Coração de Gelo (Versão antiga)
13 Desentendimentos
Notas iniciais
Quando Edward despertou ainda não era nem cinco da manhã e sua mulher dormia tranquilamente em seus braços. Ele não queria acordá-la, estava tão linda adormecida assim, então com muito cuidado se desprendeu dos braços de Bella e levantou da cama a deixando abraçada ao travesseiro dele.
O general não queria ter de sair, mas muitas coisas ficaram pendentes na base e ele tinha de resolver algumas antes do almoço.
Edward entrou no banheiro, fez a barba e toda sua higiene pessoal antes vestir sua farda e ir ao quarto da filha que mais parecia um anjo adormecido.
–Amo você princesa. –ele sussurrou e como se ela tivesse lhe ouvido Milla sorriu dormindo.
Com um sorriso bobo no rosto Edward fechou a porta do quarto de sua princesa e saiu de casa antes de cair na tentação de voltar a seu quarto e tomar sua esposa nos braços como estava desejando fazer.
[***]
Bella acordou às 6:30h quando o despertador tocou, ela se mexeu na cama e gemeu de frustração ao perceber que Edward já havia saído. Pulou da cama e foi acordar a filha para ela se arrumar para a escola. Depois foi ao banheiro, fez toda sua higiene pessoal e se arrumou vestindo uma saia preta de seda que Edward havia tirado da mala no dia anterior e uma blusa de renda branca com mangas curtas.
A saia não era tão curta, mas também não era tão cumprida assim, batia uns quatro dedos acima do joelho e tinha uma pequena fenda na pena direta.
Calçou as sandálias de salto pretas de coro sintético, arrumou os cabelos em um rabo de cavalo e passou um pouco de perfume.
Quando saiu foi até o criado mudo do quarto e lá encontrou uma rosa vermelha e embaixo dela um bilhete do seu marido. Ela nem precisou abrir para saber que era dele, afinal tinha o perfume dele.
“Neném, a minha vontade era estar na cama junto com você e cobri-la de beijos ao acordar sentido esse perfume maravilho que é o cheiro da sua pele macia, mas o dever me chama infelizmente. Irei buscá-la para o almoço.
Te amo.
Seu sempre seu Edward”.
Bella sorriu como boba e depois de cheirar a rosa e beijar o bilhete imaginando seu marido ali ela foi para a cozinha onde deu de cara com uma moça que não devia ter mais que 25 anos.
A diretora não gostou disso.
–Olá. –cumprimentou para chamar a atenção da moça que estava de cabeça baixa mexendo ovos em uma frigideira.
–Ah, olá. A senhora deve ser uma das convidadas do Edward, ele me disse para não acordá-las de modo algum.
Bella franziu o cenho.
Convidadas? Edward? Mas que intimidade toda era essa com seu marido?E por que Edward não tinha falado dessa mulher?
–Ele disse que éramos convidadas ou você deduziu isso?
–Bom, eu imaginei que fossem, afinal Edward não tem família, quero dizer esposa ou filhos.
Bella lutou consigo mesma para não falar besteira.
–E você o conhece há muito tempo? Trabalha para ele há muito tempo?-Bella perguntou calma, sentando-se em uma das cadeiras da mesa que havia na cozinha, mas sentindo o sangue borbulhar nas veias e o gosto amargo do ciúme estava em sua boca.
–Bem, na verdade não. -a mulher corou violentamente. -Eu trabalho para senhora Esme há alguns meses e Edward pediu a mãe ontem para mandar alguém vim aqui dar uma mão a ele hoje e ela me mandou.
–E só por causa disso você se sente no direito de tirar conclusões a respeito da vida alheia? -a pergunta saiu mais àcida do que Bella pretendia.
A mulher abriu a boca para retrucar, mas nesse momento Milla entrou no local interrompendo o diálogo das duas.
–Mamãe vamos tomar café aqui ou na rua?
–Você vai tomar café aqui, eu não estou com fome querida. -a diretora respondeu com a voz suave a filha.
–Onde está o papai? -Milla indagou.
–Em Marte. -Bella nem se tocou do que disse a filha até ver a confusão em seu rostinho.
–O quê?
–Nada querida, ele foi trabalhar.
–Poxa eu queria vê-lo antes de sair. -Milla resmungou mais para si que para a mãe.
E eu quero voar no pescoço dele. Bella pensou.
–Você o verá mais tarde, agora se apresse ou chegaremos tarde a sua escola.
Milla nem tentou discutir, pelo visto sua mãe não estava a fim de papo hoje.
Enquanto isso a diretora tentava não mostrar a sua filha o quanto estava irritada por ter uma loira peituda , de olhos azuis e com mais de um metro e setenta na sua cozinha.
Milla comeu algo que a fulana tinha feito e elas saíram, coitado de Edward quando sua mulher o visse.
[***]
Edward chegou ao seu quarto na base e teve uma grande surpresa ao encontrar sua irmã dormindo em sua cama, mas a pergunta era:
O que raios Rosalie estava fazendo ali?
