Coração de Soldado

47 Capítulo 47 - Verdade


Notas iniciais
Eai, gente! Tudo blz? Sei que estão muito nervosos com tudo o que tá acontecendo kkkk mas mantenham a calma, sim? Bom cap pra vcs ;)

Três meses depois

Pov's Jonas

— E como estão as coisas no México? — pergunto.

— Muito bem, os negócios estão se estabilizando. O problema é aqui em Buenos Aires. Não estamos encontrando um bom gerente... Justamente por isso vim pra cá, tenho que fazer algumas entrevistas — diz Leon.

Era uma manhã de quinta-feira. Estávamos conversando pelo celular. À dois meses, Leon havia se mudado para o México com a família e agora trabalhava na EPA, empresa de seu pai.

— Vai dar tempo de vir pra cá, nos ver? — pergunto.

— Pior que não, cara. Tenho que resolver isso e voltar pra Guadalajara ainda hoje, de noite. Pra chegar lá pela manhã pra uma reunião com alguns sócios. Depois tenho que ir pra um almoço com um empresário canadense que está pensando em se juntar a nossa empresa. Ai vou ficar o resto do dia atendendo os clientes dos Estados Unidos — diz com voz cansada.

— Nossa, está ficando importante, hein? Tudo bem com o curso de administração?

— Claro! To começando a gostar muito — diz empolgado. — Mas e ai? Como você e Angel estão?

— Estamos ótimos. Mas sempre tem aquelas brigas sem motivo,sabe? Não sou acostumado com isso ainda...

— Isso é normal. Acontecia muito comigo e... — para.

— Você está bem com isso? — pergunto o mais delicado possível.

— Sim... Sim. Eu... Estou bem. Já não me afeta mais — mente.

Nesse momento, ouço a porta se abrir abruptamente e passos correndo em minha direção.

— Jonas! Você tem que ver isso! — diz Angel, eufórica.

— Agente se fala depois — ri. — Vou pra uma reunião agora e meu celular está com 2% de bateria. Mande um "oi" pra ela.

— Okay, pode deixar. Tchau.

— Tchau.

Encerrei a chamada e voltei minha atenção à Angel.

— Meu amor, você pode me pedir tudo, menos pra ver algo — brinco e ela ri.

— Não seu bobo! Escuta isso: Eu implantei um sistema de microfones minúsculos na Academia inteira pra ver se estavam funcionando. E você não vai acreditar no que eu ouvi — diz se sentando na cama (de cima) ao meu lado.

— O que?

Então uma gravação começou a rodar.

" — Um brinde em comemoração a esses dois meses sem Vargas! — dizia Luke.

— Isso ai. Quando se trata de destruir uma pessoa, é com a gente mesmo! — diz Jhonny.

— Somos gênios! E o melhor é que ele não desconfia de nada — concorda Ethan.

— Olha, a tinta no armamento e a desmontagem da moto não teve efeito nenhum, comparado com o término do namoro com a Violetta! Ela nem imaginou que eu não era o ceguenta do Jonas! Devíamos ter pensado nisso antes, teríamos nos livrado dele muito mais rápido — confessa Luke.

— O que importa é que estamos livres daquela praga... — diz Ethan."

A gravação foi interrompida por Angel.

Não acreditava no que tinha ouvido. Eles haviam planejado separar Leon e Violetta. Luke, Ethan e Jhonny eram as pessoas mais baixas que eu já havia conhecido. Fiquei processando aquilo em minha cabeça.

— Você percebe, Jonas? Ela ainda ama ele! — diz animada.

— Isso é ótimo, mas precisamos agilizar se queremos que o Leon fique com essa garota que ele tanto ama — digo dando um salto da cama.

— O que podemos fazer? — sinto que ela fez o mesmo que eu e estava em pé ao meu lado.

Tentei ligar para Leon, mas só ia para a caixa de mensagens. A bateria de seu celular já deveria ter acabado.

— E agora? — pergunta Angel.

— Primeiro, vamos à sala do comandante, porque temos que lhe mostrar isso. Depois, nós vamos fazer uma ligação...

