Coração de Soldado

46 Capítulo 46 - Acabou


Notas iniciais
Oi gente! Quem ai já está de férias? o/ Bom, ta ai mais um cap pra vcs. Faltam só mais 4 e a fic estará finalizada. No último cap o pessoal tava bem revoltado contra o Jonas kkkkk. Vcs estão acusando a pesssoa errada... Bom cap ;)

Pov's Violetta

— Co... Como assim, Violetta? — pergunta Leon assustado.

— Acho melhor terminarmos — respondo sem demonstrar emoções.

— Isso eu entendi, mas por quê? Eu fiz alguma coisa? — pergunta dando um passo na minha direção.

— Não... Você não fez nada. É só que... Não está dando certo. Essas brigas e todo o resto...

— Como pode dizer isso? Resolvemos isso na semana passada, no casamento. Estávamos ótimos.

— Não. Com essas brigas eu percebi que não temos nada em comum. Somos muito diferentes — digo e ele me olha como se não acreditasse.

— Isso não pode ter saido da sua cabeça. Você, dentre todas as pessoas acredita que podemos ficar juntos por conta de nossas diferenças.Alguma coisa está acontecendo e você vai me contar. Alguém falou com você? — diz desconfiado.

— Não aconteceu nada. Ninguém falou comigo — respondo.

— Não acredito. Como mudou de opinião de "um dia pro outro"? — pergunta começando a ficar nervoso.

Precisava fazer ele acreditar em algo de minhas palavras. Ele só estava assustado por me perder, porque estava acostumado com minha presença. Ele precisava ver isso.

— Eu só aceitei um fato que estava tentando fingir à muito tempo que era verdade: Eu não te amo, Leon. — minto com uma dor no coração. Aquelas palavras não faziam o menor sentido pra mim.

— Impossível. Sei que me ama, consigo ver isso em seus olhos — se aproxima segurando minha mão. Seu olhar era doce e sereno.

— Não é verdade — desvio o olhar.

— Meu amor, o que está acontecendo? — pergunta calmamente.

— Não me chame de "meu amor"! Pare com isso! — grito soltando bruscamente minha mão da sua. — Eu não te amo e você não me ama!

— Amamos sim — responde sem se abalar.

Por que ele fazia isso? Por que não tornava as coisas mais simples? Ele queria ir pro México e já não sentia o mesmo por mim. Eu o estava ajudando. Por que tinha que ser tão difícil convence-lo?

— Que droga, Vargas! — grito começando a bater em seu peito. — Por que você tem que ser assim? Eu te odeio. Você nunca está presente, sempre está longe, eu cansei disso! Cansei de esperar a semana inteira só pra te ver por algumas horas. Cansei! Não quero ter de me prender a você sem poder seguir minha carreira de cantora! Não percebe que não fazemos bem um ao outro? — jogo tudo de nossas brigas anteriores em sua cara.

Aquilo era uma enchurrada de mentiras e eu sabia disso.

— Pára, Violetta! — diz segurando firmemente em meus pulsos, mas não ao ponto de me machucar. — Por que está dizendo essas coisas? Olha pra mim! — grita.

Aquilo me deu uma ideia. Algo que sem dúvida ele acreditaria. Me encolhi, fingindo estremecer de medo.

— Você está me machucando — digo com medo e gemo de dor.

Instantâneamente suas mãos soltaram meus pulsos e ele se afastou dois passos. Estava começando a funcionar.

— Desculpe.

— Tenho medo de você, Leon! É isso... Está feliz, agora que sabe a verdade? Tenho medo de você me machucar, de perder o controle sobre si. Não quero estar perto de você! — digo firmemente vendo o efeito que aquelas palavras causavam a ele.

Leon, ao ouvir aquilo me olhou tristemente. Ele realmente estava acreditando em minhas palavras. Decidi continuar, agora que ele hesitava.

— Percebi que nunca deviamos ter ficado juntos depois que você foi pro exército pela primeira vez. Mudamos de mais e enganamos a nós mesmos pensando que seria possível voltarmos a ter algo. Você não é o Leon que eu conheci quando tinha 15 anos. Você não é bom pra mim — digo duramente.

Me odiava por aquilo. Sabia que tudo aquilo o magoava muito e que para ele, eu seria a última a dizer essas coisas.

— Tem razão — concorda com a cabeça abaixada.

"Tenho?" penso.

— Você merece alguém melhor que eu. Alguém que fique aqui, com você. Que cuide de você. Alguém que não ponha sua vida em risco — diz me olhando.

"Como eu te amo", penso pela forma tão carinhosa com que ele dizia aquilo apesar de eu estar terminando com ele.

— Desculpe por isso — digo me aproximando.

Tirei meu anel do dedo. Peguei sua mão e pus o anel na palma da mesma, que permaneceu aberta.

— Tudo bem — diz, mas não parecia nada bem. — Você tomou sua decisão e eu a aceito. Eu posso pedir uma coisa? — pergunta.

