Coração e Mente
1 Capítulo 1
A luz entrava pelas janelas da sala que estavam abertas, fora delas podia ter a copa de árvores balançando por causa do vento. A liberdade era tão... bonita. Mas aqui estou preso dentro desta sala de aula, ao menos não por muito mais tempo pois em alguns minutos a aula acabará e poderei sair daqui.
Escuto os passos de alguém se aproximando.
– Ei cara, acorda. E hoje depois da aula como vai ser? – Ele era um dos poucos amigos que tinha feito, Belí era seu nome. Também era um intercambista.
– O que tem depois da aula...? – Eu estava distraído.
– Não é possível que você esqueceu, duas horas atrás você estava no corredor principal e ai...
– Eu esbarrei naquele cara que nem sei direito como se chama, ele derrubou tudo que estava carregando e disse que iria acabar comigo de tarde.... é eu lembrei.
– Você não está preocupado?
Meu coração estava batendo um pouco mais rápido.
– Não muito, afinal é só fazer isto em um lugar aberto, assim algum professor pode ver a confusão e ir lá parar com isso tudo.
– Você tá calmo de mais cara. Não tem muita coisa que agente possa fazer por você, vai ter que se virar sozinho...
– Você sabe que não posso me meter numa briga ou algo parecido senão vou acabar sendo expulso... restrições por não ser daqui. Por outro lado os funcionários vão tender a ouvir melhor meu lado da estória se eu não tentar nada violento.
– Se tivesse alguma coisa que nós pudéssemos fazer... mas isso foi acontecer logo hoje.
– Logo no dia em que a maioria dos funcionários da universidade estão de recesso e que não há ninguém da faxina...
– E se você saísse mais cedo? Afinal estamos numa aula de estudo dirigido. Ninguém vai se importar se você sair agora, falta muito pouco pra acabar o horário.
– Mas e se o horário dele acabar uma aula mais cedo que o nosso? Ele já estará lá fora me esperando... será pior encontrar ele sozinho. O plano não vai funcionar...
– Você tem noção que seu plano depende de sorte né? Se não houver nenhum professor por perto você vai se machucar muito.
– Não vejo outra saída... posso tentar sair misturado com outras pessoas que não fazem aulas comigo, deve dar pra disfarçar.
– Bem... eu vou ficar por perto, talvez eu consiga te dar um tempo a mais distraindo o cara.
– Valeu... você sempre tá ai quando alguém está com problemas.
O Sino toca, todos da sala se levantam e começam a sair desordenadamente como sempre, ninguém gostava desta aula e todos já estavam prontos para ir embora.
– Nem precisa agradecer, eu adoro ajudar pessoas. Melhor você ir agora, vou ficar atrás olhando para ver se consigo te ajudar a sair daqui sem ser visto.
Eu levanto e vou até a porta tentando me esconder atrás de outros estudantes, os corredores estavam cheios como sempre ficavam perto de meio dia. Fico atento para os lados procurando por professores ou funcionários, me lembrava vagamente da face daquele cara, se o visse acho que não o reconheceria. Continuo andando até chegar fora dos corredores, no pátio que dividia este instituto da faculdade. Havia uma aglomeração de pessoas na minha frente... os corredores não estavam cheios por causa da quantidade de estudantes, mas sim por causa das pessoas estarem quase bloqueando a saída!
– Há! Olha você aí!
Era ele...
– Oi...
– Ei! Eu não falei que ia te encontrar?
– Olha foi só um mal entendido, foram só cadernos que caíram, não quebrou nada.
– De boa, me dá só aqui as suas coisas pra eu poder jogar elas também...
Ele vinha na minha direção com um braço estendido – Me dá ai as suas coisas, você não falou que não foi nada, tá com medo de que?
– O que é isto?! Podem parar agora! – Uma mulher entra na nossa frente nos olhando com uma cara irritada – Vocês estão querendo brigar aqui no meio do pátio?
– Não, agente só tava brincando...
A mulher interrompe a fala dele.
– Vocês vão brincar é na diretoria, estão querendo levar uma suspensão?
Ele para de falar imediatamente e olha para baixo um pouco antes de olhar para alguém atrás de mim, me viro e vejo que era Belí. Provavelmente fora ele quem chamou essa professora para vir aqui impedir a briga. Agora que aquele cara viu que Belí tentou me ajudar ele vai também tentar fazer algo com ele...
