Coração Puro

15 Que os jogos comecem.


- Só retorne quando puder trazê-la consigo! — berrava minha baixinha favorita da sacada, enquanto eu partia das terras de minha família.

Os passos do cavalo me irritavam, teria ido mais rápido se fosse correndo, porem como explicar a família Swan. A manha passara como uma tortura, o relógio parecia se arrastar e o medo de que Bella percebesse o erro que era ficarmos juntos, ou que aquele cão a convence-se a ficar com ele. Mas todos os meus receios e meu desespero desapareceram quando adentrei o jardim da família Swan, como sempre Bella era uma visão dos deuses, a única capaz de “despertar” meu coração adormecido há décadas, ela vestia um belíssimo vestido de verão negro, que combinava com seu chapéu e cesta.

Assim que fui avistado, um serviçal tomou meu cavalo e o levou para o estábulo, aproximei das duas e as cumprimentei com uma leve referencia.

- Senhora e Senhorita Swan!

- Senhor Cullen! — ambas responderam.

- É uma honra recebê-lo em nossa humilde casa. O senhor é nosso convidado para tomar um chá conosco!

- Será um prazer madame!

Ela sorriu maliciosamente enquanto notava os olhares que Bella e eu trocávamos.

- Senhor Cullen — a mãe de Bella disse chamando minha atenção, eu a olhei já sabendo o que se passava na mente dela — o senhor poderia ajudar minha Isabella a terminar de colher as rosas?

- Seria um prazer!

Bella corou violentamente, sua mãe percebeu e me entregou a tesoura de poda e se retirou do jardim.

- Sua presença me faz falta, Senhor Cullen! — Bella disse disfarçando um risinho pela maneira formal como estava a me tratar, eu ri disso.

Ela prestava atenção na poda das rosas, mas sua face estava corada e seu coração batia descompassado, minha garganta ardeu involuntariamente, mas eu não sabia a falta desta sensação até tela de novo, eu sorri.

- Também senti a falta de sua companhia senhorita Swan! — disse próximo a seu pescoço, ela se arrepiou, eu ri silenciosamente, notei que estávamos a sós no jardim, então virei seu dorso para mim e rocei meus lábios nos dela. Assim que nos separamos, estendi a ela a única rosa negra do jardim. Ela tomou delicadamente a flor em suas mãos e me olhou confusa.

- Ela é igual a você — me aproximei e sussurrei contra seus cabelos — a mais Bella e rara de todas!

Bella corou violentamente com o trocadilho, sorrindo ela segurou minha mão.

- Vamos?

Saímos do jardim, caminhando de mãos dadas, fomos até o local onde a família de Bella estava reunida, a mãe de Bella olhou nossas mãos unidas assim que alcançamos o campo de visão dela, eu olhei para Bella e nossos olhos se cruzaram, ela corou e abaixou rapidamente o olhar

- Venha adornar a mesa com as rosas Bella! — ouvimos a Senhora Swan gritando.

Bella sorriu para mim, e correu na direção de sua mãe. Eu caminhei até a mesa onde o senhor Swan e o Senhor Black jogavam uma partida de xadrez. Meus passos eram lentos, até mesmo para um humano, mas eu não queria prestar atenção no caminho, e sim em Bella arrumando as rosas na mesa.

- Venha jogar conosco Senhor Cullen! — disse o Senhor Swan.

Ele e Black jogavam já fazia algum tempo, me aproximei da cadeira do Senhor Swan, que praticamente já havia ganhado o jogo, claro que sem saber que o Senhor Black havia permitido, apenas para agradá-lo.

- Cheque mate! — disse o Senhor Swan — agora é sua vez Senhor Cullen, o senhor joga xadrez?

- Sim... Claro... Que cavaleiro que se preze não joga xadrez, meu pai me ensinou desde pequeno!

O Senhor Swan se retirou da cadeira, me dando licença para sentar onde a pouco ele se encontrava, e começou a caminhar em direção a mesa que Bella arrumava, assim que seu pai se aproximou de mesa, ele disse pra Bella que tinha nos vistos de mãos dadas e que eu era uma boa pessoa. Escutei também os risinhos de Bella e sua mãe. Eu sorri, mas os pensamentos do Senhor Black, que escutava tão bem quanto eu, eram reprovatórios aos fatos.

