Notas iniciais
Sejam Bem-vindos! Espero que gostem *-* Boa Leitura!

10 de janeiro de 2015

Em mais um dia ensolarado, escrevo esta carta para uma pessoa sem remetente. Poderia estar dormindo ou comendo, coisas que estou acostumada a fazer diariamente, mas não, aqui estou eu.

Uma garota deprimida, que não tem amigos para conversar o que leva a desabafar com uma folha, ou com as palavras. Então se você está lendo isto, se sinta privilegiado, porque de alguma forma aprenderá uma lição de vida com o decorrer da minha historia.

Hoje é um dia feliz, apesar de agulhas e enjoos definirem o que vou passar dentro de algumas horas, mas no final todos vão sorrir e me dar os parabéns. Depois voltaremos para casa e diferente de todos os dias, não comeremos ervilhas e vegetais congelados, com certeza. Nossa noite terminará em restaurante caro ou até mesmo em uma festa requintada, minha mãe chorará quando for fazer o brinde em minha homenagem, meu pai me dará os parabéns e partirá para a empresa o mais rápido possível. Eles fingiriam ser felizes, pelo menos uma vez. Por mim.

Sei que estou saindo A garota deprimida, talvez eu seja. Mas a verdade é que nem sempre foi assim. Minha mãe era feliz, dona de uma grande comunidade defensora das mulheres, meu pai não se enfurnava no trabalho, ele participava da minha vida. Meu irmão contava piadas engraçadas de irlandeses, e me colocava para dormi. Nem sempre fomos a família que somos hoje...

De manhã mamãe veio me acordar animada, acho que ela tem esperança de que agora que estou curada nossa família voltaria ao normal, essa ideia me fazia ter pena dela. Nós somos como os vasos que as pessoas colocam na sala, ele é extremamente bonito e admirável, só que... quando ele caí no chão e se quebra não há conserto. Nossa família é assim, não há conserto para nós. Tentei demonstrar alegria, ela era minha mãe e queria vê-la feliz, por isso mesmo coloquei uma das melhores roupas do meu guarda roupa, por mais de estar a caminho de um hospital.

O café da manhã foi definitivamente silencioso, papai falou que estava bonita. Mas a verdade era que não estava, todos os dias depois que meus cabelos começaram a cair ele falava aquilo. Eu gostava, no começo. Eu realmente me sentia bonita, ignorava a falta de cabelo toda vez que me olhava no espelho. Mas a verdade, é que aquilo havia virado rotina, aquele era seu jeito de dizer que estava ali.

Depois do interminável café, mamãe e papai tiveram uma pequena discussão. Papai falou que depois de nos levar ao médico ele teria que ir para a empresa, minha mãe ficou com muita raiva. Ela falou que ele não me amava, que não se importava comigo. Eu fiquei quieta, as discussões sempre aconteciam só que ela nunca me colocou no meio, e quando ela disse aquilo eu olhei para meu pai. O homem que um dia fora meu herói, ele me encarou e depois minha mãe e por fim disse que iria tirar folga do trabalho, pelo menos por hoje. Minha mãe ficou feliz, acho que se ela soubesse que me usar para fazê-lo ficar seria útil ela já teria feito a muito tempo atrás.

Na vida as pessoas nos definem através de ações . As vezes por você ser educada e inteligente as pessoas te definirão como nerd, ou por você usar batons ousados e roupas extravagantes as pessoas te definirão como vadia, desculpe a palavra mas hoje em dia é assim que chamamos as meretrizes. Eu queria que minhas ações me definissem, mas eu não tenho ações e não sou definida. Sou um mero desastre do destino. Não quero falar sobre minhas não-ações, não quero que tirem opiniões precipitadas de mim então é melhor eu ir, mamãe está me chamando, aliás, hoje é meu último dia de quimioterapia.


Com amor,
Hayley.

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado, bjs :*