Coração feito de Noz
4 Bangkok, Tailândia
Notas iniciais
Poncho, 01h58 min pm, Bangkok, Tailândia.
Quando eu voltei do meu passeio bem diferente para qualquer um que viva na cidade, ela estava ali para me recepcionar. Sorrindo e eu desci com a ajuda do dono do elefante. Sim, na Tailândia havia passeios para turistas, Dulce já tinha andado e agora tinha sido a minha vez.
:- Eu tirei fotos maravilhosas suas. – Ela sorriu olhando para a última foto da qual eu fazia carinho no elefante como forma de despedida.
Essa viagem de férias estava sendo incrível, Dulce e eu conseguimos conciliar nossas férias que dessa vez foram mais longas, com um mês para viajar e descansar começamos por Jamaica, agora estávamos na Tailândia e terminaríamos na Eslovênia, simplesmente por que Dulce era apaixonada por aquele país. Não estávamos sozinhos, alguns amigos nossos nos acompanhavam, mas apenas aqui na Tailândia.
:- Deixa eu ver essas fotos! – Eu tomei a minha câmera dela para ver as fotos. Me surpreendi, até que não estava tão mal, Dulce tinha aprendido mesmo quando eu ensinei o que eu sabia de fotografia. Ou ela era mesmo talentosa em tudo o que fazia. – Nada mal para uma iniciante.
Lógico que eu recebi um tapa no ombro e bem forte.
:- Você tem que dar o braço a torcer, eu sou boa em tudo o que faço, veja essa foto. Ela está perfeita, não existe defeitos. – Ela mudou as fotos na câmera para me mostrar.
Parou em uma quando as orelhas dos elefantes estavam abertas e sua tromba levantada, enquanto eu abria os braços e tinha os olhos fechados, parecia que o elefante tinha me imitado ou que estávamos juntos voando.
:- Eu concordo, mas a foto está perfeita por causa do modelo. – sorri para ela. Que retribuiu a implicância. – Claro, o elefante parece esta sorrindo na foto. E eu olhei de novo e ri dessa vez junto a ela, por que tinha razão.
:- Hei encontrei vocês! – Rodrigo, meu amigo se aproximou sorrindo. – Estamos indo alimentar os tigres, vocês vem ou vão para outro lugar?
Olhei para Dulce, ela que mandaria. Ela torceu o nariz, por mais que tenha se divertido quando fizemos isso ontem explorando um lado do parque, acho que ela não queria repetir isso hoje. Se a conheço bem, ela está a fim de fazer algum programa diferente.
:- Já fizemos isso ontem, Poncho e eu, ele ficou com ciúmes dos tigres comigo, não quero ter mais uma discussão. – ela falou rindo.
:- Ha Ha ha! Que comediante. – eu forcei uma risada, claro que não fiquei enciumado quando todos os tigres queriam só a mamadeira que estava com a Dulce. Claro que não.
:- Beleza então, estou indo com o pessoal e nos encontramos no hotel a noite?
:- Isso aí. – eu disse. E ele foi embora depois de ver alguém do nosso grupo que eu não consegui identificar gritando por ele. – Então quer dizer, que a senhora quer ficar sozinha comigo? – levantei a sobrancelha para ela.
:- Sim.
:- E já sabe o que vamos fazer? – abracei sua cintura querendo saber qual seria o nosso roteiro.
:- Primeiro encontrar algum lugar para comer, estou faminta. E depois vamos passear por aí, conhecer os lugares, se explorar um pouco. Não quero fazer nada óbvio demais.
Fiquei incerto em fazer o que ela queria, andar numa cidade onde não falam nossa língua e da qual estamos pela primeira vez, não seria bom se nos perdêssemos. Mas, em contra partida só conhecemos de verdade quando exploramos, dei os ombros acompanhando ela, o que importa é que estamos juntos.
Depois de comermos num restaurante formos "turistar" pela cidade de Bangkok, por sorte estávamos conseguindo nos virar. Impressionante como você consegue se virar em qualquer cidade grande se for esperto, passamos por uma feirinha onde compramos algumas lembranças poucas considerando o tamanho de nossas malas e que teríamos mais uma cidade para visitar. O espaço tinha que ser bem pensando.
Depois de andarmos muito e ficarmos bem cansados decidimos parar perto de um cais num lugar mais vazio apenas para admirar a paisagem do rio, Chao Phraya, talvez foi o cansaço que fez o silêncio maior naquele momento, Dulce e eu estávamos sentados com nossas compras ao nosso lado e admirando o Rio.
:- No que você está pensando? – eu perguntei a ela tentando entender o motivo dela está distante mentalmente.
:- No passado. – ela riu e se aproximou para se encostar em mim.
:- Qual parte dele? – eu a acomodei melhor nos meus braços enquanto víamos o sol ir embora se despedindo daquele dia.
:- Quando tudo isso começou.
Eu juntei minhas sobrancelhas por que ela estava pensando de como nos conhecemos?
:- Pensando em Televisa, na novela... – comecei a dizer, mas ela riu de mim.
:- Não! Não nesse começo, eu digo o começo que nos levou a nos casar.
E automaticamente me lembrei como tudo aconteceu neguei com a cabeça rindo.
