Coração de lobo

43 A contar para a família


Depois que Stiles falou sobre sua ideia à respeito do nome do filhote deles, ele conseguiu controlar um pouco suas emoções. Quem sabe era só aquilo que estava pesando na mente dele, e depois que ele se abriu com Derek, tudo ficou melhor. Agora só faltava eles falarem para a toda a família no próximo almoço com eles e tudo estaria bem.

E o almoço já era logo, no Domingo.

Stiles e Derek tinhaM passado o Sábado quase inteiro na cama, tentando fazer aquela ligação entre eles dois ainda mais inquebrável, e se Stiles tinha duvida dessa possibilidade, ele não tinha mais porque ter dúvidas. Derek o amava, mesmo estando daquele jeito, e Stiles tinha que entender aquilo.

Quando a manhã chegou, Stiles e Derek acordaram nos braços um do outro, e Stiles sentia seu coração mais livre do que estivera antes. Era bom estar com seu Alfa, porque os dois se sentiam mais completos juntos, especialmente porque Claudius estava entre eles.

Se arrumar para o almoço foi um processo lento, porque eles demoraram um monte no banho, tomaram o seu tempo para lavar todo o sexo de seus corpos, porque no último dia e meio eles praticamente não tinham feito nada a não ser isso, e então foram se vestir para ir para a casa dos Hale.

Eles chegaram lá quando todo mundo já estava os esperando. Boyd e Erica estavam arrumado a mesa no lado de fora, enquanto Isaac e Eric cuidavam do churrasco. Talia andava de um lado para o outro preparando tudo, e o Xerife já estava lá também, tentando escapar do Peter. Laura e o marido não podiam vir esse fim de semana, mas Cora apareceu por lá, e ela estava meio indecisa sobre o que fazer.

Stiles tentou ver se ela iria conversar com Isaac, pois ele via que tinha uma leve atração entre ele e Cora, mas quem sabe era só amizade, ou ele estava sempre com Derek que começou a ver romance onde nem tinha. Enfim, eles chegaram e foram recebidos alegremente por todo mundo. Ainda que ele eles tivessem se lavado bem, era óbvio que o cheiro do sexo ainda estava neles, porque Peter, obviamente, teve que abrir a sua boca para comentar.

“Parece que ao menos alguém da família Hale tem se divertido nos lençóis, huh? Porque eu não tenho interesse na vida sexual da minha irmã, mas ultimamente eu não tenho ouvido nenhum dos gritos que eram comuns na minha adolescência. E eu, incrivelmente, estou sendo ignorado pelo objeto de minhas afeições, então não tenho o que fazer.”

Todo mundo tentou entender exatamente o que Peter falou, e Stiles nem sequer ficou envergonhado ao ter sua vida sexual exposta por um safado como Peter. Eric ficou um pouco ruborizado no rosto, e Talia deu apenas um sorriso para o seu marido, como se quisesse compartilhar uma piada que só eles dois sabiam. E o pai de Stiles, bom, o Xerife olhou para outro lado e tentou desviar a atenção de todo mundo do seu rosto.

Stiles teria que conversar com seu pai sobre Peter.

Depois daquele primeiro momento as coisas meio que se engrenaram. Até Stiles foi ajudar Talia a organizar coisas enquanto Derek foi com seu pai para a churrasqueira. Stiles não conseguia seguir a rapidez de Talia, mas ele foi a ajudando do seu jeito.

Os dois se encontraram na cozinha para levar pratos para fora quando ela o parou.

“Você parece feliz, Stiles,” a mulher comentou. Ele apenas sorriu. “E não é só o sexo, segundo Peter. Acho que tem mais coisas por trás. Nós vamos ficar sabendo de algo novo hoje?”

Stiles quase queria contar, mas ele apenas deixou seu sorriso crescer. Deixe a Alfa da casa sofrer um pouco. E ela continuou perguntando a ele se ele não iria dizer a ela o que ele tinha pra contar. Stiles aguentou até o almoço, que não demorou muito.

Todo mundo achou seu lugar na mesa. Stiles sentou perto de Isaac e Derek, e na frente de seu pai, que tinha Peter ao lado. O resto da família estava pela mesa. Cora ficou longe de Isaac, e os dois se lançaram um olhar por sobre a mesa, mas Stiles não iria trocar de lugar com eles.