Ele pensou em acordá-la, mas ainda era cedo, então foi até o refeitório tomar café da manhã já que ainda não havia tomado.
Às 7:30h ele ligou para sua mulher, mas ela não atendeu, talvez ela estivesse no trânsito e por isso não atendeu, mas por que ele tinha a sensação de que não era isso?
O general comeu qualquer coisa e voltou para o seu quarto encontrando sua irmã se espreguiçando na cama — havia acabado de acordar e como sempre linda, mesmo com o rosto todo amassado de sono.
–Bom dia pedaço do céu. -ele disso sorrindo quando ela olhou em sua direção.
–Onde você se meteu seu cachorro?-ela grunhiu fechando a cara para ele.
–Olá irmãzinha, sim eu também te amo e estou ótimo. -Edward disse descarado, pois amava irritá-la.
Sua irmã caçula era bem pavio curto, como ele.
–Não baque o sarcástico comigo Edward Cullen!!!
–Posso saber qual é o meu crime?-ele perguntou, se encostando no respaldo da porta de braços cruzados e bem relaxado.
–E ainda tem a cara de pau de perguntar. -Rose resmungou se levantando. –Você sumiu, não deu noticias a ninguém e está ferido seu cretino!
–Toda essa demonstração de carinho é só por causa de algumas costelas?
–NÃO!!! Tudo isso é porque você é um louco que é bem capaz de ter saído em missão mesmo tendo acabado de sair de uma situação crítica de saúde.
–Ah tá e correr o risco da Bella surtar mais que você. –Edward se arrependeu no momento em que soltou as palavras mesmo que sem querer ao ver a expressão de sua irmã.
–O quê? Isabella está de volta?
–Está. -a resposta foi neutra, não havia emoção na voz dele.
–Quando você a viu? Por que ela voltou? Eu não acredito que essa mulher teve coragem de te procurar. –Rosie grunhiu.
–Ela não me procurou Rosie, simplesmente aconteceu. Ela...
–Não me venha defendê-la agora! Espera ai, por que você disse “ah tá e correr o risco da Bella surtar mais que você”? O que exatamente você quis dizer com isso Edward Cullen?
–Bella continua sendo minha esposa, Rosie, junte dois e dois.
Edward sentiu vontade de se socar por deixar a irmã descobrir as coisas assim graças a sua boca grande, mas ao invés disso fechou os olhos e esperou a explosão.
–Eu não acredito nisso! Você voltou com ela, não é mesmo? Mas que merda Edward, o que você tem na cabeça? Foi por isso que ela voltou? Essa mulher não vale nada!
Edward lutou para manter o controle já que sua irmã estava à beira da histeria.
–Sim Bella e eu voltamos e temos uma filha juntos, caso você não se lembre.
–Filha essa que ela nunca permitiu que você visse. Isabella te abandonou quando você mais precisava, essa mulher é uma cachorra, Edward!
–Não me interessa se você ver as coisas assim, não me interessa o que passou. O que me interessa é o agora e caso você queira saber se não fosse minha mulher a esta altura eu já estaria preso outra vez mesmo que injustamente!-quando se deu conta Edward já estava gritando tanto ou mais que sua irmã.
–Ah, mas que ótimo, ela regressa a sua vida e você quase é preso. Parabéns Edward, você merece o prêmio de imbecil do século.
Enquanto discutia com ele, ela se arrumava de qualquer jeito.
–Olhar lá como falar comigo Rosalie!-Edward rugiu. Ele estava lutando para não ultrapassar os limites.
–Falo como bem entender e não me procure enquanto não largar dessa mulher.
–Ótimo, então adeus porque isso nunca acontecerá!-o general avisou antes de ela sair batendo a porta atrás de si.
Rosie estava enfurecida com a estupidez do seu irmão, depois de tantos anos ele ainda comia na palma da mão de Isabella.
–Cachorra sem alma. –a loira resmungou, enquanto saia pisando duro pelo corredor e ai de quem se metesse na sua frente.
[***]
Bella tinha deixado a filha na aula e trabalhava a mil no FBI como quem está pronta para a guerra. Ela ainda não tinha engolido a loira peituda e duvidava que fosse engolir.
–Ah, vejo que finalmente decidiu usar a aliança. –Jasper disse olhando para o dedo anelar dela, enquanto a mesma digitava algo no computador parecendo querer quebrar as teclas.
Bella parou abruptamente.
Que aliança? Ela não tinha colocado nenhuma aliança no dedo.
A diretora olhou para a própria mão esquerda e se surpreendeu ao ver lá a mesma aliança que havia jogado na cara do marido tantos anos atrás.
Quando Edward a havia colocado ali? Sim porquê com certeza foi ele, mas em que momento? Quando estavam fazendo amor ou quando ela estava dormindo?
–Achei que seria o melhor. –ela disse dando de ombros e tratando de esconder sua surpresa e o fato da descoberta inesperada ter mexido tanto com ela.