— Si... Sim — gaguejo por perceber que eram nossos últimos minutos.

— Me dá um abraço? Prometo que não vou te machucar.

— Claro — digo.

Ele passou seus braços por minha cintura enquanto eu passei os meus por seus ombros, me abraçando. Apertei-o junto a mim com todas as minhas forças, como se aquilo pudesse mudar o que eu acabava de fazer. Tentei memorizar tudo ali: suas roupas, seu cheiro, a forma com que seus braços me envolviam tão protetoramente... Meu rosto se contorceu de dor, enquanto eu me segurava para não chorar.

Ele me soltou e eu voltei a minha postura séria.

— Se precisar de algo, me avisa — digo e ele simplesmente concorda, olhando para o chão.

— Adeus, Violetta — diz sem emoção e sem me olhar.

— Adeus, Leon — digo.

Ele, me olhou dos pés ao pescoço e desviou o olhar quando chegaria ao meu rosto. Então ele começou a caminhar.

Quando não podia mais ve-lo, corri na direção contraria (de volta para a faculdade), já começando a chorar.

Nunca havia imaginado tamanha dor... Aquilo era horrível. Me sentia sem vida, algo havia sido arrancado de mim.

Nunca mais o veria. Nunca mais poderia abraça-lo, beija-lo e acaricia-lo. Nunca mais poderia lhe dizer o quanto o amava. Nunca mais ouviria sua linda voz me dizendo que me amava ou ver a doçura em seus olhos quando me olhava.

— Tipo, eu achei que ele jamais diria isso, mas... — dizia Annie assim que entro no quarto.

Ela e Ludmila me olharam naquele estado e se entre-olharam.

— Vilu — dizem Annie e Ludmila se levantando e me abraçando.

Comecei a chorar mais ainda, recebendo o consolo delas.

— Foi tão ruim assim? — pergunta Ludmila.

— Foi horrível, Ludimi — digo entre soluços. — Disse tantas mentiras, o magoei tanto... Sou uma idiota, devia ter lutado por nosso amor quando tudo isso começou, devia ter sido melhor, eu devia...

— Você não devia ter feito nada. Aconteceu... — diz Annie.

— Eu não sei como nosso amor mudou... Eu continuo o amando. Por que ele não sente o mesmo? — pergunto retóricamente.

Elas me guiaram para minha cama e eu me sentei entre elas. Por algum tempo, permanecemos em silêncio, onde apenas os meus soluços e gemidos ecoavam pelo dormitório.

— Vai ficar tudo bem, Vilu — diz Annie. — Você verá...

— Não tem como ficar bem, Annie. Eu destrui tudo.... Acabou.

Pov's Leon

Acabou... Esse fato ainda não havia entrado em minha cabeça enquanto passava rapidamente entre os carros, atravessava semáforos vermelhos e corria à 90 km/h, levando muitas buzinadas.

Não tinha controle sobre minhas ações, simplesmente fazia tudo guiado pela raiva e a triateza. A única coisa que ecoava em minha mente era: Por que?

Chegando a Academia eu fui direto para o dormitório. Lá, vi que não havia ninguém já que ainda era cedo para as pessoas se apresentarem de volta.

Joguei minha bolsa num canto, começando a andar por todo o "corredor" do quarto, de um lado pro outro, com a respiração descompassada.

Eu estava sem rumo, sem chão. Havia depositado todo meu amor, esperança, sonhos e espectativa de vida nela. E agora tudo estava acabado.

O que eu faria agora? Minha vida não fazia sentido sem ela. Eu a amava com todo o meu coração e ela simplesmente recusou isso. Aquilo não fazia sentido...

Imerso em pensamentos, me encostei na parede ao lado da porta com as mãos na cabeça. Aqueles gritos e gemidos voltaram a minha cabeça, junto com vozes de Violetta.

"Eu não te amo Leon", "Eu te odeio", "nunca deveriamos ter ficado juntos depois da primeira vez que você foi pro exército", "você não é o Leon que eu conheci com 15 anos", "tenho medo de você", "você não me faz bem"... Aquilo me destruiu.

Eu não tinha controle sobre minha cabeça e as vozes, gritos e gemidos só aumentavam. Me agaixei, até chegar ao chão. Não percebi de inicio, mas lágrimas escorriam por meu rosto.

Tentei enchuga-las, mas como vi que era únitil já que assim que enchugava uma, outra aparecia seu lugar, deixei-as sair livremente.

Eu a amava como nunca imaginei ser possível. Ansiava por cada segundo estar ao seu lado, mas passávamos pouco tempo juntos.

A culpa era minha. Eu a havia deixado, três vezes: servirno exército depois que terminamos, servir depois, quando já estavamos juntos e, ir pra Academia Militar, longe dela.