Nossa partida foi acirrada e devo confessar que violenta, nossas rainhas tornaram-se o ponto principal da partida, claro que uma maneira de mostrar ao outro o quanto Isabella era importante, em nossa partida ela assumiu o lugar do rei.

- Venham comer algo Senhores! — nos disse a Senhora Swan.

Aproximamos-nos da mesa que continha um belíssimo chá da tarde.

O Senhor Swan era servido por sua esposa, Bella estava sentada com a face parcialmente coberta por seu livro de Romeu e Julieta, eu sorri com a cena, mas o Senhor Black fez questão de verbalizar o quão irritado ficava com o fato de Bella ler tanto.

- Por que não larga esses livros Bella? Não é apropriado para uma dama ler tanto!

Bella lançou a ele um olhar de mágoa, seu pai mantinha o olhar e o pensamento indiferente a este assunto, ele não via problema algum à filha gostar de ler tanto, sua mãe pensava em quantas vezes já havia lhe reprovado por isso, sempre pensou que um dia isso pudesse se tornar um problema. Eu a defendi.

- Creio que esteja errado Senhor Black! É tão importante quanto à música e as letras, uma mulher deve saber apreciar um bom livro. Aprovo muito o fato da Senhorita Swan saber apreciar a arte da leitura! Devo confessar que esta é uma das qualidades que mais admiro na Senhorita!

Bella sorria corada para mim, foi quando escutei os pensamentos do Senhor Black, que me olhava maliciosamente, ele levou um dos inúmeros doces da mesa a boca.

- Seus doces continuam maravilhosos Bella!

- Realmente menina, você tem mãos de fada para doces.

Bella riu do comentário de seu pai.

- O senhor não aprova doces, tanto quanto os livros Senhor Cullen, afinal não vi o senhor provar nenhum deles, uma verdadeira desfeita ao trabalho de Bella.

- Ao contrário senhor Black, aprecio muito doces, os bons doces são aqueles feitos por mulheres apaixonadas — olhei para Bella que sorria corada para mim — porem adquiri uma doença com a qual perdi totalmente meu paladar, creio que seria pior comer e não comentar nada, do que não provar, creio que a senhorita me perdoe minha deselegância!

- Está perdoado com toda certeza — ele lançou um olhar de dor para Bella — até mesmo porque o único médico da cidade vai querer proteger o seu sobrinho não é mesmo! — o senhor Black disse antes que Bella tivesse a chance de se manifestar.

- Eu não me importo — Bella disse visivelmente aborrecida, ela se levantou e começou a se retirar de lá segurando minha mão, porem ela parou bruscamente, se virando para encarar o Senhor Black – a propósito eu não gosto de doces!

Sentei-me na sacada que circulava minha casa, fechei os olhos e respirei profundamente, estava fora de mim, quem aquele homem pensava que era para falar assim com Edward, ele não sabia como era a vida de Edward para falar dele.

- Eu sinto muito Bella, não queria que tivesse que se indispor com o Senhor Black!

Abri os olhos e vi Edward muito próximo ao meu rosto, será que algum dia eu deixaria de me surpreender com a beleza dele? Minha respiração tornou-se ofegante e meu coração disparou, enquanto meus olhos percorria por sua bela face de querubim. Meu rosto queimava por chamas invisíveis e nos olhos dele fui capaz de distinguir dois tipos de fome, uma desconhecida para mim, mas a outra compartilhada por nós.

Nossos rostos foram se aproximando e eu senti seu hálito frio em meus rosto, seus lábios uniram-se aos meus, que se moldaram nos lábios frios e gelados de Edward, em um impulso passei meus braços por seu pescoço e entreabri meus lábios sobre os deles, nossas respirações estavam ofegantes, como se estivéssemos correndo, eu não sei como, apenas senti quando minhas costas foram prensada na árvore em frente a minha casa, as mãos de Edward acariciavam minha cintura, meus braços, enquanto seus lábios se revezavam entre beijos nos meus lábios, em meu pescoço, minha mandíbula e meus colo semi descoberto, deixando por onde seus lábios gelados passavam um rastro de fogo. Eu estava imersa em um mundo de sonhos e prazeres até então desconhecidos por mim, mas meu “paraíso” e meus devaneios foram interrompidos por um rosnado vindo não do vampiro a minha frente, mas por algo que estava atrás da árvore em que nos encontrávamos.

Apos abrir meus olhos os acontecimentos foram rápidos demais e eu já não sabia o que fazer!