Narrado por Jacob Black


Bella se foi eu sabia que tinha feito merda.

Não por tê-la encontrado.

Mas por ter esquecido que alguém me esperava.

Alguém que dizia me amar.

Renesmee.

Entrei em casa atrás dela, encontrando-a na cozinha, de costas, com os braços cruzados e os ombros tensos como cordas prestes a arrebentar.

— Nessie… — comecei, já esperando o impacto.

Ela se virou devagar, os olhos ardendo.

— Não me chama assim agora.

Fechei a boca por um segundo. Respirei fundo.

— Tá tudo bem. A gente só conversou. A Bella… ela tá passando por uma fase difícil, Ness.

— Eu sei quem é a Bella, Jacob. — O tom dela cortou no meio. — Eu fui avisada. Leah, lembra? Ela já tinha me contado sobre a garota por quem você sempre teve olhos.

Revirei os olhos com impaciência.

— Então você tá acreditando em tudo que a Leah diz agora?

— Não se trata da Leah. Se trata de você! — ela estourou. — Você passou a tarde inteira com ela e nem se deu ao trabalho de me avisar. Esqueceu completamente que tínhamos marcado de estudar. Esqueceu de mim, Jacob.

Senti o peso da culpa cair sobre mim como um cobertor molhado.

— Tá. Eu vacilei. — me aproximei devagar. — Eu sei que deveria ter te avisado. Eu tô dizendo que foi errado.

— Não é só errado, Jacob. É desrespeitoso.

Toquei sua cintura devagar, tentando fazer com que ela me olhasse com menos dor nos olhos.

— Me desculpa… de verdade.

Mas quando tentei puxá-la para perto, ela colocou as mãos no meu peito e disse com firmeza:

— Me solta. Isso não vai se resolver assim.

Fiquei ali, parado, sentindo o recuo dela como uma facada lenta.

Nos encaramos por um momento longo demais, e naquele silêncio incômodo, tudo o que eu queria era apagar a decepção que via no rosto dela.

— Você tem certeza? — perguntei baixinho, buscando seus olhos com os meus. — Tem certeza que quer me soltar agora?

Ela hesitou. A respiração dela acelerou.

Havia raiva ali… mas também saudade. Desejo. Amor.

Sua expressão vacilou. Um segundo.

E foi o suficiente.

Aproximei meu rosto do dela.

E quando nossos lábios finalmente se encontraram, foi com mais intensidade do que antes.

Um beijo que dizia tudo o que não tínhamos coragem de colocar em palavras.

Forte.

Quente.

Confuso.

Como nós dois.

As mãos dela subiram até meu pescoço. As minhas apertaram sua cintura como se ela fosse a única coisa que ainda me mantinha inteiro.

E talvez fosse mesmo.


O beijo dela era um remédio e um castigo ao mesmo tempo.

Porque eu sabia que não merecia e mesmo assim, ela me beijava como se ainda me quisesse tanto quanto eu a queria.

Nossas respirações estavam entrelaçadas quando me afastei só o suficiente para olhar em seus olhos.

— Me perdoa. De verdade — sussurrei, com a testa encostada na dela.

Ela respirou fundo, as mãos ainda no meu peito.

— Jacob…

Deslizei minhas mãos por sua cintura com calma, como se cada movimento precisasse ser leve para não afundar mais as rachaduras entre nós.

Com cuidado, a ergui e a sentei sobre o balcão da cozinha.

Seus olhos se arregalaram, mas não disse nada. Apenas entrelaçou as pernas ao redor da minha cintura, me mantendo perto.

Tão perto que eu podia ouvir o coração dela, acelerado como o meu.

— Você é importante pra mim, Nessie — murmurei, beijando o canto de sua boca, a curva do maxilar, o pescoço.

Ela fechou os olhos e apertou meus ombros.

— Então por que parece que sou só um pedaço da sua vida, e não o todo?

Essa pergunta me atravessou.

— Porque eu sou burro. Porque às vezes eu me enrosco no passado sem nem perceber. — Beijei sua testa com carinho. — Mas você é a única coisa que eu não quero quebrar. Eu tô aprendendo a ser melhor com você.

Ela me olhou nos olhos.

Séria.

— Jura?

— Juro — afirmei, encostando nossos narizes. — E se eu errar de novo, me puxa de volta, mesmo que seja com um soco.

Ela riu baixinho, e foi o som mais doce que ouvi o dia inteiro.

— Você é meio idiota, Jacob Black.

— E você é linda quando tá brava comigo.

Ela me puxou pelo colarinho e me beijou outra vez, com mais intensidade, como se enfim estivesse deixando as barreiras desmoronarem.

Minhas mãos acariciavam suas costas por baixo do suéter, e a pele dela era quente, viva, real.

Ela sussurrou meu nome entre os beijos quando eu abri o zíper do short jeans que ela usava, Nessie ergueu o quadril me ajudando a tirar a peça de roupa a jogando no chão.

— Ja..ke..a camisinh...

Ela não terminou a frase apenas gemeu novamente meu nome quando eu me afundei dentro dela de uma só vez.


A respiração dela ainda estava entrecortada quando afundou o rosto no travesseiro, com os cabelos bagunçados se espalhando. Ela virou o rosto pra mim, ainda meio ofegante, e sorriu daquele jeito que acabava com qualquer defesa minha.

