Coração de Fogo
1 A Morte da Fenix
Notas iniciais
Há setecentos anos existia uma fera, um monstro tão terrível e poderoso que até os mais corajosos guerreiros o temiam. O ser era cruel e consumido pelo ódio atacou, destruiu e matou reinos e raças. Alguns dizem que foi obra dos Undeads, outros dos Demônios. Corre o mito que a criatura foi mandada pelos Deuses para destruir suas criações: os humanos. Mas ninguém sabe ao certo. Entretanto, o nome do animal, se é que podemos chama-lo assim, ainda traz arrepios nos pensamentos dos humanos. O nome da abominação era Fenix.
Durante as décadas que a Fenix assombrou o reino dos humanos, juntaram-se a batalha os elfos e os anões. Mas nem com a ajuda destes conseguiram conter a fera imortal. As poderosas magias dos magos e os truques dos elfos pareciam não funcionar diante da Fenix e o mundo dos humanos permaneceu em caos por volta de 93 mil anos.
Reza a lenda, que quando a raça humana estava a beira da extinção, um mago muito poderoso chamado Therazane, em um golpe de oportunidade, aprisionou a Fenix em suas próprias cinzas enquanto estava a beira da morte, e assim ela não poderia renascer e o mundo dos humanos ficaria em paz.
Therazane nunca voltou para casa, mas pelo seu ato de bravura, foi nomeado O-Senhor-do-Fogo e seu nome foi lembrado para sempre.
Séculos se passaram e as cinzas da ave se mantiveram sempre juntas dentro de um enorme vulcão inativo no meio de uma extensa planície que o rodeava. Esta planície era um mar de lava quando o vulcão ainda estava em atividade e a Fenix ainda vivia.
Existia um reino, chamado Therazane – que foi nomeado em homenagem ao Senhor-do-Fogo — , localizado nas proximidades do vulcão da Fenix, que comemorava os 700 anos da morte do monstro. O dia conhecido como A Morte da Fenix era o maior e mais importante evento do reino onde seres de todo o mundo de Azeroth iam festejar. Mas neste ano algo diferente aconteceu. Dentro do vulcão, as cinzas da ave se mexiam e se juntavam,formando um enorme monte. E dele, surgia um ser. O corpo se assemelhava a de um homem adulto que brotara das cinzas e ainda negro andava para fora do monte, procurando talvez reconhecer seu corpo que lhe parecia estranho.
As cinzas foram se soltando de seu corpo nu aos poucos, dando lugar a pele humana. Uma pele clara e forte como a de um humano adulto. Fora andando pelo labirinto do vulcão procurando, meio lesado, por um pouco de água.
Confuso sem saber exatamente quem ele era, e de onde veio ainda tinha de lidar com a enorme fome e sede que o consumia. Mas não havia nenhuma saída daquele local escuro e seco, abandonado pelos Deuses.
Passaram-se apenas alguns dias, mas para o homem que nascera das cinzas, pareciam meses. Sua cabeça latejava de dor e constantemente tinha visões estranhas de imagens de uma ave de fogo que lhe parecia familiar. Seu corpo permanecia fraco, mas sua angustia causada pela fome o fez perder o controle de seus próprios pensamentos por alguns segundos e com suas mãos possuídas por desespero, bateram fortemente na parede da caverna seguidas vezes.
Quando voltou a si, seus olhos foram cegados por uma forte luz vindo de fora. Andando vagarosamente para a vida, apertou seus olhos tentando ver algo e a medida que andava suas pupilas foram se acostumando com o brilho forte do Sol e as imagens foram se formando. Seus pés tocavam a mesma estrutura gelada e dura que tinha na caverna. Mais a frente, além das planícies rochosas, via uma densa floresta e conforme fora virando seu corpo para acompanhar o estranho desenho que a mesma fazia sobre o terreno, deu-se de cara com um enorme vulcão. Surpreendido, parecia que este havia matado todo o tipo de vida perto dele. Neste momento só conseguia pensar em sair de perto do assassino.
Correu, mesmo sem muitas forças, floresta adentro e logo esbarrou-se em um lago. Seu corpo parecia excitado com o líquido, e sua garganta seca parecia clamar por este. Então, o jovem se jogou na água com vontade e se deixou ser possuído pelo lago. Enquanto relaxava sobre a água pensando em que rumo tomar, percebeu um movimento na água e outro logo após deste. Já alerta levou suas mãos com agilidade para cima de onde vinha o movimento e agarrou um peixe. Ele se debatia nas mãos do homem mas o mesmo, apertou o bicho, esmagando suas entranhas até a morte. Sem hesitar já foi abocanhando o animal e só parou quando sobrara apenas ossos.
Antes de continuar seu caminho, sabe-se-lá para onde iria, viu seu reflexo na água cristalina. Sua cabeça era um pouco redonda e afinava na mandíbula, tinha cabelos castanhos, ondulados que batiam em seu ombro e uma barba mal feita. Os olhos eram grandes e cinzas. Era a primeira vez que via seu rosto, e mesmo que não tivesse se achado feio, ainda era um pouco estranho o vê-lo desta forma.
Satisfeito, continuou andando pela mata e a medida que andava começou a escutar barulhos. Sons de instrumentos e vozes animadas. Pareciam festejar algo. Curioso, decidiu seguir o som. E depois de andar algumas horas chegou a uma estalagem. E mesmo que o lugar parecesse agitado, o auge do som não vinha deste lugar. Mas mesmo assim decidiu entrar.
Quando se aproximava da porta, ouviu alguém gritar alguma coisa e não sabe-se porque, o homem olhou.
- Pretende entrar vestido assim? Quer dizer, pretende entrar sem vestes? – Percebeu que era realmente com ele com quem falavam e agora que lembrara que estava totalmente nu e seu rosto corou.
- Er...Agradeço-lhe, por me avisar. Eu mesmo já havia esquecido deste detalhe. – Disse um pouco sem jeito mas mesmo assim com um sorriso no rosto.
Apenas agora viu com quem falava. Uma elfa. Alta e forte, parecia uma guerreira de alto nível julgando pelas suas vestes e seu arco que levava em suas costas. Pelo seu julgamento, parecia um Arco-falcão Fogo Celeste, que é bastante impressionante para uma mulher que parecia tão jovem. Suas orelhas eram grandes, típicas de sua raça, pele meio amarelada e cabelos loiros realçavam sua beleza que era mais evidente quando olhava-se para seus olhos claros.
Logo depois, a elfa chamada Lyna, arrumou alguns trapos para o jovem e as vestes lhe cairam bem. Ela o levou para uma taverna próxima ao reino e ficram conversando por algum tempo. Mesmo ela logo percebendo que ele não era nativo desta região, não sabia que tinha supostamentepoucos dias de vida. E mesmo assim ele sabia o idioma comum, além de conhecer nomes de armas, raças, Deuses... Sabia o nome de todos os objetos que estavam a sua volta, e acima de tudo quando foi colocado em sua mesa um copo enorme de cerveja, sua boca ficou seca. Quando bebeu, era como se seu corpo já conhecesse, e então, seu corpo o recebeu com muita vontade.
Nem se importava mais em saber de onde viera, apenas que ficaria bebendo ali para sempre. A elfa estava surpresa com a voracidade que seu companheiro bebia mas sorria e aproveitava o momento. A música animada tocava no fundo, seres de várias raças bebiam, riam, brigavam, conversavam e dançavam. Seu lugar era ali, pensava o jovem.
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