Quando a carne começou a ser colocada nos pratos e a salada ser passada de mão em mão, o humor de todo mundo ficou ainda melhor. Stiles era servido por Derek, vez ou outra, mas também fazia seu próprio prato. Eles riam consigo mesmos, e às vezes até ficavam num mundo só deles, para retornar a realidade com todo mundo olhando para eles.

Mas era assim mesmo com casais novos e felizes.

Só que não era eles os únicos que pareciam desse jeito. Stiles podia ver que Peter tentava servir o Xerife, mas não do modo como alguém faria para ajudar uma pessoa, ele parecia um Alfa querendo prover para seu ômega, e aquilo mexeu dentro de Stiles de uma forma estranha. Não que ele fosse proibir o seu pai de fazer qualquer coisa, afinal o homem já era maior de idade e vacinado.

E Stiles até gostava da ideia de seu pai não ser mais sozinho, mas então ele lembrava da mãe e de como ele amava ela. Bom, Stiles também poderia estar colocando a carroça na frente dos bois, afinal de contas por tudo que ele sabia o Xerife poderia continuar sozinho.

E Peter falou que ele não tinha conseguido nada até agora, o que só poderia significar alguma coisa. Mas Stiles não queria pensar exatamente naquilo. Ele preferia nem imaginar.

Enfim, o almoço seguiu de forma normal, sem maiores percalços. Todo mundo comeu bastante, e Stiles comeu por dois, e ao fim da refeição todo mundo estava bem feliz. Stiles conversou com Isaac e Derek durante o almoço, mas não podia deixar de dar suas olhadas no pai. Quando eles terminaram de comer, Peter até colocou seu braço no encosto da cadeira do Xerife, mas o ômega não se encostou.

No entanto, com todo mundo satisfeito, Stiles sabia que tinha outra coisa a fazer. Talia queria recolher da mesa, mas Erica se dispôs a ajudar ela, e com Boyd, eles conseguiram limpar tudo bem rápido. Quando eles voltaram com a sobremesa, servindo ambrosia para todo mundo, Stiles aproveitou para dizer aquilo que ele queria anunciar.

Antes ele pegou na mão de Derek. Os dois trocaram um olhar.

“Pessoal, eu queria...,” Stiles começou, chamando a atenção de todo mundo. Quando a mesa se silenciou ele prosseguiu. “Eu queria dizer que eu e o Derek finalmente escolhemos um nome para o bebê.”

Sons de surpresa saíram de todos.

Stiles olhou para Derek mais uma vez antes de continuar.

“Nós conversamos muito sobre isso, sobre o que escolher, e quem sabe alguns de vocês não vão gostar da ideia, ou vão sentir ciúmes,” Stiles riu. “Só sei que me parece que era a coisa certa a se fazer, e na hora que eu e Derek decidimos, bom, mais eu que ele, tudo fez sentido.”

“Fala logo,” Erica disse. Todo mundo riu.

“O nome do nosso filho,” Stiles olhou para Derek, “vai ser Claudius Stilinski-Hale.”

E com o anúncio um pequeno momento de silêncio se instalou na mesa. Mas então todo mundo sorriu, e Stiles se virou para seu pai para ver o homem com lágrimas nos olhos. Ele parecia feliz.

“Nós escolhemos esse nome porque Stiles queria fazer uma homenagem à sua mãe.” Derek falou, apertando a mão de Stiles. “Confesso que no começo eu até fiquei meio indeciso, mas eu ouvi o som dos nossos nomes juntos e… ficou lindo. Acho que vai ser perfeito pra ele.”

“É uma boa escolha,” disse Talia, também um pouco emocionada. Os mais velhos conheciam quem foi Cláudia.

Quando Stiles olhou para o pai de novo, ele notou uma coisa interessante, Peter tinha retirado o braço de trás do Xerife, e estava com uma leve careta do lado dele. Nada muito grande, mas uma certa expressão de desapontamento no seu rosto.

Stiles até se perguntou o motivo de ele perceber isso, mas logo em seguida todo mundo começou a pedir mas coisas do bebê e Stiles respondeu a todo mundo, esquecendo de Peter pelo momento.