Pov's Violetta

Parecia verde... Não, acho que era amarelo... Sem dúvida era branco. Tudo bem, ficar observando o teto não tinha sentido nenhum. Mas eu não tinha nada pra fazer, já que Ludmila e Federico haviam saído, assim com Annie e Robert (que só retornariam a noite), eu estava no tédio. E ficar parada me fazia pensar em Leon, então eu tinha que fazer tudo pra ocupar minha mente naquele começo de tarde.

Fazia três meses que eu e Leon havíamos terminado. Nesse meio tempo Annie e Robert começaram a namorar graças a minha pessoa. Papai e Angie estavam de volta à Argentina, desfrutando dos primeiros meses de casados. Desisti de assinar um contrato com Marotti pois estava muito desanimada e não via sentido pensar em uma carreira agora. Eu, depois do segundo mês, voltei a sair com meus amigos e parar de perguntar todo dia para Federico se Leon havia ligado para ele.

Eles conversavam as vezes, e como eu perguntava para Federico, sabia algumas coisas: Leon tinha se mudado ha dois meses para o México com a família; ele ajudava o pai na empresa mas nunca comentou sobre a Academia Militar; nas últimas semanas ele estava mais feliz; e ele NUNCA perguntou sobre mim para Federico.

Uma imensa saudade me invadiu, e a memória de ele me olhando tão unicamente ficou em minha mente. Como eu tinha vontade de reencontra-lo. Mas isso não era possível. Ele já havia seguido sua vida.

Saio dos meus devaneios com o celular tocando. O número era desconhecido, mas mesmo assim atendi.

— Alo.

— Alo, gostaria de falar com a Violetta, por favor? — a voz de uma mulher ecoa pelo celular.

— É ela mesma. Quem gostaria? — digo.

— Oi, Violetta. Sou Angélica, namorada do Jonas. Leon já deve ter falado de mim.

Por alguns segundos eu fiquei paralisada. O que os amigos de Leon queriam comigo?

— Sim, ele comentou, mas... Porque está me ligando? Eu não tenho mais o número do Leon e...

— Não, não — me interrompe. — Eu tenho o número do Leon e eu sei que vocês terminaram, mas eu preciso falar com você.

— Por quê? — pergunto.

— Olha... Eu to aqui em Santa Fé. Poderia vir ao parque onde você e Leon terminaram? Precisamos conversar.

—Não sei se é uma boa ideia... — tento recusar.

— Por favor, Violetta. Eu não sairia da Academia e viajaria por 5 horas pra falar algo sem importância. Eu vou estar bem encrencada quando eu voltar — diz séria.

Aquilo me intrigou, então resolvi aceitar.

— Okay. Eu chego ai em dez minutos — digo.

— Tudo bem, então. Eu estou de camiseta vermelha e calça jeans, meu amigo que veio comigo está de óculos de sol.

— Okay. Até logo.

— Até.

Desligando o celular eu me levantei da cama e me arrumei em cinco minutos, completamente cheia de curiosidade e temor pelo o que ela ia me contar.

Caminhei a passos largos para o Parque Municipal, com o coração a mil por hora. Se eles tinham vindo de Córdoba até Santa Fé, realmente alguma coisa tinha que ter acontecido. O que eu não entendia, era por que Jonas não tinha vindo com Angélica.

Chegando ao parque eu caminhei com olhos atentos à procura de Angélica e seu amigo. Aquilo não demorou muito, já que eles estavam sentados em um banco, praticamente na entrada do parque.

Angélica era baixa, com olhos escuros e cabelos loiros presos num rabo de cavalo. Seu amigo era relativamente baixo em comparação com outros homens e tinha uma pele bronzeada e cabelos castanhos.

Ao me ver, Angélica cutucou seu amigo com o braço enquanto eu caminhava em direção a eles.

— Oi, Violetta. Sou Angélica e esse é Francisco — estende a mão.

— Prazer — respondo apertando a mão de Angélica.

