Coração de loba
12 Primeira briga
Narrado por Jacob Black
Bella se foi eu sabia que tinha feito merda.
Não por tê-la encontrado.
Mas por ter esquecido que alguém me esperava.
Alguém que dizia me amar.
Renesmee.
Entrei em casa atrás dela, encontrando-a na cozinha, de costas, com os braços cruzados e os ombros tensos como cordas prestes a arrebentar.
— Nessie… — comecei, já esperando o impacto.
Ela se virou devagar, os olhos ardendo.
— Não me chama assim agora.
Fechei a boca por um segundo. Respirei fundo.
— Tá tudo bem. A gente só conversou. A Bella… ela tá passando por uma fase difícil, Ness.
— Eu sei quem é a Bella, Jacob. — O tom dela cortou no meio. — Eu fui avisada. Leah, lembra? Ela já tinha me contado sobre a garota por quem você sempre teve olhos.
Revirei os olhos com impaciência.
— Então você tá acreditando em tudo que a Leah diz agora?
— Não se trata da Leah. Se trata de você! — ela estourou. — Você passou a tarde inteira com ela e nem se deu ao trabalho de me avisar. Esqueceu completamente que tínhamos marcado de estudar. Esqueceu de mim, Jacob.
Senti o peso da culpa cair sobre mim como um cobertor molhado.
— Tá. Eu vacilei. — me aproximei devagar. — Eu sei que deveria ter te avisado. Eu tô dizendo que foi errado.
— Não é só errado, Jacob. É desrespeitoso.
Toquei sua cintura devagar, tentando fazer com que ela me olhasse com menos dor nos olhos.
— Me desculpa… de verdade.
Mas quando tentei puxá-la para perto, ela colocou as mãos no meu peito e disse com firmeza:
— Me solta. Isso não vai se resolver assim.
Fiquei ali, parado, sentindo o recuo dela como uma facada lenta.
Nos encaramos por um momento longo demais, e naquele silêncio incômodo, tudo o que eu queria era apagar a decepção que via no rosto dela.
— Você tem certeza? — perguntei baixinho, buscando seus olhos com os meus. — Tem certeza que quer me soltar agora?
Ela hesitou. A respiração dela acelerou.
Havia raiva ali… mas também saudade. Desejo. Amor.
Sua expressão vacilou. Um segundo.
E foi o suficiente.
Aproximei meu rosto do dela.
E quando nossos lábios finalmente se encontraram, foi com mais intensidade do que antes.
Um beijo que dizia tudo o que não tínhamos coragem de colocar em palavras.
Forte.
Quente.
Confuso.
Como nós dois.
As mãos dela subiram até meu pescoço. As minhas apertaram sua cintura como se ela fosse a única coisa que ainda me mantinha inteiro.
E talvez fosse mesmo.
O beijo dela era um remédio e um castigo ao mesmo tempo.
Porque eu sabia que não merecia e mesmo assim, ela me beijava como se ainda me quisesse tanto quanto eu a queria.
Nossas respirações estavam entrelaçadas quando me afastei só o suficiente para olhar em seus olhos.
— Me perdoa. De verdade — sussurrei, com a testa encostada na dela.
Ela respirou fundo, as mãos ainda no meu peito.
— Jacob…
Deslizei minhas mãos por sua cintura com calma, como se cada movimento precisasse ser leve para não afundar mais as rachaduras entre nós.
Com cuidado, a ergui e a sentei sobre o balcão da cozinha.
Seus olhos se arregalaram, mas não disse nada. Apenas entrelaçou as pernas ao redor da minha cintura, me mantendo perto.
Tão perto que eu podia ouvir o coração dela, acelerado como o meu.
— Você é importante pra mim, Nessie — murmurei, beijando o canto de sua boca, a curva do maxilar, o pescoço.
Ela fechou os olhos e apertou meus ombros.
— Então por que parece que sou só um pedaço da sua vida, e não o todo?
Essa pergunta me atravessou.
— Porque eu sou burro. Porque às vezes eu me enrosco no passado sem nem perceber. — Beijei sua testa com carinho. — Mas você é a única coisa que eu não quero quebrar. Eu tô aprendendo a ser melhor com você.
Ela me olhou nos olhos.
Séria.
— Jura?
— Juro — afirmei, encostando nossos narizes. — E se eu errar de novo, me puxa de volta, mesmo que seja com um soco.
Ela riu baixinho, e foi o som mais doce que ouvi o dia inteiro.
— Você é meio idiota, Jacob Black.
— E você é linda quando tá brava comigo.
Ela me puxou pelo colarinho e me beijou outra vez, com mais intensidade, como se enfim estivesse deixando as barreiras desmoronarem.
Minhas mãos acariciavam suas costas por baixo do suéter, e a pele dela era quente, viva, real.
Ela sussurrou meu nome entre os beijos quando eu abri o zíper do short jeans que ela usava, Nessie ergueu o quadril me ajudando a tirar a peça de roupa a jogando no chão.
— Ja..ke..a camisinh...
Ela não terminou a frase apenas gemeu novamente meu nome quando eu me afundei dentro dela de uma só vez.
A respiração dela ainda estava entrecortada quando afundou o rosto no travesseiro, com os cabelos bagunçados se espalhando. Ela virou o rosto pra mim, ainda meio ofegante, e sorriu daquele jeito que acabava com qualquer defesa minha.