Eu estava deitado ao lado, com o braço esticado por trás da cabeça, encarando o teto como se estivesse tentando entender como merecia um momento como aquele.

— Jake… — ela disse baixinho, com a voz doce e culpada. — A gente não se protegeu.

Virei o rosto pra ela e franzi uma sobrancelha, contendo o riso que já ameaçava sair.

— Ué… você tá dizendo que pode ficar grávida?

— Claro que sim, seu bobo — ela resmungou, puxando o lençol até o queixo. — É assim que funciona!

Eu me apoiei no cotovelo e a olhei, com um sorrisinho maroto nos lábios.

— Tá bom, então. Vamos pensar positivo: se for menina, você escolhe o nome. Se for menino… eu escolho dois, porque com certeza serão gêmeos.

— Jacob! — Ela me bateu no peito com uma almofada. — Isso não é engraçado!

Eu ri, prendendo o travesseiro com o braço e puxando ela de volta pra perto.

— Tá, tá, desculpa. Mas foi só uma vez… e, convenhamos, uma vez bem intensa. — Piscadinha. — Mas sério, Ness, você tá tomando alguma coisa? Pílula?

Ela fez que sim com a cabeça, suspirando.

— Sim… mas não é 100%. E sei lá, é tudo tão novo pra gente.

— A gente também é novo — ela acrescentou em seguida, baixinho. — Eu tenho 17 anos, Jake. Você tem 18. Um bebê agora não tá nos planos.

Passei a mão carinhosamente em sua bochecha, vendo a insegurança nos olhos dela. O brilho de alguém que sente muito, ama demais, e pensa além do agora.

— Ei — falei suavemente —, não vai acontecer nada que a gente não enfrente junto. Seja o que for, a gente encara.

Com ou sem bebê.

Com ou sem planos.

Ela mordeu o lábio inferior, hesitando entre o medo e a confiança.

E então assentiu, deixando a cabeça repousar no meu peito.

— Mas se forem gêmeos… — murmurei, só pra provocar.

— Eu te mato, Jacob Black.

Ri outra vez, afundando o rosto nos cabelos dela.

E no fundo, mesmo com todos os medos e incertezas, não havia lugar no mundo onde eu preferisse estar do que exatamente ali, com ela.


Narrado por Renesmee


Eu entrei pela porta com um sorriso bobo no rosto e os passos mais leves do que o vento da praia.

Ainda sentia os beijos de Jacob na minha pele, o calor das mãos dele e o som do riso que dividimos até adormecer.

O mundo podia estar desabando lá fora que, por algumas horas, eu me sentira inteira. Certa. Amada.

— Alguém aí tá feliz demais pra uma segunda-feira — provocou Leah, apoiada no batente da cozinha com os braços cruzados e um olhar afiado.

— Aconteceu alguma coisa, Ness? — Seth surgiu com a boca cheia de cereal, mas com os olhos atentos e curiosos.

— Nada demais — respondi, tentando esconder meu sorriso, mas falhei miseravelmente.

Leah estreitou os olhos, desconfiada, e eu quase podia ouvi-la engolindo um comentário malicioso.

Mas antes que ela pudesse abrir a boca de novo, a porta da frente se abriu e tio Harry entrou, o semblante carregado, os olhos sombrios.

O clima mudou na mesma hora.

— Pai? — Leah perguntou, séria.

Ele passou por nós e colocou as chaves sobre a mesa, soltando um suspiro tenso.

— Charlie Swan me chamou. Um mochileiro foi encontrado morto na entrada da trilha do norte. Corpo dilacerado. Aparentemente, um ataque de animal.

Seth e Leah trocaram olhares. Eu franzi a testa.

— Que tipo de animal faria isso? — perguntei.

Harry balançou a cabeça, sem tirar os olhos do chão.

— Não sabemos ainda. Pode ter sido um urso, mas… Charlie disse que havia algo estranho nas marcas.

— Estranho como? — Leah se adiantou.

Harry levantou os olhos para nós.

Sérios. Preocupados.

— As mordidas não batem com nada que eles já viram. Nem urso, nem lobo, nem puma. É como se fosse… algo que não conhecem.

Um silêncio pesado caiu sobre a sala.

— Eu vou me encontrar com Charlie agora. Enquanto isso, quero que vocês três fiquem longe da floresta. Nada de trilhas, nada de pescaria ou treino no mato. Entendido?

Assentimos em silêncio.

— Leah, cuida dos dois. Seth, se alguém chamar pra sair, diga não. E você, Nessie… — ele me encarou com gentileza, mas firmeza —, é nova por aqui, então leve isso a sério, tá bem? A floresta não é mais tão segura quanto antes.

— Tá… eu entendi.

Ele se aproximou, beijou minha testa e saiu sem mais uma palavra, deixando o eco do aviso pairando sobre a casa.

Eu me joguei no sofá ao lado de Seth, enquanto Leah continuava de pé, os braços cruzados e os olhos voltados pra janela.

— Isso não cheira bem — ela disse, mais pra si mesma do que pra nós.

Eu acariciei o pescoço de Salem, que ronronava no meu colo, e tentei ignorar o arrepio que subiu pela espinha.

A floresta me chamava em sonhos desde que cheguei aqui.

Mas agora… talvez ela também estivesse tentando me avisar.