Estendi minha mão para Francisco, mas ele não a pegou. Angélica o cutucou e disse algo em seu ouvido, fazendo-o estender a mão um pouco distante da minha. A peguei com um sorriso.

Sentei-me no banco de frente pra eles, onde uma mesa estava posicionada entre nós.

— Me desculpe por te fazer vir aqui sem explicar, mas isso é algo que precisa ser esclarecido pessoalmente — se desculpa Angélica.

— Tudo bem. Só estou confusa...

— Bem, vamos começar a esclarecer tudo agora. Pode me dizer o que meu namorado disse pra você? — pergunta.

— Disse que Leon estava muito mal por estarmos brigando sempre. Também contou que ele queria ir embora com a família pro México, mas não podia porque tinha que ficar comigo apesar de não sentir o mesmo por mim — digo com um aperto no coração, lembrando do dia em que tive de decidir me separar de Leon. — Então ele falou que eu devia terminar com o Leon.

— Aquele bastardo, filho de uma mãe... — vociferou Francisco com raiva.

— Calma — sussurra Angélica, segurando sua mão brevemente.

Estranhei o fato de Francisco falar mal de Jonas e de Angélica não se importar com o seu amigo insultando seu namorado e ainda segurar sua mão.

— E foi por isso que você terminou com o Leon? — pergunta Francisco, pela primeira vez se dirigindo a mim.

— Claro, eu não terminaria por outro motivo. Eu amo o Leon — digo solene.

— O meu namorado, era esse? — pergunta Angélica, mostrando uma foto 3x4.

A foto era de Jonas, disso eu não tinha dúvidas.

— Sim — confirmo.

— Então parece que temos um grande engano — diz Angélica.

— Como assim?

— Esse cara não é Jonas. Ele é Luke, um dos garotos que estavam implicando com Leon — conta Francisco.

— O que? Impossível.

— Antes que você tire conclusões precipitadas, ouça isso — diz Angélica, ligando um gravador que estava em sua mão.

De lá, uma conversa começou a ser reproduzida. Não prestei muita atenção no começo, mas no final eu escutei perfeitamente:

" — Olha, a tinta no armamento e a desmontagem da moto não tiveram efeito nenhum, comparado com o término do namoro com a Violetta! Ela nem imaginou que eu não era o ceguenta do Jonas! Devíamos ter pensado nisso antes. Teríamos nos livrado dele muito mais rápido".

Lembrei-me de ele ter pedido pra eu não contar pra Leon o por que tínhamos terminado.

— Era Luke?

— Sim. E eu sou o ceguenta do Jonas — brinca com um sorriso, enquanto tirava os óculos de sol. — Desculpe por "Francisco", a Angel não encontrou um nome decente — ri.

Seus olhos eram azuis. Muito azuis e muito lindos. Mas dava pra notar que ele não me olhava diretamente, como quando alguém está pensando e olha "pro nada".

— Quando Leon disse que você era diferente...

— Sim, era isso e mais algumas de minhas qualidades — sorri.

— Então, aquele Luke mentiu? — pergunto, tentando assimilar tudo.

— É claro que mentiu. Naquela semana, Leon havia me prometido que não ia mais brigar com você porque tinha medo de te perder — segue Jonas. — Ele nunca deixou de sentir isso por você, e ele não ia embora por que não queria deixar a Academia e você. A cada 1 mês ele iria visitar a família no México.

— Então ele... Ele... — tento entender.

— Ele te ama — completa Angélica.

Fiquei absorvendo tudo aquilo enquanto Angélica me observava e Jonas esperava pacientemente. Ele me amava! Pelo menos amava três meses atrás, quando eu achei que ele não sentia o mesmo. Mas e agora? Será que ele ainda me amava após três meses separados? O que eu tinha que fazer?

— Sei exatamente no que está pensando. E se eu fosse você, ia agora pra Buenos Aires porque você pode ter uma bela surpresa — conta Jonas.

— Ele está em Buenos Aires?! — pergunto desesperada.

— Está, mas não por muito tempo, você tem que ir agora se quiser falar com ele. Leon não sabe de nada disso — diz Angélica.