Enquanto a mulher continua dando sermão em nós e as pessoas presentes ficam vendo tudo como se fosse um espetáculo eu escuto um barulho estranho, sinto um vento leve passando pelas minhas mãos e sua intensidade aumentando, olho para baixo e não vejo nada diferente, olho para cima e vejo... três meteoros caindo. Eles estavam ficando cada vez mais brilhantes e maiores, o barulho estava aumentando, eles estavam vindo cara cá. Aos poucos as pessoas começam a olhar para cima também, algumas saem de prédios para olhar também.
Três grandes estrondos acontecem, eles caíram no pátio.
Algumas pessoas fogem de medo, outras estão caídas no chão devido ao choque da queda. Eu fico paralisado apenas olhando as esferas que caíram, com a fumaça e poeira se abaixando eu posso ver claramente, elas eram perfeitamente redondas, feitas de metal com um diâmetro de quase quatro metros. Duas delas começam a rolar levemente e a abrirem, gritos metálicos saem delas e a nova forma que assumem é a de lagartos. Eles começam a andar cambaleando em suas duas pernas, ainda estavam desorientados mas dava para perceber que estavam indo na direção das pessoas que passavam mais perto deles e nas que estavam ainda caídas.
Me Ajude...
Estas palavras estavam ecoando em minha mente como se alguém, ou algo, as estivesse enviando.
Ajude eles...eles não podem morrer...
Plantas de uma máquina junto com instruções de como a usar estão chegando na minha mente, alguém quer que eu utilize a terceira esfera que ainda não se abriu para salvar as outras pessoas!? Mas isto será perigoso de mais, não sei se dará para poder pilotar a terceira esfera... será que devo me arriscar assim? Eu posso morrer?!
Enquanto eu fico parado ainda pensando no que devo fazer eu vejo Belí correndo na minha frente, indo determinado em direção a terceira esfera. Ele para bem em frente a ela retirando uma placa de metal quadrada e a jogando no chão deixando visíveis vários fios da parte de dentro, ele segura a maioria deles com suas duas mão e os puxa até eles arrebentarem e começarem a soltar faíscas, ele então entra para dentro da esfera através do buraco que havia aberto.
Rugidos metálicos saem da esfera e ela começa a rolar levemente, de sua parte superior saem dois braços segurando duas metralhadoras, da parte de baixo saem duas pernas. A esfera havia se transformado em uma figura um pouco humanoide. Ela aponta suas armas para um dos lagartos que estava quase chegando a uma pessoa caída e começa a atirar, o som dos disparos era alto e rouco como se houvesse algum supressor improvisado nele, as balas atingem em cheio o lagarto que perde um pouco de seu equilíbrio mas o recupera rapidamente e avança em direção ao robô humanoide, a cada passo seu o chão treme fazendo com que seja difícil eu me manter em pé. O robô volta a atirar concentrando na cabeça do lagarto que cede a alguns metros do robô humanoide, mas, ainda assim, o chão continuava a tremer!
O outro lagarto estava bem ao lado do robô, que não consegue esquivar do ataque. Uma das metralhadoras dele estava dentro das presas do lagarto que a estraçalhavam com seus dentes metálicos.
O robô começa a se debater sem sucesso tentando retirar o lagarto de perto quando então ele larga no chão a sua outra metralhadora e retira de um compartimento aberto em seu hemisfério inferior uma espada! Antes que o lagarto pudesse perceber ele já havia enfiado a espada em seu pescoço, agora era o lagarto quem estava se debatendo. Com um chute o robô retira o lagarto de sua espada, que cai imóvel no chão a alguns metros de distância.
Todas as pessoas presentes estavam imóveis, não estavam acreditando no que havia acontecido, porém todos sentiam que o robô não machucaria ninguém... os pedidos de ajuda que todos haviam escutado haviam vindo dele!
O robô cai no chão e de dentro do buraco que havia sido aberto nele sai Belí, ele estava cambaleando, parecia um pouco tonto por causa dos movimentos bruscos que ele havia feito ao controlar o robô.