Descrever sobre a saúde de Claudius e as expectativas da sua chegada era uma coisa boa. Ainda tinha um mês de gravidez antes do bebê chegar, mas com a reforma no apartamento chegando ao fim e tudo se encaminhando, Stiles tinha que se preparar.

Talia deu alguns conselhos sobre como aguentar esse último mês, e voltou a tocar no assunto do desejo sexual agora no fim da gravidez, comparando sobre a época em que Eric estava grávido e em como eles estavam bem, entrelaçados, por assim dizer. Peter aproveitou a oportunidade para reclamar daqueles anos, e todo mundo riu.

Até John falou um pouco sobre seu período de gravidez, mostrando em seus olhos como ele sentia saudades.

Todo mundo falou para Stiles aproveitar esse momento, porque era único na vida de um ômega, mas ele tinha que admitir que parecia complicado com todos os problemas que um grávido aguentava. Sem falar que o humor dele, ainda que nos últimos dois dias tenha melhorado, era um complicador. Mas já estava tão no fim da gravidez que ele não via a hora de chegar.

Mas Stiles também já sentia um pouco de saudade.

O encontro da família no domingo terminou com muita alegria, e Stiles voltou para a casa dele com Derek com seu coração mais leve.

~*~

Peter tinha que admitir que era quase um golpe baixo Stiles utilizar o nome da mãe morta. Estragou qualquer plano que Peter tinha colocado em movimento até agora porque o Xerife simplesmente transbordava de amor quando Stiles falou em Cláudia. E contra amor era complicado competir.

Mas parecia até uma coisa boba ele estar tão obcecado com o homem. Não era o fim do mundo ele desistir de alguém quando nada acontecia, pois fazia mais sentido ele partir pra outra do que ficar só numa. Sem falar que talvez Beacon Hills já estivesse com seus dias contados para Peter. talvez era melhor ele olhar em outras pastagens.

Porém, naquele mesmo dia, Peter estava bebendo whisky sozinho na sala dos Hale, tentando fugir da alegria de todo mundo lá fora, quando o Xerife saiu do banheiro e passou pela sala para ir pra fora de volta. Mas ao invés dele seguir caminhando, John parou e olhou para Peter.

Havia algo naquele olhar, algo que atraía Peter de uma jeito que parecia quase bobo. Como ele iria sentir isso por alguém depois de quase cinquenta anos de vida sem ficar sério com uma só pessoa? O que tinha esse homem, esse ômega, que fazia Peter se sentir sem ideia do que fazer.

“O que você tem hoje, Peter?” John perguntou. Ele parou na porta da sala, se encostando na parede.

Ele era a tentação em pessoa, sem nem perceber.

Peter sorriu para seu copo.

“Nada aconteceu. Até porque você não quer, senão tinha acontecido.” Peter virou seu sorriso para John.

O ômega começou a exalar um cheiro diferente, o mesmo aroma que Peter sentia quando conquistava alguém. Mas há pouco tempo John estava transbordando de amor por sua esposa falecida, não fazia sentido ele estar doido por Peter no momento.

John sorriu para Peter, como se ele tivesse contado uma piada. Ele deu alguns passos para o centro da sala.

“Por que você ainda não foi embora?” John perguntou.

“Você quer que eu vá?”

John parou perto de Peter.

“A minha opinião no assunto importa de alguma coisa?” Ele pediu.

Até parecia que John não fazia ideia do que ele provocava em Peter. Talvez o homem não soubesse mesmo.

Peter suspirou.

“Eu só estou aqui por que ainda não consegui te tirar da minha cabeça,” Peter falou. Era quase estranho ele confessar alguma coisa a alguém sem intenções. E não que ele não as tivesse, mas as palavras saíram de sua boca estranhamente honestas. “Você quer que eu vá embora?” Ele repetiu a pergunta.

John deixou seus olhos verem Peter. Um estranho sentimento se apoderou do Alfa, mas ele não disse nada, não se moveu do lugar, apenas se deixou ser apreciado.

O ômega suspirou, virando para o lado.

“Sábado que vem. Sete da noite. Guillermo’s.” John falou, voz baixa quase como um sussurro. “Eu gostaria que você viesse me buscar em casa. E não, nós não vamos dormir juntos.”

E com aquelas palavras ele se virou e saiu.

Peter estava completamente congelado por um instante.

Mas então ele sorriu.