso também se você estiver mesmo grávida! – exclamei – Quanto tempo tem?

– Está atrasada um mês.

– Tá... Atsushi vai chegar daqui a pouco e...

– Você contou pra ele?!

– Sim.

– Mas aí ele vai contar pro Daiki!

– Você não contou que está atrasada?! – disse pasma.

– Não. – ela disse – Estava com medo do que ele iria fazer.

– Medo de que? O que ele pode fazer?

– Sei lá... Não sei qual seria a reação dele. – os olhos dela marejaram.

Suspirei, pondo a mão na testa e a campainha tocou.

– Tsubaki, ele sabe da suspeita! Vai me olhar estranho.

A olhei, ela estava envergonhada. Suspirei novamente e cochichei em seu ouvido, dizendo que ele costumava colocar o dedo em mim. Do jeito que ela era, ficaria mais aliviada, mas não imaginei que tanto!

– Hentai... – ela sorriu maliciosamente.

– Cala a boca!

Deixei Atsushi entrar e ele sentou na sala. Fui com Madoka para o andar de cima e ela fez o teste no banheiro. Foram longos minutos até saber o resultado. Quando ela saiu, estava com o teste na mão e lendo as instruções.

– E? – perguntei nervosa.

– Uhm... Deu negativo. – ela me olhou surpresa.

Ajoelhei no chão, apoiando as mãos como se um grande peso houvesse desaparecido. Jogamos tudo fora para meus pais não acharem nada de suspeito e pensarem que Yuka e eu estávamos fazendo besteira – se bem que ela estava. Ficamos na sala. Eu estava deitada com a cabeça no colo de Atsushi com o braço na testa e Madoka sentada na poltrona.

– Por que... – dizia abismada.

Atsushi acariciava meu cabelo e me olhava.

– Vocês...! – exclamei – Vocês são dois idiotas! – me sentei bruscamente, o que assustou os dois – O que estavam pensando?

Ela fitou Atsushi e depois a mim.

– Olha só pra mim! – apontei para ela – Da próxima vez vê se usa camisinha! Vocês são duas bestas! – deitei no colo de Atsushi novamente – Argh!

Ela corou, abaixando o olhar.

– Gomen... E Murasakibara-kun.

Ele a olhou.

– Eu vou te dar o dinheiro amanhã.

– Hum, não tem problema. – ele disse, me olhando em seguida.

Quando me acalmei, levei Madoka até o ponto de ônibus com Atsushi e nos despedimos dela quando foi embora. Voltamos para minha casa e deitei no sofá, suspirando. Ele sentou ao meu lado e começou a acariciar minha cintura, subindo minha blusa e beijando minha barriga. Eu sorri, achando graça.

– Depois do que houve você faz isso?

– Não aconteceu com você. – ele sorriu.

Eu sorri e subimos para o meu quarto. O beijo estava tão intenso que eu mesma comecei a tirar a blusa e o short. Ele tirou a blusa e me deitou na cama, continuando a me beijar. Ele estava entre minhas pernas, acariciando minha cintura e eu sentia sua ereção, me deixando excitada. Eu nunca havia sentido aquilo dele entre minhas pernas daquele jeito, mas sinceramente, era muito bom. Por isso Madoka gostava de transar. Imagina como seria conosco nus. Por impulso, empurrei a bermuda dele com os pés para tirá-la. Ele cessou o beijo, ofegante e me olhou.

– Nani...?

– Gomen... – sorri ofegante – Está bom...

– Você quer?

Com essa pergunta, eu fiquei nervosa em pensar no ato.

– Não sei.

– Não sabe. – ele riu e sentou, levantando a bermuda.

Me sentei e o olhei.

– E-Está com raiva?

– Não, Baka–chin. – ele sorriu, pondo a mão em minha cabeça – Estou até aliviado.

– N-Nande?

– Hum... – ele corou levemente e abaixou a mão – Não tenho camisinha aqui.

Corei, era verdade. Se eu estivesse disposta a fazer e fizéssemos de fato, provavelmente em um mês eu estaria com o mesmo nervosismo de Madoka.

– H-Hum. – assenti, desviando o olhar.

Ele sorriu me olhando e deitou na cama, me fazendo deitar ao seu lado. Me abraçava e eu estava envergonhada por ainda estar apenas com roupas íntimas.

– Ne, não tem pressa. – ele disse.

– Eh?

Ele sorriu.

– Só não quero que faça isso por minha causa.

– Hum, hai... – abaixei o olhar e sorri levemente.

Ele me fez olhá-lo e me beijou, descendo a mão e pondo-a dentro da minha calcinha. Acalmei o olhar, corando como sempre e continuei o beijo, que logo ficou intenso.

No dia seguinte, Madoka foi de encontro com Aomine, que conversava com os meninos. Ela fitou Atsushi e corou, desviando o olhar.

– Posso falar com você? – ela disse a Aomine.

– Hum. – ele disse, seguindo-a.

Pararam no corredor e ela tomava coragem, o olhando. Ele não entendia e ela suspirou, o olhando novamente.

– A-Anou... Eu não te contei, mas... Pensei... Que estava grávida.

– Uhm... – ele a olhou surpresa – Fez... Algum teste? – perguntou nervoso.

– Hum. – ela assentiu – Deu negativo.

– E o que isso quer dizer?

Ela acalmou o olhar, em vista ao seu nervosismo ele esqueceu totalmente o que era “negativo”.

– Que eu não estou. – ela disse suavemente.

Ele acalmou o olhar e ela percebeu que ele parecia mais decepcionado do que aliviado.

– Nani?

– Hum. – ele balançou a cabeça sorrindo e deixou escapar uma leve risada – Não acredito que pensei nisso.

– O que? – ela perguntou nervosa.

– Eu... – ele sorriu – Fiquei aliviado, mas... Também um pouco triste.

– Eh? – ela o olhou surpreso – Mas isso mudaria tudo. – disse sem entender – Você teria que trabalhar e eu também. E quando nascesse, nós...

– Eu sei. – ele sorriu, a interrompendo.

Ele abaixou na altura dela e pôs a mão em sua cabeça.

– Na hora pensei que se você estivesse mesmo eu teria que casar com você. – ele disse – E eu gostei da ideia.

Ela corou, imaginando como seria se isso realmente acontecesse. Ele sorriu, achando graça e se endireitou, abraçando-a em seguida com a mão em sua cabeça.

– Acho que você seria uma boa mãe. – ele disse.

Ela corou, acalmando o olhar e seus olhos marejaram.

– Não fala essas coisas, baka. – ela disse envergonhada.

– Eh? – ele cessou o abraço e a olhou.

Ela limpava as lágrimas com as mãos cerradas.

– Você ficar falando essas coisas... Vai me fazer pensar nessas coisas. – ela o olhou com os olhos ainda marejados.

Ele acalmou o olhar e riu. Ela o olhou sem entender e Aomine a beijou de repente.

– Hai... – ele a olhou nos olhos – Então a gente pensa nisso daqui a alguns anos.

– Anos?

– Hum. – ele assentiu – Ne, vamos pra sala.

Ela corou e pegou na mão que ele ofereceu. Madoka sentou ao lado dele na sala – teve sorte na hora do sorteio dos lugares – e o olhou por um momento. Se voltou para frente quando o sensei entrou na sala e fitou seu caderno, sorrindo levemente, feliz.