Atrás dele, no buraco na carcaça do robô, é possível ver uma mão humana se segurando, aos poucos vejo uma pessoa saindo, consigo ver a metade de seu corpo enquanto ela sai, era uma menina um pouco mais velha que eu porém havia algo diferente nela, seu cabelo era azul. Não só isto, quando ela sai totalmente do robô posso ver o resto de seu corpo, ele era mecânico, todo de metal pintado de azul, da mesma cor que o céu. Apesar de ainda amedrontados por causa da situação ninguém sentia medo dela, só de olhar para ela nos causava paz, e o quanto mais ela se aproximava maior era esta sensação. Aos poucos todos começamos a ir na sua direção.
Ela para de andar quando chega ao lado de Belí e coloca sua mão robótica no ombro dele, ele estava sem fôlego. Ela retira a mão dele e dá alguns passos para o lado olhando fixamente para a carcaça de um dos lagartos, do buraco que a espada havia feita em seu pescoço uma mão robótica, vermelha, é vista. Ela é parte de outro ser cibernético, quando ele sai do lagarto eu vejo a sua outra metade, ela era humana. Este ser parecia ser um homem um pouco mais velho do que eu, ao contrário dela ele tinha a cabeça raspada e a metade humana dela tinha cicatrizes.
– Bela chuva, não? – Ele diz enquanto anda na direção dela.
– É por culpa de vocês que tudo isto aconteceu. – Ela estava imóvel, olhando ele fixamente.
– Cada um de nós tem um propósito, você sabe disto. E cada um age do modo como deve para o atingir.
Eles ficam um em frente ao outro, não podíamos mais sentir nada dela, e desde que ele apareceu ele também não transmitiu nenhum sentimento ou pedidos para ninguém. Ele volta a falar.
– Você sabe que se continuarmos assim vamos morrer...
– Todos sabemos. – Ela fecha sua mão.
Ele aponta sua mão para a professora que estava perto de mim.
– Você é a líder por aqui, mande todos se reunirem em uma sala grande.
A professora hesita e olha para a menina, ela acena dando um sorriso.
Todos os alunos são convocados para se reunirem, muitos estavam machucados, todos desamparados. A professora nos conduz para o anfiteatro que ficava perto da entrada da universidade. Enquanto andamos tento encontrar Belí para perguntar a ele o que aconteceu, mas não consigo pois ele já estava cercado de pessoas, algumas perguntando para ele como ele fez aquilo, outras estavam sendo consoladas por ele.
Entramos no auditório, ele era dividido em duas partes, uma esquerda e uma direita, divididas por uma passagem central que dava para a porta. Me assento no canto direito, na quarta fileira, na cadeira mais ao centro. A professora se assenta na primeira fileira, Belí se assenta também no lado direito porém em outra fileira. Os dois seres vão para a parte da frente e sobem no palco.
O ser vermelho começa a falar.
– Como vocês já devem ter percebido, nós dois não somos totalmente humanos. Metade máquina, metade biológicos. Somos chamados de espíritos. Nós precisamos de um de vocês que possa se fundir com um de nós. Se não conseguirmos realizar uma fusão nós morremos, até hoje houve apenas um de nós que tentou cumprir seu objetivo sem ter realizado uma fusão, e ele fracassou miseravelmente.
– Ele fora um herói! O Prateado pode ter falhado mas mostrou para nós o que devíamos realmente fazer.
– Mas ainda assim falhou... como eu estava falando antes de ser interrompido, cada um de nós tem um objetivo a cumprir. Diferente dela aqui – Ele aponta para a menina de cabelo azul – eu serei democrático. Conversarei com cada um de vocês para poder ver quem será melhor para a fusão. Ao realizar ela vocês perderão sua alma e suas memórias, porém em troca eu ofereço poder.
Será que as pessoas estariam dispostas a entregarem suas memórias para receber poder? Entregar o que as fazem ser elas mesmas?
Ele desce do palco e começa a falar com as pessoas uma a uma, para algumas ele não fica muito tempo, para outras ele fica mais tempo conversando e chega até a gesticular com os braços. Ele chega ao meu lado.
– Se vocês são robôs, por que precisam de uma metade humana?
– Magia.
Eu sinto que ele estava falando a verdade, consigo ver mais claramente as cicatrizes em sua metade humana.
– Vocês usam magia?!