–E por que não usava antes?-o subdiretor quis saber.
–Jasper onde está o relatório que pedi mais cedo a você?-ela mudou abruptamente de assunto.
–Ok, já entendi, não é da minha conta. –ele falou levantando-se. –Vou buscar o que quer.
Bella continuou trabalhando e dobrado por tudo o que deixou pendente por conta do dia anterior até seu marido irromper pela porta da sua sala.
–Me diga que você esqueceu seu celular em casa porque somente assim para explicar você não ter atendido mais de vinte ligações minhas. –ele disse autoritário colocando as grandes mãos sobre a mesa de Bella.
–Estou trabalhando. –ela disse simplesmente sem nem olhá-lo e seguiu mexendo nos papeis que lia.
–Isso não é motivo para não ter atendido as minhas ligações. –ele resmungou.
–Não, mas aquela loira peituda na cozinha do apartamento sim!-a morena devolveu irritada.
–De que loira peituda você está falando?-o general indagou sem entender patavina do que sua mulher estava falando.
–Não se faça de besta Edward Cullen!
Bella largou os papeis que lia e levantou colocando as mãos na cintura.
–Neném, eu não estou fazendo isso, eu realmente não sei do que você está falando.
–Eu estou falando da loira oxigenada, peituda por ser siliconada, que mais parece um vara-pau e eu não posso esquecer dos olhos azuis que se duvidar foram comprados em uma ótica qualquer!
–Está falando da Eveline?
–Eu não sei o nome daquela infeliz, só sei que não a quero perto de mim ou de nossa filha outra vez. Convidadas, pois sim!-Bella resmungou indignada.
–Neném se acalme e me diga o que ela te disse exatamente, ok?-Edward pediu vendo que sua mulher realmente ficou chateada.
–“Ah, olá. A senhora deve ser uma das convidadas do Edward”-Bella fez uma imitação barata da voz irritante daquela mulherzinha.
Edward estava ferrado e não podia culpar a ninguém. A culpa era toda dele!
–Neném me perdoe, a culpa foi minha. Quando liguei hoje para o nosso apartamento para falar com a empregada que mamãe mandou e você ainda dormia eu dei ordens a ela sem nenhum detalhe.
–Não sabe como saber disso me deixa feliz. –Bella murmurou sarcástica. –Nenhuma mulher gosta de ser tratada como convidada em sua própria casa e muito menos encontrar uma zinha estranha futricando na sua cozinha sem que ela seja informada de nada!-ela explodiu.
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–Isso tudo é ciúmes?-o general perguntou, contendo um sorriso de contentamento ao perceber o cuidado dela com ele.
–Não! Isso é porque eu não gosto de estranhos perto da minha filha. Tenho muitos inimigos, você tem muitos inimigos. –a morena mentiu não querendo demonstrar ao marido seus verdadeiros sentimentos.
Ele já era convencido por si só, não precisava de ninguém enchendo a sua bola.
–Está falando sério?-ele lhe perguntou completamente cético.
–Quando foi que você ligou para sua mãe?-Bella lhe questionou fugindo da perguntar. Com os outros até podia ser uma excelente mentirosa —fazia parte do seu trabalho às vezes— mas com ele era simplesmente horrível nessa arte. Seus olhos sempre a entregavam.
–Ontem enquanto fazia o jantar. Não se preocupe, eu não disse nada a ela sobre nós. Apenas disse que precisava de ajudar no apartamento, eu não imaginava que ela fosse me mandar Eveline e não Bá, que sempre cuida de mim quando preciso. –enquanto explicava Edward tratou de se aproximar.
Bá era uma senhora muito doce que já trabalhava há catorze anos com os Cullen, ela havia começado lá um após o casamento de Bella e Edward.
A enxaqueca de Bella estava explodindo devido a sua irritação, mas bastou olhar para a cara de cachorro pidão que seu marido estava fazendo tão próximo a ela agora para esquecer disso por alguns momentos.
[***]
–Rosie querida, aconteceu alguma coisa? Do jeito que está sua expressão parece que está a ponto de matar alguém. –Esme Cullen, sua mãe disse a loira assim que chegou na casa dos pais.
–Não é nada mamãe. Onde estão meu pai e minha filha?-Rosie falou tentando forçar um sorriso.
Ela não queria ser a responsável por dar a má noticia da volta de Isabella a eles. Seu irmão ingrato que fizesse isso quando tivesse de enfrentá-los.
–Eles estão no jardim, mas se não é nada por que me parece que você está mentindo?
Esme era uma mulher muito bela, apesar de ter cinquenta e oito anos ela aparentava no mínimo dez anos a menos, mas, além disso, ela também era muito esperta e perceptiva.
–Impressão sua mamãe, só ando meio cansada demais. Eu vou ver minha filha, com licença.
Ai tinha e ela iria descobrir o que era ou não se chamava Esme Cullen.
Continua...
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