Memórias do passado vieram a tona. Então me recordei de nossos momentos juntos, seu sorriso, sua risada melódia, a forma delicada com que ela me acariciava, os beijos que ela dava, a forma timida dela de ser, a maneira tão doce com que ela tratava todos, a forma única com que ela cantava... Ah, como esquecer a forma com que ela cantava? Era lindo e encantador... Me lembrei de uma vez que ela cantou pra mim:

Encontré las respuestas
A mi soledad
Ahora sé
Que vivir es soñar

Ahora sé
Que la tierra es el cielo
Te quiero, Te quiero
Y en tus brazos
Ya no tengo miedo
Te quiero, te quiero....

A voz de Violetta cantando se interpos sobre os gritos, os gemidos e suas palavras que haviam me machucado. Então aqueles sons horriveis foram diminuindo, diminuindo, diminuindo... Até que desapareceram e apenas a voz de Violetta permaneceu, cantando que me amava.

Eu estava liberto. Sabia disso pela forma com que aquilo se foi. Me sentia leve e livre. Um peso havia sido retirado de minhas costas. Violetta havia feito aquilo e o pior era que eu nunca poderia contar à ela.

Ouvi risadas e som de passos se aproximando, mas pouco me importei. Simplesmente segui ali, com os braços abraçando as pernas dobradas e em prantos.

A porta se abriu, e um Jonas muito feliz, junto de uma Angel sorridente apareceram de mãos dadas, adentrando o quarto.

Eles haviam ficado na Academia pois Jonas convidou Angel para sair (finalmente criou coragem). Então eles ficaram o final de semana inteiro passeando pelos pontos turisticos de Córdoba.

Ao me ver, Angel se assustou, não só por eu estar ali, mas por me encontrar naquele estado.

— Leon? O que faz aqui? — pergunta Angel se soltando de Jonas.

— Leon? — diz Jonas confuso. — Está chorando?

— Sim — responde Angel se agaixando na minha frente. — O que aconteceu, Le?

— Nada — digo tentando secar as lágrimas.

— Isso não pode ser nada —diz Jonas que, guiado por nossa voz, se aproximou, agaixando ao lado de Angel. — Vem, cara. Levanta.

Ele apalpou meus braços e encontrando minhas mãos, se levantou e as puxou, me levantando.

— Seca esse rosto. Você está com uma aparência horrível — diz Jonas e eu sorri. Mesmo sendo cego ele sabia que eu estava péssimo.

— Vem sentar — diz Angel me puxando pela mão pois eu permanecia imóvel.

Caminhamos para a beliche. Eu subi pelas escadas e me sentei. Jonas fez o mesmo. Angel pegou um copo d'água e me entregou. Aos poucos eu fui me acalmando, enquanto eles esperavam pacientemente.

— O que aconteceu? — pergunta Jonas.

O olho e depois olho para Angel, que estava em pé ao lado da beliche.

— Já entendi. Vocês precisam conversar. Estou lá fora, se precisarem — diz Angel se afastando.

Assim que ela saiu, ficamos um tempo em silêncio. Mas logo, Jonas perdeu a paciência.

— Então... Eu já sei que é por conta da Violetta que você está assim. Nunca te vi, ou melhor, ouvi você chorar, muito menos dessa maneira... — dizia.

— Eu a perdi, Jonas — o interrompo. — Ela terminou comigo. Perdi o sentido de tudo.

— O que? Impossível! Ela te ama, Leon. É possível notar isso pela forma com que ela fala com você — diz. Jonas uma vez havia ouvido eu conversar com Violetta pelo telefon. Ele diz que se ouvir a voz da pessoa cobsegue faze-la mais real em sua mente.

— Acho que não ama mais — digo balançando a cabeça.

— O amor não pode acabar, Leon — diz pensativamente. — Por que ela terminou?

— Por um monte de motivos, e o pior é que eu não posso discordar dela. Ela está certa — digo tristemente. — Eu nunca fiquei com ela, tudo por essa droga de exercito! Agora não adianta fazer mais nada!

— Mas, o que ela disse?

— Eu não entendo. Ela estava.muito confusa, em um segundo estava calma e no outro estava irritada... Mas isso nã importa mais. Acabou...

— O que vai fazer, agora?

— Vou pro México com a minha família — digo seriamente.

— Não, Leon! Não desista da Violetta. O amor é maravilhoso e sei que vocês dois se amam. Sei porque sinto isso quando estou com Angel.

— Fico muito feliz que tenha encontrado o amor, Jonas. Mas eu não tenho pelo que lutar, não adianta. Ela disse que não me ama mais...

— Então você vai embora? — pergunta triste.

— Sim. Por causa do exército, eu perdi meu irmão e Violetta, não vou arriscar perder minha família. Nunca eu devia ter servido. Eu DESISTO de ser um Militar.

E a partir daquele momento, eu jamais voltei a pensar em ser um militar.

Notas finais
Por hoje é só, pessoal. A gente se fala quinta :)