– A alma de um ser humano é necessária para usarmos magia, isto corresponde a cinquenta por cento de nossa força, o resto vem da parte mecânica.
Ele sai de perto de mim e volta a conversar com outras pessoas. Será que haveriam pessoas dispostas a entregarem suas almas para que eles possam usar magia? Perderem suas memórias por poder...?
Após um tempo ele para e pergunta para todos.
– Quem está disposto a se fundir?
Quase todos levantam as mãos. Eu não levanto.
– Alguém está com dúvidas?
Todos que não haviam levantado a mão levantam agora, menos eu.
– Alguém está... revoltado?
– EU estou! – Me levanto e respondo olhando firmemente para ele – Como vocês estão dispostos a entregarem suas mentes em troca de poder? Entregarem aquilo que os torna vocês mesmos, o que os torna únicos! – Eu olhava para todos presentes enquanto eles olhavam para mim – Eu não entendo isto!
– Você..... será com quem eu irei me fundir. – Ele olhava para mim dando um leve sorriso.
– O... quê...? – Todos estavam olhando para mim – Eu não quero me fundir com você...– Eu volto a me assentar, estava espantado, o estudante que estava assentado na minha frente me olha com ódio.
– Vamos começar a preparação para o ritual.
Ele volta para a frente do palco.
Eu não entendo, como ele pode querer se fundir comigo? Eu não quero perder minhas memórias, não tenho nada de especial para poder me separar dos outros!
– Oi....
A menina estava agachada do meu lado.
– Porque ele quer logo eu que sou o único contra isto? Não quero me fundir.
Ela estava olhando nos meus olhos.
– Ele é um espírito que tem como objetivo alcançar poder, como você é o único que não quer se fundir a sua alma estará inquieta durante a fusão, a sua raiva e desespero dará mais força para ele...
– Você não pode fazer nada contra isto? Impedir que eu seja parte do ritual?
De alguma maneira sentia que poderia confiar nela.
– Eu e ele estamos destinados a lutar, só não nos atacamos até agora por causa de vocês humanos estarem tão perto. Eu sou um espírito da ajuda... estou numa situação dolorosa, se eu te ajudar eu farei mal para todos os outros que estão aqui... e tentando os ajudar eu estou lhe fazendo mal... me desculpe.
– Se você também é um espírito eu prefiro me fundir a você, se for para eu perder minha alma prefiro perder ela para poder ajudar os outros do que para me tornar um assassino!
– Me desculpe, eu tenho que me fundir com alguém que vá ter uma ressonância alta comigo...
– Mas eu não quero matar ninguém!
Ela me dá um sorriso e se levanta indo para o palco.
Não pode ser, eu vou perder minha alma para machucar os outros! Se continuar assim eu vou morrer! Tem de haver alguma coisa que eu possa fazer, começo a olhar em volta para ter alguma idéia, estou me desesperando.
– Nem tente fugir garoto, sou bem mais rápido que você e vou te pegar rapidinho, não vai adiantar em nada.
Não vou poder fugir então... mas e quanto a ela? Com quem ela irá se fundir? Quem é a pessoa que pode ter uma ressonância alta.... Belí! Ele sempre tanta ajudar quem está próximo de si, com certeza é com ele que ela fundirá... e eu serei obrigado a lutar até a morte com um amigo meu?! Isso não pode estar acontecendo, eu não quero acabar assim não quero me tornar alguém mal.
– O ritual está pronto.
Na frente dele haviam dois círculos desenhados no chão, deles saem dois serem robóticos humanoides sem expressão, eles andam em direção às pessoas que estão assentadas na minha frente, em suas mão estão laços metálicos.
Os laços são lançados e tingem os pescoços de duas pessoas assentadas em fileiras na minha frente, elas estão sendo estranguladas! Estão sendo mortas! Me levando em desespero. Eu morreria daqui a pouco também!
– EU NÃO VOU MATAR NINGUEM.
Me viro e corro para a saída do anfiteatro, talvez se eu correr rápido o bastante eu posso sair daqui, empurro a porta com força e ela abre podendo assim ver a entrada da universidade e atrás dela a rua que estava movimentada. Continuo correndo e percebo que estou bem mais rápido que o normal porém minha alegria dura muito pouco, ele estava agarrado nas minhas costas, se eu estava correndo mais rápido era por causa dele estar me tocando, deveria estar começando a fusão!
