O resto daquele final de semana foi bem intenso. E depois nós voltamos para casa. O mês passou rápido e já estávamos no Natal. E como planejado, minha família foi para a casa dos nossos avós. Fomos de trem e chegamos em poucas horas com uma ótima receptividade na estação. Eles nos esperavam e fomos para sua casa, nos instalando no quarto. Nossos pais conversavam com eles na sala e Yuka e eu arrumávamos algumas coisas.

– Nee, Tsubaki.

– Hai.

– O que você tem? Está estranha há semanas.

– H-Hum... – desviei o olhar – É que... Etto... Hum, como foi Midorima te tocar pela primeira vez? Foi... Constrangedor?

– Um pouco. – ela disse – É estranho, mas bom ao mesmo tempo. Constrangedor realmente.

– Hum.

– Nande? – ela olhou na direção da minha voz – Murasakibara-kun e você...?

– N-Não! – exclamei nervosa – Não dormimos juntos.

– Ah... Mas então...?

– É que... – corei – Ele me tocou... Lá.

Ela arregalou os olhos.

– Q-Quando?

– Na viagem.

– Hum. – ela corou – E... Como foi?

– N-Na... Primeira noite ele... Me fez gozar.

Ela riu.

– Não ria, é constrangedor! – exclamei.

– É porque você está com vergonha dele! – ela sorriu.

– E-Eu...! Uhm... Ele é tão...

– “Bonito”? – ela sorriu – Eu não sei, mas... Acho que era isso, ne?

Sorri.

– Mais ou menos. – ri.

– Bom, isso é ótimo, ne?

– Hã? Nande?

– Ora. – ela riu – Se você gosta que ele te toque, então gosta dele mesmo, ne?

– Eh...

– Se apenas gostasse dele sem gostar de ele tocar em você ou se gostasse apenas de ele te tocar, não seria amor de verdade.

– “A-Amor”?

– Hai! – ela sorriu – Você não ama Murasakibara-kun?

Abaixei o olhar, pensando. Eu o amo?

– H-Hum, não sei ao certo... Nunca pensei nisso.

Ela sorriu e assentiu como se me compreendesse.

– Bem, vou lá pra baixo.

– H-Hai. – disse.

Yuka saiu do quarto e eu me pus a pensar. Atsushi sempre estava comigo, me ajudou com as meninas, me salvou, agora é meu namorado e está me tocando intimamente. Eu gosto dele, sim. Mas o amo?

O natal foi ótimo. A comida estava perfeita, a conversa agradável e as piadas do meu pai e do meu avô melhores ainda! A árvore estava iluminada e piscando, tornando aquele canto da sala cintilante com as cores do arco-íris. Ficamos até tarde conversando e quando Yuka e eu fomos dormir, meu celular começou a tocar. O peguei rápido para não acordá-la e fui para a varanda na ponta dos pés.

– Moshi, moshi?

– Tsubaki. – Atsushi sorriu – Feliz natal.

– H-Hum... – sorri – Feliz natal.

– Como estão as coisas aí?

– T-Tudo bem. – disse timidamente – Foi bem divertido, engraçado... E você?

– Todos vieram. – ele disse contente.

– Que ótimo!

– Anou... Você vai a algum lugar no ano novo?

– Uhm... Não. – disse – Nande?

– Hum. – ele sorriu – Eu queria passar o ano novo com você. Você quer?

– E-Eh... H-Hai... Acho que sim...

Ele riu.

– Então está combinado.

– H-Hai. – sorri – A-Anou... Gomen... Por não... Hum...

– Nani?

– Na viagem... Eu não deixei você me tocar direito depois daquele dia.

– Ah...

– B-Bem... Se...

– Tsubaki, eu gosto de te tocar, mas se você não gosta eu vou parar.

– Não vai não. – sorri.

Ele riu.

– Gomen... Você é linda.

Corei.

– H-Hum. Mas... Se quiser fazer de novo... Eu deixo dessa vez.

– Hai... – ele disse surpreso – Tsubaki.

– Hai.

– Eu gosto muito de novo.

Corei novamente.

– Eu também gosto muito de você. – disse timidamente.

– Hum. – ele sorriu – Ja ne.

– J-Ja.

Desligamos e eu pus o celular contra o peito. Por que meu coração acelerava quando eu apenas falava com ele. Isso não acontecia antes. Eu... O amava? Como? Nem sei nem o que é isso direito.