— O que? Eu não posso simplesmente ir. Amanhã eu tenho aula, meu pai vai ficar preocupado e eu não saberia o que dizer... — dizia, mas parei. Então percebi que aquelas palavras não faziam sentido pra mim. Nada mais fazia sentido, a não ser "Leon está em Buenos Aires".

— Isso mesmo. Não pense, simplesmente faça — diz Jonas com um sorriso, ao notar meu silêncio.

— Não sei como agradecer a vocês por isso — digo.

— Não precisa. Só queremos a felicidade de Leon. E sabemos que realmente vocês se amam e merecem estar juntos — diz Angélica, sorrindo. — Agora, vai!

— — — —

— Vai, Fede — digo angustiada.

— Calma, Violetta. Estou a 120 Km/h! Já estamos chegando — diz irritado.

Decidi ficar em silêncio, afinal o carro era dele e ficar dizendo pra ele ir mais rápido de cinco em cinco minutos não estava ajudando. Após voltar a faculdade, e notar que Federico e Ludmila haviam voltado, e lhes contei brevemente o que havia acontecido e pedi a Federico para me levar à Buenos Aires.

Levamos 4 horas e meia para chegar à Buenos Aires, comigo completamente ansiosa. Estava desesperada, pois tinha que falar com ele.

— Pronto. Vai lá, eu te espero — diz Federico com um sorriso, estacionando o carro em frente a empresa do pai de Leon.

— Obrigado, Fede — respondo lhe dando um beijo na bochecha.

Desci do carro e caminhei rapidamente à entrada. Notei que já começava a escurecer, pois já deviam ser mais de seis horas da noite. Quando entrei no local, tudo parecia calmo, muito calmo. Andei em direção a mesa da secretária.

— Com licença — digo.

— Se veio aqui para a entrevista, sinto muito mas elas já se encerraram — diz ela com voz de tédio sem nem ao menos olhar pra mim.

— Não, eu vim falar com Leon Vargas — digo apressadamente.

— Me desculpe, mas ele já foi embora — me olha.

— Embora?

— Sim ele vai pegar um voo para o México daqui alguns minutos.

— Tudo bem, obrigada — digo me afastando.

Ótimo, agora eu teria de ir ao aeroporto, e rápido.

Corri para o carro de Federico e assim que adentrei o mesmo, pude notar a preocupação em seu rosto.

— Temos que ir para o aeroporto. Agora! — atropelo as palavras em total desespero.

— É pra já! — diz Federico, ligando o motor.

Por conta de Buenos Aires ser uma cidade muito grande, o aeroporto ficava a 20 minutos da empresa do pai de Leon, então levamos muitas buzinadas e atravessamos incontáveis faróis vermelhos em alta velocidade. Agradeci mentalmente Federico ser rico, pois as multas realmente seriam muitas.

Eu não conseguia pensar direito. Eu precisava chegar a tempo. Se ele fosse pro México, tudo estaria perdido. Tudo! Tinha que falar com ele e pedir seu perdão, lhe dizer que o amava e que tudo o que tinha feito era por amor.

Chegando ao Aeroporto Internacional de Buenos Aires eu sai do carro rapidamente, enquanto Federico ia estacionar o mesmo. Corri para dentro do aeroporto, olhando para todos os lados a procura de Leon. As pessoas me olhavam assustadas ou irritadas pela forma com que eu as empurrava e olhava, em busca de Leon. Ele tinha que estar ali.

Sem obter sucesso eu me dirigi ao portão de embarque. Foi então que uma voz no interfone resoou pelo aeroporto.

"Voo 135 para Guadalajara — México, decolando".

Eu o perdi... Não havia chegado a tempo e agora só me restava o desespero. Eu não tinha mais esperanças.

Notas finais
Agora as coisas começaram a ficar interessantes... Obrigada a todos vocês que participam tão ativamente da fic e aos que acompanham sem se aproximar muito, eu não mordo, tá? kkkkk :) Por essa semana é só! Até terça!