– Eu não quero me fundir com você, não quero machucar ninguém!
– Haha a fusão já vai começar logo logo e você não pode fazer nada.
Vejo uma luz azul passando por onde estou, sinto uma peso caindo e minha velocidade diminuindo. Ela tava correndo atrás de nós, havia conseguido retirar ele de cima de mim.
Continuo correndo mas sei que ele vai me alcançar de novo e que não terá como escapar... grito para ela.
– Eu nunca vou lutar contra você! Mesmo que eu me funda com ele, mesmo que eu não tenha mais minha mente... meu coração nunca deixará minha magia ser usada contra você!
– Te peguei! – Ele estava em cima de mim outra vez, não adiantava é impossível fugir dele pois sempre serei alcançado.
– Se você se desligar ele não poderá completar a fusão! – Ela grita.
Me desligar? O que ele quer dizer com isto? Será que... se eu me matar... minha mente não estará mais aqui para poder se fundir com ele! Tem muitos carros passando pela rua agora e posso pular na frente de um deles. Mas e se em vez de morrer eu ficar inconsciente a fusão também não deve funcionar pois minha mente estará... desligada!
Chego na beirada da rua e pulo diretamente na frente de um carro que estava vindo... porém ele faz meu pulo ser bem mais forte que o necessário e acabo caindo na via ao lado da que o carro estava.
– Eu posso fazer isto o dia todo, você não vai acertar nunca. – Eu podia sentir ele falando isto como se estivesse entrando na minha cabeça.
Enquanto me preparo para pular em outra via escuto ela gritar.
– Vá para o outro lado da rua, pule no carro que está vindo por lá, você vai conseguir neste!
Me esquivo de dois carros enquanto chego perto do outro lado, eu poderia ter pulado neles porque ela me mandou vir logo para esta via? Não importa, o carro já estava vindo. Eu me preparo e pulo, consigo sentir ele realizando uma força a mais para que eu não consiga acertar o carro...
Uma luz azul cobre o local onde estou, ela desprendeu ele de mim durante o pulo! A nossa velocidade cai e o carro nos acerta. Sou arremessado para longe, minha perna esquerda está aberta e sangrando. Ele havia sido arremessado mais longe ainda, para fora da rua.
– Você precisa pedir para um carro parar, eles tem uma bateria... – A voz dela era fraca.
Ele ainda estava caído no chão, se eu pedisse para um carro parrar eu poderia pedir para que ele me tirasse daqui o mais rápido o possível, eu aceno para um carro que estava passando mas ele me ignora, logo após ele um ônibus escolar decide parar bem ao meu lado. Eu estou subindo nele quando percebo...
Até agora ela fez tudo para me ajudar... do jeito que ela está agora ela será morta não tem energia suficiente... será que eu sou capaz de sair daqui e deixar ela morrer? Eu não posso fazer isto.. eu vou voltar para ajudar ela a lutar, mesmo que isto signifique que eu morra, mesmo que eu tenha que me fundir...
Ela estava caída quando me aproximo.
– Porque você voltou? Ele vai te matar!
– Eu não posso deixar você assim! – Eu seguro fortemente na mão metálica dela. – Não vou deixar você sozinha!
Ela me olhava confusa sem conseguir falar nada.
– Eu vou me fundir com você...
– Mas...
– Não precisa me explicar, agora eu entendo porque eu não podia me fundir com você antes... apesar de eu não querer machucar ninguém eu estava apenas com medo de perder minha mente. Eu não queria me fundir pois não queria morrer, não ligaria se outra pessoa se fundisse no meu lugar... só estava pensando em mim mesmo, não queria salvar ninguém.
A mão dela estava brilhando agora, toda a sua parte mecânica estava brilhando com uma luz azul maravilhosa.
– Mas agora eu quero me fundir com você para lhe salvar, mesmo que isto signifique que eu perca quem eu sou...sua mente e meu coração juntos.
A luz que ela emitia estava mais forte, aproximo minha cabeça de sua mão.
– Vamos nos fundir agora...
Tudo que posso ver se escurece, todos os sons desaparecem...
Notas finais
talvez eu continue esta estória se algumas pessoas gostarem, poste um comentário ou me mande um email se quiser que eu continue!.
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