Eu estava deitado ao lado, com o braço esticado por trás da cabeça, encarando o teto como se estivesse tentando entender como merecia um momento como aquele.
— Jake… — ela disse baixinho, com a voz doce e culpada. — A gente não se protegeu.
Virei o rosto pra ela e franzi uma sobrancelha, contendo o riso que já ameaçava sair.
— Ué… você tá dizendo que pode ficar grávida?
— Claro que sim, seu bobo — ela resmungou, puxando o lençol até o queixo. — É assim que funciona!
Eu me apoiei no cotovelo e a olhei, com um sorrisinho maroto nos lábios.
— Tá bom, então. Vamos pensar positivo: se for menina, você escolhe o nome. Se for menino… eu escolho dois, porque com certeza serão gêmeos.
— Jacob! — Ela me bateu no peito com uma almofada. — Isso não é engraçado!
Eu ri, prendendo o travesseiro com o braço e puxando ela de volta pra perto.
— Tá, tá, desculpa. Mas foi só uma vez… e, convenhamos, uma vez bem intensa. — Piscadinha. — Mas sério, Ness, você tá tomando alguma coisa? Pílula?
Ela fez que sim com a cabeça, suspirando.
— Sim… mas não é 100%. E sei lá, é tudo tão novo pra gente.
— A gente também é novo — ela acrescentou em seguida, baixinho. — Eu tenho 17 anos, Jake. Você tem 18. Um bebê agora não tá nos planos.
Passei a mão carinhosamente em sua bochecha, vendo a insegurança nos olhos dela. O brilho de alguém que sente muito, ama demais, e pensa além do agora.
— Ei — falei suavemente —, não vai acontecer nada que a gente não enfrente junto. Seja o que for, a gente encara.
Com ou sem bebê.
Com ou sem planos.
Ela mordeu o lábio inferior, hesitando entre o medo e a confiança.
E então assentiu, deixando a cabeça repousar no meu peito.
— Mas se forem gêmeos… — murmurei, só pra provocar.
— Eu te mato, Jacob Black.
Ri outra vez, afundando o rosto nos cabelos dela.
E no fundo, mesmo com todos os medos e incertezas, não havia lugar no mundo onde eu preferisse estar do que exatamente ali, com ela.
Narrado por Renesmee
Eu entrei pela porta com um sorriso bobo no rosto e os passos mais leves do que o vento da praia.
Ainda sentia os beijos de Jacob na minha pele, o calor das mãos dele e o som do riso que dividimos até adormecer.
O mundo podia estar desabando lá fora que, por algumas horas, eu me sentira inteira. Certa. Amada.
— Alguém aí tá feliz demais pra uma segunda-feira — provocou Leah, apoiada no batente da cozinha com os braços cruzados e um olhar afiado.
— Aconteceu alguma coisa, Ness? — Seth surgiu com a boca cheia de cereal, mas com os olhos atentos e curiosos.
— Nada demais — respondi, tentando esconder meu sorriso, mas falhei miseravelmente.
Leah estreitou os olhos, desconfiada, e eu quase podia ouvi-la engolindo um comentário malicioso.
Mas antes que ela pudesse abrir a boca de novo, a porta da frente se abriu e tio Harry entrou, o semblante carregado, os olhos sombrios.
O clima mudou na mesma hora.
— Pai? — Leah perguntou, séria.
Ele passou por nós e colocou as chaves sobre a mesa, soltando um suspiro tenso.
— Charlie Swan me chamou. Um mochileiro foi encontrado morto na entrada da trilha do norte. Corpo dilacerado. Aparentemente, um ataque de animal.
Seth e Leah trocaram olhares. Eu franzi a testa.
— Que tipo de animal faria isso? — perguntei.
Harry balançou a cabeça, sem tirar os olhos do chão.
— Não sabemos ainda. Pode ter sido um urso, mas… Charlie disse que havia algo estranho nas marcas.
— Estranho como? — Leah se adiantou.
Harry levantou os olhos para nós.
Sérios. Preocupados.
— As mordidas não batem com nada que eles já viram. Nem urso, nem lobo, nem puma. É como se fosse… algo que não conhecem.
Um silêncio pesado caiu sobre a sala.
— Eu vou me encontrar com Charlie agora. Enquanto isso, quero que vocês três fiquem longe da floresta. Nada de trilhas, nada de pescaria ou treino no mato. Entendido?
Assentimos em silêncio.
— Leah, cuida dos dois. Seth, se alguém chamar pra sair, diga não. E você, Nessie… — ele me encarou com gentileza, mas firmeza —, é nova por aqui, então leve isso a sério, tá bem? A floresta não é mais tão segura quanto antes.
— Tá… eu entendi.
Ele se aproximou, beijou minha testa e saiu sem mais uma palavra, deixando o eco do aviso pairando sobre a casa.
Eu me joguei no sofá ao lado de Seth, enquanto Leah continuava de pé, os braços cruzados e os olhos voltados pra janela.
— Isso não cheira bem — ela disse, mais pra si mesma do que pra nós.
Eu acariciei o pescoço de Salem, que ronronava no meu colo, e tentei ignorar o arrepio que subiu pela espinha.
A floresta me chamava em sonhos desde que cheguei aqui.
Mas agora… talvez ela também estivesse tentando me avisar.
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