:- Você se lembrou verdade? – ela me acusou.
:- Sim.
:- Você se embebedou só para poder falar comigo.
:- Não foi assim, eu estava bêbado, mas era para tomar coragem. No fim da noite você também estava bêbada. – falei a verdade.
:- Sim, mas por que você quis e também por que eu queria de alguma forma fugir de você, mas não queria te mandar embora, me distanciar de ti. – a voz dela ficou mais fraca como se lembrasse do que sentia naquela noite.
Foi numa noite de bebedeira minha que encontrei a coragem que precisava para ir atrás dela, eu só não contava que ficaria tão bêbado. Cheguei a deitar na sua porta, aquela noite eu dividi com ela um vinho e minhas verdades e como sempre nossa linguagem falou mais alto.
O álcool.
Tomando coragem em vez de vinho, desabafei com ela e percebemos que aquela noite não só haveria uma recaída como também um recomeço.
:- Não foi fácil também para mim.
:- Eu sei que não, mas o que importa é que estamos aqui juntos. E tudo que tinha para dar errado que todos até nós mesmo duvidávamos, está dando certo. – ela levantou a cabeça e eu dei um beijo curto em seus lábios por que era verdade o que dizia.
:- Eu me lembro de você falar algo com nozes. – ela riu me olhando.
:- O que foi? Eu estava bêbado. Não falava coisa com coisa.
:- Eu só queria que você admitisse que muitas vezes usava das mais diversas besteiras e bobagens como um personagem de um filme ou algum trecho de música para se aproximar de mim. E pior conseguia me dobrar com isso, numa brincadeira séria.
:- Posso até admitir isso, mas nunca menti. Nem mesmo quando mencionei das nozes, quer dizer do filme. – eu fiz uma careta por que nem me lembrava mais.
:- Você me disse que viu um filme, onde tinha um esquilo que buscava a sua noz e que essa noz representava a felicidade para ele, por isso não desistia. – ela falou firme como se eu tivesse dito isso ontem e ela se lembrasse de tudo.
E me lembrei como tinha acontecido e mais uma vez ela estava certa eu usei uma brincadeira para dizer uma seriedade.
:- E se eu disser que hoje o meu coração é feito de noz? – brinquei sério mais uma vez.
E ela sorriu para mim.
:- Eu também sou feliz. Como eu nunca pude imaginar do seu lado.
Soltei uma das minhas mãos em sua barriga e coloquei em seu rosto fascinado com ela ainda, mesmo depois de tanto tempo juntos ou separados.
:- Eu diria que sou um esquilo de sorte. – sorri para ela que riu.
:- Está vendo o que eu queria dizer? Você brinca com algo sério, depois reclama quando é mal interpretado pelos outros. – ela negou e de repente deu um pulo pequeno.
:- O que foi?
:- Eu me lembrei de algo.
Ela desencostou do meu corpo e buscou algo pelas nossas sacolas, até que encontrou e escondeu de mim.
:- Quando estávamos na feirinha eu comprei esse presente para você, não é nada tradicional, mas acho que tem significado para nós dois. E disso você gosta, então acho que não errei no presente.
Ela se explicou, mas eu fiquei confuso por me lembrar dela se afastando para olhar algumas lembranças em particular, eu deixei claro por que estava comprando as minhas e o que me intrigava era tentar descobrir o que ela tinha comprado que escondia com duas mãos de mim?
:- Tenho certeza que não errou, posso ver esse presente?
:- Com todo meu coração para você. – ela sorriu e por um momento esqueci de ver o que era o tal presente, entretanto abaixei minha mirada do seu sorriso e vi suas mãos tinha um pequeno pacote o peguei para ver o que era.
Talvez fosse um novo anel ou aliança, quem sabe uma pulseira! Porém, estava enganado quando abri o pequeno pacote me surpreendi encontrando uma semente.
:- Talvez possa não fazer tanto sentindo entregar algo assim só agora, em vez do começo do nosso casamento. Mas, a ideia só me veio agora então decidi presenteá-lo mesmo assim. – ela começou a me explicar por que sabia que não entendia nada. – Está aqui é uma semente de uma planta qualquer, estou lidando para que possamos plantar algo juntos e cuidar dessa planta. Quero que essa planta simbolize nosso amor.
E assim que ela explicou olhei de novo para a semente, incerto de como faríamos para cuidar dessa planta com nossa vida maluca. Mas, era uma ótima ideia e um maravilhoso presente, Dulce conseguia sempre me surpreender.
:- Eu prometo que vou cuidar do nosso amor, opa. – neguei com a cabeça. – cuidar da nossa planta. – sorri para ela garantindo.
Voltei a guardar a semente no pacote da qual ela veio com cuidado e puxei Dulce de voltar para o seu lugar, nos meus braços. E voltei a rir sozinho vendo do quanto idiota eu ficava perto dela, voltar a nos compara com esquilos, só eu mesmo.
Mas, algo era fato poderia vir alguns filhotinhos esquilos apenas meu e de Dulce para alegrar ainda mais nossas vidas e para o meu coração ficar repleto de noz. Se é que isto era possível.
Eres el regalo que nunca pedí, la porción del cielo que no merecí.
Fim! ♥
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